Porto Alegre: de volta ao passado!

Árvore POA 02

O PASSADO DE EXEMPLO

O dia: 25 de fevereiro de 1975.

A hora: 11 horas da manhã.

O fato: Servidores da SMOV (Secretaria Municipal de Obras e Viação) chegam em frente à Faculdade de Direito (na Av. João Pessoa) para terminar de cortar as árvores que estavam “atrapalhando” a construção do viaduto Dona Leopoldina (um dos acessos). Por razões desconhecidas, deixaram uma última árvore para depois do almoço.

Nesse meio tempo, um estudante da Faculdade de Engenharia Eletrotécnica, Carlos Alberto Daryel subiu na árvore e fez história. Dois outros estudantes, Teresa Jardim e Marcos Saracol logo fizeram companhia para Carlos, evitando, assim, que a árvore fosse derrubada.

Naquela época, em plena ditadura civil-militar, o estrago estava feito. Batalhão de choque da Brigada Militar, transeuntes e estudantes transformaram a Av. João Pessoa numa praça de guerra.

Por interferência do Diretor da Faculdade de Engenharia, que negociou com as autoridades municipais, foi garantido aos estudantes que a árvore não seria cortada e que, portanto, eles poderiam descer. E assim fizeram e assim as autoridades honraram seu compromisso.

Sim, é a árvore da imagem acima. Está lá até hoje. E Carlos, em 1998, foi agraciado com o título de “Cidadão de Porto Alegre”.

Além do fato em si, o importante foi a mudança que ele causou em todos: tanto autoridades quanto os porto-alegrenses “acordaram” para a conservação do meio ambiente. Tanto que Porto Alegre se transformou na cidade brasileira de maior densidade de árvores por habitante do Brasil.

Porto Alegre, graças a essa consciência de conservação ambiental tem a que é considerada, em muitos lugares, como sendo a rua mais bonita do mundo.

goncalo-de-carvalho

Porto Alegre também foi a cidade que recebeu o 1º Fórum Social Mundial, onde “um novo mundo é possível”.

 

O PASSADO RECENTE E O PRESENTE QUE NOS ENVERGONHAM

O dia: 29 de maio de 2013.

A hora: de madrugada, às 4:00 da manhã.

O fato: Brigada Militar acorda acampados com algemas e, logo após, a prefeitura começa, ainda no escuro, a derrubar as árvores.

O motivo: a derrubada de árvores para o alargamento de uma via, obra tida como necessária para a mobilidade da Copa do Mundo de 2014.

Apenas trinta e oito anos nos separaram da barbárie. O local onde as árvores se encontravam está previsto, no Plano Diretor (isto é, em lei) para ser um parque. O Ministério Público tentou de todas as formas impedir a derrubada. Chegou a conseguir uma liminar, logo cassada pelo Poder Judiciário gaúcho. Diversas ONGs e inclusive o IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seccional RS) apresentaram alternativas. Nada foi ouvido, lido e considerado pelas atuais autoridades.

Na rua Anita Garibaldi, para a construção de uma passagem de nível sob uma grande avenida (também obra da Copa) foram removidas 60 árvores.

 

O PRESENTE AINDA NOS ENVERGONHA GARANTINDO QUE O FUTURO SERÁ PIOR

Não bastasse isso, outra obra prevista pela Copa, vai derrubar 1.500 (mil e quinhentas) árvores na Av. Tronco.

Para nos deixar mais abismados ainda, Luiz Pinheiro, nessepost no Facebook, mostra uma alarmante destruição dos jacarandás que adornavam a Av. Osvaldo Aranha. Algo sem explicação até agora!

Para terminar, diversas árvores do Parque Farroupilha, a Redenção, apareceram marcadas com a letra “C”. Ninguém ainda descobriu a origem e o motivo das marcas. A prefeitura nega que as tenha marcado, como um aviso de “Cortar”. O certo é que a prefeitura “vendeu” o auditório Araújo Vianna para exploração pela iniciativa privada (que inclusive já o cercou, impedindo o acesso público ao seu entorno) e que há sérios problemas de estacionamento em dias de espetáculos. Corre o boato de que derrubarão as árvores para abrir espaço para estacionamento.

