Meio ambiente no Brasil: a pauta política esquecida

cop20

Em dezembro teremos a 20º Conferência das Partes (COP20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), em Lima/Peru.

Dos protocolos resultantes da CQNUMC, o mais conhecido  – e também o menos cumprido, é o Protocolo de Kyoto sobre redução dos gases de efeito estufa (GEE).

Diversos temas serão tratados:

A importância da conferência de Lima é colocar as questões na mesa para a conferência climática de 2015 em Paris”, que deve terminar com um acordo final, declarou Anne Larson, cientista do Centro Internacional de Pesquisas Florestais (CIFOR). Essas questões incluem direitos da terra para comunidades florestais e povos indígenas, ligações entre florestas e agricultura, e avanço no progresso feito na conferência climática de 2013 em Varsóvia sobre a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+)” (Fonte: Instituto Carbono Brasil)

Apesar de estarmos em fase pré-campanha eleitoral, vislumbra-se que o tema ambiental não deverá ser mais do que alguns parágrafos padrão nos programas dos candidatos e partidos. Até mesmo pela característica peculiar das eleições em 2014, que apresenta um quadro de possível reeleição da atual presidenta, o que fará completar um período de 16 anos de uma política no poder, com a consequente “batalha” do polo oposicionista para impedir a hipótese.

Teremos, ao que tudo indica, duas pautas apenas: a política e a social, por um lado, e a política e a econômica, por outro. Em ambos os casos, questões como as apontadas “direitos da terra para comunidades florestais e povos indígenas, ligações entre florestas e agricultura, REDD+ passarão batidas nos palanques, assim como muitas outras questões importantes, como a mobilidade urbana, questão central, hoje, nas grandes cidades que viram, em função de um modelo (política) de desenvolvimento adotado, suas ruas entupidas de automóveis poluidores.

Mais uma vez perderemos a oportunidade; mais uma vez a pauta do modelo de desenvolvimento fica para um plano que, sabemos, sempre será o último.

É nosso dever trazer ao debate político essa pauta esquecida! E assim faremo aqui no Faça a sua parte!

Como destruir vários ambientes com espécies invasoras

IMG_1848-1024x576Duas ideias de jerico. Na realidade, três se formos falar sobre as ovelhas, mas esta fica para outro post. Quem visita o Parque Nacional da Terra do Fogo, em Ushuaia, Argentina, pode observar o trabalho de castores canadenses fazendo suas represas. Sim, esses bichos são geniais, derrubam árvores para conter água. Acontece que, como deve ter reparado, eles são canadenses! E o que fazem do lado oposto do continente? E por que as lebres-europeias, provenientes do outro lado do Atlântico, também podem ser vistas ao lado deles no Fim do Mundo?

Bem, resumindo a história que você pode saber mais aqui, os castores foram introduzidos na região em 1946 pela indústria da pele. Sem predadores naturais, os 25 pares se transformaram em 100 mil indivíduos! Um problema para a bicharada local, que tem que competir por espaço e comida com eles, e para as árvores. Estas são derrubadas sem tempo de recomporem bosques, agora, no chão. Quer dizer, na água.

Por sua vez, as lebres-europeias foram colocadas na Patagônia para serem caçadas pelos homens. Isso mesmo, como um instrumento esportivo. Mas elas foram longe… Atualmente, podem ser encontradas aqui no estado de São Paulo comendo plantações! O caso da lebre-europeia é tão sério, que ela está causando a extinção da lebre-da-patagôniaEsta é rara de ser observada. Agora, a outra, eu mesma vi do ônibus dentro do Parque Nacional Los Glaciares, onde está o famoso glaciar Perito Moreno (Argentina). Aliás, há alguns anos, creio que foi ela que observei no Paraná. Para você ver como a ação humana sobre os animais pode causar um estrago continental.

Obs.: Estou fazendo uma série de posts sobre o meio ambiente e a ciência relacionados à Patagônia. Se pretende viajar para lá ou quer saber um pouco mais sobre o nosso continente, eis a chance!

Serra da Cantareira: aquela que São Paulo não vê

VEJA O VÍDEO AQUI.

