Rio+20 já começou


Ok, ok, eu não consegui ir pro Rio – aliás, tá cheio… Mas um santo ser humano, o @cavalcanteph, da TV1, está me enviando os releases com os principais acontecimentos e destaques por lá.

A ONU tomou posse do Riocentro, local onde acontecem as discussões oficiais – sim, aquelas que tendem a dar em nada. Os 1400 voluntários reúnem a diversidade humana necessária: de universitários a membros de comunidades carentes, sem esquecer os portadores de necessidades especiais. Afinal, tudo pelo politicamente correto, a gente vê na Rio+20.

Importante mesmo – e o que me faz sentar para escrever este post, é o seguinte: a gente pode dar palpite nos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável – que acontecem antes da agenda principal. A coisa funciona assim: são 10 temas, que serão debatidos por representantes das ONGs, comunidades acadêmicas e científicas, imprensa e setor privado – sobre sustentabilidade, duh.

Aí que a gente pode votar (até amanhã, dia 15 de junho) nas propostas que estão no site http://vote.riodialogues.org – é por lá que estão os parâmetros das conversas que acontecerão de 16 a 19 de junho (pros perdidos como eu: entre sábado e terça-feira).

Ah, tem uma coisa boa: estes Diálogos serão transmitidos ao vivo pelo site das Nações Unidas: http://www.uncsd2012.org. Por lá também tem montanhas de informação sobre o tema, além da cobertura tanto do evento principal quanto dos paralelos…

Pra quem quiser uma fonte direta de informação, a galera do ISA (Instituto SocioAmbiental) está invadindo o pedaço. Acompanhe no http://rio20.socioambiental.org.

E quem usa twitter pode criar uma busca com a hashtag #Riomais20 pra acompanhar as principais notícias. O perfil oficial @ONU_RioMais20 também anda mandando notícias interessantes. Tá rendendo, viram? Informação aos borbotões, na internet tem – e o melhor: quem edita é a gente! (detalhe sórdido: no instante em que escrevo isso tem novela, futebol e CPI nos Trending, mas conferência, nem pensar…).

Fontes brazucas de informação? O site oficial é o http://www.rio20.gov.br. E olha, tem coisa legal e interessante acontecendo. Duro é pinçar o que interessa.

Só espero que dia 22 de junho a gente pense mais nas relações entre justiça social, crescimento econômico e proteção ambiental. De forma permanente – e não só por conta de uma reunião de chefes de estado (que, sim, também é importante).

Debate: Perspectivas para a Rio+20

Agenda da Rio + 20 será debatida em palestra 

No próximo dia 1° de março, o presidente do Instituto Brasil Pnuma, Haroldo Mattos Lemos, falará sobre o balanço e as perspectivas para a Rio+20, em debate promovido pela Câmara Setorial de Desenvolvimento Sustentável do Fórum de Desenvolvimento do Rio.

O objetivo do encontro é refletir sobre o tema central da Conferência: Economia Verde e Redução da Pobreza. Na ocasião, será analisado o “Zero Draft“, rascunho do documento que será debatido pelos países na Rio+20, em junho deste ano.

“O fato de esta conferência ocorrer no estado do Rio de Janeiro representa uma oportunidade de pensarmos de que forma lidamos com o desenvolvimento e sua relação com o meio ambiente. E, mais do que isso, como podemos trazer estes grandes temas que estão sendo discutidos pelas nações para o nosso dia a dia”, explica a secretária-geral do Fórum de Desenvolvimento do Rio, Geiza Rocha.

O debate é gratuito e aberto ao público. Compareça.

SERVIÇO:

Perspectivas para a Rio + 20, por Haroldo Mattos de Lemos
Data: 01/03/2012
Horário: das 10h às 13h
Local: Palácio XXIII de Julho
Endereço: Rua Dom Manoel, s/º, 6º andar – RJ – Auditório Senador Nelson Carneiro
Mais informações: tel:(21) 2588-1352

Saiba mais sobre a Conferência Rio+20:
United Nations Conference

Uma escola sem papel, é possível?

Bla bla bla, por Harry Scheihing, em CC

 

Em 2007, Lucia Malla criou o meme das 3 atitudes ecoconscientes que consistia especificamente em postar as 3 atitudes que pretendíamos praticar na vida para melhorar a situação ambiental do planeta Terra. Naquela ocasião, Lucia citou algo que tem me feito repensar uma das atitudes mais comuns em meu local de trabalho: o uso indiscriminado de folhas de papel e o uso exagerado de copiadora e impressora.

