Serra da Cantareira: aquela que São Paulo não vê

VEJA O VÍDEO AQUI.

“Quem casa, quer casa.” Estávamos, o marido e eu, à procura de um imóvel para morar. Selecionamos bairros pelos quais simpatizávamos mais próximos ao comércio, com facilidade de transporte público e, acima de tudo, que evitasse grande deslocamento ao trabalho – este é um sonho para quem vive em uma cidade com 11 milhões de habitantes como São Paulo. Depois de literalmente rodarmos a cidade, optamos pela Zona Oeste.

Apesar de toda essa preocupação em facilitar o cotidiano, após fechado o apê, o que me fez apaixonar por ele foi a vista: “Dá para ver a Serra da Cantareira”! Eu não acreditava que essas montanhas destacadas apenas em mapas geográficos do colégio – ou de aviação – pudessem estar tão pertinho de mim. Ironicamente, quem me apresentou para valer a “Serra” foi o meu marido enquanto namorávamos – e nem imaginávamos que iríamos nos casar e, muito menos, morarmos em frente a ela. Ele me mostrou que há um parque visitável incrível chamado (adivinhe): Parque Estadual da Cantareira. Do alto da sua Pedra Grande, dá para ver São Paulo quase inteira. Uma floresta de concreto.

Todo dia, assim que acordo e quando chego em casa, a primeira coisa que faço é abrir as cortinas da minha casa para o mundo. Respiro fundo com a Serra no horizonte. Se está sol e tempo limpo, dá para observar cada frondosa árvore. Nos dias nublados, parece que a Serra é feita de algodão pintado com diferentes tons de verdes e até azulados. Percebi que pode chover na Zona Norte, enquanto na Zona Sul o céu está limpo, porque as nuvens se acumulam sobre o acidente geográfico. E que chuva boa. Ela ajuda a abastecer a Cantareira, que justamente recebeu esse nome em alusão aos cântaros levados com água do local pelos tropeiros em viagem lá pelo século XVI.

Ignorada pela floresta de concreto, a Serra da Cantareira continua até hoje fornecendo água aos sedentos pelo “desenvolvimento”. Abro a torneira e sei que esse líquido cristalino é um presente da serra que abraça a cidade. Daquela que está atrás de mim enquanto lavo a louça, zelando por nossa saúde. O vídeo é minha homenagem a uma protagonista da nossa vida, mas invisível aos olhos dos habitantes da Região Metropolitana que só vivem no futuro. Sem a Serra da Cantareira, haveria amanhã?

Decreto Ecológico

O texto a seguir foi escrito pelo meu querido amigo Nelson Valente (@Escritor4). Nelson é professor univesitário, jornalista e escritor e, além disso, um partícipe de grande e importante parte da história recente do Brasil. Com o título acima, ele publicou, em outubro de 2010, no Jornal O REBATE, uma verdadeira aula de legislação ambiental comparada, que vale o resgate, para que não se perca nas brumas da poluição… Ei-lo:

