Homo…Sapiens?

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“Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade”…pois é, cresci com a conquista espacial, a chegada do Concorde, do TGV, do transplante de coração, da popularização dos eletrodomésticos e com a idéia de que a ciência e sua filha a tecnologia traziam resposta a tudo e que seu objetivo bem-estar e a felicidade. Tornei-me cientista, aprendi a experimentar e analisar e principalmente manter a mente aberta…e paradoxalmente foi daí que vieram alguns sinais de alerta sobre a concepção do mundo adotada por mim e pela minha geração.

Tudo começou quando conheci a filosofia de Gandhi e sua visão sobre a educação e sobre a tecnologia. Ele apregoava que se deveria ensinar nas escolas trabalhos manuais e artesanais de forma que todas as pessoas e comunidades se tornassem autônomas em relação à própria subsistência simplesmente com o trabalho de seus próprios braços. Na época, isto foi visto como mais uma forma de resistência ao modelo econômico do ocupante ocidental e ele nunca foi adotado na Índia. Mas isto me conduziu à reflexão : “Realmente se cada um pudesse subsistir simplesmente com seu trabalho manual em seu próprio campo, não haveria fome no mundo nem tanta desigualdade”.

Mas será que o ser humano se contenta em simplesmente sobreviver? Depois de satisfazer suas necessidades básicas, ele não encontrará sempre outras mais sofisticadas que, se não estão ao alcance do trabalho de suas mãos, ele vai desenvolver “máquinas” para realizá-las?  Então negar o advento da “máquina” não seria negar o próprio intelecto humano? E não é este, fruto de seu cérebro super-desenvolvido em relação aos outros animais, que a espécie humana, que não foi dotada pela natureza de força, ou de garras, ou de pelos para se proteger do frio, conseguiu sobreviver neste planeta? E no momento que pela primeira vez ele acendeu o fogo, ou utilizou a roda, ou se sedentarizou construindo habitações para se abrigar das intempéries, ele já estava usando seu intelecto e criando ciência e tecnologia. Esta criatividade é inerente ao ser humano, não podemos simplesmente impedir o cérebro de funcionar e procurar soluções…

O problema não é a tecnologia em si, mas a utilização que é feita desta, as soluções por ela proporcionadas podem se tornar problemas em função do contexto. Muitas vezes a engenhosidade se alia à sede de dominação para causar estragos enormes, como todas essas guerras que pontuam a história. E esta ânsia de poder e de prazer levou a espécie humana a não respeitar os limites existentes em relação aos recursos do planeta e ao espaço vital das outras espécies presentes nele, nem mesmo de outros seres humanos, o que criou um desequilíbrio perigoso. E se este continua no ritmo atual, a sobrevivência do homem na Terra e o seu modelo de desenvolvimento são incompatíveis. Não por causa da ciência ou da tecnologia em si, mas do modo como são empregadas. Estará então a espécie humana condenada a desaparecer?

É aqui e agora que devemos decidir isto, para as próximas gerações será muito tarde. Acredito que a solução pode vir da ciência e da tecnologia sim. Elas só precisam incorporar em suas realizações o conceito da sustentabilidade, remediar os erros  já cometidos contra o planeta (quando ainda for possível) e ter em mente que não existe outra alternativa. É uma nova equação para a ciência e para o intelecto humano e de sua solução depende o futuro da humanidade. Estaremos à altura para resolvê-la?

Debates Ambientais do Faça a sua parte

Não dá para ficar parado. Você vai ficar?


Enquanto
nós ficamos parados, outros planejam, sorrateiramente como sempre
fazem, mais uma onda de destruição das nossas florestas. Está em
votação o Projeto de Lei 6424/2005, de autoria do Deputado Flexa
Ribeiro (PSDB-PA) que autoriza um dos maiores crimes ambientais a ser
cometido na história do Brasil.



Você vai ficar parado?


Enquanto nós ficamos parados, outros colocam no mercado produtos
contendo transgênicos sem aviso no rótulo, em total desacordo com as
leis. Ferem mortalmente nosso direito a um consumo consciente.



Você vai ficar parado?


