Turista: não alimente os animais silvestres

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Quando a gente, Felícia da vida, vê aquele animalzinho bonitinho ou gracinha de tão feinho tem vontade de apertar, passar a mão ou de perguntar, “quer ser meu amigo”? Mas resista à tentação! Se você gosta mesmo dele, tem que deixá-lo livre em sua natureza. Caso contrário, pode prejudicar aquele que diz que ama. Um exemplo é o problema com as raposas (Pseudalopex culpeus) da Patagônia que eu pude ver com meus próprios olhos, graças a um brasileiro.

Chegando ao Parque Nacional da Terra do Fogo, no Ushuaia, um brasileiro bagunceiro – pleonasmo – ficou mais animado ainda ao ver uma raposa se aproximando da vã que parava. Quando descemos do veículo, todos soltamos ao mesmo tempo: “Que lindinha!”. Foi um alvoroço geral. Todos queriam tirar foto da raposa e vê-la de pertinho. Ela se aproximou de nós, menos de dois metros de distância. Nesse momento, o brasileiro não se conteve. Abaixou, esticou o braço e tentou passar a mão na cabeça do bicho. A raposa em um piscar de olhos deu uma mordida na mão dele. Fiquei preocupada, mas ele disse ao amigo: “não foi nada”. Passada mais de uma hora, ouvimos um amigo exclamar: “Nossa, ficou feio”.

Elas são muito, mas muuuito lindinhas – saiba mais sobre essa espécie aqui. Têm um olhar e andar de gato – aliás, li em algum lugar que as raposas em geral são parentes mais próximas de gato que de cachorro, alguém saberia dizer se a informação procede? As raposas ou zorro, como as chamam os hermanos, parecem dóceis. Além disso, é comum elas chegarem perto de pessoas nos parques, principalmente, da Argentina como aconteceu conosco. Por que será?

Simples, porque as pessoas as alimentam. Para que caçar se você pode ganhar? Ou roubar um churrasquinho suculento? Quando nós alimentamos os animais silvestres causamos uma série de problemas. Resumindo, eles “desaprendem” a caçar, podem passar mal com a nossa comida, desenvolver uma doença e infectar outros semelhantes. Também, essa ação pode causar um desequilíbrio no ecossistema local, afinal, as raposas deixarão de comer suas caças que, consequentemente, poderão se multiplicar. Para piorar, as lindas raposas podem ficar agressivas contra os humanos. Não duvide, vão morder para conseguir comida ou quando se sentirem ameaçadas.

Como destruir vários ambientes com espécies invasoras

IMG_1848-1024x576Duas ideias de jerico. Na realidade, três se formos falar sobre as ovelhas, mas esta fica para outro post. Quem visita o Parque Nacional da Terra do Fogo, em Ushuaia, Argentina, pode observar o trabalho de castores canadenses fazendo suas represas. Sim, esses bichos são geniais, derrubam árvores para conter água. Acontece que, como deve ter reparado, eles são canadenses! E o que fazem do lado oposto do continente? E por que as lebres-europeias, provenientes do outro lado do Atlântico, também podem ser vistas ao lado deles no Fim do Mundo?

Bem, resumindo a história que você pode saber mais aqui, os castores foram introduzidos na região em 1946 pela indústria da pele. Sem predadores naturais, os 25 pares se transformaram em 100 mil indivíduos! Um problema para a bicharada local, que tem que competir por espaço e comida com eles, e para as árvores. Estas são derrubadas sem tempo de recomporem bosques, agora, no chão. Quer dizer, na água.

Por sua vez, as lebres-europeias foram colocadas na Patagônia para serem caçadas pelos homens. Isso mesmo, como um instrumento esportivo. Mas elas foram longe… Atualmente, podem ser encontradas aqui no estado de São Paulo comendo plantações! O caso da lebre-europeia é tão sério, que ela está causando a extinção da lebre-da-patagôniaEsta é rara de ser observada. Agora, a outra, eu mesma vi do ônibus dentro do Parque Nacional Los Glaciares, onde está o famoso glaciar Perito Moreno (Argentina). Aliás, há alguns anos, creio que foi ela que observei no Paraná. Para você ver como a ação humana sobre os animais pode causar um estrago continental.