Em 1961, o Presidente da República tinha uma certa competência legislativa exercida através de Decretos, graças à Constituição de 1946. Saulo Ramos incentivou muito Jânio a usar de tal competência, inclusive cometendo algumas inconstitucionalidades, até hoje não contestadas. Não era difícil provocar o entusiasmo de Jânio que, excessivamente inteligente, captava rapidamente idéias novas, sobretudo se fosse de interesse público. Assim, Jânio e Saulo, numa conversa a sós, sem palpiteiros, discutiram longamente um decreto em defesa da ecologia e do meio ambiente, assunto desconhecido e misterioso, inclusive no exterior. Os dois, porém e atrevidamente, soltaram a imaginação e o pensamento criativo, concluindo que era preciso regulamentar a defesa do meio ambiente. – Redija hoje, que eu assino amanhã! Hoje, sem falta, mas inclua tudo o que discutimos – Mas hoje é sábado e amanhã é domingo. É preciso colher a assinatura do Ministro da Agricultura para referendar o decreto. E talvez de outros Ministros. – Não interessa. Quero o decreto amanhã. Talvez seja o domingo o dia em que os brasileiros menos estragam a natureza. Um bom dia para assiná-lo. Claro que somente recebeu a minuta na segunda-feira e ele próprio, com estremo entusiasmo, redigiu muitos dispositivos. Editou-se o Decreto n° 50.877, em 29 de julho de 1961, um dos primeiros atos normativos, em favor do meio ambiente, editados no mundo! Para se ter a idéia do pioneirismo, a lei de proteção às águas, na Itália, foi editada muito depois, é de 1976. No Canadá, a norma equivalente é de 1970 e na Suécia, é de 1969. Na Bélgica e Holanda, o direito positivo passa a editar normas ambientais, sobretudo relativas à defesa das águas, na década de 1980, embora a Holanda tenha tratado, em lei, da poluição das águas em 1969 e a Bélgica em 1971. A França, que costuma se antecipar às legislações européias,surgiu com o regramento ambiental somente em 1971 – Lei 76-633, de 19 de julho. Na Alemanha, a lei federal, que apenas sugere precauções para evitar efeitos prejudiciais ao ambiente, é datada de 15 de março de 1974, aperfeiçoada pela lei de proteção às águas em 1976. No Japão, a disciplina legal para a punição dos crimes “relativos à poluição ambiental com efeitos adversos sobre a saúde das pessoas” é de 1970. Nos Estados Unidos, as normas de proteção às águas datam de 1972 e, na Suiça, de 1971. Na Argélia, a legislação ambiental é de 1983, quando a lei 83-03, cuida da poluição das águas, proibindo o “lançamento de substâncias sólidas, líquidas ou gasosas, agentes patogênicos, em quantidade e em concentração de toxidade suscetível de causar agressão à saúde pública, à fauna e à flora ou prejudicar o desenvolvimento econômico” (art. 99). Como se vê, o texto reproduz, vinte e dois anos depois, a norma brasileira, editada por Jânio Quadros em 1961. Na Inglaterra, centro de tantos movimentos ecologistas, a lei de Controle da Poluição surgiu somente em 1974 e cuida, sobretudo, de descarga e efluentes industriais nos esgotos públicos (art. 43), embora passe pela poluição atmosférica (art. 75) e pela poluição acústica (art. 57 a 74). Impõe-se registrar, pela importância e pela larga previsão, o Decreto n° 50.877, de 29 de julho de 1961, do Presidente Jânio Quadros, dispondo sobre o lançamento de resíduos tóxicos ou oleosos nas águas interiores ou litorâneas. O ato normativo de Jânio Quadros proibiu terminantemente a limpeza de motores de navios no mar territorial brasileiro e foi mais longe: regulou o lançamento “às águas de resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, domiciliares ou industriais, in natura ou depois de tratados”, permitindo-os somente quando “essa operação não implique na POLUIÇÃO das águas receptoras”. Neste decreto, a palavra “poluição” ingressou no direito positivo brasileiro com o sentido que tem hoje, diverso ou mais ampliado daquele adotado pelo verbo “poluir” do nosso Código Penal. Está definida pela própria norma em seu artigo 3°, verbis: “Para os efeitos deste Decreto, considera-se poluição qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas das águas, que possa importar em prejuízo à saúde, à segurança e ao bem-estar das populações e ainda comprometer a sua utilização para fins agrícolas, industriais, comerciais, recreativos e, principalmente, a existência normal da fauna aquática.” Ironia do destino: quase trinta anos depois, Jânio Quadros era prefeito de São Paulo e Saulo Ramos Ministro da Justiça. Um dia Saulo visitou o ex-presidente. Entre muitos assuntos, lembraram do decreto ecológico. E lamentaram: se aquele decreto houvesse sido respeitado e aplicado, São Paulo não teria perdido os rios Pinheiros e Tietê.

 

 

Sua comida pode estar em extinção

Devido à pesca predatória, inúmeras espécies de peixes usadas como alimentos por nós, humanos, estão em extinção na África do Sul – o mesmo ocorre aqui no Brasil. Para alertar os moradores e os turistas sobre esse problema, organizações públicas, não governamentais e privadas se uniram na divulgação colando cartazes de alerta em diversos pontos públicos como no Two Oceans Aquarium, em Cape Town (Cidade do Cabo).

