O luxo e a ponta do iceberg.

O grande Marcos VP escreveu um belo texto dias atrás, aqui publicado.

Substancialmente estou de acordo com o
que escreveu, somente não compartilho do foco da análise e de suas
conseqüências. Na verdade não faço aqui uma critica ou contraposição,
mas um complemento com coisas que penso, opiniões que são. Bem, na
minha opinião o buraco é mais embaixo, o que não muda o valor do que
escreveu e jovem Marcos. Somente que o texto termina onde eu
consideraria que é o começo. O luxo nada mais é que expressão e a forma
distintiva do poder. Seja ele qual for. Ao longo da historia isso se
manifestou de diferentes formas: jóias, ouro, palácios, pirâmides,
numero de escravos, e muitas outras coisas e nesse aspecto, o da
ostentação de riqueza com o objetivo de demostração de poder, nada
mudou. O que mudou é que a humanidade foi crescendo, descobrindo suas
possibilidades, para o bem e para o mal e o que antes era “o” poder, de
um rei, de um imperador e de uma classe restrita, hoje se traduz em
“os” poderes, interligados, complementares, intrincados e muitíssimas
vezes escondidos. Vamos admitir que o mundo está um tantinho mais
complicado que há, vamos dizer, apenas 200 anos. Mas as formas de
ostentação e de absurdos continua. Com o agravante de que se antes o
planeta sofria o impacto ambiental de dois ou três caprichosos e seus
milhares de escravos, hoje os reizinhos são milhões e os escravos,
humanos ou mecânicos, bilhões. 
 
Sim, superpopulação é um dos outros
mais importantes fatores de degrado. E ela tem raízes históricas (olha
a historia ai de novo) na explosão ocorrida desde a revolução
industrial, somente possível pelo uso maciço de petróleo, gás, carvão e
eletricidade a preços que permitiram essa massificação. Aliado a isso,
no plano da organização social, esse período foi marcado pela difusão
da democracia, que assume tal qual um camaleão, diferentes formas de
acordo com o período e o lugar. O fato é que na maior parte dos casos a
democracia se constitui em uma constante promessa, mais do que uma
realidade. E como promessa, se finge de solução e abriga sob suas asas
os poderosos de plantão. Aqueles que gostam do luxo. Tudo o contrario
do que efetivamente deveria ser.
Porque historicamente, a democracia se
desenvolve como remédio, ainda que imperfeito, ao enorme poder que
sempre tendeu e tende a se concentrar. Na própria raiz do conceito, ou
seja, dar voz e vez a todos, existe uma enorme possibilidade de
integração e de aplainamento de diferenças. O “cidadão” como individuo
em pares condições nasce a partir dessa visão. Antes eram os nobres e a
patuléia. Com a democracia, o poder deve ser naturalmente sub-diviso e
isso inclui os recursos e meios. Olhando de frente esse mundo do luxo,
como bem salientou o belo Marco, onde se encontra a verdadeira
democracia?
 
Uma das complicações é que a historia
nos trouxe de presente tudo isso, mas o que nos restou nas mãos nos
dias de hoje? Uma caricatura.
 
O cidadão foi pouco a pouco se
transformando em consumidor. Surgem as classes médias contentes, massas
de escravos que com poucos mimos silencia, sempre sonhando em ter o que
o poder reserva aos poucos eleitos. Além disso sobrevêm uma tendência
de se varrer os séculos de historia debaixo da palavra mercado. Um novo
deus que começa a dar respostas melhores e mais sedutoras que os deuses
tristes e assexuados até então em voga. Muitas vezes esses deuses se
associam e a combinação é devastante (mas isso é outro papo).
 