Enquanto
nós ficamos parados, outros tantos sequer aceitam que o aquecimento
global é uma realidade. Alegam que os estudos não são conclusivos, que
“não é bem assim”, e seguem, em prol do crescimento das suas economias,
produzindo GEE. Afinal, o que vale é o “aqui e agora”. O futuro que se
dane!



Você vai ficar parado?

Quer
mais exemplos? Crescimento populacional descontrolado? Roubo da nossa
flora e fauna? Há uma lista interminável de exemplos…



Nós, do Faça a sua parte, não ficaremos parados. E queremos que você se mexa. Que mexa os dedos e participe da 1º edição da série “Debates Ambientais do Faça a sua parte“.
Todo ano, no período de 22 de maio a 14 de junho, o Faça a sua parte
promoverá debates sobre as questões do meio ambiente. E, no dia 5 de
junho, acontece a blogagem coletiva para comemorar o Dia Mundial do
Meio Ambiente.



Uma
blogagem coletiva inédita. Serão duas semanas para preparar, com
debates, a blogagem coletiva para comemorar o Dia do
Meio Ambiente. Participe com seus comentários ou posts em seu blog
sobre algum dos temas propostos. Debata, converse, troque idéias.
Participe. Mas lembre-se: no dia 5 de junho não deixe de participar da
blogagem coletiva do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Mas não pára por aí. Do dia 6 até o dia 14 continuaremos debatendo, agora com as diversas contribuições realizadas no dia 5.

Veja a programação para 2008:

MAIO


22 e 23: Biodiversidade: sem flora e sem fauna?
24 e 25: Cerrados: bioma ou necroma?
26 e 27: Florestas, até quando haverá uma?
28 e 29: Educação Ambiental: a quem educar?
30 e 31: Aquecimento Global: mito ou realidade?

JUNHO

01 e 02: De quem é a culpa: do Legislativo, do Executivo, ou nossa?
03 e 04: Meio Ambiente Humano: somos parte da natureza?
05 e 06: Blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
07 e 08: Mar: Origem da vida?
09 a 12: Tecnologia e Meio Ambiente: há futuro na ciência?
13 e 14: Consumo sustentável: o que e como fazer?


Participe conosco. Traga suas idéias e conhecimentos. Faça a sua parte ou…


Você vai ficar parado???

Os 12 Mandamentos da Química Verde

As substâncias químicas estão presentes em vários setores da vida cotidiana (alimentação, cosméticos, outros produtos do dia a dia), participando do desenvolvimento econômico nos padrões atuais nos setores da indústria e da agricultura. No entanto, a fabricação destas substâncias tem implicado até agora em gastos de recursos naturais caros, limitados e não renováveis,  à produção de moléculas tóxicas e à geração de poluição do meio ambiente. Resumindo, a indústria química é considerada como vilã na batalha contra a degradação do planeta.

Conscientes desta situação, os responsáveis pelas pesquisas na área química, resolveram implementar uma série de procedimentos para evitar os efeitos nocivos desta indústria sobre o meio ambiente, e estabeleceram uma série de princípios visando a criação da “Química Sustentável”.

 

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Os 12 Mandamentos da Química Verde*

1. A prevenção da poluição na fonte evitando a produção de resíduos.

2. A economia de átomos e de etapas que permitam realizar, com gasto mínimo, a incorporação de funcionalidades nos produtos pesquisados sempre limitando os problemas de separação e de purificação.

3. A concepção de sínteses menos perigosas graças à utilização de condições suaves e a preparação de produtos pouco ou não tóxicos para o homem e o meio ambiente.

4. A concepção de produtos químicos menos tóxicos com o desenvolvimento de moléculas mais seletivas e não tóxicas, resultando em progresso nos domínios da formulação e da vetorização dos princípios ativos e dos estudos toxicológicos em escala celular e ao nível do organismo.

5. A pesquisa de alternativas aos solventes poluentes e aos auxiliares de síntese.

6. A limitação dos gastos energéticos com o desenvolvimento de novos materiais para a estocagem de energia e a pesquisa de novas fontes de energia com baixo teor de carbono.

