Por uma infância mais sustentável

Cidadãos unidos por uma infância sustentável

O que publicidade infantil tem a ver com sustentabilidade? Provavelmente um leitor deste blog já tem a resposta na ponta da língua: tudo!

“A publicidade infantil é danosa às crianças quando as pressiona a desejar cada vez mais bens de consumo, associando-os a um discurso enganoso de alegria, felicidade e status social. Além de trazer sofrimento às crianças que não podem obter esses bens devido à falta de recursos financeiros, essa pressão não pode ser devidamente elaborada pelos pequenos, cujo senso crítico ainda está em desenvolvimento.”

Os atuais níveis de consumo de grande parte dos habitantes desse nosso mundão estão muito além daquilo que o planeta pode suportar. Por isso, sempre defendemos aqui no Faça a sua parte uma reflexão sobre o que, por que e como consumimos. O famoso primeiro “erre”: repensar. Do jeito que as coisas estão, sabemos que não podem ficar.

“[…]estamos diante de um novo fato: pela primeira vez na história humana, se questiona a forma como estamos consumindo o planeta Terra. As crianças de hoje serão responsáveis pelo planeta de amanhã. Mas, ao invés de serem educados para se tornarem cidadãos conscientes, eles estão sendo formados consumidores desde a mais tenra idade.”

Sim, é aí que começa a construção desses hábitos de consumo que, muitas vezes, levamos conosco pela vida inteira: na infância. E é aí que entram os efeitos negativos da publicidade infantil da maneira como é feita hoje no Brasil (em em muitas partes do mundo também). As empresas e publicitários precisam repensar a maneira como se comunicam com nossas crianças. E o Estado precisa nos ajudar nessa tarefa, fornecendo, no mínimo dos mínimos, diretrizes norteadoras para proteger a infância do atual bombardeio publicitário.

“[…]defendemos que, para cumprir nossa responsabilidade de educar nossos filhos para a cidadania e a sustentabilidade, precisamos do apoio efetivo do Estado e da responsabilização efetiva das empresas privadas, dos veículos de comunicação e das agências de publicidade.”

Para um futuro sustentável, precisamos assegurar que os valores da infância que realmente importam sejam defendidos. E, hoje, a publicidade infantil não está fazendo seu papel adequadamente.

“O excesso de propagandas e o conteúdo manipulatório delas dificulta uma educação cidadã e sustentável, a qual todos desejamos.”

Por esse motivo, convido vocês a conhecerem o movimento Infância Livre de Consumismo (no blog, no Twitter e no Facebook), que hoje está promovendo a blogagem coletiva #desocupaCONAR para mostrar que não estamos satisfeitos com a atual autorregulamentação a que o setor é submetido, já que esta tem se mostrado ineficiente em punir e evitar abusos na publicidade infantil.

Essa blogagem está ocorrendo hoje porque amanhã, dia 3 de julho de 2012, será um dia marcante para o movimento, que estará em Brasília participando de uma audiência pública referente ao Projeto de Lei 5921/01, que pretende determinar um novo regramento para a publicidade infantil no Brasil. Pela primeira vez, os pais e mães serão representados num evento dessa grandeza!

Então vamos juntos, pois um mundo melhor é para todos.

(Nota: os trechos entre aspas e em itálico foram retirados da descrição do movimento Infância Livre de Consumismo.)

Por um mundo com mais pedal

Pra curar a ressaca da decepção com nossos senadores, vamos comemorar as pequenas vitórias do cicloativismo porque, de algum jeito, a gente precisa criar um mundo melhor.

Em Moema, a CET-SP instalou recentemente uma ciclofaixa. Claro que os blogs especializados já falaram sobre o assunto, comemoraram e fizeram também algumas críticas construtivas.

Entretanto, como toda quebra de paradigmas, a iniciativa gerou revolta entre alguns moradores e comerciantes, que acham que bicicleta não é meio de transporte e que as magrelas deviam mais é ficar tomando poeira na garagem. Melhor tirar o carro e encarar o engarrafamento, né?