Obs.: Estou fazendo uma série de posts sobre o meio ambiente e a ciência relacionados à Patagônia. Se pretende viajar para lá ou quer saber um pouco mais sobre o nosso continente, eis a chance!

Serra da Cantareira: aquela que São Paulo não vê

VEJA O VÍDEO AQUI.

“Quem casa, quer casa.” Estávamos, o marido e eu, à procura de um imóvel para morar. Selecionamos bairros pelos quais simpatizávamos mais próximos ao comércio, com facilidade de transporte público e, acima de tudo, que evitasse grande deslocamento ao trabalho – este é um sonho para quem vive em uma cidade com 11 milhões de habitantes como São Paulo. Depois de literalmente rodarmos a cidade, optamos pela Zona Oeste.

Apesar de toda essa preocupação em facilitar o cotidiano, após fechado o apê, o que me fez apaixonar por ele foi a vista: “Dá para ver a Serra da Cantareira”! Eu não acreditava que essas montanhas destacadas apenas em mapas geográficos do colégio – ou de aviação – pudessem estar tão pertinho de mim. Ironicamente, quem me apresentou para valer a “Serra” foi o meu marido enquanto namorávamos – e nem imaginávamos que iríamos nos casar e, muito menos, morarmos em frente a ela. Ele me mostrou que há um parque visitável incrível chamado (adivinhe): Parque Estadual da Cantareira. Do alto da sua Pedra Grande, dá para ver São Paulo quase inteira. Uma floresta de concreto.

Todo dia, assim que acordo e quando chego em casa, a primeira coisa que faço é abrir as cortinas da minha casa para o mundo. Respiro fundo com a Serra no horizonte. Se está sol e tempo limpo, dá para observar cada frondosa árvore. Nos dias nublados, parece que a Serra é feita de algodão pintado com diferentes tons de verdes e até azulados. Percebi que pode chover na Zona Norte, enquanto na Zona Sul o céu está limpo, porque as nuvens se acumulam sobre o acidente geográfico. E que chuva boa. Ela ajuda a abastecer a Cantareira, que justamente recebeu esse nome em alusão aos cântaros levados com água do local pelos tropeiros em viagem lá pelo século XVI.

Ignorada pela floresta de concreto, a Serra da Cantareira continua até hoje fornecendo água aos sedentos pelo “desenvolvimento”. Abro a torneira e sei que esse líquido cristalino é um presente da serra que abraça a cidade. Daquela que está atrás de mim enquanto lavo a louça, zelando por nossa saúde. O vídeo é minha homenagem a uma protagonista da nossa vida, mas invisível aos olhos dos habitantes da Região Metropolitana que só vivem no futuro. Sem a Serra da Cantareira, haveria amanhã?

A velha e combalida “sustentabilidade ambiental”

Marina da Silva, ex-ministra do Meio Ambiente no Governo Lula, e detentora de 20 milhões de votos nas eleições de 2010, lançou hoje (16/02/2013), um novo partido. Ok, injustiça dizer que “ela” lançou, dado que havia muita gente em Brasília.

Não se discute o direito de quem quer que seja de criar o que quer que queira. Não vou entrar nesse mérito, a legislação de criação de partidos políticos rege-se pela Constituição. Ponto.

A plataforma básica da REDE (apelido que ela mesma criou e que permanecerá) é a sustentabilidade. Nas suas mais variadas acepções: tem espaço para qualquer um, não é do contra nem a favor, mas prevalece, pelas manifestações (e histórico) a questão da sustentabilidade ambiental.

O Faça tem por tradição não fazer política partidária e não serei eu a romper as regras. Mas… Quando a sustentabilidade se torna bandeira partidária, quero crer que caibam algumas observações.

