Meio ambiente no Brasil: a pauta política esquecida

cop20

Em dezembro teremos a 20º Conferência das Partes (COP20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), em Lima/Peru.

Dos protocolos resultantes da CQNUMC, o mais conhecido  – e também o menos cumprido, é o Protocolo de Kyoto sobre redução dos gases de efeito estufa (GEE).

Diversos temas serão tratados:

A importância da conferência de Lima é colocar as questões na mesa para a conferência climática de 2015 em Paris”, que deve terminar com um acordo final, declarou Anne Larson, cientista do Centro Internacional de Pesquisas Florestais (CIFOR). Essas questões incluem direitos da terra para comunidades florestais e povos indígenas, ligações entre florestas e agricultura, e avanço no progresso feito na conferência climática de 2013 em Varsóvia sobre a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+)” (Fonte: Instituto Carbono Brasil)

Apesar de estarmos em fase pré-campanha eleitoral, vislumbra-se que o tema ambiental não deverá ser mais do que alguns parágrafos padrão nos programas dos candidatos e partidos. Até mesmo pela característica peculiar das eleições em 2014, que apresenta um quadro de possível reeleição da atual presidenta, o que fará completar um período de 16 anos de uma política no poder, com a consequente “batalha” do polo oposicionista para impedir a hipótese.

Teremos, ao que tudo indica, duas pautas apenas: a política e a social, por um lado, e a política e a econômica, por outro. Em ambos os casos, questões como as apontadas “direitos da terra para comunidades florestais e povos indígenas, ligações entre florestas e agricultura, REDD+ passarão batidas nos palanques, assim como muitas outras questões importantes, como a mobilidade urbana, questão central, hoje, nas grandes cidades que viram, em função de um modelo (política) de desenvolvimento adotado, suas ruas entupidas de automóveis poluidores.

Mais uma vez perderemos a oportunidade; mais uma vez a pauta do modelo de desenvolvimento fica para um plano que, sabemos, sempre será o último.

É nosso dever trazer ao debate político essa pauta esquecida! E assim faremo aqui no Faça a sua parte!

Decreto Ecológico

O texto a seguir foi escrito pelo meu querido amigo Nelson Valente (@Escritor4). Nelson é professor univesitário, jornalista e escritor e, além disso, um partícipe de grande e importante parte da história recente do Brasil. Com o título acima, ele publicou, em outubro de 2010, no Jornal O REBATE, uma verdadeira aula de legislação ambiental comparada, que vale o resgate, para que não se perca nas brumas da poluição… Ei-lo:

Em 1961, o Presidente da República tinha uma certa competência legislativa exercida através de Decretos, graças à Constituição de 1946. Saulo Ramos incentivou muito Jânio a usar de tal competência, inclusive cometendo algumas inconstitucionalidades, até hoje não contestadas. Não era difícil provocar o entusiasmo de Jânio que, excessivamente inteligente, captava rapidamente idéias novas, sobretudo se fosse de interesse público. Assim, Jânio e Saulo, numa conversa a sós, sem palpiteiros, discutiram longamente um decreto em defesa da ecologia e do meio ambiente, assunto desconhecido e misterioso, inclusive no exterior. Os dois, porém e atrevidamente, soltaram a imaginação e o pensamento criativo, concluindo que era preciso regulamentar a defesa do meio ambiente. – Redija hoje, que eu assino amanhã! Hoje, sem falta, mas inclua tudo o que discutimos – Mas hoje é sábado e amanhã é domingo. É preciso colher a assinatura do Ministro da Agricultura para referendar o decreto. E talvez de outros Ministros. – Não interessa. Quero o decreto amanhã. Talvez seja o domingo o dia em que os brasileiros menos estragam a natureza. Um bom dia para assiná-lo. Claro que somente recebeu a minuta na segunda-feira e ele próprio, com estremo entusiasmo, redigiu muitos dispositivos. Editou-se o Decreto n° 50.877, em 29 de julho de 1961, um dos primeiros atos normativos, em favor do meio ambiente, editados no mundo! Para se ter a idéia do pioneirismo, a lei de proteção às águas, na Itália, foi editada muito depois, é de 1976. No Canadá, a norma equivalente é de 1970 e na Suécia, é de 1969. Na Bélgica e Holanda, o direito positivo passa a editar normas ambientais, sobretudo relativas à defesa das águas, na década de 1980, embora a Holanda tenha tratado, em lei, da poluição das águas em 1969 e a Bélgica em 1971. A França, que costuma se antecipar às legislações européias,surgiu com o regramento ambiental somente em 1971 – Lei 76-633, de 19 de julho. Na Alemanha, a lei federal, que apenas sugere precauções para evitar efeitos prejudiciais ao ambiente, é datada de 15 de março de 1974, aperfeiçoada pela lei de proteção às águas em 1976. No Japão, a disciplina legal para a punição dos crimes “relativos à poluição ambiental com efeitos adversos sobre a saúde das pessoas” é de 1970. Nos Estados Unidos, as normas de proteção às águas datam de 1972 e, na Suiça, de 1971. Na Argélia, a legislação ambiental é de 1983, quando a lei 83-03, cuida da poluição das águas, proibindo o “lançamento de substâncias sólidas, líquidas ou gasosas, agentes patogênicos, em quantidade e em concentração de toxidade suscetível de causar agressão à saúde pública, à fauna e à flora ou prejudicar o desenvolvimento econômico” (art. 99). Como se vê, o texto reproduz, vinte e dois anos depois, a norma brasileira, editada por Jânio Quadros em 1961. Na Inglaterra, centro de tantos movimentos ecologistas, a lei de Controle da Poluição surgiu somente em 1974 e cuida, sobretudo, de descarga e efluentes industriais nos esgotos públicos (art. 43), embora passe pela poluição atmosférica (art. 75) e pela poluição acústica (art. 57 a 74). Impõe-se registrar, pela importância e pela larga previsão, o Decreto n° 50.877, de 29 de julho de 1961, do Presidente Jânio Quadros, dispondo sobre o lançamento de resíduos tóxicos ou oleosos nas águas interiores ou litorâneas. O ato normativo de Jânio Quadros proibiu terminantemente a limpeza de motores de navios no mar territorial brasileiro e foi mais longe: regulou o lançamento “às águas de resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, domiciliares ou industriais, in natura ou depois de tratados”, permitindo-os somente quando “essa operação não implique na POLUIÇÃO das águas receptoras”. Neste decreto, a palavra “poluição” ingressou no direito positivo brasileiro com o sentido que tem hoje, diverso ou mais ampliado daquele adotado pelo verbo “poluir” do nosso Código Penal. Está definida pela própria norma em seu artigo 3°, verbis: “Para os efeitos deste Decreto, considera-se poluição qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas das águas, que possa importar em prejuízo à saúde, à segurança e ao bem-estar das populações e ainda comprometer a sua utilização para fins agrícolas, industriais, comerciais, recreativos e, principalmente, a existência normal da fauna aquática.” Ironia do destino: quase trinta anos depois, Jânio Quadros era prefeito de São Paulo e Saulo Ramos Ministro da Justiça. Um dia Saulo visitou o ex-presidente. Entre muitos assuntos, lembraram do decreto ecológico. E lamentaram: se aquele decreto houvesse sido respeitado e aplicado, São Paulo não teria perdido os rios Pinheiros e Tietê.

 

 

396.8 ppm de CO2 na atmosfera

Então que semana passada pra escrever o post sobre o filme “Chasing Ice” no meu blog pessoal visitei a página do CO2 Now depois de muuuuuito tempo, e tomei um susto.

396ppm

Gente, estamos beirando os 400 ppm de CO2 na atmosfera – este será inevitavelmente um dos headlines de jornal em 2014. Pela primeira vez na história da humanidade chegaremos nesse patamar de CO2 atmosférico. Causado por nós em sua maioria, diga-se de passagem.