Se até noiva pode andar de bike, quem não pode?

Mas a galera do pedal, mais rápida e ágil (claro!) já se mobilizou. Tem abaixo-assinado, que já conta com mais de 2000 assinaturas. Tem a bicicletada de gente diferenciada em Moema, no dia 19 de novembro, porque não são só as clientes milionárias dos comerciantes do bairro que andam de salto.

Então apoie o movimento e divulgue. Mesmo que você não seja de Sampa, dê seu apoio à iniciativa e aproveitei pra mostrar pra Secretaria de Transportes da sua cidade que, se na Cidade da Garoa dá pra fazer, na sua também dá.

E, meninas, não esqueçam do salto.

Chiques e poderosas!

Para saber mais:

Artigo do Willian Cruz no Vá de Bike

Artigo do André “Bicicreteiro” Pasqualini

Créditos das fotos

http://www.flickr.com/photos/luddista/4039623069/in/set-72157622652883390

http://urbanvelo.org/cycle-chic-sundays/

 

O que será das nossas florestas?

Na verdade, nem sei como começar este post. Não sei o que colocar no início, no meio, no fim. O futuro que se desenha me parece pouco promissor – assustador, pra falar a verdade.

A pergunta do título talvez devesse ser “o que será de nós?” Porque dependemos das florestas para ter qualidade de vida. O que acontece lá talvez pareça estar longe, mas nos afeta de maneira vital. E o Senado, que poderia consertar o estrago feito na Câmara em maio, parece que segue pelo mesmo caminho. Corremos o risco de acabar tendo um código Frankenstein.

Apesar dos alertas de especialistas e dos apelos da sociedade civil, as alterações necessárias parecem não convencer os relatores. No próximo dia 8 (terça-feira), o relatório do Senador Luiz Henrique será votado pelas comissões de Ciência e Tecnologia e de Agricultura.

Precisamos muito cobrar uma postura ética e responsável dos nossos representantes. O assunto é de extrema importância, e afeta nossas vidas de maneira significativa. Não podemos fingir que não é problema nosso.

Há muito material disponível na internet sobre o assunto, mas acho que o movimento #florestafazadiferença esclarece muita coisa. Acesse, informe-se e descubra o que pode fazer para que o pessoal de Brasília nos dê ouvidos.

Imagem daqui

Notícias de hoje

Plantas de plástico

http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/15/estado-vai-gastar-ate-10-mil-para-comprar-plantas-artificiais-para-gabinete-do-governador-salao-vip-do-palacio-guanabara-925362628.asp

(Suspiros…) Espero que, ao menos, inventem de comprar plantas de plástico reciclado, né?

Boa notícia?

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/09/05/com-estoques-nos-patios-fabricas-deixam-de-produzir-30-mil-carros-35-mil-operarios-param-925296041.asp

Estamos comprando menos carros ou a indústria só está tentando conseguir alguma vantagem se fazendo de coitadinha?

 

Infraestrutura para a sustentabilidade

Hoje de manhã, lendo as notícias, vi uma chamada para esta matéria do blog De Bike:

http://oglobo.globo.com/blogs/debike/posts/2011/09/13/onde-eu-posso-parar-minha-bicicleta-405353.asp

Fiquei pensando nas dificuldades que enfrentamos quando optamos por nos deslocar de bike. Depois de encarar o trânsito, em geral pouco amigável, o ciclista tem que se preocupar em pensar onde vai parar seu meio de transporte. E, se arruma um lugar em que a magrela não atrapalhe a passagem de pedestres, corre o risco de ver um batalhão deixá-lo a pé. E fiquei pensando na solução oferecida ao ciclista, que perguntou ao guarda onde, então, poderia parar sua bicicleta, já que acorrentada ao poste não podia: que estacionasse perto das motos. No vídeo não aparecia o local de estacionamento das motos, mas em geral é um espaço onde não há nenhum meio de acorrentar uma bicicleta. Então o cara chega no trabalho, desce da bike e a deixa solta no meio da rua? Rélô-ou! Se presa a bike já corre o risco de ser levada, imagina solta.