Os cartazes são simples. Neles, espécies peixes com nomes e ilustrações foram separadas em três categorias dentro das respectivas cores: green (verde), orange (laranja) e red (vermelho). Os peixes da categoria verde, como é o caso da anchova e do dourado, podem ser consumidos. O cartaz alerta para o consumo moderado das espécies colocadas na categoria laranja, como o bagre. Essas espécies correm risco de extinção, mas menos do que as inseridas na categoria vermelha como, por exemplo, o incomum peixe-serra. Veja aqui, no site da WWF, a lista completa.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 85% dos estoques de peixes do mundo são superexplorados ou já foram explorados ao máximo. Para piorar a situação, estima-se que um quarto dos animais marinhos pescados são muitas vezes mortos ou desperdiçados por terem sido capturados acidentalmente.

Parece que os restaurantes de modo geral da África do Sul, graças a esse extenso alerta, têm evitado comercializar as espécies em risco de extinção – me corrija se eu estiver enganada. Mesmo assim, os peixes e alguns frutos do mar estão entre os principais alimentos consumidos por lá. Eu, por exemplo, vivi a base de lula e peixe – mais saborosos do que os daqui!

A África do Sul tem uma extensa área costeira (3.798 quilômetros). Lá, peixe e frutos do mar custa cerca de três vezes menos do que os consumidos no Sudeste do Brasil, sendo que a costa brasileira é de cerca de 8 mil quilômetros – mais que o dobro maior do que a sul-africana. Alguns estudos apontam maior quantidade de animais marinhos em águas frias como as da África do Sul. Essa explicação seria suficiente para justificar os preços mais altos dos frutos do mar por aqui, já que o litoral do Brasil é relativamente quente? Ou os peixes do Brasil correm mais risco por diversos motivos?

Enfim, os recursos marinhos são finitos. O que está sendo feito no Brasil para cuidar dessas espécies e desse ambiente tão especial?

 

Existe apenas 10% da vida marinha?

Olá! Este é meu primeiro post no Faça a Sua Parte! Antes de tudo – estou parecendo atores quando ganham um prêmio – quero agradecer o convite. Espero contribuir com mais dados e discussões em torno do nosso estimado meio ambiente. E, como tenho um amor grande declarado pelo mar, nada melhor do que começar falando sobre essa vastidão que nos cerca. No Brasil, menos de 1% das regiões marinhas está protegida, sendo que região marítima representa metade da área total do território nacional – dados aqui. Em época de Rio+20, o máximo que se discute é a preservação de 10% do mar brasileiro. Será que é o suficiente?

No feriado de Corpus Christi, peguei um barquinho – cujo quase todo o casco permanece dentro da água e mal tem espaço para uma pessoa sentada sem bater a cabeça na lona azul que o recobria – e fui embora feliz da vida para um lugar onde não chega sinal de celular. Aliás, e nem energia elétrica. Após suportar o vento com chuvisco soprado do Sul por cerca de 45 minutos, desembarco no Saco do Mamanguá, em Paraty. Não sei se o lugar é um vilarejo, afinal, havia mansões e casinhas de pescadores separadas por trilhas por todo o local – depois escrevo um post sobre a incrível geologia de lá para entender melhor esse salpicado de construções.

Visualmente, o Saco do Mamanguá parece um lugar intocado. Sua vasta e densa mata, os altos morros que acabam no mar, a água azul-clara e verde-esmeralda, as pequenas faixas de areia dourada-clara me levaram longe. Lembraram paisagens asiáticas de países como o Vietnã. Um lugar naturalmente imponente. Talvez, por isso mesmo, difícil de ser domado pelo homem. A única vendinha ficava distante cerca de 20 minutos por trilha – ou, dependendo da direção e velocidade do vento, 5 minutos remando – da casa onde me hospedei com amigos. Bom, resolvemos encarar o barro para explorar a mata, vislumbrar as paisagens e comprar mais velas e frutos do mar direto do pescador.

Escolhemos alguns quilos de peixes. Enquanto a moça limpava, por quase 20 minutos aprendi mais sobre meteorologia e sobre a natureza com um senhor de 79 anos. Esperto, há cerca de 50 anos tem sua mesma casa privilegiada de frente para o mar e pretende continuar por ali mesmo, longe da bagunça dos grandes centros urbanos que ele conhece bem. Atentamente, eu olhava nos olhos profundos e vividos do senhor, hoje, ex-pescador e dono da vendinha. Ele dizia que o sol apareceria quando voltar a ventar novamente do Sudoeste e, passado um tempo, começar a entrar vendo do Leste – foi o que aconteceu no domingo. Ele tinha razão.

