Alimentos processados são feitos para cérebros processados.

salsicha

Atire a primeira pedra quem não gosta de salsicha. Sejamos francos: de qualquer embutido.

Dez por cento de eufemismo e noventa daquela aula de química que todo mundo matou. O eufemismo fica por conta do “carnes mecanicamente separadas”. As aulas, pela quantidade de “aditivos’ químicos adicionados para dar cor, sabor, cheiro, textura e que ninguém sabe o que significa… Ou seja, para dar aos sentidos humanos tudo o que ele precisa para apreciar embutidos. E comprar… E dar para as crianças que detestam espinafre, rúcula, abóbora, couve, chuchu, bife de fígado, cenoura, beterraba, alface, agrião… Não cabe, aqui, a quantidade de coisas que não trocaria a minha salsicha por elas…

Podem perguntar: o que tudo isso tem a ver com o meio ambiente? Como diria a grande defensora dos embutidos, “tudo a ver”!

Embutidos industrializados são a antítese da “filosofia” natural de viver.

Embutidos industrializados são a forma rápida de se alimentar. A natureza não privilegia o tempo como forma de se alimentar.

Embutidos industrializados são a forma, por excelência, do consumismo. A natureza privilegia a existência da vida. A natureza supre a necessidade, humanos a vontade criada pela propaganda.

Gostar e consumir embutidos industrializados, na realidade, é ser um ser que foi formado para aceitar com naturalidade que a destruição da natureza é algo natural.

Considerando a dita melhor técnica de escrever, a frase anterior é péssima, mas diz tudo.

Ela quer dizer, no fundo, que nossos cérebros também são processados. E processados para processar os cérebros dos nossos filhos.

E assim processamos nossos filhos para que se alimentem de embutidos industrializados. E para terem uma vida pensando que destruir a natureza é a mesma coisa que comer uma salsicha…

Cubinhos orgânicos congelados

Uma dica bacana que a menina do dedo verde, Carol Costa,  nos dá neste podcast – Truque esperto para aproveitar ervas frescas, é simplesmente  excelente. Como é possível conservar os temperinhos e ervas frescas e evitar o desperdício quando a gente os compra em excesso?

cubinho de manjericão geloO pé de manjericão, da hortinha da varanda de meu apartamento, estava realmente precisando de uma poda, e eu não estava dando conta de fazer tantos chás e temperos com a quantidade de  folhinhas dele. Até tentei, certa vez, secá-las ao sol para usar como tempero seco, mas a maioria apodreceu. Esta dica da Carol resolveu isto. Vejam só que bacana: usar as ervas para  fazer cubinhos orgânicos de ervas frescas congelados!

Seguindo os passos que Carol cita no podcast, retirei quase todas as folhinhas do pé de manjericão de minha hortinha de varanda. Na verdade, deveria colhê-las todas, mas eu queria fazer a experiência antes, hehe.

manjericao na forma

Piquei as folhinhas do manjericão (a Carol deixa-as inteirinhas mesmo)  e coloquei um punhadinho,  em cada cubo da bandeja de gelo. Completei com água, congelei e obtive meus cubinhos Knorr de manjericão prontos para uso!

manjericao na forma congeladoQualquer tempero pode ser congelado desta maneira: salsinha, cebolinha, hortelã, e até o alho poró, cortado em rodelinhas transformam-se em cubinhos para serem utilizados quando quisermos incrementar um prato.

Ao cozinhar, é só jogá-los, um ou mais cubinhos de ervas congeladas, dentro do molho,  ou do feijão, da sopa ou do prato que estivermos preparando. Delícia! O melhor: sem conservantes!

O manjericão, peladinho, após a poda, irá brotar novamente, segundo a Carol. Então, agora, vou retirar as folhinhas que ainda restam para fazer mais cubinhos de ervas congelados e deixar só os galhinhos no vaso. Então, é só esperar que ele floresça novamente e fazer novos cubinhos orgânicos.

pé manjericão pelado

Obrigada pela dica, Carol!

Sua comida pode estar em extinção

Devido à pesca predatória, inúmeras espécies de peixes usadas como alimentos por nós, humanos, estão em extinção na África do Sul – o mesmo ocorre aqui no Brasil. Para alertar os moradores e os turistas sobre esse problema, organizações públicas, não governamentais e privadas se uniram na divulgação colando cartazes de alerta em diversos pontos públicos como no Two Oceans Aquarium, em Cape Town (Cidade do Cabo).

Os cartazes são simples. Neles, espécies peixes com nomes e ilustrações foram separadas em três categorias dentro das respectivas cores: green (verde), orange (laranja) e red (vermelho). Os peixes da categoria verde, como é o caso da anchova e do dourado, podem ser consumidos. O cartaz alerta para o consumo moderado das espécies colocadas na categoria laranja, como o bagre. Essas espécies correm risco de extinção, mas menos do que as inseridas na categoria vermelha como, por exemplo, o incomum peixe-serra. Veja aqui, no site da WWF, a lista completa.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 85% dos estoques de peixes do mundo são superexplorados ou já foram explorados ao máximo. Para piorar a situação, estima-se que um quarto dos animais marinhos pescados são muitas vezes mortos ou desperdiçados por terem sido capturados acidentalmente.

