Stern para as massas


Tá rolando agora, ao vivo, no site do programa Roda Viva, a entrevista com o economista inglês Nicholas Stern autor do relatório Stern que avalia o impacto das mudanças climáticas na economia mundial. Dá pra mandar perguntas e tudo. Eles estão gravando provavelmente para passar na próxima segunda-feira na TV Cultura.
ATUALIZANDO: Acabou a transmissão ao vivo… mas o site tá lá, com imagens feitas in loco, de bastidores, e mais os desenhos do Chico Caruso. Além dos comentários da galera que participou.
O Stern estará amanhã também num seminário promovido pela Fiesp sobre economia de baixo-carbono (ou seja, livre de fontes poluentes de energia) e hoje ele publicou um artigo na Folha de São Paulo, Caminho Verde ao Crescimento.
E por fim tem uma longa entrevista (devidamente picotada em séries de vídeos de no máximo 3 min, divididas por temas) com o economista no Youtube, gravado pelo pessoal que o trouxe ao Brasil.
Um trecho do artigo:

Os países desenvolvidos precisam ser capazes de mostrar ao mundo em desenvolvimento que o crescimento econômico com baixa emissão de carbono é possível, que os fluxos financeiros aos países em desenvolvimento podem ser substanciais e que as tecnologias de baixo carbono serão economicamente viáveis, disponíveis e compartilhadas.

O lado bom da crise

Esta semana foi pra lá de corrida pra mim no Greenpeace, por conta de uma coletiva que ajudei a organizar para divulgar o relatório Ciclo do Perigo, sobre os impactos da produção do combustível nuclear no Brasil. Mas valeu à pena: o evento rolou hoje e foi um sucesso, com ampla divulgação.
O relatório trouxe uma denúncia de contaminação da água potável de Caetité, no sertão baiano, por urânio, minério que é extraído da região pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Os casos de câncer e outras doenças são altíssimos por lá e a empresa diz que tá tudo bem (novidade…). O caso ganha ainda mais importância se levarmos em conta que o governo Lula pretende ampliar o programa nuclear brasileiro, construindo não só Angra 3 mas também outras dezenas de usinas pelo país, o que ampliaria a mineração de urânio no país – principalmente no interior da Bahia e no Ceará.
A denúncia do Greenpeace mostra que a energia nuclear é suja do início (mineração de urânio) ao fim (lixo nuclear), e que os defensores dessa tecnologia não estão nem aí para o bem-estar das pessoas e do meio ambiente.
Mas se o bom-senso não tem força para interromper essa loucura nuclear, a crise financeira provavelmente terá. Os sinais de que o tal renascimento da indústria nuclear em todo o mundo não passa de um grande esforço de marketing são cada vez mais evidentes. A própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já admite isso. Semana passada, um economista da instituição aconselhou o governo do Quênia a estudar melhor as necessidades energéticas de longo prazo do país antes de construir usinas nucleares, afirmando que poderá “encontrar muitos problemas em financiar uma planta nuclear devido às delicadas condições financeiras internacionais”.
Já o secretário de Energia dos Estados Unidos, Samuel Bodman afirmou durante visita à França que a crise financeira global pode ter impacto no tal “renascimento nuclear”. Segundo ele, projetos de longo prazo como a construção de usinas atômicas “são aqueles que serão os mais difíceis de financiar”.
Para entender porque a energia nuclear não é solução para as necessidades energéticas do mundo, ainda mais agora em tempos de recessão mundial, sugiro a leitura do artigo Nuclear isn’t necessary (Nuclear não é necessário), de Arjun Makhijani, presidente do Instituto para Pesquisa em Energia e Meio Ambiente, publicado no início de outubro no site da Nature. Makhijani é também autor do livro Carbon-Free and Nuclea-Free: A Roadmap for US Energy Policy (Sem Carbono e Sem Nuclear: um Mapa do Caminho para a Política Energética Americana).
A hora de pressionar políticos e empresas é agora! O dinheiro vai ficar cada vez mais curto e desperdiçá-lo em projetos que nada contribuem para o nosso desenvolvimento sustentável não é admissível.

Lobo mau anuncia cenário de pesadelo para o Brasil


Talvez inebriado com a alta popularidade de seu chefe, que pode garantir o sucesso de qualquer empreitada – por mais absurda que seja -,o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, revelou hoje em visita à Central Nuclear de Angra, no Rio, que o governo tem planos de nos transformar definitivamente num país nuclear. Segundo Lobão, há planos de se construir 50 usinas no Brasil nos próximos 50 anos. São 50 x R$ 8 bi (preço estimado de Angra 3), o que dá R$ 400 bilhões numa fonte de energia que nos trará mais problemas do que soluções. E pior: Lobão afirmou com todas as letras que questões ambientais não terão a menor influência na decisão:

Não há hipótese de a construção ser embaraçada por exigências ambientais. Ao todo, são 60 condições (para Angra 3). A última exigência será atendida depois. As que não foram feitas serão sanadas posteriormente.