Lucia argumentava que deveria haver uma campanha para que trabalhos escolares escritos só fossem aceitos em formato digital, nada de papel, pois, afinal, a escola, onde, em tese, tudo se discute, deveria dar o exemplo à sociedade. Concordo plenamente.

Agora, em 2011, assistindo ao debate “Desafios da mobilidade“, sobre o uso de celular, notebook, tablet e outras tecnologias na sala de aula, como ferramentas educacionais, pus-me a refletir sobre de que maneira poderia fazer esta transição na comunidade escolar em que trabalho, uma vez que, grande parte dos alunos não tem acesso a toda esta parafernália tecnológica.

É um caminho a percorrer. Ainda há muitos professores que resistem ao uso das tecnologias, porém, dentro do possível, temos procurado incentivá-los a usar mais o data-show, a sala de informática, o email, os blogs, os vídeos, o celular, as redes sociais, não apenas para entretenimento, mas para troca de saberes, questionamentos, busca de conhecimento.

A tecnologia faz parte do cotidiano de todos os jovens, mesmo os de comunidade menos favorecidas economicamente. Estes alunos esperam que o professor faça uso dela em sala de aula. Entregar um trabalho por email, ou em pendrives é mais atraente para o aluno e mais produtivo para o professor.

Espero estar viva para  ver este tempo em que menos árvores serão derrubadas, menos folhas serão impressas; e estar em uma escola em que professores e alunos desenvolvam um processo de aprendizagem cooperativa para construir a produção de conhecimento.  Os alunos poderão tomar notas diretamente em seus laptops – que a escola oferecerá – e utilizar meios digitais para entregar todas as suas apresentações e trabalhos.

Ter uma escola quase inteiramente sem papel não é utopia. Obviamente, para algumas situações, a folha impressa ainda substituirá a digital, mas eliminar o papel completamente da sala de aula não é o objetivo. Pelo contrário, o objetivo é aproveitar as tecnologias que realmente minimizem os custos de impressão, viabilizem a distribuição de materiais de ensino que facilitem a aprendizagem, e, principalmente, poupem as nossas árvores.

Além disso, estimular o  trabalho por via electrônica ajuda a atender às necessidades  de uma nova geração de alunos que está familiarizada com o mundo digital, como também ajuda a alcançar a meta de produzir e utilizar menos papel no mundo.


Blog Action Day: Água, um direito de todos?

O Blog Action Day é um evento anual realizado a cada 15 de outubro, que une blogueiros do mundo na postagem sobre o assunto em foco, com o objetivo de provocar uma discussão global e condução da ação coletiva. Este ano o tema é a água.

Agora mesmo, quase um bilhão de pessoas no planeta não têm acesso à água limpa e potável. A água insalubre e a falta de saneamento básico causam 80% das doenças e matam mais pessoas anualmente do que todas as formas de violência, incluindo a guerra.

As crianças são especialmente vulneráveis, porque seus corpos não são suficientemente fortes para combater a diarréia, disenteria e outras doenças. A ONU prevê que um décimo das doenças pode ser evitado simplesmente melhorando o abastecimento de água e saneamento.

A questão da água, além de ser um dos direitos dos humanos, é também, uma questão ambiental, a questão da sustentabilidade. A água é um problema global, e merece uma conversa global.

Como ajudar esta causa e divulgar mais sobre a água e promover o Blog Action Day:

  1. Clicar o widget ação: Você pode assinar a petição, clicando no widget de ação, na barra lateral do blog, ou colocando um em seu blog, para agir diretamente sobre a questão da água limpa.
  2. Ajudar projetos de água: Você pode contribuir diretamente para projetos de água limpa, para levar água potável às comunidades ao redor do mundo. Uma doação de até US $ 25 à Water.org pode dar a uma pessoa, água potável para toda a vida.
  3. Compartilhar com seus amigos: Você pode partilhar no seu Blog, no Facebook e no Twitter, com a tag #BlogActionDay , os fatos chocantes sobre a água para obter a atenção das pessoas. Seus amigos sabem que a água potável e falta de saneamento mata mais pessoas anualmente do que todas as formas de violência, incluindo a guerra? Aqui estão os fatos para compartilhar .
  4. Ler outros posts do Blog Action Day: Há alguns posts realmente incríveis sobre a água, publicados por blogueiros. Clique aqui, no site Blog Day para vê-los e participar da discussão.