Parece que os restaurantes de modo geral da África do Sul, graças a esse extenso alerta, têm evitado comercializar as espécies em risco de extinção – me corrija se eu estiver enganada. Mesmo assim, os peixes e alguns frutos do mar estão entre os principais alimentos consumidos por lá. Eu, por exemplo, vivi a base de lula e peixe – mais saborosos do que os daqui!

A África do Sul tem uma extensa área costeira (3.798 quilômetros). Lá, peixe e frutos do mar custa cerca de três vezes menos do que os consumidos no Sudeste do Brasil, sendo que a costa brasileira é de cerca de 8 mil quilômetros – mais que o dobro maior do que a sul-africana. Alguns estudos apontam maior quantidade de animais marinhos em águas frias como as da África do Sul. Essa explicação seria suficiente para justificar os preços mais altos dos frutos do mar por aqui, já que o litoral do Brasil é relativamente quente? Ou os peixes do Brasil correm mais risco por diversos motivos?

Enfim, os recursos marinhos são finitos. O que está sendo feito no Brasil para cuidar dessas espécies e desse ambiente tão especial?

 

Aquaponia: alimentação saudável ao alcance de todos

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Já faz um tempo que André e eu cozinhávamos entre a gente a idéia de ter um jardim – na realidade, uma horta. O problema maior é que moramos em apartamento, e um jardim, com a quantidade de vegetais que queríamos para nossa “subsistência”, requer um espaço que a gente não tem.

Por outro lado, confesso que nunca tive muito jeito pra jardinagem. Minhas experiências na faculdade com plantas sempre foram mal-sucedidas: eu conseguia matar cactos de sede, pra vocês terem uma idéia. De modo que, com esse histórico nada promissor mas uma vontade enorme de comer uns vegetais frescos colhidos “do quintal”, me animei muito quando André levantou a possibilidade de montarmos um sistema mais “independente” de horta: a aquapônica.

Aquaponia, em resumo, é a combinação de hidroponia com aquacultura. A “ciência & tecnologia” por trás do sistema é baseada no ciclo de nitrogênio. Os peixes que você cria excretam compostos nitrogenados como amônia. A água onde o peixe está fica então “nitrogenada”, e esta água é a que “rega” o seu jardim (não é bem regar, vocês vão ver abaixo). O canteiro está cheio de bactérias que convertem amônia em nitritos, que repassam os nitritos para outras bactérias fixadoras de nitrogênio, que se encontram nas raízes das plantas cultivadas em simbiose. Estas últimas bactérias transformam nitritos em nitratos, fixando em última análise o nitrogênio do peixe, e facilitando para as plantas o absorverem e transformarem, no final das contas, em folhas, flores e frutos.

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Diagrama geral de um sistema aquapônico. Tirado daqui.

O sistema é praticamente fechado, autônomo e de crescimento ultra-rápido. Além disso, é orgânico e principalmente local (mais local que a sua própria casa, impossível), não depende de nenhum gasto de petróleo para chegar até a sua cozinha. E, dependendo do jeito que você o monta, pode ser bastante sustentável, até auto-sustentável. (No passo a passo abaixo explico melhor.) É uma solução prática e extremamente útil para o futuro, já que torna cada “aquaponista” até certo nível independente para sua própria alimentação. Além disso, o sistema é ideal para um ambiente urbano (mas não só ele), onde espaço é bem limitado. E, chantillizando ainda mais a aquaponia, você tem no final das contas controle total sobre o sistema, e esta é talvez a maior vantagem da aquaponia sobre qualquer outro princípio de produção em pequena escala de alimentos. (Imagine sistemas aquapônicos nos telhados dos prédios, uma área de concreto enorme inutilizada na maior parte das vezes… E já tem gente pensando em aquaponia em larga escala, já pensou que maravilha?)

Então eis que no fim de semana em abril em que eu estava em Washington, André e Kai, amigo nosso doutor em Zoologia e super-expert em aquaponia (ele faz diversos projetos assim pra instituições do governo aqui no Hawai’i), se juntaram, compraram os materiais necessários e iniciaram o projeto “Aquapônica dos Malla”.

Portanto, eu não vi o dia inaugural do projeto. Mas desde então, venho “trabalhando” nele diariamente – e cada dia mais apaixonada por tudo. Já fizemos diversos pratos usando ingredientes da nossa aquapônica, e tenho o maior orgulho de ver todas as hortaliças crescendo felizes. Jamais imaginei que um dia eu diria isso, mas jardinagem é o máximo! (Minha vó falava que era “coisa de velho”… acho que envelhecemos bem então. 😀 )

Deixo aqui um passo a passo fotográfico de como a nossa aquapônica começou – e no pé em que está agora. Quem sabe anima algum(a) amigo(a) a testá-la em sua casa também, né? Eu recomendo muito.

 

1º passo – os canteiros e os tanques

Nós escolhemos ter 4 canteiros, por questões de espaço. Para alimentar 4 canteiros, estamos usando 2 tanques de ~100 litros, conectados entre si em um ponto baixo do tanque – portanto a água dos 2 tanques se mistura bem. (Na foto abaixo, apenas um dos tanques aparece, no chão.)

