“Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta”

Lendo esse post “Madeira de Demolição – moda ou atitude” (recomendo a leitura), no blog “Arquitetando Ideias“, da arquiteta porto-alegrense Elenara Stein Leitão, deparo-me, ao final do post, com a afirmação que usei como título: “Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta”.

A afirmação, assim meio solta, causa, no mínimo, um certo “Opa! Peraí! Que história é essa?” Primeiro fiquei tentando juntar o tico e o teco para ver se conseguiam, pelas suas próprias pernas, formular uma ideia razoável sobre o significado da frase, as implicações e consequências que a difusão de uma ideia dessas teria em termos da luta pela conservação ambiental.

Como o tico já anda velho e cansado, o teco resolveu tomar a dianteira e foi atrás do link. O link dá nesse post, também com o título de “”Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta”. Na verdade, é uma entrevista com o arquiteto inglês Michael Pawlyn. Na entrevista, que também deve ser lida, surge o que para mim era, até então, um conceito desconhecido: biomimética, ou biomimetismo.

Segundo Pawlyn, biomimética (bio = vida; mimetismo = imitação, adaptação) é uma prática que “prevê que o homem imitará a natureza para encontrar soluções que vão não só resolver os problemas do mundo, mas também recuperar os ecossistemas do planeta.”

Lá pelo meio da entrevista surge a confusão com o título (difícil de entender mesmo). Ao responder a pergunta “Poderia dar um exemplo de design sustentável e outro que seja de restauração?” Pawlyn diz:

“Digamos que um prédio de escritórios usa 30% menos energia elétrica, tem 20% menos concreto e janelas que conseguem filtrar a luz solar. Essas janelas, por exemplo, misturam diferentes materiais e todo o vidro que vai parar no ambiente não é reciclável. O concreto, mesmo em menor quantidade, continua sendo concreto, que é um material cuja produção emite muito gás carbônico. A conclusão é que apesar de ser menos agressivo, o prédio não contribui para a recuperação do ambiente. Ele apenas torna a agressão mais lenta.”

Parece ter sido uma transformação de interpretação. Pawlyn diz – ao que entendi, ao menos – que os atuais métodos aplicados como sendo de “sustentabilidade” apenas tornam a agressão à natureza mais lenta. Mas não disse, salvo melhor juízo, que sustentabilidade seja  (“É”) “agredir o ambiente de forma mais lenta”.

E Pawlyn conclui dizendo:

“A conclusão é que devemos ir além do conceito comum de sustentabilidade e recuperar o sistema agredido. Temos que sair de um nível estático, em que consumimos os recursos naturais de forma inconsequente, e sermos produtores dinâmicos de recursos.”

UFA! O teco parecia não estar muito errado na sensação que teve de que algo estava mal na afirmação do título… Agredir, mesmo que de forma “mais lenta” é bem diferente de fazer ações no sentido de “recuperar o sistema agredido”.  O título nos dá a ideia de que podemos continuar a destruir o ambiente, desde que reduzamos a velocidade.

OK, reduzir a velocidade do desmatamento, da mortandade de animais, da poluição, etc., ajuda, mas não é o conceito mais importante como, a primeira leitura, poderíamos pensar.

E aí surge a biomimética como tema de casa para estudo…