E por que não mobilizam esses guardas todos para patrulhar áreas propensas a roubos de bicicletas?

Ou para apreender a Mercedes deste cidadão?

É importante que as perguntas feitas pelo Eduardo e a Renata sejam respondidas: “Agora pergunto, pra onde essas bicicletas vão? De que forma é possível resgatá-las? Quais são as regras para parar bicicletas nas ruas, caso não tenha bicicletários/paraciclos por perto?” Eu também quero saber para onde vão as bicicletas e como seus proprietários podem recuperá-las. Transparência, é só isso que a gente quer.

Eu acredito que quem escolhe a bicicleta como meio de transporte merece um profundo respeito do resto do povo e, acima de tudo, do governo. Essas pessoas estão ajudando a criar um mundo menos poluído, com menos trânsito, mais humano, mais silencioso, mais harmônico. Essas pessoas precisam ser estimuladas, não desencorajadas. Que mensagem a prefeitura está passando para quem gostaria de usar a bicicleta como meio de transporte, mas ainda não tomou coragem de tirar a poeira da magrela e se locomover de uma forma mais sustentável?

Pedalar fica parecendo perigoso, ilegal e complicado. Lamentável. E isso aconteceu no Rio, mas poderia ser em outro lugar. Aliás, respeito pelos ciclistas é algo que o Brasil ainda está longe de ter.

Gerenciamento de resíduos: queimar é a solução?

Preocupados com a questão da vida útil dos aterros sanitários e a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, muitos municípios estão estudando alternativas para gerenciar seus resíduos. Entretanto, há um movimento que considero preocupante e precipitado no meio disso tudo. Muitos municípios estão pensando seriamente em instalar usinas termelétricas.

É um assunto delicado. Pressionadas pelo prazo para implantar as providências exigidas pela PNRS, muitas cidades estão abrindo consultas públicas e concorrências para a instalação de termelétricas. Especialistas, no entanto, afirmam que há alternativas viáveis e não poluentes que permitem uma redução do uso de recursos naturais e da quantidade de lixo gerado. Mas são medidas que exigem vontade política, além de uma visão de mundo ainda pouco difundida.

Os defensores das termelétricas dizem que o processo é seguro e, de quebra, gera energia. Basta instalar os filtros adequados para que não haja impacto sobre a saúde da população. Na prática, no entanto, a história parece ser um pouco diferente. A queima de lixo resulta na emissão de metais pesados altamente tóxicos mesmo em baixas concentrações. No processo de queima, minúsculas partículas são geradas, e mesmo os filtros mais modernos não dão conta de filtrá-las, de modo que elas acabam sendo liberadas no ar que respiramos, causando sérios problemas de saúde. Preocupados com esses impactos, médicos europeus lutam para que sejam realizados estudos mais detalhados.

 E, enquanto não se tem uma medida dos impactos reais dessa forma de gestão dos resíduos sólidos, a solução mais inteligente seria adotar uma estratégia de prevenção, redução da geração de lixo, reutilização e reciclagem. Queimar o lixo, no momento, parece ser o caminho mais rápido e fácil para o velho dilema do que fazer com o lixo, agora que já sabemos que o conceito de “jogar fora” não existe, já que só temos este planeta, e é nele que jogamos o lixo, mesmo que, para muitos, ainda baste estar longe dos olhos para que pareça que o problema não existe. As termelétricas podem representar um avanço em sociedades onde a geração de energia é baseada, em grande parte, na queima de carvão, altamente poluente; felizmente, este não é o caso do Brasil.

 Eu acredito que, neste momento, o caminho mais seguro e sensato envolva o aperfeiçoamento da coleta seletiva, o estímulo à compostagem caseira, o desenvolvimento de produtos e embalagens mais eficientes, duradouros, retornáveis e menos impactantes, bem como a redução do uso de materiais descartáveis.