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Temos cerca de 20 peixes, e são tilápias nilóticas (Oreochromis niloticus) que o Kai deu pra gente. Elas são malhadas e rosadas, bem bonitinhas. Para quem não sabe, o André, além de über-fotógrafo (opinião imparcial, como vocês bem sabem, hehehe), é doutor em Zoologia e especialista em fisiologia e endocrinologia de tilápias, portanto, melhor peixe não há pra gente usar no nosso sistema. 😛

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O peixe é a chave do sistema de aquaponia, então você quer colocar no seu tanque um peixe que não exija muito em termos de fisiologia nem manutenção e que produza muitas fezes, para ter bastante nutriente disponível para as plantas.

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Os canteiros precisam então ser “furados” para colocar um sifão, como na foto acima. O sifão regula a água que sairá do canteiro por um cano de drenagem, fazendo com que a água do solo “vaze” de tempos em tempos, como numa maré. Esse movimento da água é importante para que as plantas estejam sempre recebendo água na quantidade correta, nem demais nem de menos.

 

2º passo – encanamento

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Percebam que os moços se divertiram fazendo isso… a cerveja gelada ao lado dos joelhos e T’s confirma o fato. 😛

Uma vez preparados os canteiros e tanques, hora de conectá-los com canos. O cano do sifão é o de drenagem, mas precisa colocar também o de “entrada” da água nos canteiros, que vem direto do tanque dos peixes – no nosso caso, a entrada foi dividida em 2, com um cano pra cada lado em cada canteiro, conectado com torneiras, pra que você possa desligar o sistema quando quiser/precisar (pra fazer algum conserto, ou mudar a posição, etc.).

O único gasto de eletricidade do sistema entra aqui: você precisa de uma bomba (pequena) para jogar a água do tanque para os canteiros. Fizemos os cálculos e custará cerca de 6 dólares por mês na nossa conta de luz a manutenção dessa bomba. Mas o Kai, que é todo “verde”, disse que dá pra manter a bomba com energia solar (é o que ele faz na casa dele), o que tornaria o sistema energeticamente limpo. Prevejo que este será nosso próximo passo…

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Kai trabalhando nas conexões…

No final, o resultado da colocação dos canos ficou assim:

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A água da drenagem volta pro tanque dos peixes, filtrada pelas pedrinhas. Além disso, um pouco dessa água é desviada para formar um sistema de aeração dos tanques, e cai nos tanques fazendo uma pequena “cascatinha”, que oxigenará a água dos peixes.

 

3º passo – o solo

Na verdade, não se usa terra. Então, parte significativa dos problemas de uma lavoura com pestes e doenças já é eliminada aqui. O ideal é cobrir os canteiros com cascalho poroso – no nosso caso, pelo preço barato e disponibilidade, usamos pedra de lava preta, que é rica nos minerais que a planta precisa, super-porosa e leve.

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Independente do cascalho que você escolher, você precisa lavar estas pedras antes de cobrir os canteiros com elas. Essa é a parte mais chata do processo. Como o Kai faz isso pra viver e conhece todos os vendedores da ilha, quando a gente foi comprar as pedras ele imediatamente já pediu pra lavá-las na loja mesmo, facilitando nossa vida de moradores de apertamento – afinal, pedra, mesmo de lava que é mais “levinha”, ainda pesa muito e teríamos que levar tudo até o primeiro andar pra “mangueirar” de forma eficiente.

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Uma vez que você encha os canteiros com o cascalho, precisa ligar o sistema (ou seja, deixar a água circulando) e esperar cerca de uma semana para começar a “plantação”. Esse é o tempo para que as bactérias da flora intestinal dos peixes (expelidas com as fezes) comecem a popular o cascalho, de modo que quando as plantas forem ali colocadas, as bactérias do peixe já estão ali, prontas para iniciar os trabalhos a simbiose. 😀

Além disso, as pedras servem como sistema filtrador da água drenada. Ela voltará pro tanque dos peixes limpa, tornando o ambiente sempre agradável para o ciclo de vida deles.

 

4º passo – as plantas

Uma semana depois, começamos a plantação. Eu tinha recebido umas sementes de manjericão numa dessas milhares de cartas de spam que chegam diariamente pra gente na nossa caixa de correio. Resolvi colocar em um dos canteiros. Aproveitamos e fomos numa loja de jardinagem e compramos umas mudinhas, tudo não custou mais de 10 dólares. Plantamos: alface (uns 20 pés), pepino, tomate, cebolinha (pegamos uma que tínhamos na geladeira que estava estragando, usamos na comida e plantamos os cotocos), coentro (também plantamos o que estava na geladeira), tomilho, beringela, hortelã, cebolinha-capim (chive, em inglês), manjericão, pimentão, brócolis, rúcula e endro (dill, em inglês).

Um dos canteiros ficou assim:

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(Repare a cebolinha só no cotoco, e os gazilhões de pés de alface.)

DUAS semanas depois, o mesmo canteiro já estava assim:

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O pepino ficou louco e cresceu alucinadamente! No momento, já está quase chegando ao chão. Detalhe: ontem comemos algumas destas alfaces e as cebolinhas também já foram utilizadas em refeições, junto com o coentro, a hortelã e o manjericão.