Já ia esquecendo: com foi construído um shopping center que margeia a rua Gonçalo de Carvalho, não fosse a manifestação dos moradores e de quase todos os habitantes de Porto Alegre, não teríamos mais a rua mais bonita do mundo, pois a prefeitura havia autorizado a derrubada de árvores no terreno do shopping para fazer um estacionamento, o que traria imediatamente a morte das árvores da rua.

O VINGADOR DO FUTURO

Como a atual administração de Porto Alegre não pode realizar a ficção de retornar ao passado para liquidar a origem daquilo que considera o mal que vive hoje (as árvores e, quiçá o Eng. Carlos), usa e abusa de autoritarismo para simplesmente acabar com a cobertura vegetal da cidade.

Voltamos ao passado, mas não ao passado que nos serviu de exemplo! Voltamos ao negro passado da calada da noite! Ao passado da troca de árvores por automóveis.

A um passado que nos envergonha!

 

Por uma infância mais sustentável

Cidadãos unidos por uma infância sustentável

O que publicidade infantil tem a ver com sustentabilidade? Provavelmente um leitor deste blog já tem a resposta na ponta da língua: tudo!

“A publicidade infantil é danosa às crianças quando as pressiona a desejar cada vez mais bens de consumo, associando-os a um discurso enganoso de alegria, felicidade e status social. Além de trazer sofrimento às crianças que não podem obter esses bens devido à falta de recursos financeiros, essa pressão não pode ser devidamente elaborada pelos pequenos, cujo senso crítico ainda está em desenvolvimento.”

Os atuais níveis de consumo de grande parte dos habitantes desse nosso mundão estão muito além daquilo que o planeta pode suportar. Por isso, sempre defendemos aqui no Faça a sua parte uma reflexão sobre o que, por que e como consumimos. O famoso primeiro “erre”: repensar. Do jeito que as coisas estão, sabemos que não podem ficar.

“[…]estamos diante de um novo fato: pela primeira vez na história humana, se questiona a forma como estamos consumindo o planeta Terra. As crianças de hoje serão responsáveis pelo planeta de amanhã. Mas, ao invés de serem educados para se tornarem cidadãos conscientes, eles estão sendo formados consumidores desde a mais tenra idade.”

Sim, é aí que começa a construção desses hábitos de consumo que, muitas vezes, levamos conosco pela vida inteira: na infância. E é aí que entram os efeitos negativos da publicidade infantil da maneira como é feita hoje no Brasil (em em muitas partes do mundo também). As empresas e publicitários precisam repensar a maneira como se comunicam com nossas crianças. E o Estado precisa nos ajudar nessa tarefa, fornecendo, no mínimo dos mínimos, diretrizes norteadoras para proteger a infância do atual bombardeio publicitário.

“[…]defendemos que, para cumprir nossa responsabilidade de educar nossos filhos para a cidadania e a sustentabilidade, precisamos do apoio efetivo do Estado e da responsabilização efetiva das empresas privadas, dos veículos de comunicação e das agências de publicidade.”

Para um futuro sustentável, precisamos assegurar que os valores da infância que realmente importam sejam defendidos. E, hoje, a publicidade infantil não está fazendo seu papel adequadamente.

“O excesso de propagandas e o conteúdo manipulatório delas dificulta uma educação cidadã e sustentável, a qual todos desejamos.”

Por esse motivo, convido vocês a conhecerem o movimento Infância Livre de Consumismo (no blog, no Twitter e no Facebook), que hoje está promovendo a blogagem coletiva #desocupaCONAR para mostrar que não estamos satisfeitos com a atual autorregulamentação a que o setor é submetido, já que esta tem se mostrado ineficiente em punir e evitar abusos na publicidade infantil.

Essa blogagem está ocorrendo hoje porque amanhã, dia 3 de julho de 2012, será um dia marcante para o movimento, que estará em Brasília participando de uma audiência pública referente ao Projeto de Lei 5921/01, que pretende determinar um novo regramento para a publicidade infantil no Brasil. Pela primeira vez, os pais e mães serão representados num evento dessa grandeza!

Então vamos juntos, pois um mundo melhor é para todos.