O mercado é a resultante dos inúmeros
vetores que convergem ou divergem e que formam essa entidade imaterial,
mas que porém é reconhecível e tem os seus agentes com nome e
sobrenome. Senão fica parecendo que o mundo é assim, quando na verdade
ele foi feito assim. O mercado, assim como um deus, deve ser
acreditado. Dizem que existe, mas poucas provas existem sobre sua
existência. Carece de fé. Ou ideologia, o que dá mais ou menos no mesmo.
Debaixo dessa palavra, mercado, o que
existe na verdade é uma guerra dos poderes. Tem o pessoal que briga
pelo petróleo, fazem até guerra de verdade, tem a turma da industria,
da tecnologia, da especulação financeira, da industria cultural, a zona
euro, a china emergente, os que vendem drogas, as máfias, entra quase
tudo aqui, a lista é imensa e como disse antes, intrincada. Mas onde o
que menos prevale são as chamadas regras de mercado.
 
Uma das leis de mercado diz por
exemplo que os preços dependem de oferta e procura. Os preços dos
alimentos por exemplo tem como referencia o Chicago Board of Trade que
acusa enormes aumentos nas cotações dos grãos. Se fala em crise
alimentar, a fome aumenta no mundo e muita gente morre por isso. O
irônico é que na verdade a produção mundial de grãos é sempre
crescente, mas os preços sobem simplesmente porque a produção americana
é que está em crise e o comercio mundial de alimentos abriu suas
portas à especulação financeira, que nos últimos tempos anda queimando
bilhões de dólares em operações de risco e pelo uso de dinheiro
volátil. Isso tem acontecido com inúmeros outros bens. O jogo de xadrez
de uns poucos define o destino de bilhões. O mercado, como conceito,
serve bem mesmo somente para amansar as classes médias que o adoram e o
sonham como ideal de liberdade.
 
Jogos de poder estão em todos os
lugares. Existe até mesmo em pequenos grupos, como no nosso coletivo
aqui do Faça sua parte, ou em um pequeno condomínio. Se disputa por
atenção, por prestigio, por simples paparicação. Os interesses vão se
transmutando, evoluindo. Eles tendem a se agudizar e crescer em
consequências. O poder, uma vez que começa a tomar forma, vai se
protegendo, aumentando e se realimentando.
 
Atrás desse mecanismo, quando não
controlado, vem em modo quase inevitável a corrupção e os interesses
privados superando os comuns. Em países com o poder muito concentrado
como no Brasil, o fenômeno é quase um dado cultural. Utilizar as
estruturas do estado para fazer seus próprios negócios vira algo
digerido por todos. Bem, na Itália onde vivo, assistimos uma das mais
assombrosas apropriações de poder da história, e tudo dentro das regras
“democráticas”. O que existe hoje aqui é um verdadeiro regime
ditatorial, travestido e mascarado, aceito plenamente apenas porque
derivado de voto. Na prática, uma micro elite de corruptos controla
praticamente todos os setores da vida politica e econômica. Tudo tendo
a frente a frase: “livre mercado”. Prometem obras, concessões,
eliminação de leis de conservação da natureza e “cereja sobre o bolo” a
volta da energia nuclear. Diante disso, fazer a própria parte em
separar lixo e dobrar latinhas não é mais que obrigação civil, mas se
se quer ver mudanças, é preciso fazer a própria parte indo além.

Mas no caso italiano, a culpa é do mercado? Ou seja, as demandas do
povo italiano por ditadores estavam altas e ai resolveram votar no cara
mais poderoso da praça, ou foi porque através de uma enorme série de
recursos de comunicação e convencimento social onde a imprensa tem um
peso preponderante e diga-se de passagem, deplorável, vai-se forjando a
famigerada opinião publica, justificando toda uma série de desmandos e
abusos? Além disso tem a escalada de concentração de poder econômico
que vai engolindo tudo e todos. De quem é a culpa? De todos e de
ninguém. A segunda guerra foi culpa só de Hitler, ou somente do povo
alemão? A culpa foi do poder que em modo coletivamente inconsciente foi
sendo despejado nas mãos de poucos que o desejavam e nesse processo vão
enlouquecendo todos. As loucuras que se cometem contra a natureza tem a
mesma origem e desenvolvimento. Nòs temos a desgraçada capacidade de
nos adaptar a situações, mesmo as negativas e/ou absurdas.