Deixamos o céu, focamos no mar. Nós, moradores de São Paulo, ficamos com vontade de comer camarão e lula. Porém, a quantidade muito pequena disponível para a venda não daria para alimentar todas as bocas da casa que alugamos. O senhor contou que, nos últimos 20 anos, ele viu despencar o número de peixes e de frutos do mar pescados. Antes, com a água no joelho, pegava peixes de 16 quilos. Agora, não há nada de consistente no raso. Nós pudemos observar tartarugas, siris e peixes “bebês”. Perguntei o quanto a vida marinha diminuiu na região. “Hoje em dia, pesco 10% do que pegava há 50 anos”, disse. “10%”, repeti, inconformada, na esperança de ter ouvido errado. “Isso.”

Ele disse que a pior queda aconteceu nos últimos 20 anos. Listou ao menos cinco espécies de peixes que nunca mais viu no local. Para o ex-pescador, a pesca indiscriminada dos cardumes – sem deixar um peixe no mar para contar história – foi uma das causas do problema. Ele também falou sobre o defeso do camarão, quando sua coleta é proibida no Sul e Sudeste entre os meses de março e maio devido à época de reprodução do animal. Contou que no fim do ano o camarão também se reproduz e teceu uma vasta argumentação técnica alegando que deveriam haver dois defesos. Infelizmente, não tenho informações científicas para confirmar ou refutar a queda na pesca e o breve causo do defeso – se você tiver, deixe nos comentários. Espero que tudo isso não passe de história de pescador.

Entre Rios: para conhecer a história do urbanismo de São Paulo

Entre Rios conta de modo rápido a história de São Paulo e como essa está totalmente ligada com seus rios. Muitas vezes no dia-a-dia frenético de quem vive São Paulo eles passam desapercebidos e só se mostram quando chove e a cidade pára. Mas não sinta vergonha se você não sabe onde encontram esses rios! Não é sua culpa! Alguns foram escondidos de nossa vista e outros vemos só de passagem, mas quando o transito pára nas marginais podemos apreciar seu fedor. É triste mas a cidade está viva e ainda pode mudar!

Faça a sua parte e o Blog Action Day

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Ontem foi dia de Blog Action Day, como vocês já viram no post da Denise.
Nós combinamos de publicar os resumos de nossos posts aqui no Faça e, além da Denise, só eu e a Xará Malla falamos do assunto.

E eu me pego pensando na água nossa de cada dia. Aqui, no meio do mar.
No Havaí, mais de 90% da água doce potável que chega nas casas vem de aquíferos no subsolo, que são alimentados por precipitação das chuvas – a água da chuva penetra no solo, passa pela camada de rochas vulcânicas que compõem as ilhas e fica naturalmente filtrada e fresca pelas paredes de lava que petrificaram, riquíssimas em minerais. Só que, por estarmos em ilhas oceânicas, os aquíferos estão também circundados por rocha porosa derivada de corais mortos e sedimentos orgânicos. Tal proximidade da água salgada do mar gera o primeiro grande problema do abastecimento havaiano: a intrusão de água salgada.

Enquanto isso, no recanto da Joaninha, a questão é: contaminantes

contaminantes que estão nas águas próximas de nós e a gente nem imagina. Corpos d’água de vários pontos do planeta estão sendo contaminados com diferentes coquetéis que podem conter princípios ativos de medicamentos, componentes de plásticos, hormônios naturais e artificiais, antibióticos, defensivos agrícolas e muitos outros em quantidades e proporções diversas e com efeitos desconhecidos para os animais aquáticos e também para pessoas que consomem essas águas.

Vale refletir e doar espaço ou dinheiro (se puder) para que a gente evite maiores catástrofes neste planeta, que é 90% água.