“Quem casa, quer casa.” Estávamos, o marido e eu, à procura de um imóvel para morar. Selecionamos bairros pelos quais simpatizávamos mais próximos ao comércio, com facilidade de transporte público e, acima de tudo, que evitasse grande deslocamento ao trabalho – este é um sonho para quem vive em uma cidade com 11 milhões de habitantes como São Paulo. Depois de literalmente rodarmos a cidade, optamos pela Zona Oeste.

Apesar de toda essa preocupação em facilitar o cotidiano, após fechado o apê, o que me fez apaixonar por ele foi a vista: “Dá para ver a Serra da Cantareira”! Eu não acreditava que essas montanhas destacadas apenas em mapas geográficos do colégio – ou de aviação – pudessem estar tão pertinho de mim. Ironicamente, quem me apresentou para valer a “Serra” foi o meu marido enquanto namorávamos – e nem imaginávamos que iríamos nos casar e, muito menos, morarmos em frente a ela. Ele me mostrou que há um parque visitável incrível chamado (adivinhe): Parque Estadual da Cantareira. Do alto da sua Pedra Grande, dá para ver São Paulo quase inteira. Uma floresta de concreto.

Todo dia, assim que acordo e quando chego em casa, a primeira coisa que faço é abrir as cortinas da minha casa para o mundo. Respiro fundo com a Serra no horizonte. Se está sol e tempo limpo, dá para observar cada frondosa árvore. Nos dias nublados, parece que a Serra é feita de algodão pintado com diferentes tons de verdes e até azulados. Percebi que pode chover na Zona Norte, enquanto na Zona Sul o céu está limpo, porque as nuvens se acumulam sobre o acidente geográfico. E que chuva boa. Ela ajuda a abastecer a Cantareira, que justamente recebeu esse nome em alusão aos cântaros levados com água do local pelos tropeiros em viagem lá pelo século XVI.

Ignorada pela floresta de concreto, a Serra da Cantareira continua até hoje fornecendo água aos sedentos pelo “desenvolvimento”. Abro a torneira e sei que esse líquido cristalino é um presente da serra que abraça a cidade. Daquela que está atrás de mim enquanto lavo a louça, zelando por nossa saúde. O vídeo é minha homenagem a uma protagonista da nossa vida, mas invisível aos olhos dos habitantes da Região Metropolitana que só vivem no futuro. Sem a Serra da Cantareira, haveria amanhã?

O que será das nossas florestas?

Na verdade, nem sei como começar este post. Não sei o que colocar no início, no meio, no fim. O futuro que se desenha me parece pouco promissor – assustador, pra falar a verdade.

A pergunta do título talvez devesse ser “o que será de nós?” Porque dependemos das florestas para ter qualidade de vida. O que acontece lá talvez pareça estar longe, mas nos afeta de maneira vital. E o Senado, que poderia consertar o estrago feito na Câmara em maio, parece que segue pelo mesmo caminho. Corremos o risco de acabar tendo um código Frankenstein.

Apesar dos alertas de especialistas e dos apelos da sociedade civil, as alterações necessárias parecem não convencer os relatores. No próximo dia 8 (terça-feira), o relatório do Senador Luiz Henrique será votado pelas comissões de Ciência e Tecnologia e de Agricultura.

Precisamos muito cobrar uma postura ética e responsável dos nossos representantes. O assunto é de extrema importância, e afeta nossas vidas de maneira significativa. Não podemos fingir que não é problema nosso.

Há muito material disponível na internet sobre o assunto, mas acho que o movimento #florestafazadiferença esclarece muita coisa. Acesse, informe-se e descubra o que pode fazer para que o pessoal de Brasília nos dê ouvidos.

Imagem daqui

2011: Ano Internacional das Florestas

A ONU declarou 2011 como Ano Internacional das Florestas.

Para um país que votará seu novo e polêmico Código Florestal, além de muitos outros projetos na área ambiental, o ano de 2011 será muito importante.