 
O que è necessário é mudar toda uma
estrutura de poder a partir de uma mudança de mentalidade. Freud
sugeriu a destruição do ego como porta de passagem obrigatória para
atingir a felicidade. O caminho da salvação da especie humana como
beneficiaria dos bens a gozar desse planeta, passa por esse percurso.
Passa também pelo percurso da eliminação do culto ao mercado, ao
consumo e ao crescimento econômico. Resgatar o verdadeiro sentido de
democracia que é o da distribuição equilibrada de poderes através do
embate racional das forças antagônicas e das vontades. O centro deve
ser o humano como ente de valor intrínseco. Sem essa visão, vamos estar
aqui a pentear bonecas. Porque só muda o meio ambiente quem tem o poder
de fazê-lo. Para o bem e para o mal.
 
Tecnocratas e construtores são
perniciosos ao meio ambiente. Vomitam cidades e arranha céus como quem
brinca de banco imobiliário. Empreendedores quando chegam em um lugar
não deixam pedra sobre pedra. Usam recursos públicos com seus
empréstimos e benefícios e devolvem a gentileza em forma de calote e
devastação da natureza. Políticos profissionais fazem seus planos e
campanhas prometendo crescimento, recursos para todos, viadutos,
estradas e o escambau, o que deve ser traduzido como uma ofensa digna
de vaia, pra dizer pouco. A imprensa, sob o guarda chuva da isenção,
isentamente apóia e sustenta tudo o que o poder quer e precisa.
Especuladores financeiros tem pêlos no estomago e são capazes de vender
a própria avó ao açougue se isso render algum. As grandes corporações e
multinacionais fazem maravilhosas campanhas publicitarias de apoio a
iniciativas “verdes”, enquanto na retro-bodega usam as fantasmagorias
de engenharia genética, pesticidas, trabalho infantil e fecham os olhos
até paras as violações dos direitos humanos nos países onde tem suas
unidades de produção à mão de obra grátis.
 
Em resumo, cada coisa tem seu nome,
sobrenome e endereço. O duro é separar o joio do trigo na barafunda de
informação em que nos metemos. Além disso, mais duro ainda é convencer
as pessoas que elas podem e tem poder. Elas não acreditam! E ainda por
cima, temos que conviver com o sentimento de culpa da classe media que,
sempre obediente e acontentada com penduricalhos eletrônicos, aceita se
colocar sobre as próprias costas toda a culpa por todos os problemas do
mundo. E se auto compadece e se concede a expiação desses pecados
através das pequenas boas ações. E no fundo, a ação que conta não
existe. E não agindo estamos dando nosso aval para que o descalabro
vença.

Eu pessoalmente tenho feito muito pouco
e vejo com pouca esperança o que reserva o futuro. Mas ao menos não
estou nem um pouco contente, assim como muitos de nós, ainda bem

Uma ultima coisa, o caro Marcos insinuou
que um carro elétrico fosse pouco interessante. Apesar de funcionar
como publicidade grátis, o que não é minha intenção, dá uma olhada
aqui. ou aqui

13 Replies to “O luxo e a ponta do iceberg.”

  1. Também acredito que o luxo é somente a ponta do problema.
    Entendo que a questão ambiental, e o modo como ela é tratada, faz parte de todo um processo cultural do qual fazemos parte, onde já estão soldadas em nossas personalidades o consumismo, a relação de apego material, o desejo pelo novo (produto), entre outras coisas.
    Não sou pessimista acredito que ainda dá tempo para reverter este quadro, basta discutir estes assuntos, incentivar que os outros também debatam, e tentar fazer a nossa parte.
    Quanto ao carro elétrico, a Honda deverá lançar em 2008 (já está sendo fabricado) um carro movido a Hidrogênio e energia elétrica para ser comercializado nos EUA!
    Abraço