(Parênteses: Esta medição global do CO2 é feita pelo NOAA, com dados obtidos pelo observatório que fica no topo do Mauna Loa, na Big Island. Tudo bem que o número acima ainda é preliminar, dependendo de calibrações e outras tecnicalidades, mas já dá uma idéia do ritmo alucinado em que as coisas andam no nosso querido planetinha azul.)

[Enquanto isso, ChinaÍndia (e sabe darwin quantos outros países menos em foco na mídia…) se sufocam em poluição.]

Lembra quando eu comentei sobre o livro do Mark Lynas “Six degrees” que especulava sobre o mundo com maior temperatura? Naquele momento em 2008, tínhamos 387 ppm de CO2 na atmosfera e as especulações de inevitabilidade otimistas estavam na casa de 1 grau. Nos níveis atuais, é muito maior a probabilidade de que o planeta enfrentará um aumento de 2 graus Celsius de temperatura – já que para evitar esse aumento, o comitê científico do governo holandês sugere que os países desenvolvidos precisariam cortar 50% das emissões de CO2 até 2020. O que, no atual clima político-econômico, é quase impossível, infelizmente convenhamos.

Como bem questiona o CO2 now na sua página inicial: você está preparado para um mundo a 400 ppm?

Tristeza sem fim.

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– E lembrando mais uma vez: o limite de segurança para que possamos mitigar um pouco das mudanças climáticas sugerido por um time de super-climatologistas incluindo James Hansen, da NASA, neste artigo de 2008 (!!!!) é de 350 ppm. Da conclusão do artigo [grifo meu]: 

“Humanity’s task of moderating human-caused global climate change is urgent. (…) Thus remaining fossil fuel reserves should not be exploited without a plan for retrieval and disposal of resulting atmospheric CO2. (…) The stakes, for all life on the planet, surpass those of any previous crisis. The greatest danger is continued ignorance and denial, which could make tragic consequences unavoidable.” 

E vale sempre relembrar desse vídeo emocionante feito para a (falida) conferência de Copenhague em 2009, uma canção que continua (e pelo visto continuará por muito tempo) atual:

Impossível para mim conter as lágrimas vendo este vídeo. Afinal, mudanças climáticas são cada vez mais um tópico emocionado, que me toca profundamente. Pela insolubilidade, pela inércia com que estamos levando esta crise, pela vergonha profunda do que estamos fazendo e deixando pras futuras gerações, pela falta de ética ambiental coletiva. 

How do we sleep while our beds are burning????

O mundo vai acabar em fogo?

East Greenland Ice Sheets

Pois é, já que o mundo não acabou, vamos falar sobre algo que está acabando com o mundo: o aquecimento global. Que calor, não é? Pois saiba que é essa realidade que devemos encarar daqui para  a frente. O mundo está em aquecimento.

E como isto nos afeta, além do inferno de temperaturas altíssimas? Neste post, a bióloga e pesquisadora Lucia Malla descreve os impactos sobre o planeta, se mantivermos o atual nível absurdamente alto de emissão de CO2 na atmosfera. E adverte:

Se lembrarmos que a chance de evitar um aumento de 1?C na atmosfera é ZERO, ou seja, inevitavelmente isso vai acontecer nas próximas décadas, trabalhar nesse tipo de previsão de como será o mundo aquecido é simplesmente fundamental. Não só para pesquisadores, mas também para governos, instituições, populações – enfim, para todos que habitam este planetinha azul.

Num mundo globalizado, apesar da estratificação, os impactos do aquecimento também são globalizados e a gente precisa se unir para encararmos juntos, de frente, sem fuga por negação, cada um fazendo a sua parte, esse novo estilo de vida quente.

É hora de pensar sobre como nossas vidas diárias afetam todo o planeta, todas as vezes em que nos abanarmos, ligarmos nosso ar condicionado e ventiladores e praguejarmos: “que calor dos infernos!” e mudarmos de atitude, individual e coletivamente, e cobrar das autoridades medidas que visem frear os danos ao ambiente a fim de minimizar seus efeitos sobre todos nós.