7. A utilização de recursos renováveis ao invés de produtos fósseis. As análises econômicas mostram que os produtos oriundos da biomassa representam 5% das vendas globais e poderia atingir 10 a 20% em 2010. Mais de 75% da indústria química global seria então originária de recursos renováveis.

8. A redução do número de derivados diminuindo a utilização de grupos protetores ou auxiliares.

9. A utilização de processos catalíticos preferindo-os em relação aos processos estequiométricos, com a pesquisa de novos reagentes mais eficientes, e minimizando os riscos em termos de manipulação e de toxidez. A modelagem dos mecanismos pelos métodos da química teórica deve permitir a identificação dos sistemas mais eficientes a serem realizados (incluindo os novos catalisadores químicos, enzimáticos e/ou microbiológicos).

10. A concepção dos produtos visando sua degradação final em condições naturais ou forçadas de modo a minimizar a incidência sobre o meio ambiente.

11. O desenvolvimento das metodologias de análise em tempo real para prevenir a poluição, controlando o trancorrer das reações químicas. A manutenção da qualidade do meio ambiente implica em uma capacidade de detecção e se possível medida da presença de agentes químicos e biológicos considerados tóxicos em nível de traços (amostragem, tratamento e separação, detecção, medida).

12. O desenvolvimento de uma química fundamentalmente mais segura para prevenir acidentes, explosões, incêndios e emissões de compostos perigosos.

Tudo o que desejamos é que eles sejam seguidos à risca!

 

*Paul T. Anastas e John C. Warner, Green Chemistry : Theory and Practice, Oxford University Press, New York, 1998 p. 30.

Fonte :

Colóquio do CNRS sobre a “Química para o Desenvolvimento Sustentável

Consenso sobre os recifes de corais do mundo

A Universidade de Queensland, na Austrália, publicou hoje um documento chamado “Declaração de consenso sobre o futuro dos recifes de corais”. Compilado por mais de 50 cientistas do Centro de Excelência em Estudos de Recifes de Corais, traz uma imagem nada bonita da situação dos mares do mundo. Entre os diversos tópicos citados, muitos infelizmente de difícil realização na atual conjuntura da humanidade. Destaco aqui os tópicos que mais me chamaram a atenção (tradução livre minha):

– Conclamamos a sociedade e os governos a diminuírem substancial e imediatamente as emissões dos gases de efeito estufa. Sem essas reduções, o dano decorrente do aquecimento global sobre os recifes de corais será em breve irreversível.

– Mudanças climáticas, pesca em escala industrial e poluição continuam a causar declínios elevados e rápidos na abundância das espécies de recifes de corais e mudanças globais no mesmo ecossistema. Mesmo recifes bem-monitorados e remotos estão correndo perigo com as mudanças climáticas.

– O mundo tem uma janela de oportunidade para salvar os recifes de corais da destruição causada pelas mudanças climáticas. Redução global substancial das emissões de gases de efeito estufa devem ser iniciadas imediatamente, não daqui a 10, 20 ou 50 anos.

– A ação local pode ajudar a reconstruir os recifes de corais e promover sua recuperação. É extremamente importante que evitemos os booms de algas nos recifes, reduzindo a descarga de sedimentos e protegendo os estoques de peixes herbívoros.

Leia o resto aqui. E faça a sua parte pelo mar, esse tesouro tão ameaçado por nós humanos.

Coral reef

(Via Blue Beyond.)

Blog Action Day 2007: Derretimento do Ártico

No início de agosto, vi essa foto no Real Climate que me deixou perturbada:

Artic ice cap
(Foto originalmente pertencente à Universidade do Illinois.)

Em rosa, vemos o chamado “valor mínimo de extensão do Ártico“. Explico melhor. Todo ano, os polos derretem um pouco no verão e recongelam durante o inverno. Ou seja, há um equilíbrio de gelo nessas regiões, mas é um equilíbrio dinâmico, que gera gráficos em ziguezague, onde o importante são as tendências para onde os gráficos vão com o passar do tempo (pra cima, pra baixo ou estáveis). Em geral, a primeira quinzena de setembro é quando a quantidade de gelo no Ártico chega ao menor nível, todo ano. Isso acontece porque esse período marca o fim do verão no hemisfério norte, ou seja, o fim da época quente que favorece o derretimento das calotas. É claro, há séculos esse ciclo derrete-congela acontece, e o valor mínimo de extensão não varia abruptamente. Ou seja, o gráfico tem se mostrado estável, na maior parte do tempo histórico.