Recomendo uma olhada nos sites http://www.incineradornao.net e http://en.wikipedia.org/wiki/Incineration para mais informações sobre a queima de lixo para a geração de energia. E, se você concorda que precisamos saber mais e que há muito a ser feito antes que se opte por essa alternativa, assine o manifesto contra a incineração.

O que é sustentabilidade corporativa, afinal?

Hoje em dia, ser sustentável está na moda. O que tem de propaganda por aí de marcas que se dizem sustentáveis não cabe no gibi, como diriam nossos avós. Mas como nós, consumidores, fazemos para avaliar se estão dizendo a verdade ou não? Afinal, a galera do marketing é craque em vender gato por lebre. E, como sempre, o consumidor tem que ficar ligado.

Tem banco e tem supermercado que faz alarde porque montou uma agência ou uma loja com base em princípios de sustentabilidade. São iniciativas importantes? São. Mostram que é possível economizar água, energia, recursos em geral. Mas grandes empresas, com agências e lojas espalhadas por todo o Brasil, precisam fazer mais, muito mais. A sustentabilidade precisa permear todas as ações, em todos os departamentos. O banco faz uma agência linda, toda eco, mas quando você abre uma conta, recebe em casa uma papelada desnecessária, que vem dentro de envelope, caixa, com faixa de papel bonitinha – um monte de coisa cujo destino é o lixo (pode até ser o reciclável, mas é lixo). O mercado lança a loja construída com base na arquitetura sustentável, mas tem corredor cheio de biscoitos recheados, salgadinhos de glutamato monossódico e congelados sem nenhum valor nutritivo (e um monte de embalagens). Além das embalagens, tem a questão da saúde. Promover a saúde também é promover a sustentabilidade? Basta incentivar os clientes a levaram ecobags ou acondicionarem suas compras em caixas de papelão? E as parcerias com fornecedores? O que se cobra deles neste sentido? E ficar de olho nos mercados de bairro e fazer parcerias com outras grandes redes? Isso é ser sustentável? Qual o objetivo principal? Ganhar mais dinheiro (eles precisam mesmo?) ou mostrar respeito pelos consumidores e pelo planeta?

Como vocês podem ver, tenho mais perguntas do que respostas. No Faça, a gente se pergunta com frequência se adianta mesmo a gente fazer a nossa parte de formiguinha. A gente se pergunta o que mais precisa ser feito para que o impacto seja multiplicado o tanto que precisa.

Um blog que faz análise legal das iniciativas de sustentabilidade corporativa é o Testando os limites da sustentabilidade. Eles analisam os relatórios de sustentabilidade das empresas a fundo, depois entram em contato com elas para esclarecer dúvidas, para descobrir se o papo de sustentabilidade é real ou furado.

Como consumidores, temos que acompanhar esse papo. E temos que aprender a fazer as perguntas certas. E cobrar. E comprar menos. E não comprar de quem fica só no papo. E dar menos importância a grandes marcas, valorizando o artesanal – pequenos produtores de alimentos, pequenos artesãos, o comércio de bairro. Algumas coisas a gente acaba encontrando só nos grandes mercados, mas dá pra planejar as compras para comprar lá só o que não tem jeito de arrumar em outro lugar. Ir mais à feira, ao açougue e à padaria da esquina. Comprar a granel (levando potes e saquinhos de casa, para reutilizar).

Porque, como consumidores, nós temos poder. Afinal, o dinheiro que eles ganham sai do nosso bolso. Mas temos que levar esses questionamentos para outros. Temos que mostrar que existem opções. E temos que cobrar posturas transparentes das empresas. E cobrar das autoridades leis que obriguem as empresas a fazerem a sua parte.

Massa Crítica POA: não foi acidente

No dia 25 de fevereiro, como fazem toda última sexta-feira de cada mês, ciclistas de Porto Alegre se reuniram para a pedalada do Massa Crítica, um movimento que começou em São Francisco, nos EUA, para estimular e regularizar o uso de bicicletas como meio de transporte e parte integrante do trânsito. O intuito é educar o público em geral, mostrando que as bicicletas, longe de serem inimigas dos motoristas, ajudam a reduzir o número de carros nas ruas e, consequentemente, o trânsito e a poluição, tornando mais puro o ar que nós respiramos – inclusive aqueles que estão atrás do volante.