Acqua

Começou no dia 31 de Março e vai até 25 de Abril, em Piacenza, na Itália, a edição 2010 do Omeofest, o Festival da Água. Abriu a programação, uma palestra do professor Masaru Emoto, um estudioso que desenvolve uma teoria sobre uma possível memória da água.
O assunto já apareceu em alguns documentários e, se ainda está em fase de debates e confronto por outros cientistas, não deixa de ser curioso e interessante o argumento tratado por Emoto. Infelizmente não encontrei nenhum material áudio visual em português, mas a série de três vídeos que segue abaixo, mostra a matéria apresentada nos programas de documentários italianos “Ulisse” e “Voyager”.
Segundo os estudos do professor Emoto, que recolhe amostras d’água em todas as partes do mundo para depois cristalizá-las e fotografá-las, existe uma analogia entre as condições ambientais e os cristais verificados nas fotografias. Adverte o professor que cada cristal é único e impossível de se repetir, mas que as características são similares. Assim, se a água viveu experiências positivas, os cristais se apresentariam em formas simétricas, perfeitos e belos. Se, ao contrário, a água tiver sido conservada em um ambiente onde as pessoas estão em competição entre si, nervosas, criando um ambiente negativo, os cristais fotografados apareceriam deformados, como se eles mesmos – os cristais – sofressem de stress. Com base a inúmeras experiências, o professor Emoto desenvolve a teoria de que a água possuiria um tipo de memória e que seria capaz de interagir com o ambiente que a circunda e com outras águas. Desse modo, a água que se encontra no nosso corpo, se boa, receberia outras informações positivas da água que se encontra no ambiente que nos circunda. Mas se a água no nosso corpo não é boa, se carregaria de informações negativas. Daí, segundo Emoto, a necessidade de nos esforçarmos em criar ambientes positivos, bloqueando os aspectos negativos.
Se a teoria de Masaru Emoto for comprovada, ficam as questões: É possível que a água que compõe o nosso corpo seja influenciada pelo ambiente? E, neste caso, também o nosso estado de ânimo e nossos sentimentos a influenciam? Influindo sobre a água podemos influir sobre o ambiente e sobre nós mesmos?
Certo é que sabemos muito pouco sobre a água, uma matéria que teria sido formada a milhões de anos, provavelmente pelo gelo cósmico trazido por cometas misturada aos gases vulcânicos, formado o primeiro efeito estufa que teria permitido a criação da vida na Terra. É, também, a única matéria que se encontra nas três formas: sólida, líquida e gasosa, com uma ligação molecular como nenhuma outra matéria.
Mas o professor Emoto nos dá uma esperança. Segundo a sua teoria, há um momento em que a água se purificaria, quando evapora e se condensa em nuvens, para reiniciar o ciclo das águas.
Os vídeos são as três partes do programa e, infelizmente, é em italiano. Mas se você quiser treinar o idioma e tiver paciência, vale à pena assisti-los.
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UP DATE:
A amiga e colaboradora deste blog Lúcia Malla deixou o seguinte comentário:
“Allan, Essa “teoria” do Emoto já foi desbancada como charlatanismo por muitos – esse foi o 1º q achei em uma googlada simples:
http://www.randi.org/jr/052303.html
Pode até soar bonitinho, mas a água não modifica suas características de acordo com a “energia positiva ou negativa” q colocamos nela. Isso já foi demonstrado, e se ele não fala isso em suas apresentações, é pq quer continuar enganando pessoas. Além do mais, ele acha q é um cientista, mas no fundo, pelos métodos q usa pra fazer sua própria “pesquisa”, não é. É pseudociência.”

Sendo a Lúcia uma cientista séria, extremamente ativa e sempre antenada, goza do meu maior respeito e admiração. Assim sendo, tenho certeza de que ela está melhor informada sobre o assunto. Mas não seria honesto da minha parte excluir o post, já que a intenção deste blog é não apenas informar, mas também fomentar debates e permitir reflexões na busca de um modo sustentável de vida. E, na medida do possível, denunciar falsos profetas e informações enganosas.
Fica, então, valendo o alerta da Lúcia.