É claro que a escolha das plantas depende de um monte de variáveis. Se você mora numa área de clima frio, dê preferência a plantas que agüentam o frio, ou monte o sistema numa área aquecida. É preciso ter luz também, então o quintal é a melhor escolha. Plantas tuberosas (batata, inhame, cebola etc.) não funcionam muito bem por causa do movimento da “maré” aquapônica, embora tenha jeito para plantá-las, se você tiver mais espaço. Plantas que não gostam de muita água, por motivos óbvios, também não devem se dar muito bem em aquapônica.

As plantas não precisam de fertilizantes, pois a água do peixe já é rica o suficiente em nutrientes. Não precisa usar pesticidas – aliás, não se deve, porque eles podem matar o peixe. Lembre-se: tudo que você põe na planta, termina chegando no peixe de alguma forma, é uma brincadeira de ecossistema deliciosa.

A maior parte dos insetos problemáticos não se estabelece porque não tem “solo” de terra, é tudo pedra.

As sementes também não devem ser plantadas muito no fundo. Por causa da maré aquapônica, se a semente estiver muito no fundo, a raiz inicial ficará o tempo todo dentro d’água, fazendo com que ela apodreça. Plantas maiorzinhas devem ter a raiz encostando na água de maré cheia, de modo que quando o canteiro esvazia, estas raízes secam um pouco.

 

5º passo – o ciclo da água

Uma das vantagens que eu mais gosto no sistema aquapônico é que não preciso regar (ver história do cacto acima). O sistema se auto-rega. Ou seja, o único trabalho que a gente tem é alimentar o peixe – e a tilápia é super-resistente, você pode alimentá-la uma vez a cada 2 dias – mas ela pode resistir a até 2 semanas sem alimento sem se comprometer fisiologicamente. Nós damos ração de peixe, comprada na loja de rações. A ração é super-balanceada, e dá todos os nutrientes básicos para uma vida saudável pro peixe. E esta é a única razão pela qual chamo o sistema de “quase-fechado”, porque você ainda é responsável por um pouco de input, ao alimentar o peixe.

O maior gasto de água é no primeiro dia, quando você monta o sistema e precisa encher o tanque dos peixes. Ali vão, de uma tacada só, quase 40 galões de água. Mas, uma vez cheio, teoricamente você não precisa mais encher . A mesma água vai cheia de nutrientes pros canteiros e volta filtrada para os peixes. Há uma porcentagem de evaporação natural, e uma vez a cada mês a gente completa com água de novo – uma porcentagem muito pequena, devo dizer. Dá pra tornar esse “completar com água” em algo sustentável também, basta usar um coletor de água da chuva e ligá-lo com uma cisterna ao tanque do peixe. Assim nem com a evaporação natural você se preocupa mais (é isso que o Kai faz com alguns dos canteiros de aquapônica que ele tem na instituição onde trabalha, gerando assim sistemas quase 100% sustentáveis e super-hiper-eficientes energeticamente, by the way).

 

6º passo – problemas

Nosso maior problema tem sido os pássaros. Os pombos adoram bicar nossas alfaces, já descobriram o “fast-food” da varanda. Além disso, pusemos uma rede ao redor do tanque dos peixes para evitar que garças comam os peixes também – isso acontece com os peixes experimentais do André. Próximo passo será um espantalho. 😛

A rede ao redor do tanque também serve a outro propósito (na verdade, o propósito inicial foi esse): diminuir o crescimento de algas na água e evitar uma “maré vermelha” na aquapônica – na foto inicial do post dá pra ver a rede cobrindo os tanques. Há um pouco de alga que cresce na água, inevitável. Mas você não quer que elas tomem conta, exauram o oxigênio da água e matem os peixes. Então um ambiente mais escurinho facilita isso. A tilápia não se importa, já que a cobertura da rede é vazada e deixa uma penumbra agradável e fresquinha pro tanque.

Há também um déficit de ferro inerente ao sistema. Para saná-lo, uma vez por mês, nos 3 primeiros meses, você adiciona sulfato ferroso em pó entre as pedras. Depois, pode fazer isso uma vez a cada 6 meses.

Há também um investimento inicial, em canteiros, canos, pedra, peixe, etc. Mas, é claro, cada um desses itens pode ser repensado de forma mais econômica ainda principalmente se quisermos levar o sistema a comunidades carentes, populações necessitadas, etc. Seja criativo(a). Reuse, recicle. 😉

O único input constante do sistema é a ração que se dá pros peixes, como dito acima. Esse é o ponto onde a pegada ecológica ainda é alta. Afinal, ração de peixe em geral contém 20% de pescado, que portanto depende de pesca e petróleo para transporte. A ração, porém, possui ômega-3 e proteínas que facilitam o crescimento da tilápia, o que é vantajoso para a saúde do peixe e pro sistema. Você pode, como alternativa ecoconsciente, usar alface para alimentar o peixe – mas aí o metabolismo do peixe diminui bastante e as plantas vão crescer mais devagar. Ou seja, este é um ponto em que a aquaponia precisa ser (re)pensada um pouco mais para poder então ser considerada 100% verde. Mas acho que, mesmo não sendo 100%, os 90% que ela já é de verdice valem à pena numa primeira instância, vocês não acham?