  2. Meu caro,
    A história tem se mostrado mais sábia do que quem a faz. Ela é cíclica e esses ciclos tornam-se cada vez mais curtos. De milhões a milhares, de milhares a mil e, agora, a tal modernidade, com apenas 600 anos (+-), está a findar. E não é coisa para daqui mais 100 ou duzentos anos. É pra logo. Só não está vendo quem não quer.
    “O que è necessário é mudar toda uma estrutura de poder a partir de uma mudança de mentalidade.” A questão é: o poder é inerente ao ser humano. Dos poderosos da pedra lascada ao poderosos do mercado, apenas passaremos para as mãos dos poderosos do meio ambiente.
    “Resgatar o verdadeiro sentido de democracia que é o da distribuição equilibrada de poderes através do embate racional das forças antagônicas e das vontades”. Com todo respeito ao parceiro, mas isso não existe pela simples constatação de que os seres humanos não são iguais. Logo, não há que falar em “distribuição equilibrada de poderes”, em meio a uma espécie cujos indivíduos não têm a mesma força, a mesma capacidade, a mesma inteligência. Coloque-os todos em pé de igualdade (e Hobbes já dizia que somente no estado de natureza) e veja no que dará. Imediatamente o mais forte matará o mais fraco.
    Outro ponto: a tão propalada racionalidade (embate racional). MInha filha de dois anos já sabe que isso é balela. A lei natural do ser humano, embora toda a filosofia, religião e ética tentem contradizer, ainda é e sempre será (na minha opinião, claro), a lei maior da natureza: a lei do mais forte, seja em que aspecto for. Já não temos mais, como espécie, inimigos comuns contra os quais precisamos nos proteger. Conseguimos nos transformar na única espécie sem predadores naturais nesse planetinha azul. Isso faz comque nosso instinto naturalmente agressivo se volte contra outros seres humanos, únicos inimigos potenciais que temos. Repito: não há como falar em “embate racional”.
    Somente uma catástrofe natural poderá resolver (temporariamente) o problema, ao reduzir a espécie humana a níveis tais, que somente pela colaboração, pela solidariedade, pelo compartilhamento, ela poderá sobreviver.
    Do próprio homem não sairá a solução, pois qualquer solução que o homem descubra, sempre virá acompanhada do poder. E onde há poder, há destruição.

  3. O ponto é exatamente esse: quando o cidadão deixa de sê-lo para transformar-se em consumidor. Por outro lado, o ser humano sempre necessitou de um ser superior que o guiasse. O Grande Búfalo Branco, o deus Sol ou o Mercado. Não interessa qual, basta que haja algum que oriente como agir e será seguido. Jim Jones que o diga.

  4. Felipe,
    voce não imagina como me sinto reconfortado quando alguém diz que está otimista. Mas infelizmente a sensação boa passa logo. Não quero te convencer, mas enfim, no fundo voce é que está certo. Pra fazer é preciso acreditar. Um abraço
    Afonso
    Os textos quase sempre tem uma unidade e uma ou mais idéias gerais. Pinçar frases soltas pode desviar o foco, a nao ser que seja esse o objetivo. Mas em todo caso, voce pinça frases do meu texto para concluir o que eu também havia concluido. Entao o que dizer? OK! Só isso?
    Jogos de poder fazem parte da paisagem humana? Oh, sim.
    Quanto ao sentido da democracia, uso as minhas palavras, nao de Hobbes, ou de Rousseu ou Locke por exemplo, pinçando frases. Esses eram sujeitos que antes da revoluçao francesa tateavam teorias do que poderia ser um novo estado, com elementos novos tais como liberdade, direitos, etc, coisas que se entreviam no horizonte. Mas é gente que nao conheceu na pratica nem a tal revoluçao nem tudo o que foi produzido depois, evidentemente. Nao leram Hegel, nem Marx, Darwin, Frued e Einstein, so pra citar tres. Nao viram muita coisa, assim como voce parece nao ter lido o Leviatã até o final, onde o proprio Hobbes defende, ainda que segundo modelos aristotelicos e monarquistas, a exisitencia do estado, exatamente como controlador do tal estado natural que leva à barabàrie. Vamos pinçar tua frase: “Coloque-os todos em pé de igualdade (e Hobbes já dizia que somente no estado de natureza) e veja no que dará. Imediatamente o mais forte matará o mais fraco.” Posso deduzir dali que no relacionamento com tua filha de dois anos, ou ela está em enorme desvantagem, ou corre risco de vida. Tenho certeza que existe algo além do material ( e aqui vamos contra Hobbes) que te liga à tua filha e que a protege dessas duas coisas, para além e nao obstante os conceitos esdruxulos do papai.
    Outra frase tua “Repito: não há como falar em “embate racional”. Ah é? Me espera na saída então mané, hehehe.
    Abraços.
    Allan
    Se temos que seguir alguém, porque não a Monica Bellucci ?