A primeira delas, e quem tem a vontade de me ler por aqui sabe, é a de que o modelo de sustentabilidade desenvolvido e defendido nas últimas décadas do séc. XX acabou. Não se sustenta mais. Foi absorvido pelo “sistema”.

A proposta de um mundo novo ser possível naufragou na impossibilidade – muito simples – de alimentar esse “novo mundo”. Hortinhas de cebolinhas, manjerona, salsinha, etc. em casa, não irá trazer para a mesa dos famintos o feijão, o arroz, o pão, a margarina, o leite, o café,… E eis aqui a questão: as alternativas criadas pelos utópicos de 72 não passam disso: meras utopias sem olhar o horizonte…

Marina e seu partido escrevem – e assinam embaixo – que não querem doações de empresas que fabricam agrotóxicos, dentre outras. Afora a questão ideológica de ser intestinalmente contra o capitalismo que essas empresas representam, o modelo segue o padrão de sustentar uma humanidade de 50 mil habitantes e não de 10 BILHÕES como seremos em pouco tempo.

Não há, hoje, modelo de economia capaz de resolver essa questão. Mesmo os que produzem na “forma alternativa” sabem que, todos juntos, levariam algo como 500 anos – e contando com a diminuição da população – para conseguirem alimentar adequadamente a humanidade. O argumento de que o modelo atual também não consegue não procede, pois o problema não é de produção, mas de modelo de economia que privilegia a distribuição/venda. A economia é dita uma ciência, mas uma ciência que peca na principal raiz que a sustenta: a escassez.

Economistas (quase todos formados e letrados na economia defensora do lucro) defendem com unhas e dentes a máxima de que “os recursos são escassos”. A mesma economia, no entanto, criou um sistema de distribuição petróleo-baseado. Estradas para caminhões e automóveis. E uma vida plástico-baseada.

O plástico é infinito, parece! Esse “argumento” deve ter convencido Marina a aceitar como vice, em 2010, o dono da Natura que, não seria preciso dizer, EMBALA SEUS  PRODUTOS EM PLÁSTICO” e PAPELÃO (até onde sei, as embalagens não são feitas de papel reciclado).

O que a Marina quis dizer foi: acabemos com a economia capitalista que explora e destrói a natureza. Voltemos, nós os 10 bilhões de seres humanos, para as cavernas, de onde jamais deveríamos ter saído.

A Terra não é um útero, como queriam (e talvez ainda queiram) os defensores de Gaia. A Terra não é escassa e esgotável como defendem os que disso se valem para “fazer preço”.

Sobram recursos na Terra: sobra água, sobra terra, sobra comida, sobra verde, sobra tudo! Inclusive gente nas cidades!

O que falta é acabar com a hipocrisia de achar que um modelo “velho e combalido” de sustentabilidade ambiental é a solução para o Brasil.

Entre Rios: para conhecer a história do urbanismo de São Paulo

Entre Rios conta de modo rápido a história de São Paulo e como essa está totalmente ligada com seus rios. Muitas vezes no dia-a-dia frenético de quem vive São Paulo eles passam desapercebidos e só se mostram quando chove e a cidade pára. Mas não sinta vergonha se você não sabe onde encontram esses rios! Não é sua culpa! Alguns foram escondidos de nossa vista e outros vemos só de passagem, mas quando o transito pára nas marginais podemos apreciar seu fedor. É triste mas a cidade está viva e ainda pode mudar!

Você odeia a reciclagem?

Você é daquelas pessoas que odeiam reciclar? Ou que consideram ineficiente a tarefa de reciclar? Você não é o único. Muitas pessoas questionam o porquê de se fazer a sua parte, se as empresas não estão realmente se preocupando com a situação do planeta antes de seus lucros.

Você já presenciou uma fábrica de automóveis incitando as pessoas a comprar carros menores e mais econômicos? Ou uma indústria preocupada com a construção de cidades mais compactas e melhor transporte público para que as pessoas não dependam tanto do carro?