 

7º passo – benefício colateral não-esperado

O barulhinho da água circulando na aquapônica melhorou em uns 1000% nossa qualidade de sono. Insônia, never more. Parece que saímos da cidade e estamos agora ao lado de uma cachoeira eterna – mesmo estando obviamente ainda dentro da cidade, com buzinas, sirenes e afins ao nosso redor. A água abafa um pouco toda essa poluição sonora. O barulho da água correndo me deixa mais focada, me sinto mais relaxada… enfim, é mentalmente saudável.

Espero que vocês se animem a montar uma aquapônica em casa. Eu estou amando!!!! :)))

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– O Kai é muito criativo mesmo. Um exemplo para André e eu, que ainda temos que comer muito feijão para podermos dizer que somos “ecologicamente corretos” assim… Ele nos contou que montou dia desses uma aquapônica e hidropônica móvel, para um projeto do governo dedicado aos sem-teto (os “homeless”) do Havaí. Assim os sem-teto, que não têm um quintal definido, têm também condição de usufruir de comida saudável se tiverem interesse. Além disso, ele vem montando sistemas de aquapônica em diversas comunidades e escolas aqui do Havaí. E vai, de canteiro em canteiro, fazendo a parte dele por um mundo melhor, mais ecoconsciente. Bacana, não?

– Este post foi publicado em 15 de maio de 2011 no meu blog pessoal. Desde então, tem sido um dos mais populares, e fico feliz em saber que as pessoas estão atrás de informações sobre esse sistema simples, “de apartamento”, que tem nos dado um retorno fantástico.

A fome no mundo é um bom negócio

As multinacionais começam a travar uma guerra surda, quase sem barulho e que poucos têm notícias: a guerra do potássio. Trata-se de um metal muito leve, segundo em ordem de leveza depois do lítio. É menos denso que a água e tão macio que se pode cortar facilmente com uma faca e cujos principais produtores são o Canadá, a Bielo-Rússia e a Rússia, com 95% da produção utilizada em fertilizantes.
Como a população mundial não pára de crescer, cresce também a necessidade de produzir alimentos e a demanda por fertilizantes só aumenta. Na Rússia, Anatoly Skurov, Suleiman Kerimov e Zelymkhan Mutsoyev conseguiram o controle de 69% da Silvinit, o maior produtor russo deste que está virando um metal tão preciosos quanto o ouro. A representação da Silvinit na produção de potássio na Rússia é tão grande que a situação se caracteriza como monopólio. Para não ficar atrás, a anglo-australiana Bhp Billiton fez uma oferta irrecusável pelo controle da canadense Potash Corp, a maior produtora mundial de potássio. A proposta não deve ter sido tão irrecusável assim, pois foi rejeitada. Mas a guerra continua, incluindo o fósforo, outro componente dos fertilizantes.
Permitir a concentração da produção mundial de potássio e fósforo nas mãos de uns poucos é um risco que não podemos permitir, pois isso levaria à formação de cartel que determinaria preços e controlaria fornecimentos. O simples boato de um possível exaurimento das reservas naturais elevaria os preços dessas matérias-primas às estrelas, colocando toda a cadeia agrícola sob controle dos fornecedores de potássio e fósforo. Mas somos impotentes diante dessa guerra.
A saída é investir na produção de fertilizantes alternativos, como vem fazendo a Embrapa há anos, com diversos programas desenvolvidos, em desenvolvimento e divulgando, para que essa tecnologia seja disponível e acessível ao agricultor brasileiro. Celeiros do mundo?
Via La Stampa.

Notícias de Londres

Esquilos na mesa
Quem já visitou Londres provavelmente conheceu o Hyde Park, um dos parques mais repousantes da cidade. Visitando o Hyde Park é impossível não deparar-se com os esquilos, que se acostumaram aos visitantes humanos e às suas ofertas de comidas dos mais variados tipos.
Uma curiosidade sobre os esquilos é o alto risco de extinção do esquilo vermelho europeu, uma iguaria gastronômica similar ao coelho – e por isso em extinção – servida nas mesas britânicas. Com a intenção de “preservar” o esquilo vermelho europeu, a rede de supermercados Budgens decidiu substitui-lo pelo esquilo cinza, cujo abatimento consiste em deixá-lo sangrar por um dia inteiro, após parcialmente abatido a pauladas.
Juliet Gellatley, fundadora da Associação Vegana “Viva” além de conhecida zoóloga, em entrevista ao Daily Mail, declarou assutada: “O abatimento de milhares de esquilos cinzas em benefício dos esquilos vermelhos é um conceito irracional, desumano e destinado a falir. É muito triste que a Budgens estimule o massacre somente para distinguir-se da massa. A única mensagem que conseguem passar é aquela de lucrar com o sangue do animal.”
Quando for a Londres, evite a rede de supermercados Budgens e qualquer outro lugar que venda ou sirva carne de esquilo. Vá vê-los no Hyde Park, vivos.
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Bônus e incentivo ao carros elétricos e híbridos