DIA MUNDIAL DA ÁGUA

(post enviado pelo Jubal Cabral Filho, nosso colaborador):
Hoje, 22 de março, se comemora o Dia Mundial da Água.
Deveria ser a comemoração para que todos tenham este bem único em abundancia necessária para suprir suas necessidades pessoais, familiares e públicas. Em abundância para que haja líquido para beber; para cozinhar; para banho; para lavagem de roupas e utensílios; para limpeza da casa; descarga dos aparelhos sanitários; rega de jardins e lavagem de veículos. Principalmente para que não o desperdicemos.
Nesta nossa região amazônica, onde existe uma capacidade de suprimento de água subterrânea e superficial sem igual tornamos nossos rios as latas de lixos diárias; tranformamos nosso suprimento subterrâneo em local contaminado e não nos preocupamos adequadamente para o futuro tão perto e tão sombrio.
A quantidade de água potável em toda a face da Terra é diminuta: 98% da água existente é salgada! E nem nos damos conta disso. Afinal, aqui na Amazônia detemos 74% dos recursos hídricos superficiais e é habitada por menos de 5% da população brasileira.
Mas, não podemos nos esquecer que sempre estamos sujeitos a enchentes colossais e secas crônicas, associada aos fenômenos de El Niño, La Niña, ou à variabilidade na temperatura da superfície do mar do Atlântico Tropical e Sul que podem gerar anomalias climáticas, como já
ocorreu em épocas passadas.
Não custa nem um pouco nos voltarmos para que sejam atendidas as propostas desta data em 2010: Tentar aumentar a consciência pública da importância da conservação dos recursos de água potável, é o objetivo do Dia Mundial da Água, que se assinala a 22 de Março. Este ano é
dedicado ao tema «Água Limpa para Um Mundo Saudável».
Em homenagem ao Dia Mundial da Água publico esta crônica retirada da revista biográfica “Crônica de los Tiempos” – Abril de 2002 :
CARTA ESCRITA EM 2070
Estamos em 2070, acabo de completar os 50, mas minha aparência é de alguém de 85.Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha cinco anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro cerca de uma hora. Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam sua formosa cabeleira. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água.
Antes meu pai lavava o carro com água que saia de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a água se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais podia terminar. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber oito copos de água por dia por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não tem a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrintestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são principais causas de mortes.
A indústria ta paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessanilizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável ao invés de salário. Os assaltos por um pouco de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressiquidade da pele de uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível.
Não se pode fabricar água, o oxigênio também ta degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como conseqüência há muitos meninos com insuficiência, mutações e
deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos, 137m³ por dia por habitante adulto. A gente que não pode pagar é retirada das “zonas ventiladas”, que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar, não são de boa qualidade, mas pode-se respirar, a idade média é 35 anos.
Em alguns países ficaram manchas de vegetação com seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército, a água tornou-se um tesouro muito cobiçado mais do que ouro e diamantes. Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registrar-se precipitação, é chuva ácida; as estações do ano tem sido severamente transformadas pelas provas atômicas e da indústria contaminante do século XX.
Advertia-se que havia que cuidar do meio ambiente e ninguém fez caso.
Quando minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente.
Ela pergunta-me: Papai! Porque se acabou a água?
Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de me sentir culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente não tomamos em conta tantos avisos.
Agora nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que ha vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível. Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!

A privatização da água: dia mundial da água

Catuípe é uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul (nas Missões) e é conhecida como “Terra das Águas Minerais”. Ao tempo em que era um distrito de Santo Ângelo, chegou a ser classificada como Estância Hidromineral. Afinal, Catuípe fica sobre o Aquífero Guarani.
Catuípe tem uma particularidade: todas as residências recebem água mineral encanada:
A população do Município de Catuípe, constituída de 9.499 habitantes, desfruta de um componente invejável na questão da qualidade de vida: a água mineral encanada, distribuída em todas as torneiras. Pelo sistema de distribuição de água potável na cidade, via Corsan, através da captação de poços artesianos, a população recebe em suas residências água mineral classificada como fluoretada e bicarbonatada. Esta qualidade, tem sido um ingrediente de valor no consumo diário dos catuipanos, que dispensam a tradicional aquisição de água mineral engarrafada.” (daqui)
Mas não é bem assim. Na verdade dois processos de privatização estão ocorrendo na cidade. O primeiro, praticado pela cia estatal: monopolizou os poços artesianos e aquilo que poderia ser fonte de renda para o município e seus cidadãos, por meio da exploração turística, acaba nos cofres do governo estadual e aplicado sabe-se lá onde, menos na cidade.
O monopólio estatal para fornecimento de água proíbe a abertura de poços artesianos em áreas urbanas. E sabemos que os governos, nesse país, não são exemplos de “pelo povo e para o povo”. É uma espécie de privatização, pois decisões de investimentos sao sempre feitas por um pequeno grupo para o benefício político de um pequeno grupo.
O segundo, fiquei sabendo por uma conversa que tive com um catuipano, semana passada, Contou-me ele que uma empresa de água (vou conferir e depois atualizo com o nome) já se instalou no município e está adquirindo fontes de água mineral. Em breve é possível que toda água de Catuípe seja fornecida por essa empresa. É a privatização total.
O caso de Catuípe não é único, infelizmente. Muitas cidades brasileiras já privatizaram o fornecimento de água. E a coisa anda a passos largos aqui no Brasil.
Temos que cuidar. Caso contrário, um simples copo d’água poderá nos custar “os ohos da cara”.