Ou companhias de petróleo dispostas a renunciar a combustíveis fósseis e apoiar iniciativas para uma economia baseada em energia solar e outras fontes limpas e renováveis de energia? Ou ainda os governos promovendo ações para corrigir o desequilíbrio de riqueza entre as nações ricas e pobres, e trabalhando sério para conter o crescimento populacional?

É, temos de concordar com tais questionamentos. Apenas a reciclagem de nossos produtos de consumo e as compras responsáveis como indivíduos não são suficientes para reduzir os danos ambientais. São necessários novos arranjos econômicos e políticos sustentáveis a fim de que a sociedade satisfaça suas necessidades em harmonia com os limites ecológicos.

Sabemos que, em geral, as questões ambientais, tais como a preocupação com os efeitos do aquecimento global, ficam em segundo plano, diante das necessidades humanas de alimento, vestimentas e bens de consumo.

No entanto, mesmo com tais disparidades entre produção e consumo, consideramos importante a preocupação com a preservação de nossos recursos naturais. Não deixar de fazer nossa parte e separar os materiais que podem ser reciclados ou reaproveitados – por nós ou por outras pessoas – é uma atitude consciente e responsável, mesmo que os grandes poluidores não cumpram seu papel eficientemente .

Continuamos acreditando que o simples ato de ter o próprio depósito para separar os materiais e encaminhá-los a quem possa reciclá-los é importante para tornar a reciclagem viável e contribuir para preservar nossos recursos. Assim, em vez de jogar fora nossos resíduos, por que não permitir que sejam reaproveitados? Ações como estas, relacionadas abaixo, são realmente desnecessárias?

  • Manter uma cesta ou caixa acessível para colocar vidros e plásticos. Leva apenas alguns segundos para jogar uma garrafa vazia, um pote de plástico ou de vidro. Basta deixar a cesta ou caixa em um armário, num canto da área de serviço, ou na garagem.
  • Utilizar sacos de papel ou caixas de supermercado para colocar papel usado. Após reutilizar os dois lados do papel para anotações e listas de compras, basta jogá-los nestes locais. Isto inclui os envelopes de lixo eletrônico, os boletos e extratos bancários e a correspondência comercial.
  • Reutilizar sacos de plástico. Os sacos limpos de embalagens de suas compras servem para guardar objetos, congelar alimentos, por exemplo. Muitos supermercados oferecer um incentivo para os clientes que trazem suas próprias sacolas. Manter alguns sacos plásticos, dentro de sua sacola retornável, no carro, para fácil acesso, é necessário e importante.
  • Separar uma gaveta ou prateleira para doações de roupas e objetos. Não jogar fora roupas ou utensílios domésticos que estão em boas condições, mas manter um local destinado para juntar ali, as peças que não aproveitamos mais. Doá-las a instituições de caridade é uma opção sustentável e solidária. Muitas instituições vão até a residência retirar estes artigos.
  • Reutilizar os recipientes de plástico para as sobras. Potes plásticos ou de vidro, de margarina, maionese e afins servem para acondicionar sobras de alimentos na geladeira ou no freezer. Os que não forem reutilizados podem ir para a caixa dos plásticos e vidros.
  • Reutilizar roupas velhas que não servem para doação. As roupas de malha e de algodão, como toalhas e camisetas são perfeitas para substituir toalhas de papel ou panos de limpeza para casa ou polimento do carro. Basta cortá-los em retângulos no tamanho desejado e guardá-los no armário ou na mala do carro.

Estes são pequenos exemplos de como eu faço para diminuir a quantidade de resíduos em meu dia a dia, que, de outra forma, iriam para um aterro ou lixão. Não é compreensível gerar tanto lixo, quando se é possível reduzi-lo, com o argumento de que os principais responsáveis pela destruição ambiental não fazem a parte deles. Concordam? Não?

Então, diga-nos por que você odeia a reciclagem. Assim, talvez, ao refletir sobre isso, todos possamos nos beneficiar com a experiência de cada um.