  5. Flavio,
    não podemos deixar que as dificuldades tomem conta de nossas ações! Não podemos enfraquecer ou deixar escapar os poucos interessados em mudar as coisas! Já passou da hora de tomarmos a frente e comprar esta briga!
    Temos que ser otimistas e unir as forças para alcançar ainda mais gente!
    Ninguém vai comprar que o mundo tem solução, se na hora de mostrar os caminhos, nós não acreditarmos neles!
    Abraço

  6. Caríssimo, muito bom o seu texto. Essencial mesmo. Muito melhor que o meu.
    Queria citar um ponto do seu texto: “As grandes corporações e multinacionais fazem maravilhosas campanhas publicitarias de apoio a iniciativas “verdes”, enquanto na retro-bodega usam as fantasmagorias de engenharia genética, pesticidas, trabalho infantil e fecham os olhos até paras as violações dos direitos humanos nos países onde tem suas unidades de produção à mão de obra grátis.”
    Esse, mais que a questão do luxo, que talvez tenha parecido a primordial na minha idéia, é meu “mot”. A comunicação é talvez um dos aspectos mais perniciosos de todo esse processo de degradação. Porque é através dela que se incute a fé e a acreditação das pessoas nesse “mercado”. Tudo bem, como você mesmo colocou, não é a comunicação a “empreendedora” das ações do processo. Mas ela é parte inconsútil, “sine qua non”. É como o oxigênio para um incêndio. Ele não é o culpado – não é o calor que o precipita ou a matéria inflamável que o possibilita – mas sem ele, nada acontece.
    Por essas e outras eu me sinto extremamente desconfortável em trabalhar com isso que é a minha carreira. E por isso que é necessário cada um dessa área que esteja disposto a mostrar os truques e mistificações que a comunicação usa para nos tornar, a todos, uma grande e mansa boiada.
    Abs.
    MarcosVP

  7. Marcos.
    Não tem essa de melhor, até porque usei o teu como “gancho” de uma reflexão. E me deixa muito contente o teu comentário aqui.
    Quanto ao desconforto que voce sente, posso dizer que sei bem qual é porque trabahei na publicidade paralelamente à arquitetura por 12 anos, fui até socio de agencia. Em determinados momentos me vinha uma crise ética, de nao saber mesmo a valência moral de determinada açao. Tipo perder os referencias mesmo. Mas nao abandonei a atividae por isso. Foi uma questao de escolha mesmo. Atè porque o desconforto, a arquitetura também proporciona em doses industriais. Pense na quantidade de arquitetos fantoches, pra nao dizer dos -horror- tecnicos de edificaçao e engenheiros. As cidades que essa gente esta produzindo (!) e pior, consegundo convencer que é tudo muito vivivel e fruivel. Enfim…
    No fundo estamos condenados a sermos isso que somos (humanos) e continuar destruindo. Tentando uma saida, tentando fazer algo, mas meio sem saber também o que.
    O vida dura meu irmao. Da proxima vez que for ao Brasil a gente precisa tomar umas pra esquecer dessas desgraceiras.
    Abraços.