(Nota: os trechos entre aspas e em itálico foram retirados da descrição do movimento Infância Livre de Consumismo.)

Blog Action Day: Água, um direito de todos?

O Blog Action Day é um evento anual realizado a cada 15 de outubro, que une blogueiros do mundo na postagem sobre o assunto em foco, com o objetivo de provocar uma discussão global e condução da ação coletiva. Este ano o tema é a água.

Agora mesmo, quase um bilhão de pessoas no planeta não têm acesso à água limpa e potável. A água insalubre e a falta de saneamento básico causam 80% das doenças e matam mais pessoas anualmente do que todas as formas de violência, incluindo a guerra.

As crianças são especialmente vulneráveis, porque seus corpos não são suficientemente fortes para combater a diarréia, disenteria e outras doenças. A ONU prevê que um décimo das doenças pode ser evitado simplesmente melhorando o abastecimento de água e saneamento.

A questão da água, além de ser um dos direitos dos humanos, é também, uma questão ambiental, a questão da sustentabilidade. A água é um problema global, e merece uma conversa global.

Como ajudar esta causa e divulgar mais sobre a água e promover o Blog Action Day:

  1. Clicar o widget ação: Você pode assinar a petição, clicando no widget de ação, na barra lateral do blog, ou colocando um em seu blog, para agir diretamente sobre a questão da água limpa.
  2. Ajudar projetos de água: Você pode contribuir diretamente para projetos de água limpa, para levar água potável às comunidades ao redor do mundo. Uma doação de até US $ 25 à Water.org pode dar a uma pessoa, água potável para toda a vida.
  3. Compartilhar com seus amigos: Você pode partilhar no seu Blog, no Facebook e no Twitter, com a tag #BlogActionDay , os fatos chocantes sobre a água para obter a atenção das pessoas. Seus amigos sabem que a água potável e falta de saneamento mata mais pessoas anualmente do que todas as formas de violência, incluindo a guerra? Aqui estão os fatos para compartilhar .
  4. Ler outros posts do Blog Action Day: Há alguns posts realmente incríveis sobre a água, publicados por blogueiros. Clique aqui, no site Blog Day para vê-los e participar da discussão.

Participe.
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O caso Belo Monte

Importante notícia no blog da Telma Monteiro:

Animação em 3-D com narração de Dira Paes será lançado nesta quarta-feira em Belém, Pará

Nesta quarta, dia 15, será lançado em Belém (PA) um vídeo em duas partes de quatro minutos e com animação 3-D, que apresenta de forma clara e didática os impactos sociais, ambientais e econômicos da hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu. O vídeo foi produzido pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVS).
Intitulado Defendendo os Rios da Amazônia, o projeto faz parte de uma campanha nacional e internacional coordenada pelo MXVS, coalizão de organizações sociais e ONGs em defesa do Rio Xingu e contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Segundo os coordenadores do movimento, o vídeo alerta a sociedade brasileira para o processo atropelado, leviano, desrespeitoso e ilegal de planejamento e licenciamento do empreendimento pelo governo federal.
(…)”

Visite o blog e leia o restante… tem mais…

WWF-Brasil lança abaixo-assinado por unidade de conservação

O Faça a sua parte colabora com a campanha da WWF-Brasil. Assine você também!
Para assinar, acesse o site da WWF-Brasil e clique no botão “Assine!” que se encontra ao final da notícia.

Manguezal Guaratuba, em Bertioga, São Paulo, Brasil. Uma das áreas
que serão protegidas pela criação da Unidade de Conservação.