É para refletir e agir. Porque não dá mais para fugir. A chapa já esquentou!

Imagem: Creative Commons License Christine Zenino

Links de tubarão

– Doug Seifert escreveu um artigo bastante detalhado, cheio de comentários científicos e muito humano sobre um mundo sem tubarões. Vale cada minuto de leitura.

– A National Geographic fez um álbum de fotos deprimentes, das barbatanas de tubarão estripadas dos mesmos em Taiwan. Imagens chocantes, preparem o estômago.

– Por outro lado, as Ilhas Marshall declarou todo o país como santuário para os tubarões. É o maior santuário marinho para uma espécie do mundo. Que outros países sigam o exemplo.

– Os pequenos países-ilhotas, aliás, estão pedindo encarecidamente que se chegue a um acordo climático de corte de emissões de CO2 antes do fim de 2012. Lembrando que muitos destes países já estão sofrendo os efeitos das mudanças climáticas em suas costas.

– Ainda nesse tópico, recentemente assisti a um filme chamado “Miss South Pacific”, um documentário delicado sobre o papel das mulheres no desafio das mudanças climáticas nas nações do Pacífico. Muito bacana.

O tubarão-de-Galápagos foi extinto no Brasil. Motivo: sobrepesca. E não será a última espécie, infelizmente, a desaparecer por nossa conta.

– Pra finalizar, vi lá no Shark Defenders que o pessoal do The Coral Reef Alliance e do Pew Environment’s Group’s Global Shark Conservation Campaign lançou o filme Shark Hope, sobre a importância dos tubarões vivos para a cultura e economia de Fiji. Para assistir na íntegra, podem ir ao YouTube. O filme é muito bacaninha, e foi todo feito em Fiji – o sotaque do narrador é bem ilhéu, muito peculiar. 28 minutos que te farão pensar. 🙂

 