Acontece que o desfecho foi inacreditável. Um motorista, aborrecido por ter que esperar as bicicletas passarem, resolveu que a solução seria sair atropelando todo mundo. As cenas são chocantes.

Ele alega legítima defesa. Diz que foi ameaçado pelos ciclistas. Sério? Como que uma bicicleta ameaça um carro? Ou mesmo várias bicicletas? Quem tem mais força? Se você estiver em dúvida, basta olhar as cenas. Há vários vídeos no site do Massa Crítica POA.

Pois bem: ele alega que saiu atropelando porque estava sendo ameaçado. Mas um dos vídeos mostra justamente o momento em que o cara sai atropelando. Quem filmou, começou a filmar um pouco antes. Uma atmosfera de paz, todo mundo pedalando tranquilamente, sem barulho de agressões.

Espero que não deixem esse cara passar impune, porque, como disse o jornalista Alexandre Garcia, em qualquer país desenvolvido os motoristas morrem de medo de machucar um pedestre ou ciclista, e são até mais cautelosos do que de costume quando se deparam com algum, caso contrário recebem punições severas. No Brasil, o Código de Trânsito é claro, mas não se cumpre: num caso desses, o culpado é o motorista, afinal ele é o mais forte.

Vamos aproveitar, também, para sensibilizar as pessoas para um trânsito mais gentil e estimulá-las a conhecerem as leis pertinentes. Ao ultrapassar um ciclista, por exemplo, o motorista tem que dar um metro e meio de distância entre o carro e a bicicleta. Quando um pedestre está atravessando na faixa, independente de haver semáforo ou não, a preferencial é do pedestre. E cobrar das autoridades que multem quem não cumpre essas leis.

Eu me senti pessoalmente agredida com o ocorrido. Eu quero poder andar de bicicleta nas ruas, usando-a como meio de transporte, em segurança. Quero ter certeza de que os motoristas saberão me respeitar. Quero que minhas filhas possam andar de bicicleta nas ruas em segurança. E, enquanto não punirem de maneira exemplar criminosos como esse cara, nenhum ciclista estará seguro nas ruas.

Web verde 9: e as chuvas tornam a cair

Os padrões e informações necessários para se estabelecer um bom plano existem há muito tempo, quando é que vamos ter vontade política para implantar?

Como ajudar os animais da Região Serrana – Os seres humanos sofrem e salvá-los (e, acima de tudo, evitar novas tragédias) é prioridade, mas os animais também precisam da nossa ajuda.

Doações para as vítimas da Região Serrana

Doações para as vítimas do Vale do Paraíba e da Região Serrana do Rio de Janeiro – Algumas cidades do Vale do Paraíba também estão sofrendo com enchentes e deslizamentos. Embora a situação não seja tão crítica quanto na Região Serrana do Rio de Janeiro, essas pessoas também precisam de ajuda.

Vamos continuar sendo “surpreendidos” pelas chuvas?

E como vamos reconstruir? – Eu quero, muito, que expliquem tim-tim-por-tim-tim como vão reconstruir. Tudo no mesmo lugar? Ou a reconstrução vai levar em conta um estudo geológico sério? Vão reflorestar as encostas e margens dos rios? Ou deixa isso pra lá, porque um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, e vamos em frente?

Medidas corretivas e preventivas – Será que finalmente vamos ver algo que funcione de verdade?

Web verde 8

Neste período de transição, acabamos deixando nossos leitores na mão. Às vezes um período de silêncio é necessário para reorganizar os pensamentos e descansar um pouco. Vamos começar outra vez? Inauguro minha participação na casa nova com uma compilação de posts e notícias que achei interessantes.