O WWF-Brasil lança hoje (23/2) abaixo-assinado para coleta de assinaturas pedindo a criação de área protegida com 8.025 hectares, em Bertioga (SP), no mais conservado trecho de Mata Atlântica no litoral paulista. A área de planície, que faz conexão com o Parque Estadual da Serra do Mar, abriga rica diversidade de ambientes – dunas, praias, rios, florestas, mangues e uma variada vegetação de restinga – nos quais vivem animais raros e ameaçados de extinção.
O objetivo da ação na internet é obter o maior número de assinaturas em apoio à criação da unidade de conservação. O documento com as assinaturas será entregue ao governador do Estado de São Paulo, José Serra, e ao secretário estadual de Meio Ambiente, Xico Graziano.
A proteção da área em Bertioga vai contribuir efetivamente para que o Brasil cumpra meta firmada na Convenção da Diversidade Biológica da Organização das Nações Unidas. A meta assumida pelo país é de proteção de 10% da área original do bioma até 2010. Hoje temos somente 7,9% da Mata Atlântica original.
“Neste Ano Internacional da Biodiversidade chamamos a atenção para a necessidade de proteção e recuperação dos ecossistemas terrestres e aquáticos como uma maneira de defendermos a vida em nosso planeta”, ressalta a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.
Criar e manter áreas protegidas são formas de nos prepararmos para enfrentar situações climáticas mais severas e frequentes, bem como seus impactos, como, por exemplo, erosão, assoreamento de corpos d’água e aumento das enxurradas, e suas consequências, como as enchentes, que já mataram dezenas de pessoas só este ano no Brasil.
“A melhor maneira de prepararmos a natureza para resistir aos impactos das mudanças climáticas é a conservação dos ecossistemas. Essa é uma forma de prevenirmos os impactos futuros. Criar áreas protegidas é necessário e urgente, pois essa também é uma medida de proteção ao indivíduo e à coletividade, explica Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.
Biodiversidade
Estudos realizados pelo WWF-Brasil demonstram que a proteção do local colocará a salvo espécies raras e ameaçadas de extinção, praias e a foz de rios. São conhecidas até agora 1.000 espécies de plantas, 44 com risco de serem extintas. Vivem lá pelo menos 14 espécies de anfíbios e répteis, sete espécies de aves e 14 espécies de grandes mamíferos, também ameaçadas de extinção.
Curiosidade: Antes de ser colonizada pelos portugueses, Bertioga era habitada por indígenas do tronco Tupi. Seu nome em tupi, Buriquioca, significa ‘morada dos macacos grandes’: buriqui significa macaco grande; e oca significa casa.

Fonte texto e imagem: WWF-Brasil (mail enviado por Maíra Brandão Carvalho – Gestora Web do WWF-Brasil)