MAR 101

Oceans-book
Vi este livro numa vitrine de livraria. Já tinha visto o filme e pensei que o livro teria várias imagens que apareceram no filme – ledo engano. Quando folheei o dito e percebi que era um apanhado de textos relacionados ao mar, organizado por Jon Bowermaster, que não tinha quase foto nenhuma, decidi que comprar na versão digital era mais jogo. E li.
“Oceans” tecnicamente é escrito para complementar o filme da Disney que resenhei há alguns meses. Imaginei também que comentaria detalhes das filmagens – outro ledo engano. Apenas no primeiro capítulo, quando o responsável pelo filme é entrevistado, a gente aprende um pouco sobre o filme homônimo. E ele confirma minha suspeita, quando diz:
“Oceans não é um documentário; é uma ópera da vida selvagem, e cada animal fez a sua parte, contribuindo com algumas notas para a partitura completa. […] O espectador deve sentir esta emoção. “Oceans” não teve a intenção de explicar padrões de comportamento ou dar informações sobre as espécies. Não foi programado para ensinar, mas para fazer a audiência sentir. […] Nós tivemos todo tipo de ajuda, mas os cientistas não ditaram como fazer certas coisas. A gente simplesmente seguiu os animais; os animais nos guiaram, meio que dizendo o quê filmar, o que não filmar e como nós deveríamos nos sentir.”
Agora, se você acha que, porque o livro não é o que eu esperava, daqui pra frente minha resenha será negativa… ledo engano seu. O fato de não se segurar no filme dá mais força ao livro, engrandece-o. E eu terminei apelidando o livro carinhosamente de “MAR 101”. Porque é uma introdução às grandes questões sobre o mar que temos hoje em dia, sejam elas científicas, políticas, sociais, econômicas, artísticas… você escolhe o viés. Há capítulos para todo gosto – inclusive um escrito por um chef especialista em frutos do mar, que dá dicas de onde e como comprar peixes sem destruir (demais) os estoques dos oceanos.
(E se um ET aparecesse na minha frente hoje e me pedisse para explicar os oceanos, eu daria este livro de presente para ele ler.)
Nenhum capítulo é escrito em linguagem demasiado científica, pelo contrário: o público-alvo são todos nós, humanos com polegar opositor e telencéfalo desenvolvido – basta vontade para lê-lo. Um dos capítulos iniciais é escrito por “Her Deepness” Sylvia Earle, a oceanógrafa que quando fala, todos os apaixonados pelo mar escutam. Com a sensibilidade que lhe é peculiar, ela nos conta:
“Parado na praia e olhando para o mar, o menino diz: “Tem muuuuita água aí”. E o velho sábio oceanógrafo responde: “E isto é apenas o topo.”
E nos relembra:
“Nós devemos tomar conta dos oceanos como se nossa vida dependesse deles – porque, na verdade, ela depende.”
Oceans
Mas nem só de Sylvia Earle se sustenta o livro “Oceans”. Há dados interessantíssimos da interface política/ciência/ambiente trazidos pela diretora-mor do NOAA, a Agência Ambiental Americana que cuida das questões oceânicas e atmosféricas, que comenta:
“Embora eu seja uma cientista por formação, há muito tempo eu abandonei a busca pura e simples de conhecimento em prol de combinar minha experiência com a campanha de defesa [dos mares] e talvez um pouco de marketing social para conseguir avançar a causa maior da conservação. Nós simplesmente não temos mais tempo para esperar “consenso científico” em tudo antes de fazer algo perante o que está acontecendo com nosso planeta.” [grifo meu]
Há explicações sobre a ameaça atual aos golfinhos, aos tubarões, aos atuns, às tartarugas marinhas, aos recifes de corais, feita por estudiosos dos mesmos. Há análises recheadas de facetas sobre aquacultura, sobre sobrepesca. Há explicações sobre o processo de acidificação dos oceanos e sobre a fauna das profundezas. Há a história de como o Vórtex de Lixo do Pacífico foi descoberto e o que tem sido feito para gerenciá-lo. Há ponderações sobre o futuro dos mares na era das mudanças climáticas e da poluição desenfreada. Há também o engajamento hollywoodiano-ambiental de Leonardo Di Caprio, num capítulo curtíssimo cheio de frases fortes (ideal para vendas); e de Paul Watson, o controverso poderoso chefão do Sea Shepherd. Há o depoimento tocante do Presidente das Maldivas sobre o que deveríamos procurar como política adequada para o mar, cujas palavras que mais se destacaram para mim foram:
“Somente quando as pessoas começarem a pressionar seus líderes, quando políticos começarem a perder eleições por causa de questões ambientais, é que os mesmos políticos tratarão as mudanças climáticas com a seriedade merecida. […] Políticos raramente agem a não ser que seu eleitorado empurre-os a fazer algo. […] Culpar os outros por terem causado as mudanças climáticas não é necessariamente a melhor forma de solucionar este problema. O que foi feito, foi feito. Nós queremos focar no futuro, não no passado.”
Mas há também inúmeros capítulos com histórias pessoais de amor ao mar: pescadores, velejadores, surfistas, nadadores de longa distância. Há as curiosidades de criança da neta de Jacques Cousteau, e como seu avô a inspirou a ser oceanofílica. Há o que levou Pierce Brosnan, o (para mim eterno) James Bond, a se engajar pelas questões do mar. Há a inspiração para se mergulhar e descobrir esse enorme desconhecido azul em cada página, em cada linha. O livro termina aliás, com um convite providencial, típico da nossa realidade de quem está na chuva, ou melhor, na tempestade:
“Seu oceano. Você quer protegê-lo? Então você tem que se molhar.
Se molhando
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– Selecionei algumas frases simples, quiçá até simplórias, mas que me emocionaram ou me fizerem parar, respirar e refletir:
“It struck me at that moment […] that I truly need the ocean. Not like one needs food or shelter, but more like one needs love.”
“We humans tend to live with an illusion of separateness, thinking that we are separate from each other as individuals and that we are separate nations, divided by oceans, all separate from nature. But the reality is that we are all united by our dependence on this planet, on this ocean.”
“If ‘more is better’ and that’s the only mantra we have, we’re doomed.”
“The plastic water bottle epitomizes the absurdity of our throwaway society. It takes 2 liters of water to manufacture a one-liter plastic bottle.”
“We need to give the ocean a rest.”
“For anyone who insists that the marine conservation situation isn’t really as bad as we might make it out to be, they probably haven’t been to the coast of Taiwan.”
Mitigation is really about avoiding the unmanageable and adaptation is about managing the unavoidable.” (ADOREI!)
“I believe one of the best ways to get a message out to the public and to influence decision makers is to use the power of celebrity and the media to deliver the message. My experience is that you can put the brightest scientist or the world’s greatest expert on any given subject in front of people and more often than not, the audience will get glassy-eyed and lose attention. But put a passionate celebrity in front of them delivering exactly the same message, someone the listeners believe they know and relate to, and they will pay attention.”
“The biggest threat of all? Human indifference. The ocean seems a remote place to many people, but it is the life-support system of the entire planet.”
“The world can certainly afford marine reserves. What it can’t afford is to be without them any longer.”