Ou seja: não importa que não há solução definitiva para o lixo radioativo, que a mineração do urânio cause tantos problemas ambientais e de saúde, que as usinas são caras e entupidas de subsídios, que a aposta nuclear atrasa o nosso avanço em tecnologias mais modernas, eficientes e limpas (eólica, geotérmica, solar, marés). Qualquer problema pode ser sanado posteriormente. É assustador a falta de responsabilidade ambiental de nossas autoridades públicas.

Uma bola de energia


Imagem: daqui

A Energy Ball é uma turbina eólica que gera energia para
residências fabricada pela empresa sueca Home Energy. O link é
em sueco. Quando a energia gira a turbina, cria um rotação de forma esférica. O vento sopra através do rotor, ao longo do eixo, ao
contrário das convencionais hélices de turbina. Este fenômeno, conhecido como o Venturieffekten, significa maior eficiência
aerodinâmica do que aquilo que pode ser conseguido com os convencionais moinhos.

A Luma, que me enviou a dica, acha (e eu também) bastante
interessante cada residência ter a sua turbina. Já imaginou? Chique e ecologicamente correto.

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Eu só quero saber do que pode dar certo

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Coming soon… from Greenpeace on Vimeo.

O Rainbow Warrior vai navegar entre setembro e dezembro deste ano pelo Mar Mediterrâneo em campanha contra a queima de carvão para a produção de energia. A ele se juntará o Artic Sunrise, outro barco do Greenpeace. O carvão é a principal fonte de energia da Europa e responsável direto pelo aquecimento global. A expedição tem como objetivo fazer campanha para que o mundo deixe de usar essa fonte energética altamente poluidora e invista na Revolução Energética que tem como base soluções mais baratas e limpas como eólica, geotérmica e solar, entre outras.

Por falar em geotermia, o pessoal do Google pretende investir US$ 10 milhões para produzir esse tipo de energia. Na página da divisão filantrópica do grupo, o Google.org, há detalhes do projeto, que tem enorme potencial. Na Islândia, por exemplo, a energia geotérmica garante 30% da eletricidade do país e 90% do aquecimento das casas e da água das residências.

Ok, a Islândia é um país micro com demanda por energia infinitamente menor do que os Estados Unidos ou Brasil, mas a geotermia tem potencial para providenciar eletricidade 24 horas por dia, sete dias por semana, a um preço mais baixo do que o do carvão – e sem os problemas ambientais deste. E está disponível em praticamente todas as regiões do planeta. Saca só o tamanho do recurso geotérmico disponível nos Estados Unidos.

Contra o caos, inteligência verde


Demorou mas Rex Weyler enfim atualizou sua série sobre as origens do ativismo, ambientalismo e do Greenpeace, publicando dois novos textos no site do grupo. E que textos!!
Estamos no limiar de grandes mudanças de paradigmas de desenvolvimento e sociais, e o que Rex faz com propriedade é nos alertar para estarmos preparados. Ou nos mexemos agora, priorizando a sustentabilidade, o consumo responsável e o respeito ao meio ambiente, ou vai ser um baita barata-voa no meio do caos.
O primeiro texto, O Fim do Preço (aqui a íntegra, em inglês), começa assim, numa tradução livre minha:

Nos anos 80, pescadores capturaram a última beluga no Mar de Azov, fonte do valioso caviar, e o peixe selvagem do Mar Cáspio fracassou em se reproduzir. A captura desse tipo de peixe despencou em 95% e o custo do caviar disparou. Tal crescimento extraordinário no preço é conhecido como ‘hiperinflação’, ou como o economista Eric Sprott diz, “a síndrome do caviar”.
Isso pode soar trivial, mas a hiperinflação se torna crítica quando se trata de commodities como óleo, gás, cobre, zinco, água ou madeira, todas elas cada vez mais raras em escala global. A civilização industrial já prospectou o melhor e mais acessível desses recursos. Belugas podem se recuperar se deixarmos elas em paz, mas cobre e óleo não se reproduzem.
Conforme a humanidade vasculha as regiões mais inóspitas do planeta por recursos, entramos em um novo período histório em que algumas commodities vitais não mais terão seu tradicional preço de mercado ligado à demanda, mas sim ao custo do acesso a elas.