Participe.
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Meio Ambiente e o fim do mundo

Em meio a tanta discussão no post da Denise (30 dias sem carne), lembro de uma crônica minha publicada na revista Germina Literatura, em março de 2008.
A crônica trata das batalhas que estão por acontecer (e pelo visto, já estão acontecendo) em torno das “vacas”, ou melhor, do “pum das vacas”.
Ei-la!

O “pum” da vaca: a primeira grande batalha
Há varias maneiras de tratar desse assunto. Duas se destacam: a religiosa e a científica. A religiosa é fácil de entender, pois basta crer. A científica, no entanto, é um pouco mais complicada, pois requer que a gente creia.
Pode parecer brincadeira, mas são as duas verdades mais verdadeiras de que se tem notícia nos últimos 4500 anos. Filósofos, sociólogos e cientistas políticos tentam criar outras verdades, mas não conseguem. A mídia vende verdades a torto e a direito, mas também não tem dado muito resultado, a não ser na última linha do balanço.
Conversando com uma amiga que está grávida, sugeri que utilizasse fraldas de pano no vindouro bebê. Dei-me ao trabalho de comentar o quanto as fraldas descartáveis eram nocivas ao meio ambiente, e toda essa história de aquecimento global, e tal e coisa. Ela foi curta na resposta: “o problema do aquecimento é o ‘pum’ das vacas”. Se os cientistas dizem que é o “pum” da vaca então é, pronto! Nós acreditamos!
Estamos diante de um conflito de crenças. Eu creio em Deus, dizem uns; eu creio na ciência, dizem outros. A maioria gostaria de acreditar que vai ter comida para os filhos no dia seguinte. E uma pequena minoria segue acreditando que explorar os recursos da natureza, de forma irresponsável, ainda é o melhor negócio.
Os dinossauros desapareceram da face da Terra sem que homo algum tivesse culpa. Hoje não! Sumiu uma espécie absolutamente desconhecida e a culpa é imediatamente atribuída aos sapiens sapiens. Valham-me deuses e cientistas! Não sei mais o que pensar. Deus se atribui a autoria do mundo e acredita piamente nisso. Darwin acredita na evolução.
Dizem as estatísticas, que algo em torno de 60% da população mundial atual vive em estado de pobreza e/ou abaixo da chamada “linha da miséria”. Ciência depende de consciência e quem é pobre ou miserável, consegue, no máximo, é ter ciência da sua condição. Não se lhes culpe a crença. Resta-lhes Deus. Ponto para Deus.
Humanos caçam humanos porque humanos caçam baleias para que humanos se aproveitem de tudo quanto podem das baleias. Ouvia dizer, no último decênio do século passado, que estávamos entrando em uma nova era, a Era de Aquários. Tudo de bem para a humanidade. Uma era de paz, prosperidade, amor, fraternidade e solidariedade. Recém oito anos entrados no novo milênio e o que se vê é justamente o contrário: não há paz; a prosperidade é para uns poucos; o amor virou mercadoria a ser vendida em datas comemorativas; da fraternidade talvez poucos se lembrem o que seja. E a solidariedade? Bem, essa virou expiação de culpa em troca de umas moedas nas sinaleiras.
A conservação do meio ambiente está, definitivamente, nas mãos dos crentes. O que é bom para os não-crentes: continuarão devastando a natureza sem problema algum de consciência. Eles sabem que Deus não faz diferença entre seus filhos.
O “pum” da vaca: a segunda grande batalha
Aos que tiverem sobrevivido ao primeiro grande embate, entre religiosos e cientistas, um aviso: não resta muito consolo! A segunda grande batalha já começou. Basta olhar a quantidade enorme de e-mails que recebemos todos os dias defendendo que as pessoas parem de comer carne. Vegetarianos e espécies correlatas versus carnívoros.
Os primeiros, aproveitando a onda do aquecimento global, passaram a utilizar os prejuízos que a criação de animais causa ao meio ambiente, como argumento de luta. Não se contentam mais apenas com a defesa da saúde, como faziam até bem pouco tempo.
“Não comam cadáver!”, bradam eles, diante de uma picanha. Por sinal, a picanha tem sido a peça de resistência. E nem é a parte mais nobre. Bem poderiam se utilizar do filé mignon e deixar os churrasqueiros livres para se refestelarem em meio às costelas, vazios, maminhas e, claro, picanhas. Não esquecendo que todo bom churrasco vem acompanhado de uma salada. Mas isso eles fazem questão de não lembrar.
Tenho a impressão que eles lutaram ao lado dos cientistas, na primeira grande batalha. A culpa é do pum. Das vacas, claro!
Mas o mais interessante de tudo isso, é que nós, os carnívoros, não nos metemos a enviar e-mails com fotos de alfaces para todo mundo. Por que será que essa gente faz isso? Acreditam mesmo que entupir a caixa de entrada alheia vai fazer alguém deixar de comer carne? Pois está declarada a guerra. Para cada e-mail do inimigo, mandarei como resposta a foto de uma picanha, daqueles bem mal passadas, sangrando…”