Contador de CO2

CO2 counter - NY
Na foto acima, vemos o contador de gases de efeito estufa instalado numa das muitas esquinas enérgicas de Nova York, perto do Madison Square Garden. Patrocinado pelo Deutsche Bank, o contador mostra em toneladas métricas por dia o quanto estamos jogando de gases que colaboram com efeito estufa (CO2, metano, óxido nitroso, ozônio, entre outros) na atmosfera – os números vermelhos não param de rodar, e isso talvez seja o que mais impressiona.
O desenvolvimento da iniciativa contou com a colaboração de cientistas do MIT, e os cálculos estão cientificamente explicados. O website que o letreiro mostra já é uma mensagem em si: know-the-numbers.com (o endereço cai num site do Deutsche Bank sobre as iniciativas de mudanças climáticas do banco). A idéia é clara: precisamos que se esfregue na nossa cara os números reais do aquecimento global para que, quem sabe um dia, façamos algo para mitigá-lo. Mas, ninguém pode dizer que não foi avisado: os números do nosso estrago na atmosfera estão aí, na esquina de uma rua, ao dispor de todos.
Apesar de vir de um banco, talvez o negócio mais insustentável do planeta já que incentiva direta e indiretamente o consumismo, achei uma campanha bacana. Gostaria de vê-la repetida no maior número possível de pontos do planeta. Não precisa nem ser na forma de letreiro, que é para não gastar mais energia elétrica (embora eu desconfie que esse letreiro específico seja movido à energia solar…): se o número real, assim como a velocidade com que esse número cresce, fossem maciçamente divulgados, já ficaria feliz.
Será que é pedir demais?