É quando a figura aí em cima se torna perturbadora. Ela mostra que no início de agosto desse ano, a área de derretimento já era de 1.2 milhões de km2, e pior, mostrava que comparado aos dados de setembro de 79, a área derretida aumentou muito mais que o normal. E ainda faltava chegar no mês de setembro, quando o verão efetivamente terminaria.

Eis que setembro chegou, e os dados foram ficando cada vez mais assustadores. Até que em outubro, finalmente se chegou à triste conclusão de que 2007 foi um ano histórico pro clima mundial: nunca o Ártico derretera tanto num verão, desde que se começou a medir tal valor. (O NYTimes fez uma reportagem clara sobre o fato, e acompanhou-a com uma animação em flash que mostra esse derretimento nos últimos 4 anos. A animação, assim como a foto acima, é também impressionante.)

Devido a esse derretimento todo, 2007 foi o ano em que pela primeira vez na história recente da humanidade, a passagem noroeste do pólo, um atalho que liga a Europa a Ásia e antes era impossível de ser ultrapassado devido ao gelo, ficou navegável. Essa mera abertura de navegação muito antes de se tornar motivo de preocupação ambiental, se tornou disputa político-econômica para Rússia, Dinamarca e Canadá, que agora trocam farpas sobre quem é o dono dos recursos minerais no subsolo da área, analisando cadeias montanhosas submarinas e afins. A Rússia chegou ao ponto de plantar uma bandeira a 4 km de profundidade, clamando que o Ártico é deles. O Canadá iniciou então uma operação de “soberania”. Depois pensa-se o que fazer com flora, fauna e habitantes da região, é claro.

Mas não é só a extensão de gelo do Ártico que vem diminuindo. Nos últimos 6 anos, a taxa de diminuição da camada de gelo do solo na região foi de 50%, ou seja, a espessura do gelo também diminuiu muito. Nesse ritmo alucinado de derretimento, já há previsões científicas de que o Ártico desaparecerá por completo em 23 anos; ou seja, em tempo geológico, amanhã.
A geografia da região vem se alterando drasticamente, e ilhas na Groenlândia vêm surgindo onde antes apenas gelo predominava. Algumas espécies animais já vêm sofrendo as consequências desse derretimento acelerado. Morsas, por exemplo, foram se alimentar nas praias do Alaska, já que seu hábitat natural de verão desapareceu. De acordo com um artigo recente do famoso pesquisador de clima da NASA Jim Hansen (link em pdf), o aumento de temperatura global está chegando num “tipping point”, ou seja naquele ponto “x” em que não adiantará fazer muito mais para reverter o quadro do paciente, e grandes mudanças acontecerão inevitavelmente. Ficaremos sem Ártico no verão.

E o que isso implicará? A resposta mais honesta é: não se sabe. Já há registros de aumento de terremotos na Groenlândia, mas seriam eles apenas reflexos do processo de derretimento? Há previsões sobre o aumento do nível dos mares globais que deixariam países-atóis do Pacífico debaixo d’água – e a maioria deles vem tentando fazer acordos de realocação com países próximos, como Austrália e Nova Zelândia, a fim de se preparar para quando o mar invadir. Existem outras hipóteses do que pode acontecer ao planeta, mas o nível de incerteza ainda é elevado para se afirmar qualquer coisa.

O único fato é: o planeta vai mudar. Ou talvez antropocentricamente pensando, tentar se defender à forma dele, das agressões que vem sofrendo. E nossa atitude vai ter que mudar também nesse mundo novo, sem gelo no pólo norte e mais propenso a catástrofes climáticas gerais. É preciso antes de tudo investir em tecnologias que possam amenizar a mudança drástica, principalmente aquelas relacionadas a alternativas energéticas pro processo de existência humano. Diminuir gases que colaboram com o aumento da temperatura atmosférica. Reformular todo o sistema de pensar das pessoas, como bem disse o mais recente prêmio Nobel da Paz Al Gore, em entrevista na Rolling Stone (link via Pedro Doria).