Só fico triste de ver que os comentaristas carnívoros tenham sido tão agressivos no post da Denise.

Homens e a ecologia

Tô atrasada num desafio proposto pelo Afonso: escrever sobre a diferença de gênero no cuidado com o meio ambiente em pleno dia da mulher. Era para este post ter sido publicado no dia 8 de março. A canseira da organização do LuluzinhaCamp mais uma segunda-feira povoada de compromissos na rua me impediram de publicá-lo.
Afonso, homem culto, atendeu à sincronicidade e foi na linha da cultura – aludindo até a minha deusa grega favorita Deméter, a Terra, e o surgimento do ciclo do outono e do inverno, devido ao rapto de sua amada filha Perséfone. Texto maravilhoso, inclusive. Uma ode ao feminino e à natureza.
A lembrança de Deméter me trouxe Erisícton, descrito por Thomas Bulfinch em O Livro de Ouro da Mitologia.

Erisícton era um homem grosseiro, que desprezava os deuses. Certa ocasião, resolveu profanar um bosque consagrado a Ceres (Deméter) com o seu machado. Ali havia um venerável carvalho, tão grande que dava a impressão de ser uma floresta inteira. Em seu velho tronco, frequentemente eram colocadas guirlandas votivas e entalhadas inscrições de gratidão à ninfa da árvore. Muitas vezes as dríades dançavam em torno deste mesmo carvalho. Insensível aos fatos, o homem Erisícton tomou o machado de seus servos e, no primeiro golpe, a árvore verteu sangue. Um dos presentes impediu-o de golpear a árvore novamente e foi morto a machadadas. Nesta hora, a ninfa de Ceres que habitava a árvore avisou: Eu que moro nesta árvore sou uma ninfa amada de Ceres e, morrendo por tuas mãos, predigo o castigo que te aguarda.
Erisícton não desistiu e, afinal, a árvore caiu com estrondo e esmagou sob seu peso grande parte do bosque.
As dríades, ultrajadas, foram a Ceres, vestidas de luto e pediram que Erisícton fosse castigado. Ao curvar a cabeça, concedendo o pedido, as espigas maduras para a colheita também se inclinaram. Imaginou o castigo mais cruel de todos: entregar o malvado à Fome. Como a própria Ceres não podia aproximar-se da Fome, chamou uma Oréade e falou:
Na parte mais longínqua da Cítia, moram o Frio, o Medo, o Tremor e a Fome. Vai até lá e pede à Fome que se aposse das entranhas de Erisícton. Que a abundância não a vença, nem o poder de meus dons a afaste. Toma meu carro e vai.
A Fome obedeceu às ordens de Ceres e rapidamente chegou ao quarto do criminoso, que dormia. Envolveu-o e penetrou seu corpo pela respiração, destilando veneno em suas veias. Missão cumprida, retirou-se da terra da fartura e voltou à sua desolação costumeira. No sonho, Erisícton ansiava por alimentos e movia a mandíbula, como se estivesse comendo. Ao acordar, a fome o devorava. A todo momento queria ter iguarias de toda espécie e, mesmo quando comia, ainda sentia fome. Não lhe bastava o que teria sido bastante para uma cidade ou nação. E quanto mais comia, maior era a sua fome. Seus bens diminuíram rapidamente face ao seu apetite, mas a fome jamais era saciada. No final, restou-lhe apenas uma filha, uma filha que merecia um pai melhor. Vendeu-a também. Desesperada de ser escrava, a jovem, de pé junto ao mar, ergueu os braços numa prece a Netuno. O deus ouviu suas súplicas e, embora seu novo senhor não estivesse longe e a visse um momento antes, Netuno a transformou em um pescador.
Procurando-a e vendo-a sob a nova forma, seu dono perguntou-lhe:
– Bom pescador, onde foi a donzela que via agora mesmo, com cabelos despenteados e pobremente vestida, no lugar em que estás?
A jovem, esperta, percebeu que sua prece fora atendida e respondeu:
– Perdoa-me estrangeiro, mas estava tão ocupado com meu caniço e minha linha que nada vi. Possa eu contudo jamais pescar outro peixe se acredito que esteve por aqui, ainda há pouco, alguma mulher ou outra pessoa qualquer.
O homem tomou seu caminho, pensando que a escrava fugira. Ela, então, reassumiu a sua forma. Seu pai ficou satisfeitíssimo ao vê-la ainda consigo, juntamente com o dinheiro resultante de sua venda e tratou de vendê-la de novo. A jovem, contudo, graças a Netuno, transformou-se tantas vezes quanto as que fora vendida. Ora em cavalo, ora em ave, ora em um boi, ora em um cervo. Assim, o pai faminto conseguiu alimento, nunca o suficiente, até que a fome o obrigou a devorar a si mesmo e destruir-se. E a morte o libertou da vingança de Ceres.