A Natureza na gaiola

Tenho uma concepção meio ampla sobre o termo “natureza” que envolve o cosmos. Creio que tudo seja parte de um equilíbrio frágil e delicado, porque tudo que é frágil é delicado e precisa muito pouco para quebrar a harmonia da biosfera. Também acredito que é tudo uma questão de ação e reação: quando nos empenhamos em destruir ou pôr limites, modificando o meio ambiente para satisfazer as necessidades humanas, a natureza reage. É como cuspir contra o vento e o cuspe nos tornar na cara. Mas somos perseverantes nas nossas decisões e insistimos em mudar tudo, esquecendo que também nós somos parte desse equilíbrio frágil e delicado.
Na Europa o Inverno foi longo e frio, e terminou uma semana antes do verão mais quente dos últimos tempos. As tulipas não floresceram, as borboletas simplesmente não apareceram, as abelhas desorientadas não estão produzindo nem polinizando como antes, os pernilongos demoraram a chegar, mais de 700 pessoas morreram por causa da onda de calor na Rússia em pouco mais de um mês. Em Trieste, no nordeste da Itália, foi registrada há dez dias a noite mais quente do país: 31 ºC no horário mais fresco. Quinze dias antes a meteorologia ainda anunciava neve. Algumas árvores não floresceram, o que aliviou um pouco a minha rinite alérgica adquirida no ano passado, mas um monte de outras plantas reagiram desesperadas e ao mesmo tempo, provocando verdadeiras nuvens de pólen, painas e afins, que quase me convenceram a comprar uma máscara. Fiquei com as pílulas, mais eficazes, apesar de detestar tomar remédios. O Caruso parou de cantar e o encontrei escondido na garagem, no subsolo, um lugar fresco e reparado do sol. Me aproximei e ele não voou, mas caminhava apressado, como a dizer para deixá-lo em paz naquela tarde quente e abafada deste verão italiano.
O segundo rio mais longo da Itália e o quarto em volume d’água, o rio Adige na altura de Verona, foi domesticado por margens artificiais que o impedem de invadir a cidade no caso de cheias. Até um túnel foi construído mais ao norte, ligando o rio ao lago de Garda, para eventualmente desviar os excessos do rio, mas por causa da diferença de temperatura e qualidade da água o túnel só foi utilizado em duas ocasiões, em 1966 e em 2000. Já os habitantes chineses que neste momento enfrentam catástrofes anunciadas me lembram São Paulo, com seus córregos e rios canalizados em armadilhas que, mais dia, menos dia, transformará a cidade em um imenso lago. Como fazia o Adige com o seu vale e que, tenho certeza, voltará a fazê-lo um dia. Porque é assim que a natureza reage à nossa teimosia em não nos adaptarmos a ela. Ou alguém tem dúvidas de que no próximo verão haverá uma nova catástrofe em Salvador, por causa das construções nas encostas? Talvez mude a cidade, Rio ou uma outra, pois os erros são sempre os mesmos em qualquer lugar.
A minha sugestão? Que as pessoas decidam mudar-se das megalópoles, transformando-as em cidades menores e que os bairros abandonados sejam devolvidos à natureza. Que os rios sejam desencaixotados e que deixem de ser usados como rede de esgotos. Vão viver nas colinas, respeitando o manto verde que as protege; vão viver em cidades menores, procurando não interferir no ambiente, quebrando quintais de cimento e plantando árvores e jardins; sentindo-se privilegiado se tiver que dividir o espaço com alguma lagartixa, aranha, sapo, morcego ou passarinho. Sem alpiste nem gaiolas. Quem sabe a natureza nos dê uma trégua e aprendemos de uma vez por todas que somos tão frágeis e delicados como qualquer outro ser da Terra, e reconquistamos a harmonia do equilíbrio há muito perdido. Utopia? Fé no ser humano.

Hora do Planeta 2010


Lançada oficialmente, no Brasil, a Hora do Planeta 2010.
No sábado, 27 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta. Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global.
A Hora do Planeta começou em 2007, apenas em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades participaram. No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, o movimento superou todas as expectativas. Centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor, o Congresso Nacional e outros ficaram uma hora no escuro. Além disso, artistas, atletas e apresentadores famosos ajudaram voluntariamente na campanha de mobilização
.”
Em 2009, milhões de brasileiros apagaram suas luzes e mostraram sua preocupação com o aquecimento global. No total, 113 cidades do País, incluindo 13 capitais, participaram da Hora do Planeta no ano passado. Ícones como o Cristo Redentor, a Ponte Estaiada, o Congresso Nacional e o Teatro Amazonas ficaram no escuro por sessenta minutos. No mundo, 4088 cidades de 88 países aderiram ao movimento na última edição.
Para participar, acesse o site da Hora do Planeta 2010.

Entrevista com Bjorn Lomborg

Entrevista com Bjorn Lomborg no Planeta Sustentável.
Apesar de não concordar com a fala do “consumo” (subtítulo da matéria: “O principal representante dos céticos, Bjorn Lomborg, diz que o combate ao aquecimento global tem de se basear em tecnologia, e não em mudanças no consumo”), o resto aqui.