Código Florestal sob fogo – e com toda a razão

Cerejas japas
Foto: Lucia Freitas
Do Blog da Amazônia por Altino Machado
O projeto apresentado pelo ministro da Agricultura, Reynhold Stephanes, que prevê, entre outras medidas, anistia aos desmatadores e redução da reserva legal na Amazônia para 30%, forçou as principais organizações ambientalistas que atuam na Amazônia a anunciarem em nota que vão se retirar das negociações sobre o Código Florestal.
As organizações consideram a proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária “uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis”.
Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional – afirmam as entidades.
A nota é assinada por Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Conservação Internacional, Greenpeace, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), TNC Brasil e WWF – Brasil.
Além de se retirar das negociações sobre o Código Florestal, as entidades ambientalistas pedem ao presidente Lula seriedade por parte do governo. Leia a nota na íntegra:
“Enquanto o Presidente Lula assume metas para redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa no Brasil – e Santa Catarina contabiliza centenas de mortos, milhares de desabrigados e bilhões em prejuízos, decorrentes da ocupação irregular e consentida de áreas que deveriam ser de preservação permanente – o Ministro Reynhold Stephanes da Agricultura, em proposta já acordada com parte da bancada parlamentar ruralista no Congresso Nacional, se empenha em aprovar, ainda em dezembro, um pacote que ofende o interesse público, a legalidade e os agricultores que cumprem com a mesma. Vejamos:
1) Anistia geral e irrestrita para as ocupações irregulares em Área de Preservação Permanente existentes até 31 de julho de 2007 – incluindo topos de morros, margens de rios, restingas, manguezais, nascentes, montanhas, terrenos com declividade superior a 45º. Isso comprometeria não apenas os recursos hídricos, mas até mesmo os próprios ocupantes de áreas de risco, em função de enchentes e desmoronamentos como aqueles vistos em Santa Catarina.
2) Redução dos percentuais de reserva legal na Amazônia sem a realização do zoneamento ecológico-econômico, instrumento previsto por lei para garantir a adequação das ocupações do solo rural, um dos poucos elementos de consenso entre ruralistas e ambientalistas até o momento. Enquanto o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas propõe a necessidade de recuperação de mais de 100 milhões de hectares de pastos abandonados ou degradados, o Ministério da Agricultura cogita a consolidação de ocupações independentemente da confirmação da aptidão do solo.
3) Escambo de áreas desmatadas na Mata Atlântica ou no Cerrado por floresta na Amazônia, quebrando por completo a lógica prevista na Lei da equivalência ecológica na compensação de áreas e permitindo a consolidação de grandes extensões de terra sem vegetação nativa, o que se agrava com a consolidação de todas as ocupações ilegais em área de preservação permanente até 2007 e citada acima.
4) Possibilidade, para os estados, de reduzir todos os parâmetros referentes às áreas de preservação permanente, acabando com o piso mínimo de proteção estabelecido pelo código florestal, o que pode ensejar mais desmatamento em todos os biomas no Brasil e a competição pela máxima ocupação possível.
A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária é uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis.
Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional.
As organizações ambientalistas abaixo assinadas acompanharam as duas primeiras reuniões do grupo de trabalho formado pelos Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário acreditaram na seriedade e no compromisso do grupo para com a produção agrícola sustentável no país e propuseram soluções viáveis de interesse geral. Agora, em respeito à sociedade nacional, às vitimas atuais e futuras do desflorestamento e aos produtores rurais que vêm cumprindo a lei, se retiram do referido grupo e denunciam mais uma iniciativa unilateral e desprovida de base técnica e jurídica. O fato que esta iniciativa seja oriunda do próprio poder executivo federal, contrariando o anúncio do chefe do executivo, requer que o Presidente crie condições para discutir, com legitimidade e equilíbrio, como aprimorar e implementar melhor o código florestal, para que possa mais efetivamente contribuir para o desmatamento zero.
Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
IMAZON
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto Socioambiental (ISA)
IPAM
TNC Brasil
WWF – Brasil”
Detalhe: a história já está no senado e a lutadora Marina Silva foi vista, na última semana, no Entre Aspas, programa da Mônica Waldwogel na GNT, debatendo com um deputado ruralista (o nome não importa…) que defendeu o trem com unhas e dentes. Ou bem a gente mexe os dedinhos – lembrem que senadores têm e-mails e são NOSSOS representantes, não dos lobistas – ou bem vamos continuar a fazer feio no quesito desmatamento. Hora de agir.

Movimento Natureza

A Georgia, do blog Saia Justa e a Beth, do blog Mãe Gaia se reuniram num projeto-desafio. Juntas criaram o blog Movimento Natureza e convidam todos a participar. A ideia é que cada leitor plante uma árvore até o dia 22 de Abril – Dia do Descobrimento – e divulgue a iniciativa. Nos próprios blogs, na escola, no trabalho, administrações públicas, enfim, deve ser uma ação multiplicadora.
Já contei que tenho o hábito de plantar árvores e acho a proposta muito positiva, sem tanta enrolação e extremamente prática. Basta plantar uma árvore e lançar o desafio onde for possível. Só isso.
Mas o dia 22 de abril será só o início desse desafio. Cada participante é livre para propor uma nova ação às autoras e o resultado será cada vez maior, envolvendo mais e mais as pessoas em ações práticas.
E você? Vai ficar aí refletindo ou vai participar? Essa é uma excelente oportunidade para fazer a sua parte.

Trevas que trazem luz

earthhour

No dia 28 março, às 20:30 h, pessoas ao redor do mundo deixarão as suas luzes apagadas por uma hora. É a Earth Hour, cujo objetivo é de alcançar um bilhão de pessoas em mais de 1000 cidades, unidas em um esforço global para mostrar que é possível tomar medidas para diminuir o aquecimento global.

A Earth Hour começou em 2007, em Sydney, Austrália, com 2,2 milhões de residências e empresas deixando as suas luzes apagadas durante uma hora. Um ano depois, tornou-se um evento de sustentabilidade global com até 50 milhões de pessoas entre 35 países participantes. Locais como Golden Gate Bridge, em San Francisco, O Coliseu de Roma, outdoor da Coca-Cola, na Times Square, tudo ficou em trevas, como símbolo de esperança para uma causa que se torna mais urgente, por uma hora.