Vale ressaltar um outro trecho do primeiro texto:

Os custos ambientais e sociais de se fazer negócios nunca aparecem nos orçamentos operacionais de empresas bilionárias. Dinheiro público e lagos tóxicos não aparecem nos balanços financeiros. Por que? Porque não seria rentável. Investimentos do setor público e da natureza não ganham opções de ações, apesar dos magos do mercado livre precisem desses investimentos para evitar o choque contra a parede. A estratégia do mercado livre para evitar o muro é: socializar os custos, privatizar os lucros.

E para garantir os recursos necessários para a vida perdulária que vivemos hoje, os países estão dispostos a partir pra porrada. Ou, segundo as palavras de Zhng Wenmu, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, citado por Weyler, “uma grande potência é aquela que controla mais recursos e nunca houve um caso na história onde isso é obtido por meio da paz.”
E conclui:

Vemos agora que nossas economias galopantes dependem de dívidas enormes, guerra, abuso, desperdício. Os rios morrem, espécies são extintas, florestas desaparecem, desertos crescem e pessoas sofrem. Esse estado das coisas sinaliza uma disfunção social em escala global. O mundo industria revela um comportamento sociopata e ‘ecopata’. Cidadãos inocentes às vezes parecem traumatizados, mesmo quando fazem o seu melhor para permanecerem otimistas e aplicam soluções criativas.
Daly, Henderson, Ayers, Mark Anielski, Nicholas Stern e muitos outros economistas descreveram teorias econômicas mais acuradas que reconhece o valor natural e a autêntica qualidade de vida. O que a sociedade tem que aprender é:
A ecologia é a economia.
Tudo que usamos, toda inovação tecnológica, todo empreendimento humano ou simples prazer depende do planeta. Economistas ignoram a ecologia, para o nosso perigo. O fim do preço convencional coloca a ecologia e a natureza em perspectiva apropriada: não tem preço.

No texto mais recente, Pico do Petróleo Muda Tudo (aqui a íntegra, em inglês), Rex discorre sobre as mudanças que teremos na moderna sociedade de consumo devido aos custos cada vez mais altos dos recursos naturais e energéticos (petróleo, por exemplo) necessários para prover economias em desenvolvimento como Brasil, China e Índia.
Ou nas palavras dele:
Pico do óleo não é uma teoria, mas uma simples observação de uma ocorrência comum natural. Pico do óleo é apenas um sintoma de um crescimento populacional exponencial, com demandas exponencialmente crescentes, alcançando os limites mundiais de todos os recursos.
“O pico do óleo tem sido uma realidade há tempos para a indústria do petróleo”, afirma Anita M. Burke, ex-consultora da Shell sobre Mudanças Climáticas e Sustentabilidade. Em 2007, Dr. James Schlesinger, ex-secretário americano de Defesa e Energia, afirmou: “Se você conversa com os líderes da indústria, eles admitem… estamos enfrentando um declínio dos combustíveis líquidos. A batalha terminou.”
E o que vem por aí?
A era pós-pico do óleo vai requerer novos padrões de desenvolvimento humano e estratégias que se alinhem aos limites do crescimento. A humanidade não tem novos continentes para explorar ou planetas para ocupar. Nações industriais podem perfurar o Ártico e cavar em areias sujas de alcatrão, mas nada disso vai aumentar ou mesmo equiparar a abundância passada de combustível líquido barato que já consumimos. No entanto, o atual momento em que a produção de óleo chega a um teto é menos relevante do que nossa preparação para o impacto…
… Nossas economias foram construídas com óleo barato. Desenvolvimento mal planejado deixou para trás florestas arrasadas, lagos tóxicos, erosão do solo, espécies perdidas para sempre, ar poluído, rios mortos, aquíferos contaminados e desertos em expansão.
A solução? Algumas dicas:
Relocalizar: Pensar globalmente, consumir localmente. Se vai estudar finanças internacionais, talvez seja interessante fazer alguns cursos de permacultura também.
Preservar fazendas: Cidades dependem da produção de alimentos e por isso é uma boa idéia ter fazendas por perto. Canberra, capital australiana é assim: fazendas ficam entre os bairros! Alguns parques também.
Mudança no padrão da comunidade: Toda distribuição da atividade pública, espaço público e áreas residênciais devem ser adaptadas para o uso de menos combustível e consumo de recursos.
Espaços urbanos verdes e produtivos: Mais áreas verdes, mais transporte público, mais ciclovias.
Viva o transporte público: Automóvel só para o essencial. Mesmo. Para muitas coisas, é melhor andar, ir de bicicleta, pegar um ônibus ou trem. Cidades inteligentes têm que ser planejadas para evitar ao máximo o deslocamento motorizado.
100% de reciclagem: A natureza recicla tudo. Nós também podemos. É possível viver num mundo sem lixo. Experiências nesse sentido já podem ser vistas no Japão e na Escócia, por exemplo.

