O mar não está para peixe! Graças ao bicho-homem.

Leiam, com atenção, a excelente reflexão que a queridíssima Luma faz em seu post O mar não está para peixe, publicado aqui, com a gentil autorização da autora:

pescaria

Como o salmão nos EUA, peixes no Brasil também tiveram sua população fortemente reduzida. A pesca está proibida para o Cherne-povoeiro e para o Mero, entre outros. O Cherne-povoeiro por ser uma espécie de crescimento lento, maturação sexual tardia e entre outros fatores, se tornou vulnerável à sobrepesca.

Em ciências pesqueiras, chama-se sobrepesca à situação em que a atividade pesqueira de uma espécie ou região deixa de ser sustentável, ou seja, quanto mais esforço de pesca se utilizar, menores são os rendimentos, seja do ponto de vista biológico, seja econômico.

“Em resumo, diversos trabalhos de pesquisa realizados, apontaram para a sobrepesca e risco de colapso dos chernes do Atlântico sul ocidental, levando à inclusão da população brasileira na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, sob a designação de ‘Criticamente ameaçada de extinção‘” (Mar-oceania/Biologia pesqueira, Seminários temáticos para a 3ª Conferência Nacional de C,T&I. Pág. 24 – de Silvio Jablonski)

O cherne-povoeiro, espécie de grande porte, também conhecido como cherne-pintado, é um peixe de águas tropicais do Atlântico sul e Pacífico. No Brasil ocorrem em todo o litoral, porém, a mais importante área de ocorrência e pesca da espécie é na costa do Rio Grande do Sul (Alô, Gaúchos!)

Na cidade de Arraial do Cabo, vizinha de Cabo Frio onde moro, encontra-se uma grande colônia de pescadores oriundos de Póvoa de Varzim/Portugal e o nome deste peixe veio desses “povoeiros” – primeiros pescadores que começaram a trabalhar com a espécie quando migraram em massa para o Brasil no final do século XIX.

O Cherne-povoeiro é um carnívoro voraz, alimenta-se de lulas, crustáceos e peixes demersais (animais marinhos que vivem em fundos arenosos ou rochosos). Solitários, costumeiramente via-os perto de boias em alto mar e em plataformas de petróleo. Não diferem dos “humanos” quando jovens quando se enganam com algumas companhias – vez ou outra, acompanham objetos flutuantes.

Antes da proibição, já haviam poucos peixes ao sul de Cabo Frio e é triste constatar que este peixe praticamente sumiu, perto do número deles que víamos em alto mar. Foi a então Ministra do Meio Ambiente Marina Silva que assinou em 2005, a instrução norminativa nº 37 proibindo a pesca do Cherne-povoeiro nas águas jurisdicionais brasileiras por 10 anos. Além da captura, também está proibida a comercialização do peixe, mas o bicho homem é que deveria ser extinto da face da terra, porque ele só destrói e nada constrói! Pois não é que em Outubro, cerca de 1 tonelada do peixe, foi apreendida em um depósito em São João do Meriti, por policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, ajudados por peritos do Instituto Carlos Éboli e funcionários do Ibama?

Se a pesca é proibida e escassa, como esses bandidos capturam os peixes? Existe uma grande tecnologia para isso – Os piratas dos mares, usam super computadores, aviões e detectam cardumes em qualquer ponto dos oceanos usando satélite.

Falo um pouquinho mais sobre essa questão na postagem “Vida Marinha“. Se as espécies marinhas estão no limite de sua reposição e se sabemos que o mar é a fonte de vida de todo o planeta, não respeitando esse ecossistema, estaremos deflagrando nossa destruição.

mar&oceanos

Você acha que já viu de tudo… durante 10 anos de pesquisas exaustivas, foi divulgado um “Censo da Vida Marinha“e oceanos foram vasculhados, das superfícies até as profundezas das fossas abissais, onde foram catalogadas mais de 250 mil espécies animais e plantas marinhas, 1,2 mil novas espécies adicionada ao volume anterior, 5 mil novos organismos coletados para estudo e apesar do número aparentar grandeza para nós, os cientistas adiantam que esta é apenas um parcela das espécies que vivem nos oceanos, podendo chegar perto de um milhão.

O bom desta pesquisa foi que revelou que algumas espécies que eram consideradas extintas, mortas a mais de 50 milhões de anos, ainda estão na ativa, como o “Camarão Jurássico”. Um outro lado dos oceanos foi revelado e exemplificado, tendo por base a comparação de que – em 1 litro de água do mar habitam 20 mil tipos diferentes de bactérias – micróbios oceânicos que produzem metade do oxigênio do planeta. Uma grande quantidade de microorganismos que torna a diversidade animal e vegetal quase insignificante se colocados em uma balança.

A conexão entre as espécies é enorme, partilhando até o mesmo DNA. Bem, somos os predadores e saibam que os corais estão branqueando, morrendo de fome, porque as algas que habitam dentro deles e que os alimentam, estão morrendo também. Muitas espécies de corais morrerão ainda neste ano de 2010 e isto tem muito a ver com a nossa falta de conexão com o mar ou melhor, responsabilidade com a vida.

Visitem o site do “Censo da Vida Marinha” – Cada imagem… uma viagem!

Lembre-se, consumo consciente!

Texto integrante do blogue Luz de Luma, yes party! | Cópia de texto somente mediante autorização, preserve os direitos autorais do editor |
Obrigada, Luma!

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