Anúncios e meio ambiente – Essa é antiga, mas não deixa de ser atual. Foi feita uma análise de anúncios publicados por grandes empresas no Dia do Meio Ambiente, que mostra que as empresas ainda têm um longo caminho pela frente no sentido de levar a sério as questões ambientais e precisam selecionar mais criteriosamente seus porta-vozes e gestores da área ambiental. Uma análise do número e da qualidade dos anúncios na área de sustentabilidade também mostra alguns pontos fortes e fracos dessa tendência.

Copenhague, uma cidade de ciclistas (em inglês) – Neste documentário da organização A Billion Bikes, dividido em 5 partes, podemos ver como o governo de Copenhague valoriza a cultura da bicicleta, a ponto de instituir uma política específica para melhorar a infraestrutura e aumentar a satisfação de seus ciclistas, bem como o número de ciclistas nas ruas. O documentário é de 2003, e imagino que eles tenham evoluído de lá pra cá neste sentido. Estima-se que tenham levado entre 50 e 100 anos para ter uma cultura ciclística avançada, mas agora que eles já testaram, aprovaram e mostraram como faz, as outras cidades só precisam copiar as iniciativas. “É preciso oferecer conforto, segurança e criar um clima que estimule as pessoas a pedalar,” diz Soren Pind, Secretário de Urbanismo da cidade. Ao longo do vídeo, quem fala detalhadamente sobre a política de Copenhague para o uso da bicicleta é o Secretário de Transportes. Igualzinho no Brasil, onde Secretários Municipais de Transportes falam com desenvoltura sobre malha e políticas cicloviárias. (suspiros) A parte 4 do documentário abre com uma declaração antiga de Steve Jobs, da Apple, em que ele menciona um estudo sobre a eficiência de locomoção de vários animais, inclusive o homem. Caminhando com os próprios pés, nós não fazemos bonito, e ficamos na parte inferior do gráfico. O animal mais eficiente de todos é o condor. Entretanto, a Scientific American decidiu analisar a eficiência de locomoção do homem de bicicleta, e o resultado foi que deixamos o condor no chinelo.

Bombril Eco? – O produto foi analisado pelo Verdade Inconveniente e não conseguiu provar que a atual campanha não passa de greenwashing. Na verdade, eu acredito que as empresas ainda estejam se adaptando a uma nova era – uma era em que consumidores conscientes sabem muito bem o que perguntar e onde pesquisar para destrinchar a verdade por trás das campanhas publicitárias. E uma iniciativa como a do Verdade pode ajudá-los a encontrar o caminho certo.

Blog interessante – Mais um blog para nos ajudar a analisar a fundo o compromisso das empresas no que diz respeito à sustentabilidade. O Testando os Limites da Sustentabilidade analisa a fundo os relatórios de sustentabilidade das empresas, e escreve para elas a fim de tirar dúvidas com relação a tópicos que não tenham ficado claros em tais relatórios. É um trabalho valioso, pois mostra ao público onde elas acertam e erram, e também chama a atenção das empresas para que sejam mais coerentes e transparentes em suas ações.

Presidente do Ibama pede demissão – Aline Ribeiro informa que houve críticas de outras instâncias do governo sobre o atraso na concessão de licenças ambientais, principalmente para a construção de usinas, e diz: “Não é a primeira vez que o atraso do licenciamento de Belo Monte gera demissões no órgão.” E eu pergunto: o problema está na administração do órgão ou nas usinas?

Tragédias – Chega a época de chuvas, e a história se repete: alagamentos, desabamentos e mortes. Entra ano, sai ano, pode mudar a região do país, mas é sempre a mesma história. E começa o jogo de empurra. O governo diz que é culpa dos moradores, que constroem irregularmente e se recusam a sair das áreas de risco. A população diz que o governo não dá nenhum apoio. A questão é complexa, e exige empenho e seriedade de todos. Passadas as chuvas, todo mundo esquece o assunto e ninguém faz nada de concreto. Até quando? Não podemos esperar o próximo período de chuvas para remediar, quando o que é preciso é prevenir.