Só assim o derretimento do Ártico não se tornará um horizonte negro para nossa existência na Terra.

Horizonte-negro

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*Esse post faz parte da comemoração do Blog Action Day 2007, cujo tema escolhido é Meio Ambiente. Blogs do mundo inteiro estão falando sobre o tema no dia de hoje, na tentativa de fazer com que as pessoas discutam meio ambiente para um melhor futuro. Visite, comente, participe. Assim o dia terá feito (um pouquinho que seja…) a diferença merecida. 🙂

Bloggers Unite - Blog Action Day

As Plantas que Limpam o Planeta


Thalspi caerulescensfonte da foto

É primavera! Observem estas lindas florzinhas que parecem que foram colocadas lá para o prazer de nosso olhos. Mas elas não são apenas agradáveis ao olhar, elas também podem cumprir uma outra tarefa na natureza : limpar os solos e as águas da poluição por metais pesados, provenientes das indústrias. Seu nome é Thalaspi caerulescens , da família Brassicaceae, e ela é um dos principais focos das pesquisas sobre a fitoremediação, que tem como objetivo o uso das plantas para degradar, remover ou estabilizar substâncias tóxicas do solo ou das águas contaminadas.

E ela não é a única, existem várias plantas chamadas hiperacumuladoras, i.e, que podem estocar metais dos quais elas não necessitam para seu desenvolvimento (ou que os metabolizam para espécies menos nocivas) que podem realizar esta faxina na natureza. Pois, se estes metais pesados poluidores não forem retirados ou impedidos de migrar, eles vão se acumular nos vegetais comestíveis ou contaminar o lençol freático, acarretando problemas como dermatite alérgica, perfurações do septo nasal, câncers, cefaléia, náuseas e desmaios nos seres humanos. E não é apenas a contaminação por os metais pesados que podem ser tratada por esta técnica, os solos e águas contaminados por herbicidas ou derivados do petróleo também.

Em seguida, os metais contidos nas plantas podem ser extraídos da biomassa, os metais armazenados podem ser recuperados por empresas de fitomineração e o ciclo estará fechado. Este processo é mais barato que os métodos convencionais, que necessitam retirar a terra poluída e transportá-la para um local de tratamento ou depósito.

O problema é que estas plantas só podem recuperar uma baixa concentração destes poluentes. E é aí que entra o estudo efetuado na Universidade de Liège, por exemplo, no qual se estuda o genoma destas plantas para descobrir quais são os genes responsáveis por estas propriedades. Uma vez conhecidos, estes serão então inoculados em plantas como o fumo ou o álamo, que apresentam um crescimento mais rápido ou uma capacidade mais elevada de captação destes poluentes. O “hic” em relação ao meio ambiente é a utilização de transgênicos…mas os cientistas que desenvolvem estas pesquisas tranqüilizam o público afirmando que estes podem ser esterilizados, eliminando assim o risco de propagação.

A fitoremediação já é uma realidade. Nos EUA, a mostarda indiana transgênica, por exemplo, foi usada para tratar solos contendo arsênico na Califórnia. No Canadá, o chumbo, o cobre e o zinco foram retirados do solo graças a 3 espécies : o salgueiro, a mostarda indiana e a festuca (gramínea para pastagens). A Universidade da Georgia desenvolve algodoeiros transgênicos para limpar solos contaminados com mercúrio. As plantas já estão sendo testadas em um terreno da cidade de Danbury, no Estado norte-americano de Connecticut, de onde 60 algodoeiros irão retirar o mercúrio depositado por uma antiga fábrica de chapéus.