  8. Afonso
    Alem de uma catastrofe natural umas guerrinhas aqui e acolá dariam uma boa zerada na população.
    Só para apresentar algo “pobrinho, mas limpinho” (não um Honda!), já existe aqui no Brasil, pequenas empresas oferecendo alternativas ecológicas para transporte. Olhem este ciclomotor produzido na cidade onde resido:
    http://vmagbr.com/site/vbikecaract.htm
    Coisa simples. No mesmo site há um triciclo (http://vmagbr.com/site/triciclocaract.htm) que pretendem tornar elétrico (com grande diminuição de carga e autonomia). Haveria versão coberta.
    Andei divulgando a moto elétrica para produtores rurais, ligados a suino e avicultura, que devem se locomover entre galpões e criatórios.
    O conceito de luxo é relativo. Estamos na cultura do excesso. Para se ter a beleza (e perigo) da ponta do iceberg, tem muito mais gelo (7, 8, 10 vezes???) submerso.

  9. Mahai
    Meu nome é Flavio, prazer. Afonso é um outro autor do blog, colega nosso.
    Deixo claro que pretendo distância de teorias “Strangelovianas” de guerrilhas ou guerras como solução de problemas. Demonstra uma frieza e (talvez) um desconhecimento do que venha a ser na prática uma guerra, coisas que não tenho.
    Penso que a equação enxadristica deva ser a do relacionamento do humano com a natureza, e a base dessa seja o respeito mutuo. Falar de vidas humanas como numeros ou massas de dados, nos afasta diametralmente da abordagem humanista, nos afasta do que é éticamente aceitável. Pra não dizer que é uma idéia sem fundamento e com consequencias contrárias ao que se imagina.
    Tomada a distância, da idéia, agradeço a participação.
    Abraços

  10. Flavio,
    O Mahai, ao me citar, não estava nos confundindo, mas comentando essa frase do meu comentário anterior: “Somente uma catástrofe natural poderá resolver (temporariamente) o problema, ao reduzir a espécie humana a níveis tais, que somente pela colaboração, pela solidariedade, pelo compartilhamento, ela poderá sobreviver.”

  11. Exato, as vezes se comenta comentários. A prosa não é cartesiana.
    Post-comentário e sim comentário=comentário.
    os tais dos debates, que ao finalizar o ciclo oficial ficaram mais intensos agora.
    Pois eu acho que neste momento estamos mais a mercê de guerras do que de um cataclisma natural.
    As catástrofes naturais não podem ser inteiramente consideradas antrópicas, Gaia se chacoalha as vezes, se coça por aqui, se espreguiça acolá.
    Já as guerras tem sido, infelizmente, o método mais burro, torpe,… de controle populacional.
    Acho que anda mais fácil o homem matar o homem que a causas naturais darem uma “para-ti-quieto” nestes cresciemtno insandecido.
    Falei de uma possibilidade, nada mais, longe de mim ser desejo. Como humano poderia estar do lado “perdedor”, apesar de nunca haver um lado perdedor.
    Há mais gente morrendo de balas e explosivos do que de causas naturais… aqui tô dando um palpite bem chutado. Não tenho a mínima idéia do que mata mais.
    Ahh! E faltou aquele sorrisinho amarelo na frase que dirigi ao Afonso… ta aqui ele :-)))
    reproduzo a frase>
    “Alem de uma catastrofe natural umas guerrinhas aqui e acolá dariam uma boa zerada na população. :-)))”

  12. Grande Lime(i)rense, Arquiteto, Fotografo e Cozinheiro Flávio,
    Ótimo texto.
    Você não mudou muito desde o tempo que morava na Peixoto Gomide em Sampa 🙂 numa republica
    Abraços
    Paulo

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