A outra notícia de Londres é positiva: David Cameron confirma os incentivos aos carros elétricos e híbridos. Tais incentivos consistem em um desconto na compra desses veículos, de Janeiro de 2011 a Março de 2012. Na prática, o consumidor irá pagar menos por esses veículos, em relação à tabela de preços oficiais atualmente em vigência, com descontos que podem chegar a 5000 esterlinas, dependendo da idade e do grau de poluição emitido pelo carro velho. A diferença será paga pelo governo, desde que o consumidor dê o seu carro velho e poluidor como parte do pagamento do carro novo. O carro velho será desmanchado para evitar que continue poluindo. A notícia foi dada pelo novo secretário dos transportes Philip Hammond. O governo britânico colocou à disposição da operação 43 milhões de esterlinas.
Para estimular a difusão dos carros elétricos e dos híbridos plug-in estão sendo investidos recursos substanciosos na criação da rede de distribuição. Em Londres, Milton Keynes e nordeste da Inglaterra estarão disponíveis 11 mil colunas de abastecimento elétrico até o fim do ano. Em seguida o programa se estenderá por toda a Inglaterra. Londres se tornará uma cidade menos poluída e mais silenciosa?
Fonte: Quattroruote

Guerra de colher de pau

Sempre fui onívoro. Sempre. Mas sempre acreditei que a minha alimentação fosse sadia. Quer coisa mais sã que hambúrguer com cerveja? Ou uma angelical feijoada com tanta pimenta que faz arder os olhos? Um dia eu cresci e descobri que estava crescido demais e deveria ter descoberto muito antes que a única coisa que diferenciava o meu estômago da lata de lixo era a falta de embalagens vazias. No meu estômago, é claro!
O jornal satírico da tv italiana “Striscia la Notizia” declarou guerra no ano passado à cozinha molecular. Para esclarecer, é o tipo de cozinha praticada com aditivos químicos e que tem como expressão máxima Ferran Adrià, do restaurante espanhol “El Bulli”. Segundo o jornal, alguns aditivos químicos utilizados sob controle na indústria alimentícia, estariam sendo usados sem controle algum em restaurantes para obter resultados inesperados com o objetivo de impressionar. Bom, a coisa chegou a tal ponto que o Ministério da Saúde italiano resolveu intervir e baixou uma norma às pressas. E aí o caldo entornou.
Jornais europeus criticaram a medida mal feita do governo italiano, os chefs adeptos da cozinha molecular ridicularizaram o teor da norma, em contraposição com as normas europeias e que, entre outros equívocos, proíbe o uso de gases como ingredientes de alimentos, quando queria proibir o uso de nitrogênio líquido, que não é um gás (é líquido!). Se seguida ao pé da letra, a nova norma italiana proíbiria aos restaurantes o uso de produtos aos quais nos acostumamos a usar mesmo em casa, como o fermento em pó. Os chefs tradicionalistas aplaudiram a iniciativa decretando que o Ferran Adrià e seus seguidores não deveriam estar em uma cozinha, mas em laboratórios. Enquanto isso, na Espanha, nasce a primeira universidade que formará chefs em cozinha molecular. Já há quem ameace batalhas de panos de pratos molhados.
Muito antes que a sigla OGM virasse o espantalho dos agricultores orgânicos, a Itália já consumia melancia, tangerina e uva sem sementes, batata enriquecida com selênio, além de outros produtos enriquecidos. E os diversos tipos de tomates desenvolvidos para determinados fins (molhos, saladas, etc.) também precisam ser lembrados como organismos geneticamente modificados – opa! Sim, sou consciente de que o risco é o monopólio das grandes empresas que controlarão – é uma questão de tempo – a produção e comercialização dos alimentos, além de desconfiar que a falta de tempo para testes mais profundos acaba nos transformando em cobaias, mesmo que indiretamente. Pois se a vaca comeu milho ou outro produto modificado, a carne, o leite e os seus derivados contém tais produtos. E eu estou consumindo sem saber.
A verdade é que eu não sei onde está a verdade. Gostaria muito de ter a tranquilidade de poder ir a um restaurante sem pensar que há algo no prato além dos produtos cultivados naturalmente no campo, mas toda essa guerra tem como foco convencer a mim, consumidor, de que estou fazendo a coisa certa. E eu não gostaria de descobrir que aquela coisa verde espumosa do jantar de ontem irá me transformar em um monstro fluorescente. Nem, tampouco, sentir-me ridicularizado por evitar o consumo de produtos que desconheço, o que me faz pensar que se fosse hoje, Galileu não teria convencido ninguém de que a cenoura não é venenosa. Tenho me aproximado cada vez mais dos alimentos que podem ser consumidos crus, como frutas e verduras, mas começo a olhá-las com desconfiança. Recordo que um agricultor na periferia de São Paulo usava água de esgoto para regar as suas lindas alfaces do mesmo modo que recordo do meu susto, ao chegar na Itália, pelos pimentões holandeses vendidos nos supermercados: todos com a mesma forma e dimensões, todos com a mesma tonalidade de laranja, amarelo ou vermelho, como se tivessem acabado de sair da fábrica. Curioso que Ferran Adrià tenha decidido fechar o próprio restaurante por dois anos, enquanto esclarece o ponto de vista dele sobre toda essa polêmica.
Lembro sempre da sabedoria da minha avó que me ensinava a não comer o que passarinho não bica, mas estão enganando até passarinho. O bicho grilo que vende produtos biológicos na feirinha biológica das segundas-feiras, descarregou os produtos de uma BMW X5 novinha e trocou de roupa antes. Eu vi. Na dúvida, estou pensando em voltar ao hambúrguer com cerveja.