Imagem: depósito para reciclagem

Cansado de “Fazer a sua parte”?


Quantas vezes você, cansado dessa luta de “formiguinha” em prol do meio ambiente, sente um desânimo e se pergunta: “Mas adianta mesmo eu fazer a minha parte?”

Tem a sensação de que existe uma relação inversamente proporcional entre o seu esforço em economizar os recursos naturais e o desperdício feito pelos outros? Fica perplexo ao perceber que, quanto mais separa o seu lixo, mais lixo vê acumulado nas ruas; quanto mais se programa para usar sacolas retornáveis, mais observa pessoas usando as sacolas plásticas que os supermercados continuam a disponibilizar?

Pensa que, talvez, este seu trabalho de formiguinha não pareça o suficiente, diante de tais disparidades? Pois bem, querido leitor, temos também estas mesmas dúvidas e indignações. Porque entendemos que fazer a própria parte é usar as ferramentas que temos, seja nas redes sociais, nos blogs, nos contatos virtuais e reais, para disseminar nossas ideias com espirito revolucionário.

Se acreditamos que temos de mudar o mundo, podemos e devemos mobilizar pessoas para que também mudem suas mentes e atitudes. Queremos que este seja um espaço em que possamos levantar estas e outras inquietações.

 

Foto de Mazzali em CC

De acordo com o Pacto Global, as empresas, “por possuírem um potencial efetivo para influenciar e gerar mudança positiva, devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais; desenvolver iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental; e incentivar o desenvolvimento e difusão de tecnologias ambientalmente amigáveis.” E o que vemos: um desperdício universal que visa ao lucro e ao conforto.

Acreditamos que o futuro do planeta está intimamente ligado à investigação de maneiras de se produzir e consumir em harmonia coerente e construtiva com o meio ambiente. E, para isto, é necessário que todos se mobilizem em um esforço conjunto: governos, sociedade civil e empresas em prol da sustentabilidade, garantindo o bem-estar de gerações futuras.

Convidamos todos vocês, a usarem este espaço para a discussão acerca de nossos padrões de produção e de consumo, e sobre a necessidade de tecnologias limpas, baseadas em energias renováveis.

Se você ainda não desistiu de fazer o seu trabalho, porque é certo, é necessário, é útil, venha conosco, use a caixa de comentários e discuta sobre a importância de cada um fazer a sua parte!