A Earth Hour 2009 é um apelo à ação global para cada indivíduo, cada empresa e cada comunidade. Uma chamada a assumir a responsabilidade e a envolver-se em trabalhar para um futuro sustentável. Mais de 64 países e territórios irão participam na Earth Hour 2009. Este número cresce a cada dia, com a adesão de pessoas que perceberam como um simples ato pode ter um importante resultado e provocar profunda mudança no clima do Planeta.

Earth Hour é uma mensagem de esperança e uma mensagem de ação. Todos podem fazer a diferença. Junte-se ao grupo de pessoas que irão desligar as luzes às 20:30 h, no Sábado, dia 28 de Março, e registre-se aqui para ser contado.

COP15

Pois é,

Entre os dias 7 e 18 de dezembro deste ano ocorre a 15ª Conferência das Partes (COP15), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, na capital do Reino da Dinamarca, Copenhague.

Tri-legal, D. Afonso, que bom saber disso. Afinal, eu sequer sabia que já ocorreram outras 14 dessas tais convenções. Mentira, né? Uma pelo menos todos conhecem: a COP3. Tá, talvez conheçam mais pelo resultado dela, o tal famoso Protocolo de Quioto, ou Kyoto como é mais conhecido. Aliás, diga-se de passagem, o filho se tornou mais conhecido que a mãe (a Convenção) e que a avó (a RIO92). Da bisavó (ESTOCOLMO, 1972) seque há que falar, de tão esquecida que anda…

Dizem que quem sai aos seus não degenera. Não é o caso. Bem que o menino tentou crescer e vingar. Até contou com a ajuda de um monte de tios e amiguinhos, mas não houve jeito. Está fadado à morte por inação dos seus grandes irmãos. Ou, melhor dizendo, por asfixia causada pelos grandes.

Pensando bem, acho que o guri não degenerou. Afinal, nem  a bisa, a avó e nem mãe deram certo na vida. Só para relembrar (os menos preguiçosos podem ler o texto integral no link acima) os ensinamentos da bisa que, parece, foram para o brejo preparar o terreno para o netinho, cito o princípio 6, que tem tudo a ver com a COP15:

“Princípio 6 – Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias e à liberação de calor, em quantidade ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente de modo a evitarem-se danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Deve ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição”.

Uma breve pausa para uma continha elementar: 1972 – 1982 – 1992 – 2002 – 2012 = 40 anos.

Putz, metade dos meus cinco leitores – não, é melhor achar que tenho seis, senão vai dar quebrado, né? – sequer tem essa idade. E devem estar se perguntando: PQP, tiveram 40 anos para melhorar e só fizeram piorar?

É véio, a bisa falou e disse! Pena que poucos deram bola pra ela. Mas a bisa queria porque queria preservar o sangue da família. Mocinha crescida, já com seus vinte anos, casou e teve uma filhinha, a ECO92. Beleza de filha. E não poderia ter nascido em melhor lugar: a cidade maravilhosa, símbolo dos símbolos da natureza. E a filhinha, bem educada que foi, repetia os ensinamentos da mamãe Estocolmo. De tanto falar, deu à luz a mais uma mulher: a Convenção para o Clima (dentre outras maninhas: a Carta da Terra, a Convenção sobre Biodiversidade e a Convenção sobre Desertificação, além de uma filha enjeitada, a Agenda 21).

Parece que o Reino das Boas Intenções Humanas estava fadado a não ter um filho varão. Mas eis que a Convenção para o Clima, a mais rebelde das filhas da ECO92, resolveu por um fim nessa longa cadeia feminina que parecia não estar dando certo. Fuçou, fuçou com as partes até que no terceiro encontro gerou seu filho macho: o Protocolo de Quioto.

Eis a breve história do futuro defunto (se bem que alguns sempre disseram que era um nati-morto).

Querem saber a moral da história? É que para dezembro esperamos o parto do filho do Protocolo de Quioto. Ou ao menos que ele arranje uma namorada até lá e que possamos, em 2012, ter um sucessor à altura do Reino.