Como parar de se preocupar e passar a amar a bomba

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Na foto: Lula, Minc e Gabeira em protesto contra Angra 3 realizado em 1989. Bons tempos em que esse pessoal tava do lado verde da força.
O Ibama concedeu quarta-feira o licenciamento ambiental prévio à usina nuclear Angra 3, não sem antes condicionar a obra a 65 exigências – de cuidar de parques a obras de saneamento básico e solução definitiva para o armazenamento do lixo nuclear. Dá pra se ter uma idéia do pepino ambiental que Angra 3 representa só pela gigantesca lista de compensações ambientais. Mesmo que todas sejam atendidas – e não serão -, nada justifica a construção da usina.
Energeticamente o Brasil tem imenso potencial hídrico, solar e eólico a ser explorado. Só os ventos do Nordeste oferecem 75 gigawatts de energia ao país. O que me leva a fazer uma continha básica: levando-se em conta que Angra 3 tem potencial para 1.350 megawatts (1 gigawatt = 1.000 megawatts, só pra constar) e custo estimado de R$ 8 bilhões para ser construída, seriam necessárias 56 usinas iguais à ela, ao incrível preço de R$ 450 bilhões, para gerar esse mesmo total de energia com reatores nucleares. E ainda têm a cara-de-pau de dizer que as fontes renováveis de energia são caras…
E nessa conta aí não estou incluido o alto custo de descomissionamento das usinas nucleares, ou seja, o dinheiro que se gasta para desligar, desmontar e descontaminar as usinas e seus equipamentos ao final de sua vida útil, que é em média de 50 anos (aqui e em todo o mundo), além de armazenar adequadamente o lixo nuclear de baixa, média e alta radioatividade – o que nenhum país do mundo ainda conseguir saber como fazer. Estima-se que na França, país tido como modelo para os defensores da energia nuclear, esse custo possa chegar a US$ 90 bilhões!
Existem hoje no planeta 440 usinas nuclears, boa parte nos EUA e França. Dezenas delas serão fechadas em no máximo 10 anos. Dá pra se ter uma idéia do que isso vai custar, não? E, pasmén: esse dinheirama toda nunca é incluída na conta do que se gasta numa usina nuclear. E sabe quem paga a conta? eu, vc, todo mundo, porque a indústria nuclear é subsidiada pelos governos.
É aí que entra o X da questão: por que os governos subsidiam tanto a indústria nuclear, que é cara pra cacete e altamente perigosa? Por questões militares. A mesma tecnologia nuclear que gera energia, gera a bomba. Países que mais têm usinas são também os que mais investem em arsenal atômico – França, EUA, Rússia. No Brasil, o setor nuclear também está intimamente ligado aos militares. O presidente da Eletronuclear é o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, aquele mesmo que tocava um programa nuclear militar paralelo na década de 1990 e queria testar um artefato nuclear na Serra do Cachimbo, no Pará.
Aí vem o outro e diz: “Ah, mas seria preciso rasgar a Constituição brasileira para o Brasil desenvolver armas nucleares, porque a Carta Magna diz que o programa nuclear brasileiro tem que ser pacífico.” Ora, não é preciso rasgar a Constituição, basta reformá-la, como tantas vezes se fez. E há gente da pesada que defende não só isso como também a saída do Brasil do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, como fizeram a Índia e o Paquistão, por exemplo. Gente como o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Benedito Leonel, e o secretário-geral do Itamaray, Samuel Pinheiro Guimarães.
Em seu livro Desafios do Brasil na Era dos Gigantes (editora Contraponto, 2006), o embaixador Guimarães é claro: “A nação deveria se engajar na eliminação da vulnerabilidade militar que decorre da adesão do Brasil, em situação de inferioridade, a acordos de não-proliferação de armas de destruição em massa.”
E teria o Brasil razões para tamanha loucura? Geopoliticamente, sim. O país anunciou recentemente a descoberta de mega-campos de petróleo e, na seqüência, os Estados Unidos anunciaram a recriação da Quarta Frota Naval, para atuar no Atlântico Sul. Uma coisa puxa a outra e há setores militares no Brasil considerando que o país tem que estar pronto para o que der e vier. Lá vem bomba.