Digitar este tanto de texto que eu já conhecia (resumi a história) traz muitas imagens sobre a relação dos homens com a ecologia.

Grosseria, insatisfação eterna e consumo abusivo são marcas não só dos homens, mas de nossa civilização, neste planeta. E, ao reler este mito, percebe-se claramente que os homens – que governam as nações deste planeta há tanto tempo – podem, sim, vestir a carapuça. Eu, de minha parte, tenho o prazer de conviver com homens anti-Erisicton, que fazem sua parte todos os dias e lutam para que o planeta continue vivo e pleno.

Agora quero ouvir vocês: qual é a diferença entre homens e mulheres no CUIDADO com o meio ambiente e o planeta? Entrem na roda.

Um dia, as mulheres, a natureza e um desafio!

Pois é,

Um dia: 8 de março.
As mulheres? Bem, é o dia delas!
A natureza? É o que veremos.
O desafio? Bueno, de conversas no Faça a sua parte nasceu a questão: será que mulheres e homens percebem a natureza – e, consequentemente, atuam na sua conservação – de forma diferente?

Eu e a Lucia Freitas resolvemos transformar o papo em um desafio: eu escreveria sobre as mulheres e ela escreveria sobre os homens. Tudo, claro, sob o enfoque do meio ambiente, da natureza.

Por essas coincidências, recebi esta semana o exemplar da edição especial da revista “Mente e Cérebro“, “As Faces do Feminino – Dimensões Psíquicas da Mulher“. É dela que tiro a inspiração para o post.

A natureza é feminina. Sobre isso não há e, que eu saiba, nunca houve discordância. Veja-se o que diz o texto “O Arquétipo da mãe”, de Johann Rossi Mason:

O conceito de Grande Mãe surgiu por volta de 7000 a.C., no Neolítico, mas traços desse culto já estão presentes no Paleolítico. Trata-se de uma figura religiosa, uma divindade feminina a quem se atribui a gênese de todas as coisas vivas: plantas, animais, homens. O culto certamente se originou em comunidades sedentárias que viviam da agricultura, em harmonia com os ciclos da Natureza e da Lua, símbolo tipicamente feminino”.

Machos brigam pela oportunidade de fecundar fêmeas. Esta é uma razão, senão a única, pela qual deveríamos aceitar que a divindade suprema – se é que existe – é uma fêmea. E digo fêmea, para não dizer apenas mulher, porque o feminino está na natureza e não apenas na mulher, nome atribuido à fêmea da espécie humana.

Mas vejamos o que diz o artigo “O Arquétipo da Mãe” (referências ao final) sobre o mito de Deméter:

“Deméter é a deusa das colheitas e ícone de um instinto materno que não tem sossego. É mãe de Perséfone, cujo pai é seu irmão Zeus. Segundo a mitologia grega, certo dia, enquanto colhe flores, Perséfone é raptada por Hades (deus dos mortos e dos subterrâneos), que se apaixonara por ela. O rapto acontece graças à cumplicidade de Zeus. Ao perceber o desaparecimento da filha, Deméter a procura em vão durante nove dias e nove noites. Ao alvorecer do décimo dia, por sugestão de Hecate, Deméter pede a Hélios, o Sol, que lhe revele a identidade do responsável.