Não vale por um bifinho

Recebemos no email do blog dia desses uma “sugestão” vinda de uma agência de publicidade que nos sugeria a escrever sobre uma campanha de “educação ecológica das crianças” que uma certa empresa de produtos alimentícios estava lançando. Claro, de preferência queriam que falássemos bem.
Bom, de cara, quem conhece e lê nosso blog sabe que a gente não faz post pago nem publicidade “sugerida”. Todo post que cita empresa, ONG ou o que seja está publicado porque provavelmente um ou mais participantes que aqui escrevem ou testou(aram), ou curtiu(iram), ou se inspirou(aram) ou analisou(aram) de acordo com seus parâmetros de “verdice” se valia a pena ser compartilhado neste ambiente neutro de publicidade. E se foi publicado, é porque a pessoa achou que sim, valia a pena trazer a informação, nem que seja pela discussão que poderia despertar. (E não ganhamos um tostão furado para falar de nada.) Mas.
Fato é que fiquei incomodada com o nível do greenwashing da tal empresa. Particularmente, com o alvo: as crianças.
Bacana que a empresa está dando sementes para serem plantadas no mesmo pote plástico em que vende o seu produto – o que a empresa investe na reciclagem deste plástico (e com o alumínio que cobre a embalagem) depois de consumido é uma grande charada, já que eu morei na cidade onde tal empresa tem sua principal fábrica, e nunca ouvi falar de iniciativa alguma que envolvesse reciclagem vinda da dita empresa. Talvez plantar uma sementinha (com toda a metáfora por trás dessa frase) de ecologia seja ingenuinamente educativo para as crianças e uma solução apaziguadora pro tal potinho. Parceria com uma ONG aparentemente idônea que realmente vai plantar árvores de diferentes espécies baseada em estudos científicos pode até ser uma boa idéia também. Soa bonito no papel. (E quem vai fiscalizar que será plantado mesmo?) Mas é pouco, e pior, não alinhado com outras atitudes da empresa.
O problema, como este post da Maria Re discute, é muito mais embaixo. (Aliás, a Maria Re até deu uma receita caseira de iogurte facílima, que qualquer pessoa com 2 neurônios culinários pode replicar em casa e se livrar de ficar comprando iogurte artificial no supermercado.)
Ok, a empresa vende uma ilusão alimentícia. Ao voltar seu produto para o público infantil e clamar que seu produto pode substituir uma comida de verdade (verduras, frutas, legumes, etc.), afirmação aliás que não sabemos se 100% cientificamente corroborada (por artigos idôneos, experimentos em campo neutro, etc.), a empresa aperta o botão do greenwashing. Em minha opinião, a empresa incentiva o consumo de um produto que não é a melhor opção alimentar para uma criança, mas sugere que seja, e é esta sugestão jogada no inconsciente que “pesca” o cliente que compra de verdade, os pais. Mais: ao fazer uma promoção que “educa ecologicamente” as crianças, parece dizer: “olha, além de gostoso, como somos bonzinhos, até ajudamos o ambiente”, uma mensagem que pode ter uma força muito diferente numa criança, que ainda está sendo formada nas indagações maiores deste mundo e não consegue absorver completamente os diversos lados da moeda do marketing. E claro, a campanha tenta também empurrar pra debaixo do tapete outras facetas nada digeríveis da empresa que parecem indicar seu interesse maior pelas vendas (que empresa não é…) que pela saúde real das pessoas. O fato de deter uma considerável fatia do mercado mundial de água* engarrafada também não colabora em torná-la uma empresa “verde”, pelo contrário: mostra exatamente as reais prioridades (in)sustentáveis e “ambientais” que tem com relação ao planeta, ao propagar com seu produto a cultura do descartável, do consumo plástico, do pagar mais caro por água para beber que por combustível (que requer muito mais para ser extraído, convenhamos). E lucrar com a manutenção desta cultura, claro.
O que torna a estratégia de publicidade verde da corporação para este caso específico, em minha opinião, a não valer por um bifinho. Precisa melhorar, e sementinhas para a Mata Atlântica podem até ser um bom começo, mas precisa de muito mais compromisso com o ambiente (e com o social…) para me convencer. Mas o pior é: está longe de ser a única empresa a fazer isso.
O que vocês acham?
************
*água: aquele recurso que supostamente é um direito universal humano tê-lo. Não necessariamente pagando caro para isto nem gerando tanto lixo.
**e o que me incomoda também é o “comodismo” ambiental inconscientemente gerado por uma campanha assim. “Porque eu já fiz a minha parte: comprei o iogurtinho e plantei a sementinha no potinho. Prontinho. Agora posso ir na padaria da esquina de carro comprar meu pãozinho.” Não é triste?

“Nosso planeta precisa de ajuda”