Um documento da UNESCO define as ações relevantes:

O Ano Internacional das Florestas – 2011 oferece uma oportunidade única de fomentar a consciência pública para os problemas que afetam grande parte das florestas do mundo e as pessoas que delas dependem. Já existem boas informações sobre experiências positivas e valiosas para promover uma gestão florestal sustentável. A celebração do Ano Internacional é um meio para se unir esforços, encoranjando, desta forma, a participação de todos os povos para o Setor Florestal. Para facilitar a realização dos objetivos deste Ano Intenacional, o secretariado do “Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas” propõe as seguintes atividades difusoras:

a) Logotipo do Ano Internacional das Florestas – 2011:
O logotipo oficial do Ano Internacional das Florestas foi idealizado por designers gráficos e desenvolvido em colaboração com o Departamento de Informação Pública da Secretaria Geral. Recebeu aprovação do Conselho de Publicações das Nações Unidas em 09 de julho deste ano em curso, tendo sido apresentado publicamente em todos os idiomas oficiais da Organização, a 19 de julho de 2010.
– O logotipo do Ano Internacional das Florestas – 2011 tem como tema “Florestas para o povo”, exaltando o papel fundamental das pessoas na gestão, conservação e exploração sustentável das florestas do mundo. Os elementos iconográficos do desenho representam alguns dos numerosos valores das florestas e neste contexto, fazem um apelo para urgentes mudanças que se fazem indispensáveis.
Florestas fornecem abrigo para as pessoas e um habitat para diversidade biológica, são uma fonte de alimentos, medicamentos e água potável e desempenham um papel vital na estabilização do clima e do meio ambiente mundial. A união de todos esses elementos reforçam a idéia de que as florestas são vitais para a sobrevivência e o bem estar das sete milhões de pessoas que povoam nosso planeta.

b) O site do Ano Internacional das Florestas – 2011:

“A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” está construindo um site para fornecer uma plataforma on-line a todas as informações relativas ao Ano. Este site contará com ferramentas interativas audiovisuais, linha para promover o envio de opiniões e diálogo, além de vir a oferecer um calendário de iniciativas nacionais, regionais e internacionais relacionadas com o Ano Internacional das Florestas. Recursos eletrônicos, materiais diversos de promoção do Ano, assim como fotografias, vídeos, áudio e PowerPoint estarão disponibilizaidos. A elaboração do site inclui a criação de um portal dedicado a matérias e notícias relacionadas às florestas de todos os quadrantes do globo terrestre.

c) Porta-vozes ou mensageiros das florestas:

O secretariado do “Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” está selecionando pessoas que ocupem lugares de liderança nas comunidades para atrair a atenção da mídia, dando maior visibilidade à causa das florestas, sensibilizando para aumentar o apoio da população a essa causa.

d) Coleção de selos sobre o Ano Internacional das Florestas – 2011:

A Administração Postal das Nações Unidas está desenvolvendo uma coleção de selos comemorativos para colaborar com a “Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas”. Esta coleção será apresentada na inauguração oficial do Ano Internacional das Florestas, nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2011, em Nova Iorque. Toda a belíssima coleção de selos está sendo confeccionada nas oficinas da ONU de Genebra e Viena.

e) Concursos Artísticos, Cinematográficos e de Fotografia:

“A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” prevê a organização de eventos on-line para homenagear aqueles que expressem através das artes plásticas, fotografias, filmes e curtas-metragens a idéia de que as florestas são para o povo,. A Secretaria colabora atualmente com museus, cineastas especializados em meio-ambiente, representantes dos meios de difusão e organizações que se preocupam com as florestas, para organizar um grandioso concurso mundial, do qual participem obras, filmes e fotografias que ilustrem o tema do Ano Internacional das Florestas – 2011: “Florestas para o povo. ”

f) Anúncios de interesse público e curta-metragens promocionais:

“A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” está planejando produzir um curta-metragem de 3 a 5 minutos e alguns anúncios de interesse público que serão distribuídos em todo o mundo em diversos idiomas, a serem transmitidos pela televisão e outras mídias, incluindo espetáculos teatrais gratuitos em que se possa transmitir idéias e fomentar ações em prol das florestas.

i) A diversidade biológica das florestas:

“A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” mantém uma estreita colaboração com a “Secretaria da Convenção sobre a Diversidade Biológica” para estudar os âmbitos em que possa haver sinergia entre o Ano Internacional da Biodiversidade, 2010 e Ano Internacional das Florestas – 2011. Entre as atividades se incluiu a organização de um “ato de ligação dos Anos” que fará parte da cerimônia de encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade, que será realizada em dezembro de 2010, em Kanazawa, Ishikawa (Japão), e o desenvolvimento de informações sobre a diversidade biológica das florestas que destaca a profunda relação entre florestas e biodiversidade. Estudam-se outras ações de comunicação para aproveitar os resultados do Ano Internacional da Biodiversidade, de 2010 e sua dinâmica no Ano Internacional Floresta – 2011.

j) Zonas Úmidas e Florestas:

A Convenção de Ramsar escolheu o lema “Os pântanos e florestas” Dia Mundial das Zonas Úmidas para 2011 em homenagem ao Ano Internacional das Florestas. “A Secretaria do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas” colabora atualmente com a “Secretaria da Convenção Ramsar” para a produção de um documento sobre as zonas úmidas e florestas para o Dia Mundial das Zonas Úmidas 2011.

O site oficial é: International Year of Forests 2011

Ação Consciência Verde

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A Universidade Veiga de Almeida (UVA) lançou uma iniciativa pioneira no campo da educação: a Ação Consciência Verde. Com o objetivo principal de preservar o meio ambiente, cada inscrição para a prova do vestibular 2010 realizada pelo link http://www.uva.br/vestibular/ será gratuita e, ao comparecer a prova, o candidato terá sua inscrição revertida na recuperação de uma área de 1m² de Mata Atlântica.
Em parceria com o Instituto Terra (http://www.institutoterra.org.br), a UVA quer ajudar a reflorestar um dos maiores símbolos verdes do Estado do Rio de Janeiro e fazer com que seus futuros alunos façam parte disso. Para saber mais, acesse aqui.
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Fonte:Universidade Veiga de Almeida – UVA.

Os homens desmatam… e os animais reflorestam.

O dia 5 de junho foi estabelecido pela ONU (Resolução 2994(XXVII), 15 de dezembro de 1972), como dia do Meio Ambiente, para marcar a abertura da 1a. Conferência Mundial de Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia, em 1972.

Neste dia do Meio Ambiente, é importante voltar a atenção para os problemas ambientais e para a necessidade urgente de ações. Chefes de estado, secretários e ministros do meio ambiente fazem declarações e se comprometem a cuidar do Meio Ambiente, de modo a permitir a vida sustentável no planeta.

Cada um de nós, Estado e Cidadão, precisa fazer, de fato, a sua parte para a preservação das condições mínimas de vida na Terra, aprendendo a consumir menos os recursos naturais do que precisamos economizar.

Alguém já declarou que não podemos salvar a natureza. Enquanto os homens continuam omissos em sua responsabilidade, a própria natureza se encarrega de minimizar os efeitos da destruição humana.

Várias espécies de animais, conhecidas como animais-jardineiros, espalham sementes[bb] e frutos e ajudam a plantar novas mudas, promovendo o reflorestamento de áreas degradadas pelo homem. A natureza se defende para minimizar os efeitos da destruição e preservar o que restou da Mata Atlântica.

Os animais fazem a sua parte:

  • O Mico-leão-dourado come mais de 60 espécies de plantas, e, ao digeri-las, espalha sementes no ambiente e ajuda a conservação da biodiversidade.
  • Os Morcegos se alimentam de frutos e também espalham sementes de várias espécies vegetais ao defecar durante o vôo e ainda promovem a polinização das flores.
  • A cuíca, também conhecida como rato-cachorro promove a degradação da matéria orgânica e a fertilização da terra.
  • As preguiças, os gafanhotos e algumas formigas são excelentes podadores de árvores e plantas, que, podadas, tornam-se mais fortes.
  • Os esquilos e as cotias enterram o caroço dos frutos, que brotam novas árvores, e ajudam a cultivar a Mata Atlântica.
  • Algumas aves, como o beija-flor, o tangará, a rendeirao, o periquitinho-surdo e o cabeça-encarnada, também espalham sementes pelas fezes durante vôos de longa distância, e recuperarm áreas verdes.

Enquanto isto, os seres humanos:

?Então, o que fazer? Reflita e aceite o desafio de mudar suas práticas cotidianas em prol de uma vida mais sustentável neste planeta. Faça a sua parte.
Imagem: daqui

Vamos ajudar a Amazônia!