Não vale por um bifinho

Recebemos no email do blog dia desses uma “sugestão” vinda de uma agência de publicidade que nos sugeria a escrever sobre uma campanha de “educação ecológica das crianças” que uma certa empresa de produtos alimentícios estava lançando. Claro, de preferência queriam que falássemos bem.
Bom, de cara, quem conhece e lê nosso blog sabe que a gente não faz post pago nem publicidade “sugerida”. Todo post que cita empresa, ONG ou o que seja está publicado porque provavelmente um ou mais participantes que aqui escrevem ou testou(aram), ou curtiu(iram), ou se inspirou(aram) ou analisou(aram) de acordo com seus parâmetros de “verdice” se valia a pena ser compartilhado neste ambiente neutro de publicidade. E se foi publicado, é porque a pessoa achou que sim, valia a pena trazer a informação, nem que seja pela discussão que poderia despertar. (E não ganhamos um tostão furado para falar de nada.) Mas.
Fato é que fiquei incomodada com o nível do greenwashing da tal empresa. Particularmente, com o alvo: as crianças.
Bacana que a empresa está dando sementes para serem plantadas no mesmo pote plástico em que vende o seu produto – o que a empresa investe na reciclagem deste plástico (e com o alumínio que cobre a embalagem) depois de consumido é uma grande charada, já que eu morei na cidade onde tal empresa tem sua principal fábrica, e nunca ouvi falar de iniciativa alguma que envolvesse reciclagem vinda da dita empresa. Talvez plantar uma sementinha (com toda a metáfora por trás dessa frase) de ecologia seja ingenuinamente educativo para as crianças e uma solução apaziguadora pro tal potinho. Parceria com uma ONG aparentemente idônea que realmente vai plantar árvores de diferentes espécies baseada em estudos científicos pode até ser uma boa idéia também. Soa bonito no papel. (E quem vai fiscalizar que será plantado mesmo?) Mas é pouco, e pior, não alinhado com outras atitudes da empresa.
O problema, como este post da Maria Re discute, é muito mais embaixo. (Aliás, a Maria Re até deu uma receita caseira de iogurte facílima, que qualquer pessoa com 2 neurônios culinários pode replicar em casa e se livrar de ficar comprando iogurte artificial no supermercado.)
Ok, a empresa vende uma ilusão alimentícia. Ao voltar seu produto para o público infantil e clamar que seu produto pode substituir uma comida de verdade (verduras, frutas, legumes, etc.), afirmação aliás que não sabemos se 100% cientificamente corroborada (por artigos idôneos, experimentos em campo neutro, etc.), a empresa aperta o botão do greenwashing. Em minha opinião, a empresa incentiva o consumo de um produto que não é a melhor opção alimentar para uma criança, mas sugere que seja, e é esta sugestão jogada no inconsciente que “pesca” o cliente que compra de verdade, os pais. Mais: ao fazer uma promoção que “educa ecologicamente” as crianças, parece dizer: “olha, além de gostoso, como somos bonzinhos, até ajudamos o ambiente”, uma mensagem que pode ter uma força muito diferente numa criança, que ainda está sendo formada nas indagações maiores deste mundo e não consegue absorver completamente os diversos lados da moeda do marketing. E claro, a campanha tenta também empurrar pra debaixo do tapete outras facetas nada digeríveis da empresa que parecem indicar seu interesse maior pelas vendas (que empresa não é…) que pela saúde real das pessoas. O fato de deter uma considerável fatia do mercado mundial de água* engarrafada também não colabora em torná-la uma empresa “verde”, pelo contrário: mostra exatamente as reais prioridades (in)sustentáveis e “ambientais” que tem com relação ao planeta, ao propagar com seu produto a cultura do descartável, do consumo plástico, do pagar mais caro por água para beber que por combustível (que requer muito mais para ser extraído, convenhamos). E lucrar com a manutenção desta cultura, claro.
O que torna a estratégia de publicidade verde da corporação para este caso específico, em minha opinião, a não valer por um bifinho. Precisa melhorar, e sementinhas para a Mata Atlântica podem até ser um bom começo, mas precisa de muito mais compromisso com o ambiente (e com o social…) para me convencer. Mas o pior é: está longe de ser a única empresa a fazer isso.
O que vocês acham?
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*água: aquele recurso que supostamente é um direito universal humano tê-lo. Não necessariamente pagando caro para isto nem gerando tanto lixo.
**e o que me incomoda também é o “comodismo” ambiental inconscientemente gerado por uma campanha assim. “Porque eu já fiz a minha parte: comprei o iogurtinho e plantei a sementinha no potinho. Prontinho. Agora posso ir na padaria da esquina de carro comprar meu pãozinho.” Não é triste?