O verde de Obama e de McCain

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Estamos na reta final das eleições americanas e o mundo está atento ao que os dois candidatos têm proposto para o meio ambiente. Afinal, os EUA são o maior poluidor do planeta e passaram os oito anos da administração Bush ignorando os apelos mundiais por respostas diretas ao desafio das mudanças climáticas. Mas vendo as propostas dos dois candidatos, está claro que isso deve mudar.
O que diz Barak Obama?

Seu plano está totalmente focado no estabelecimento de metas. Quer redução de 10% nas emissões de CO2 dos veículos até 2020 e mais 1% por ano a partir daí. Todas as empresas terão que comprar permissões de CO2, para levantar recursos a serem investidos em energia limpa. Prevê a redução das emissões de CO2 do país em 80% até 2050 (que é a mesma posição dos cientistas do IPCC da ONU). As empresas terão também que usar 25% de energia renovável (solar, eólica e geotérmica, entre outras) até 2025, prevendo investimento de US$ 150 bilhões por parte do governo nos próximos 10 anos nessa área (Al Gore acha que dá pra ser mais ambicioso).

E McCain?

Evita falar em metas e muito menos em novas taxas para empresas, deixando praticamente tudo nas mãos do mercado. Em vez de impôr mudanças aos fabricantes de carros e produtores de energia, propõe redução de taxas para consumidores de carros com baixa emissão de CO2 e pretende oferecer um prêmio de US$ 300 milhõespara quem inventar a bateria de carro do futuro, que não polua. Não cita, em seu programa de governo, qualquer incentivo às energias renováveis. Mas aposta na icógnita do carvão limpo e adora nuclear: quer mais subsídios a essa indústria, propondo a construção de 45 novas usinas até 2030.

As cartas estão na mesa.

O G8 se reúne e… nada


Os banbanbãs do mundo se reuniram no Japão para discutir mudanças climáticas, crise alimentar e comércio mundial, e mais uma vez decepcionaram.
Disseram que topam reduzir 50% de suas emissões de CO2, mas só em 2050 e sem abrir mão de termelétricas a carvão! Ainda tentaram desfibrilar a cadavérica agenda nuclear, num claro deboche aos anseios do planeta por um desenvolvimento sustentável e baseado em fontes renováveis de energia.

No quesito agricultura, insistem no sistema industrial, que serviu a um propósito no século passado, mas a um custo muito alto – poluição do solo e dos rios, uso excessivo de produtos tóxicos, concentração da produção e distribuição de alimentos. O que mais espanta é que o discurso do G8 no Japão ignora solenemente a avaliação feita por especialistas reunidos pela ONU na África do Sul no início deste ano, de que a agricultura industrial faliu, está num beco sem saída, e não é a solução para a crise de alimentos.

Veja o agronegócio brasileiro. É praticamente todo voltado à exportação de grãos, para alimentar animais lá fora, que são consumidos por uma ínfima parte da humanidade. O que sustenta a barriga do brasileiro é a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos do país. E o relatório produzido pela reunião da ONU (uma espécie de IPCC da agricultura) aponta justamente essa agricultura familiar – e a agroecológica e orgânica – como solução para produzir mais e melhores alimentos.

Mas o que esperar de gente como Bush ou Berlusconi? O primeiro, aliás, é um dos principais responsáveis por toda essa crise alimentar, com suas guerras, incentivos à indústria do petróleo e à insana produção de etanol com milho e quetais – até o Banco Mundial atestou, em relatório sigiloso, que esse tipo de biocombustível é responsável direto pelo aumento nos preços dos alimentos. Se não fosse pelo jornal The Guardian, o documento não sairia da gaveta… A ONU já tinha avisado em maio sobre a possibilidade do caos acontecer e titio Fidel também (aliás foi o primeirão).

Em suma: no que depender desses caras do G8, o status quo do desenvolvimento mundial continuará o mesmo. Pelo menos nas próximas décadas. Mas a gente é chato pacas e vamos continuar na cola. Eles podem enganar muitos durante muito tempo, mas não todos por todo o tempo.

Painel solar com adesivo

A Luma me enviou esta dica, bem interessante:
Os painéis solares são uma excelente invenção, pois permitem a captação da luz solar para produzir a energia elétrica.
Agora vejam isso: os painéis solares Lumeta PowerPly 380 , apresentam uma
inovação: evitam as perfurações no telhado, bem como a necessidade de montagem das estruturas, reduzindo, desta maneira, os custos de
instalação. É que eles possuem um adesivo Teflon, permitindo que seja instalado sem reforço e com muita rapidez. É possível, sim, usar a
tecnologia a favor da preservação ambiental.

Veja o vídeo da instalação do painel solar:

Imagem: Painéis Lumeta PowerPly

Vídeo: Yotube