Este post foi escrito pelo Flavio Prada (que está temporariamente sem acesso ao MT)
Como bem colocou o Afonso no post anterior, nosso blog não tem como linha geral o apoio
de iniciativas comerciais. O efeito destas iniciativas quase sempre são positivos, porém
como tudo na vida, a questão tem muitos lados. Grandes empresas se empenham sempre
mais e mais a fazer o chamado greenwashing, ou seja, ações de impacto para construir
uma imagem positiva no mundo onde cresce a consciência ecológica.
A Nokia mandou o release da uma iniciativa positiva, sem dúvida. Mas talvez fosse oportuno
dizer que a industria de celulares, da qual a Nokia é um dos expoentes principais, sabe que
vende produtos sobre os quais se faz uma grande polêmica sobre a segurança do uso e por
isso faz enormes esforços para garantir uma imagem de industria “limpa” e “verde”. Isso
não quer dizer que a imagem de uma empresa ou de um produto corresponda exatamente
à verdade. Claro que a verdade é sempre distante e não existem provas seguras que o
celular induza ao câncer no cérebro por exemplo, mas também não existem provas de que
não cause a doença. Algumas evidencias porém começam a surgir.
As radiofrequências (30KHz-300MHz) e microondas (300-3000MHz) não existem na
natureza, no espectro eletromagnético terrestre. Estudos comprovam os efeitos deletérios
desses campos, tanto é que em qualquer lugar do mundo minimamente civilizado existem
leis que regulam e impedem que se construam casas próximas à estações e linhas de
transmissão de energia e antenas de rádio, incluindo às de celular. Acontece que o nível de
radiação que atinge teu cérebro (as microondas conseguem penetrar cerca de 2 ou 3 cm na
caixa craniana) é 10.000 (leu bem, dez mil) vezes maior que a radiação de quem se
encontra a menos de 30 metros de uma antena de repetição de sinal de celular. Claro que
morar embaixo da antena e usar o celular por poucos segundos tem uma diferença de
tempo de exposição enorme mas a carga que o aparelhinho joga no cérebro pode
compensar isso e causar danos. Isso porque o efeito imediato dessas ondas no cérebro é do
aumento de temperatura, tal e qual ocorre no interior do teu forno de microondas. Esse
aumento vai favorecer alterações no DNA e proteínas com enorme potencial para a
ocorrência de um câncer. E a área atingida é aquela periférica, do córtex cerebral. Algumas
pesquisas recentes evidenciam problemas de cognição e memoria logo após o uso de
telefoninho. Seria o caso de pedir as autoridades que metam nas costas dos celulares o
aviso: “O Ministério da Saúde adverte: chamadas de mais de dois minutos podem fritar teus
miolos!”
Sendo assim, diante disso as industrias tentam atualizar os aparelhos e melhorar a sua
performance para evitar problemas, mas o maior laboratório é o mercado e as cobaias
somos nós. E pagamos por isso ainda.
Faltou dizer também que existe um enorme interesse econômico por trás da reciclagem de
aparelhos. Um indireto e outro direto. Primeiro o indireto: ali dentro daquele simples
radinho existe uma infinidade de produtos tóxicos e cancerígenos que se manipulados por
mãos ingenuas podem causar muitos danos. O interesse da industria nesse caso é evitar
causas e processos que possam ferir sua imagem. Fica claro que a preocupação não é com
a saúde das pessoas, principalmente quando se analisam casos como o do Coltan.
O Coltan é o nome comercial de um composto de Niobite (columbite em inglês) e Tantalita
que se apresenta na forma de uma areia negra e é largamente utilizada na industria
eletrônica como componente que aumenta a durabilidade das baterias. 80% das reservas
desses minerais se encontram no Congo.
Nokia, Eriksson e Sony são ou eram grandes compradores desse mineral. O aumento do
interesse pelo material fez com que os preços também se elevassem enormemente. Isso
causou uma “corrida do Coltan” Como o Congo tem la seus problemas de instabilidade
politica, tudo ficou um tanto fluido e caótico (as coisas são nebulosas quando se fala dessas
coisas) e juntou-se à especulação de grupos internos a corrupção de vários níveis e os
preços andavam la pelas estrelas. Os compradores, ou seus laranjas (sempre as nebulosas
cortinas) passaram então a fomentar a produção em pequena escala e o contrabando. Para
isso se recorreu inclusive ao apoio de grupos guerrilheiros e que tais. A comunidade
internacional começou a se interessar pelo caso e as empresas começaram a se expor, mas
não muito, sabe como é. A Sony anunciou recentemente que os Playstation não contém
mais o Coltan do Congo, mas analistas especializados na área sustentam que é mentira:
impossível que se produzam dezenas de milhões de aparelhos sem recorrer ao bom e velho
contrabando Congolês. Na verdade por um tempo o aparelho da Sony sumiu do mercado
por falta de Coltan, mas por problemas ligados à guerra e não por algum tipo de consciencia
humanitària.
Poderia se acrescentar que o Coltan é um material que contém uma bela porção de urânio
na sua composição e por isso, radiativo. Se não bastasse a emissão de microondas, os
brinquedinhos vem com essa areiazinha mágica. Vamos dizer que seja seguro para quem
usa o celular, o que é sempre a se comprovar, mas o problema imediato é o dos pobres
mineradores artesanais congoleses que extraem o material com mãos nuas e sabe, mãos
nuas e urânio não vão sempre de acordo…
Seria interessante saber o que a Nokia tem como programa ecológico para o Congo e seus
habitantes e onde ela compra seu Coltan.
Caso do destino, leio que recentemente descobriram enormes reservas de Coltan no Brasil.
Onde poderia ser? Amazônia, claro. E viva! Vamos botar esses congoleses no chinelo!! Deus
é mesmo brasileiro.
Finalizando, faltou também dizer que o interesse direto que as industrias tem na reciclagem
é que a e-waste é um enorme business. Os aparelhos depois de bem moídos, restituem
vários metais preciosos, tais como ouro, platina, prata e cobre. Isso vale dinheiro, pra quem
não sabe. Como é? Eles estão preocupados só com o planeta? Ahh…
Concluindo, o melhor a se fazer no caso dos celulares é
1_ Não acreditar no conto da carochinha das industrias
2_ Usar o celular com o viva voz ou fones e o minimo tempo possível.
3_ Pensar: o celular é mesmo indispensável à vida?
4_ Organizar ou fazer pressão em modo que a reciclagem seja uma atividade promovida
pelo estado, que pode revender os materiais e investir na segurança dos trabalhadores. Por
exemplo daqueles que se empenharão na extração de Niobite e Tantalita na Amazônia.
5_ Fazer o possível para que a Niobite e a Tantalita amazônica fique repousando em paz
como tem feito nos últimos 150 milhões de anos.