Estilo Italiano

Nem só de política e terremotos vive a Itália. Procurando bem, até é possível encontrar notícias boas que a grande mídia ignora. Há que se ter cautela e não se deixar empolgar à primeira impressão, pois pouca coisa é pior que a desilusão de um ideal.
Na esteira do movimento Slow Food nasceram outras iniciativas. Algumas frutificam enquanto outras morrem. Outras, nem chegam a ser sérias e escondem obscuros fins sob peles de cordeiros. Há que se ter cautela, insisto. Uma das iniciativas que frutificam é a associação La Compagnia Dei Sapori que promove o evento itinerante “Paesi e Sapori” (vilarejos e sabores) por todo o território italiano. A associação busca resgatar e preservar tradições enogastronômicas cujas existências correm risco de extinção. Os associados são produtores com forte ligação com o território e com os métodos de produção tradicionais. Os produtos, é claro, são da melhor qualidade. Mas não é somente produto que a associação fornece durante os eventos, ao contrário, os produtos são apresentados como resultado de uma filosofia resgatada, em que o tempo e os métodos de produção estão em harmonia com as estações e a vida pacata dos vilarejos, promovendo o bem-estar de seres humanos e da natureza.
São pessoas comprometidas com esse tipo de associação que pressionam a administração pública local de cada cidade ou vilarejo, impedindo que grandes supermercados abram as portas em bairros onde o pequeno comércio resiste, ajudando a preservar quitandas, açougues, padarias e pequenos comerciantes, numa corrente que preserva produtores locais, tradições e a própria cultura. A globalização foi incorporada com sistemas de informações, previsões meteorológicas mais eficientes, agilização da burocracia, veículos menos poluentes e mais econômicos e a possibilidade de explorar novos mercados. As únicas coisas das quais não abrem mão são os métodos de produção tradicionais. Só para dar um exemplo, o Sr. Biraghi, um dos fundadores do consórcio Grana Padano (sim, Grana Padano e Parmigiano Reggiano são consórcios de produtores e marcas registradas. Ambos os queijos são do tipo “grana”) foi excluído do consórcio que ajudou a fundar – décadas atrás – no momento em que substituiu os velhos tachos de cobre por modernos tachos de aço inox.
Esse tipo de feira começa a fazer sucesso aqui na Itália justamente como sinal de preferência por um estilo de vida mais equilibrado, onde o consumo se concentra nos produtos básicos cultivados localmente e no supérfluo de qualidade. E quem pode dizer que um bom salame, um pedaço de queijo e uma garrafa de vinho biológico sejam supérfluos? Domingo 18 de abril, aconteceu a edição piacentina do evento e foi muito concorrida, apesar do dia nublado. Embriagado pelo vinho biológico, posso até sonhar, utopicamente, com o fim dos supermercados e o resgate da simpatia dos quitandeiros que vendem produtos locais. Mas há que se ter cautela.





A máquina de leite

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Riva Del Garda, a jóia do fim do lago.
Em abril do ano passado eu tive o prazer de visitar o amigo e companheiro de Faça Flavio Prada em Riva Del Garda, norte da Itália, cidade à beira do Lago Del Garda. O Flávio é aquela pessoa irreverente que já conhecemos na blogosfera – e na vida real ele é das pessoas mais bacanas que existem.
Pois ele nos guiou pela cidade de Riva, numa animação de dar gosto. Mas confesso que o que mais me atraiu foi uma cotidianice “verde”: a máquina de leite.
Assim que chegamos, o Flávio falou que precisava comprar leite. Achei que ele ia ao supermercado ou à padaria. Aí ele pára num local que mais parecia um ponto de ônibus com uma vending machine ao fundo, na área central da cidade. Eu não estava entendendo nada.
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Aí ele põe o dinheiro na máquina, pega uma garrafa de plástico vazia limpa.
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Depois posiciona a garrafa embaixo de uma “torneirinha”…
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… aperta o botão, e sai… leite fresco, tirado da vaca. Mesmo.
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Pois é. A máquina faz até “muuuu” pra você se sentir mais “ambientado”. O Flávio me explicou então que a máquina é abastecida diariamente com leite fresco que os produtores locais trazem de suas fazendas e sítios, tudo ali nas redondezas de Riva. Ou seja, leite fresco local, 100% natural, cujo gasto com transporte é irrisório – o que já torna a alternativa muito mais “verde” que qualquer leite vendido no supermercado, por mais saudável que seja. E, de acordo com o Flavio, é o leite preferido dos habitantes de Riva.
Eu fiquei empolgadíssima com a idéia de eliminar o trânsito do alimento, um passo importante para a melhor sustentabilidade de um produto – queria comprar leite toda hora, mas o Flávio só precisava mesmo de 2 litros pro café da manhã da família. Pedi a ele para, assim que desse, filmar a “invenção” pra gente postar aqui, como um exemplo de uso da tecnologia para uma melhor qualidade de vida da população, pela oportunidade de alimentação natural fresca, e com um pouco mais de sustentabilidade (eita, palavrinha da moda…), incentivo ao produtor e à produção local.
Eis então o vídeo que o Flavio Prada produziu (com narração do próprio e participação do Júlio Prada), contando melhor sobre a ecoleiteira:

Um bom exemplo do uso da tecnologia para o benefício da população.