Reproduzo aqui a mensagem enviada pelo grupo Avaaz sobre a Medida Provisória 458, que prevê a privatização de partes da Amazônia.
“O Presidente Lula tem só até esta quinta-feira para vetar partes da MP que irá privatizar a Amazônia. A pressão popular é fundamental nestes momentos decisivos até a MP ser assinada. Vamos mostrar ao presidente Lula que os brasileiros se importam com a Amazônia!
Mande uma mensagem pro Lula agora!
Precisamos ajudar a salvar milhões de hectares da Amazônia do desmatamento e destruição: HOJE é o prazo final para o Presidente Lula decidir se vai vetar alguns pontos da Medida Provisória que irá privatizar partes da Amazônia pertencentes à União.
Há duas semanas a Avaaz enviou um alerta sobre a Medida Provisória (MP) 458 e mais de 14.000 pessoas congestionaram as linhas telefônicas do Gabinete Presidencial pedindo o veto das partes mais perigosas da MP. Em 48 horas, o Presidente declarou publicamente que iria vetar os pontos criticados pela campanha. Porém, desde então o Presidente vem sofrendo uma forte pressão da bancada ruralista do governo, fazendo declarações preocupantes sobre o desenvolvimento da região Amazônica.
Nosso prazo para persuadir o Presidente a manter a sua palavra está acabando. Neste momento crítico em que o Lula está decidindo o que vetar, a pressão popular poderá ter um papel decisivo para a proteção da Amazônia. Clique aqui para enviar uma mensagem para o Lula AGORA, leva só dois minutos para registrar a sua participação!
A Medida Provisória 458 não é toda ruim, ela foi concebida para proteger pequenos agricultores que precisam do título legal das terras que ocupam. Porém, a MP foi manipulada pelos interesses do agronegócio, muitos dos quais são responsáveis pela ocupação violenta e ilegal de terras amazônicas. Se a MP for assinada na sua forma atual, os que mais tem serão os maiores beneficiários do programa do governo.
Nosso apelo para o Lula é:
– Vetar a ocupação e exploração indireta, para que apenas as pessoas que moram nas terras tenham suas propriedades regulamentadas.
– Vetar regularização para empresas privadas, somente pessoas físicas devem ter direito à regularização.
– Proibir a comercialização das terras regularizadas por 10 anos, ao invés dos propostos 3 anos, evitando assim a especulação comercial das terras.”

Vamos ajudar!