No Brasil, várias equipes de pesquisas já se debruçam sobre este processo, em escala de laboratório. Por exemplo, um tipo de samambaia é estudado para a fitoextração de arsênio e o feijão de corda é usado para a recuperação de solos contendo herbicidas. O chorão para a recuperação de águas contendo derivados de petroleo; mamona, girassol, pimenta da Amazônia e tabaco para o tratamento de solos contendo cádmio, chumbo, cobre, zinco e níquel.

Embora esta técnica apresenta limitações tais como um tempo de descontaminação longo, ela é economicamente viável e uma excelente utilização de recursos naturais. Resta esperar que seja levada a sério, ultrapasse a escala de laboratório e chegue aos nossos campos.

Alguns Estudos no Brasil :

Pneus e ecologia

Na edição online da revista FAPESP deste mês de julho, um pesquisador da UNICAMP comenta sobre seu trabalho de pesquisa com substitutos reprocessáveis para a borracha, principalmente de pneus. O pesquisador vem analisando diferentes arranjos moleculares para que a borracha ecológica seja tão eficiente quanto a borracha vulcanizada que hoje reina no mercado.

E a cifra mais assustadora do artigo para mim foi essa: todo ano, cerca de 1 bilhão de pneus são descartados (vai pra onde esse lixo?) no mundo. Perante um caos desse, qualquer ajuda científica que minimize essa cifra já é de grande ajuda.

Momento Jabá

Uma reportagem escrita por essa que vos fala sobre a vida e os problemas que o peixe-boi da Flórida vem passando para manter sua sobrevivência (e não ser consequentemente extinto) saiu na edição deste mês da revista Mergulho (n. 132). O início da reportagem está online aqui, mas se quiser ler tudo, é preciso correr às bancas.

Criatividade e tecnologia: a salvação?

O mais esperançosos creditam à ciência e à tecnologia a salvação do meio ambiente. Dizem eles que a humanidade sempre soube descobrir maneiras de resolver seus problemas e que, assim, não haverá fim para a espécie humana, sendo a criatividade o fator mais importante a contribuir para isso. Criatividade, diga-se de passagem, inesgotável. Pensam eles, os esperançosos!

Se olharmos para os momentos decisivos, na linha de evolução da espécie, é até possível dar razão aos mais esperançosos. A dupla Arthur C Clarke e Stanley Kubrick tornou paradigmática a cena onde um macaco, após “descobrir” a utilidade de um osso como arma, lança-o ao alto para transformar-se na nave de “2001: Uma Odisséia no Espaço” (1968).

A linha que une esses dois pontos – sempre acompanhada pelo monolito, ao longo dos milhões de anos ali sintetizados – começa na criatividade e termina na tecnologia.

Os egípcios resolveram seus anseios por uma vida eterna com criatividade e tecnologia: construiram as pirâmides. A essa mesma forma, a criatividade das civilizações centro-americanas deram outro destino: o domínio da astronomia e do tempo. A criatividade e a tecnologia se encarregaram, também, de colocar um fim a essas e a tantas outras civilizações.

A humanidade vê-se, mais uma vez, diante de um desafio. Não saberia dizer, agora, se o maior de todos ou se apenas mais um. O fato é que não podemos deixar de dar créditos à criatividade e para sua capacidade de desenvolver a tecnologia necessária para a sobrevivênca da nossa espécie. Ah! Os mais esperançosos que o digam.

Pois então! Recebi, hoje, um mail com o seguinte título:

Primeira usina flutuante gera energia a partir do movimento das ondas

Desconhecia por completo a existência desse projeto. O título é atraente por si só. O mar balança suas ondas desde que o mar é mar, há zilhões de anos. E de graça!

Abro o link e leio. Vejo as fotos, o filme, a animação. Putz, a minha talvez pouca fé na criatividade e na tecnologia balança. Não estarão erradas as Sagradas Escrituras, quando dizem que “do pó viestes, ao pó voltarás!”? Não seria mais correto dizer “do pó viestes, ao mar te voltarás!”?

Criatividade e tecnologia serão a salvação?

Fotos: Cidade Internet – http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/2001/2001.htm
Notícia: IDG NOW – http://idgnow.uol.com.br/mercado/2007/03/23/idgnoticia.2007-03-22.2729895286