“Louca de raiva pela traição, a deusa abandona o Olimpo e, por vingança, decide impedir que a Terra dê seus frutos, para que a raça humana seja extinta na escassez. Na tentativa de aliviar a própria dor, Deméter vaga pelo mundo, surda às lamúrias dos humanos que já não tem o que comer. Assume o semblante de uma mulher idosa, ocultando seu aspecto esplendoroso, e encontra abrigo numa casa, onde se torna ama-de-leite do filho do rei de Ática. Apega-se logo ao bebê que alimenta com a divina ambrosia para torná-lo imortal. O amor pelo menino finalmente alivia a sua dor, até que a rainha a descobre e a obriga a revelar sua natureza divina.Lançada de volta a seu desespero, Deméter refugia-se no monte Calícoro, sem se importar com as súplicas dos mortais dizimados pela carestia.

“Zeus então intima Hades a devolver a filha da deusa, e o final feliz parece estar prestes a acontecer, mas, antes disso, Hades faz Perséfone comer uma semente de româ, o que a obrigará a voltar periodicamente a ele. Tamanha é a alegria da mãe que, no momento em que abraça a filha, a Terra volta a ser fértil, e os frutos recomeçam a amudurecer. Mas há um preço a pagar: nos meses em que Perséfone voltar ao marido, sobre a Terra reinarão frio e penúria. Nascem o outono e o inverno.

Deméter é, portanto, a Terra-Mãe, o símbolo da mãe que ama a prole acima de tudo. Deusa das terras cultivadas, ela rege a abundância das colheitas. Representa o instinto materno que se realiza na gravidez e no alimento físico e psicológico. A mulher Deméter realiza-se plenamente nessa tarefa, mas corre o risco de se deprimir caso sua necessidade de se alimentar seja recusada.

” Esse senso de maternidade não se limita ao aspecto biológico, mas pode se expressar na adoção de profissões que implicam dedicação aos outros. Deméter é nutriz, mãe perseverante ao procurar o bem-estar dos filhos, generosa. Uma deusa profundamente ligada a suas origens, que dão um significado adicional à sua essência: com efeito, ela é filha de Rea e neta de Gaia, a Mãe Terra original, da qual deriva toda forma de vida“. (negritos meus)

Tantos sejam os seres humanos existentes na Terra e tantas serão as interpretações do texto. A minha? Bueno, a minha tem a ver exatamente com a retomada do mito de Deméter, a neta da Mãe Gaia.

As mulheres, diferentemente dos homens, trazem em si esse senso de proteção. Mulheres cuidam, homens descuidam; mulheres constroem, homens destroem. E é desse olhar feminino que estamos precisamos para resolver os problemas que estamos causando para a grande Mãe Gaia. Do olhar que alimenta, pois estamos deprimindo Deméter e ela está fazendo conosco o que já fez quando Perséfone foi raptada: está novamente impedindo que a terra dê seus frutos e a humanidade parece fadada a ser “extinta na escassez”.

Sim, as mulheres, por serem Deméter, percebem a natureza de forma diferente dos homens.
E você, o que pensa sobre isso?

Meu Incômodo Ambiental

Há dias que tento preparar um desabafo ambiental.
Estava, na verdade, procurando um “mote” para tal.
Acabei encontrando dentro de minha vida.
Dia desses saí pra jantar com uma companhia e, ao passar em frente ao posto de combustível do qual me denominaram “gerente ambiental” (mas sem receber nada por isso) deparei com uma cena inusitada.