Código Florestal sob fogo – e com toda a razão

Cerejas japas
Foto: Lucia Freitas
Do Blog da Amazônia por Altino Machado
O projeto apresentado pelo ministro da Agricultura, Reynhold Stephanes, que prevê, entre outras medidas, anistia aos desmatadores e redução da reserva legal na Amazônia para 30%, forçou as principais organizações ambientalistas que atuam na Amazônia a anunciarem em nota que vão se retirar das negociações sobre o Código Florestal.
As organizações consideram a proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária “uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis”.
Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional – afirmam as entidades.
A nota é assinada por Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Conservação Internacional, Greenpeace, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), TNC Brasil e WWF – Brasil.
Além de se retirar das negociações sobre o Código Florestal, as entidades ambientalistas pedem ao presidente Lula seriedade por parte do governo. Leia a nota na íntegra:
“Enquanto o Presidente Lula assume metas para redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa no Brasil – e Santa Catarina contabiliza centenas de mortos, milhares de desabrigados e bilhões em prejuízos, decorrentes da ocupação irregular e consentida de áreas que deveriam ser de preservação permanente – o Ministro Reynhold Stephanes da Agricultura, em proposta já acordada com parte da bancada parlamentar ruralista no Congresso Nacional, se empenha em aprovar, ainda em dezembro, um pacote que ofende o interesse público, a legalidade e os agricultores que cumprem com a mesma. Vejamos:
1) Anistia geral e irrestrita para as ocupações irregulares em Área de Preservação Permanente existentes até 31 de julho de 2007 – incluindo topos de morros, margens de rios, restingas, manguezais, nascentes, montanhas, terrenos com declividade superior a 45º. Isso comprometeria não apenas os recursos hídricos, mas até mesmo os próprios ocupantes de áreas de risco, em função de enchentes e desmoronamentos como aqueles vistos em Santa Catarina.
2) Redução dos percentuais de reserva legal na Amazônia sem a realização do zoneamento ecológico-econômico, instrumento previsto por lei para garantir a adequação das ocupações do solo rural, um dos poucos elementos de consenso entre ruralistas e ambientalistas até o momento. Enquanto o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas propõe a necessidade de recuperação de mais de 100 milhões de hectares de pastos abandonados ou degradados, o Ministério da Agricultura cogita a consolidação de ocupações independentemente da confirmação da aptidão do solo.
3) Escambo de áreas desmatadas na Mata Atlântica ou no Cerrado por floresta na Amazônia, quebrando por completo a lógica prevista na Lei da equivalência ecológica na compensação de áreas e permitindo a consolidação de grandes extensões de terra sem vegetação nativa, o que se agrava com a consolidação de todas as ocupações ilegais em área de preservação permanente até 2007 e citada acima.
4) Possibilidade, para os estados, de reduzir todos os parâmetros referentes às áreas de preservação permanente, acabando com o piso mínimo de proteção estabelecido pelo código florestal, o que pode ensejar mais desmatamento em todos os biomas no Brasil e a competição pela máxima ocupação possível.
A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária é uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis.
Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional.
As organizações ambientalistas abaixo assinadas acompanharam as duas primeiras reuniões do grupo de trabalho formado pelos Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário acreditaram na seriedade e no compromisso do grupo para com a produção agrícola sustentável no país e propuseram soluções viáveis de interesse geral. Agora, em respeito à sociedade nacional, às vitimas atuais e futuras do desflorestamento e aos produtores rurais que vêm cumprindo a lei, se retiram do referido grupo e denunciam mais uma iniciativa unilateral e desprovida de base técnica e jurídica. O fato que esta iniciativa seja oriunda do próprio poder executivo federal, contrariando o anúncio do chefe do executivo, requer que o Presidente crie condições para discutir, com legitimidade e equilíbrio, como aprimorar e implementar melhor o código florestal, para que possa mais efetivamente contribuir para o desmatamento zero.
Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
IMAZON
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto Socioambiental (ISA)
IPAM
TNC Brasil
WWF – Brasil”
Detalhe: a história já está no senado e a lutadora Marina Silva foi vista, na última semana, no Entre Aspas, programa da Mônica Waldwogel na GNT, debatendo com um deputado ruralista (o nome não importa…) que defendeu o trem com unhas e dentes. Ou bem a gente mexe os dedinhos – lembrem que senadores têm e-mails e são NOSSOS representantes, não dos lobistas – ou bem vamos continuar a fazer feio no quesito desmatamento. Hora de agir.

Plantação sustentável de chocolate

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Nós, chocólatras assumidos, também nos preocupamos com o impacto que as plantações causam ao meio ambiente. É importante lembrar que existem fazendas de cacau que têm tal preocupação: o reflorestamento, a criação de florestas produtivas e sustentáveis, a recuperação da mata através do plantio do próprio cacau e de outras árvores nativas, como o jacarandá.

As florestas de cacau são centenárias e como a qualidade das árvores é importante para a qualidade do produto final, pode-se dizer que um bom chocolate é resultado de uma floresta preservada. Esta é uma boa notícia para os fãs deste manjar dos deuses, não é não? O cacau é naturalmente sustentável.

O projeto Fazenda de Chocolate, desenvolvido pela Universidade Livre da Mata Atlântica -UMA, em parceria com o Worldwatch Institute, na Bahia, foi adotado pelo PNUD como integrante das Metas do Milênio e mostra como a força da economia do chocolate pode ajudar a resgatar a floresta.

Bom seria se todas as fazendas de chocolate cumprissem sua parte e observassem os padrões de agricultura sustentável, de proteção do solo, dos cursos de água e dos animais que habitam na floresta. Essa deliciosa iguaria, o chocolate , pode sim ser sustentável. Comer chocolate proveniente de cacau certificado tem um gosto de consciência tranquila.

imagem: daqui