Água elástica

Li primeiro via twitter do FiNS Magazine e confesso que achei de cara que era um hoax. Afinal, água elástica? A combinação de palavras tinha toda pinta de lenda de web. Retwittei pela curiosidade, mas com várias pulgas atrás da orelha, já esperando aparecer o primeiro para zoar da minha barrigada.
Mas aí eu mesma não resisti. E fui atrás para saber se era verdade. E era.
Saiu na Nature da semana passada o artigo de um grupo de pesquisadores japoneses e coreanos (Wang e colaboradores) contando como produziram gel de água (hidrogel) com propriedades elásticas. Meus conhecimentos patéticos de tecnologia de materiais me impediram de captar 100% da mensagem do artigo (tenho certeza que a Fernanda pode falar melhor sobre), mas o que li e entendi me impressionou. Afinal, o grupo diz que o hidrogel pode vir a ser um substituto super-ambientalmente correto pro plástico!
Seria o paraíso verde, se pensarmos bem. Imagine tudo que hoje é feito de plástico (que leva séculos para degradar) ser substituído por um hidrogel, basicamente água (96-97%) misturado com 2 a 3% de nanoplacas de argila, uma macromolécula “ligadora” e poliacrylato de sódio (menos de 0.4%)? Aí me veio à cabeça o 1º delírio: será que o hidrogel resistiria ao microondas? Ou derreteria? (Pensei nos potinhos usados para a gente esquentar comida.) Os próprios autores respondem no artigo: acima de 80ºC, começam a se formar bolhinhas dentro do material, o que gera a sensação de “cerâmica quente”.
hidrogel
Como faz o hidrogel. Repare na figura com o material na ponta dos dedos de uma pessoa, como se dobra bem.
Enfim, viagens à parte, a idéia de um hidrogel não é nova. Mas em geral, fazem-se hidrogéis com ligações covalentes, mais fortes, cujo lado negativo é exatamente esta força: dificulta a capacidade de se “moldar” o gel, ou de, uma vez endentado, voltar ao formato original (uma certa auto-correção). Este é exatamente a vantagem do hidrogel dos japoneses, a auto-correção. E foi conseguida por usarem ligações não-covalentes, mais maleáveis e rápidas de voltarem ao original.
Há inúmeras vantagens no uso do hidrogel. Dentre as que mais me impressionaram, está a capacidade de fazê-lo à temperatura ambiente. Outra bacana é que é baratíssimo: água e argila, basicamente. Mas também é interessante que o gel não é fácil de se misturar com outros materiais uma vez feito. Pensando nos potinhos de comida, sua marmita da manhã não “passaria” pra dentro da parede do pote. Abaixo, a figura do artigo em que eles colocaram o corante azul de metileno em pedaços do hidrogel. Tanto na horizontal como na vertical, o azul não se dilui com a parte transparente. E fizeram um coração de hidrogel, mergulharam todo num solvente orgânico, e perceberam que depois de um tempo, o solvente ocupava o lugar da água na estrutura, mas não a modificava.
hidrogel2
Bacana, não?
Vale ressaltar também que o grupo, para provar o uso biológico (mais?) do gel, colocou moléculas da proteína mioglobina por uma semana dentro do hidrogel à temperatura ambiente. A proteína reteve 70% de sua atividade catalítica. (E tenho quase certeza que foi esse experimento específico que permitiu o artigo sair na Nature. Porque aí cobre todas as grandes frentes.)
Uma invenção bacana dessas dá mais uma pontinha de esperança num futuro verde de verdade, não? A tecnologia à serviço do ambiente, um sonho ainda possível.
*Todas as figuras sob licença CC da Nature.