Flashback
: no domingo anterior preparamos, juntamente com o Corpo de Bombeiros local, um treinamento de combate a incêndios e primeiros socorros aos funcionários, com aulas teóricas e práticas sobre o assunto. Todos participaram.
Continuando o papo. No posto, bem em frente às bombas e tanques, um cidadão, tranquilamente fumava seu cigarrinho e batia um papo legal com o “bombeiro”, que mais havia pegado no fogo. Olhei pra ele e fiz um sinal clássico com as mãos: “E agora”? Ele havia esquecidos das instruções anteriores! O rapaz, ao ser advertido, rapidamente apagou o cigarro e ficou encabulado.
O caso, apesar de gravíssimo, por colocar em risco a vida deles e o empreendimento reflete como anda nossa preocupação com o que acontece diariamente.
Ninguém se preocupa com o que está ao nosso redor. E, se tentamos nos incomodar (aqueles que valorizam a sua vida e a de seus pares) as pessoas ao redor nos olham com desdém e achando que somos “big-brother” da vida.
Bem diz o Chato neste post “Há muito mais entre o filosofar e o agir, do que ousamos sonhar!” Descobrimos, aos poucos, que é mais fácil ser uma sombra na multidão do que mostrar a cara e tentar mudar a posição “não tô nem aí” dos nossos. Ser diferente se incomodando!
Mas como fazer isso? Como mudar a forma de agir das pessoas que sentem vergonha em mudar?
O final do post do Chato nos chama atenção para isso:
“Há muito mais entre o filosofar e o agir: existem as crenças e valores que adotamos. Devemos oferecer um caminho prático para que as pessoas primeiro acreditem que mudar é possível e que a mudança não lhes causará prejuízo (as pessoas não mudam pensando nas vantagens que poderão obter e, sim, nos prejuízos que poderão evitar); segundo, que queiram mudar, por verem que uma nova crença – esta sim, baseada em uma “ética do cuidado, da compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal” é boa para todos; terceiro, que seja um exercício (agir) que se adpte facilmente a vida das pessoas e não algo radical como muito das propostas que andam por aí.
Precisamos contruir esse caminho prático, que nos fará sair do filosofar e passar para o agir.
O mundo está sendo destruído pelos que fazem e não pelos que pensam.”

Radicalmente contra? Nem pensar!
Sempre a favor? Negativo!
Há de se encontrar o ponto de equilíbrio entre o agir sem vontade e o filosofar sem pensar. E a educação ambiental diuturna é o caminho mais indicado.

Economia verde or die!


Na fila da padoca, ontem à noite, fiquei na dúvida entre comprar um azeite na promoção e a última edição da Superinteressante, que traz na capa a atual situação deplorável dos oceanos do planeta. Acabei optando pela revista, o que acabou sendo uma boa escolha, não pela matéria de capa, que nada mais é do que um grande cozidão do que vem se falando sobre o tema há meses (quiçá anos). Folheando o material hoje de manhã, o que mais me chamou a atenção foi a entrevista com Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, em Londres, primeira instituição da Inglaterra a criar um departamento específico sobre o tema.
Jackson afirma categoricamente que o crescimento ininterrupto da economia global (um dos pilares do capitalismo moderno) é imcompatível com a sustentabilidade do planeta. Não é comunista, nem petralha, nem antiamericano, apenas mais um da crescente geração de pessoas que acredita num outro mundo possível, sob as regras da economia verde. Já foram ridicularizadas e agora são atacadas. Falta pouco para que sejam consideradas arautos do óbvio.
Enquanto governos e iniciativa privada não se mexem e continuam dando de ombros para o que se avizinha, como vimos em Poznan ou Marraquesh, cabe a nós, indíviduos tomarmos medidas diárias, pouco a pouco, pra ver se lá na frente algo muda. Alguns passos básicos, segundo Jackson, são:
Comprar menos, ser mais eficiente no uso da energia, viajar menos de carro e avião, economizar, fazer investimentos éticos e protestar!
Se for pra ir pro saco, que seja de botas calçadas!
(Este foi meu 100o. post no Ecoblogs!)

Capitalismo x planeta

Em carta enviada à conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Poznan, na Polônia (terminou domingo agora), o presidente Evo Morales, da Bolívia, propõe a criação de um novo modelo de desenvolvimento para o mundo, baseado na sustentabilidade e harmonia com a natureza. A busca incessante pelo lucro, acima de tudo, está destruindo o planeta, diz Morales.
Segue um trecho:

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados “desenvolvidos” consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte…a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria “mudança climática” converteu-se em um negócio.
A íntegra da carta pode ser lida aqui.

Morales está certo em gênero, número e grau. O que temos hoje é capitalismo no lucro, socialismo no prejuízo. A crise atual foi provocada por instituições financeiras até então tidas como acima de qualquer suspeita. E a cada novo golpe que surge, quem paga a conta somos nós.
Ou repensamos já o modo como produzimos e consumimos, ou vamos todos pro mesmo buraco.