Web verde especial: sacolas plásticas

Eis que a indústria do plástico parece ter começado a sentir o impacto das campanhas contra as controversas sacolinhas plásticas. Também não é pra menos. Aí investiram pesado no contra-ataque: campanha na TV, site especial, campanha em jornais e revistas de grande circulação: tudo para convencer o público de que as sacolinhas plásticas não são o problema, mas a solução. Podem até dizer que basta o uso responsável, mas quantas pessoas de fato pegam só a quantidade necessária? Eu já fiz uma pesquisa informal, perguntando a vizinhas e amigas: mas você usa mesmo todas as sacolas que pega? A resposta é sempre não. E, na melhor das hipóteses, as sacolinhas não utilizadas para embalar o lixo vão para a coleta seletiva, que todos nós sabemos que está longe de ser eficiente. Agora parece que deram carta branca para o povo pegar quantas quiser, afinal elas são tão úteis! Sim, o plástico tem muitas utilidades, mas sacolinhas plásticas talvez sejam a menos nobre delas.
Você engoliu esse circo todo? Nem eu.
Alô, alô, W/, Brasil, Plastivida! Reciclem suas idéias. Está na hora de ações de verdade, de campanhas que tragam mudanças reais, as mudanças necessárias para um futuro decente. Dizer que sacolinhas são muito úteis é uma pouca vergonha. Vamos apresentar soluções, vamos investir em algo que traga benefícios de verdade. Está na hora da indústria acordar e repensar seus processos.
E tem mais gente que não engoliu. Para saber mais, siga os links abaixo:
Em prol das sacolas plásticas? Nem pensar!
Vamos acabar com as sacolinhas plásticas
Dicas práticas para se livrar das sacolinhas plásticas
Sacolinhas plásticas na publicidade
Sobre sacolinhas plásticas e cyberativismo
Sacola, não obrigada!
Só carrega sacola plástica quem quer