E que preste! Senão…

Os sinais estão aí, só não vê quem não quer. Mas mais do que ver, há que fazer. Como por exemplo, acompanhar as ações, notícias, sites, blogs e tudo o mais que estaremos divulgando por aqui.

Essa é a importância do título: COP15. Nosso futuro!

 

O Ano Internacional da Astronomia e a Natureza: E pour si mouve!


Agosto de 1609. Um já velho (para os padrões da época) senhor de 45 anos aponta sua luneta para o céu. E transforma o mundo. “Ocorre a mais extraordinária série de descobertas que algum homem jamais realizou em tão pouco tempo”1. “[…] o Universo medieval recebera seu golpe mortal. O triunfo épico da revolução copernicana sobre o pensamento ocidental havia começado”2.
E ainda não terminou. Quatrocentos anos depois, a ONU faz de 2009 o Ano Internacional da Astronomia. Quatrocentos anos depois de um homem ter finalmente provado, com evidências materiais, irrefutáveis, tudo quanto pairava no mar das teorias.
Por três anos da minha vida passei muitas noites – quase todas as possíveis – a olhar as estrelas pelo telescópio da UFRGS. Noites frias e solitárias. Acompanhavam-me o chimarrão e o poncho. À época, ainda “guri”, havia incorporado o espírito dos grandes pioneiros da moderna ciência: Copérnico, Tycho Brahe, Kepler, Galileu e Newton. Enquanto o telescópio fazia seu trabalho, eu sonhava com grandes descobertas.
E foi nessas noites que senti algo que até hoje guardo comigo: um permanente estado de perplexidade e admiração pela natureza. E o sentido de quanto somos ínfímos, pequenos. Mínimos. Finitos, em contrapartida à grandeza do Universo. O Universo é algo maravilhoso, indescritível. Felizmente não sucumbi ao mero ato de transformá-lo em números vomitados por computadores. Por vezes, e não poucas, senti-me tentado a crer que realmente existe algo muito maior para ter criado tamanha perfeição.
Fui salvo pelo tempo. Com o tempo, “ver” o Universo torna-se “cansativo”. Por maior que seja o encantamento; por mais que venhamos a saber a sua origem; a sua evolução e a sua composição, sentimos – senti – que é pouco. Afinal, são imagens de um passado ao qual não pertencemos. Sentimos – senti – vontade do presente.

E o presente se mostrou mais deslumbrante ainda. A Terra é mais infinita que o Universo, pasmem! É mais cheia de descobertas a serem descobertas que o próprio Universo. Por mais que olhemos para o Universo, jamais ele nos dirá o que há na Terra. Poderá, quem sabe, nos dizer sobre a origem da Terra e seu futuro, mas jamais nos dirá sobre a vida que há na Terra!
Um metro cúbico de qualquer oceano ocuparia a vida inteira de qualquer cientista, muito mais que qualquer ano-luz cúbico do Universo. E sequer descobrimos, ainda, o homem, esse ser mais que imperfeito; mas mais que perfeito na sua capacidade de ver todas as dimensões da vida, das dimensões do Universo: do macro ao micro; das estrelas e galáxias ao átomo e suas partículas. Infelizmente, imperfeito para ver seu próprio tamanho, o tamanho da Natureza que o cerca.
“E pour si mouve” (“eppur si muove”) teria dito Galileu, baixinho, ao final da leitura do texto da abjuração que lhe impuseram os inquisidores da Igreja Católica, em 22 de junho de 1633, como a dizer “olhem para o Universo, mas não esqueçam que a vida é aqui, nessa Terra que, no entanto, se move”.
Olhar para o Universo pode nos fazer olhar para a Natureza ao nosso redor. Vamos aproveitar o Ano Internacional da Astronomia para, quem sabe, aprender a dar o verdadeiro valor que a Terra tem.
E, no entanto, ela se move!
Notas:

1Dicionário dos filósofos. Diretor da publicação Denis Huisman. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 420.

2Tarnas, Richard. A epopéia do pensamento ocidental: para compreender as idéias que moldaram nossa visão de mundo. 7ª ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. p.281.