Andando em borboletas

Tomei a liberdade de copiar essa reportagem do “ECO“. A luta parece ser inglória. Mesmo que essa fábrica comprove a “legalidade” do feito, ainda resta o fato de ser um atentado a uma nova moralidade ambiental.

O pior de tudo é que, se tem quem faz, é porque tem quem compra… Atentem para o sério problema da legislação ambiental brasileira, que ainda considera os crimes dessa espécie como crimes de menor potencial ofensivo, passíveis, inclusive, de serem “trocados” por cestas básicas…


Andando em borboletas

Andreia Fanzeres

07.02.2007

Tomara que a moda lançada este verão pela grife carioca Cantão não pegue. Batizada como “Flores que voam” e dita ecológica, a última coleção da marca teve como carro-chefe uma sandália com 16 borboletas brasileiras mortas dentro de um salto plataforma feito de acrílico. Procurada pelo Ibama na última semana de janeiro, a Cantão não conseguiu apresentar nenhum documento que comprovasse a origem legal dos insetos.

A autuação por crime ambiental aconteceu por acaso. Segundo Rodrigo de Carvalho, consultor técnico do Ibama do Rio de Janeiro, uma servidora do instituto em Brasília notou numa revista feminina a foto das sandálias com as borboletas. Estranhou e contactou a fiscalização no Rio, onde a grife está sediada. Sem se identificar, Carvalho telefonou para algumas lojas e descobriu que ainda existiam exemplares no Leblon, bairro nobre da cidade. Uma equipe foi até lá, pediu nota fiscal que comprovasse origem das espécimes e registro da Cantão junto ao Ibama como comerciante de produtos da fauna. A loja não tinha nenhum dos documentos e foi multada em oito mil reais.

Foi um valor irrisório para a Cantão, que vendeu cada par de sandálias por 1.200 reais. A empresa não quis revelar quantos pares foram fabricados, mas as vendedoras disseram que foram poucos e saíram como água antes mesmo da chegada do Natal. Carvalho lamenta um valor tão baixo para a infração. “No Brasil, crime contra a fauna é considerado menor, de pouco potencial ofensivo, e o tipo de pagamento pelo dano pode ser feito por doação de cesta básica, por exemplo”, diz o biólogo.

No dia em que a equipe do Ibama autuou a Cantão, os lojistas disseram que só havia mais um par das sandálias na loja. Os fiscais apreenderam o exemplar e levaram para a superintendência do instituto, onde, diz Carvalho, as espécies de borboletas serão identificadas. Além da multa, a grife recebeu uma notificação para apresentar sua defesa até meados de fevereiro e explicar quantas sandálias foram vendidas, quem as produziu e a origem dos insetos usados como enfeite.

Na loja da marca na Gávea, visitada pela reportagem de O Eco, jovens vendedoras exaltaram a criatividade da estilista Gisele Nasser, idealizadora dos calçados. “As borboletas eram lindas, eram de verdade. As sandálias saíram até na revista Vogue!”, disse uma delas, sem se dar conta de que seu uso representou crime ambiental.

A advogada da Cantão, Fernanda Mendes, garante que a grife tem como comprovar a origem legal das borboletas e neste momento reúne os documentos necessários a serem apresentados na semana que vem para o Ibama. “Elas vêm de um criatório de Santa Catarina”, informou. Mas ainda precisa verificar se a empresa está cadastrada no Ibama como comerciante de produtos de fauna, como exige a lei.

Quem visita o site da Cantão se depara imediatamente com a sandália nos pés de uma modelo. Ao clicar sobre a coleção Verão 2007 é possível obter mais informações sobre Gisele Nasser e a poética justificativa para apropriação dos elementos da natureza: “… buscando a liberdade como borboleta, bordando amores, sutis-tentadores, pousando cá e lá por esses cantos dourados de flores…” A diferença é que a borboleta inspiradora acabou presa, morta e colada em acrílico sob os pés de quem pagou mais de mil reais por ela.

1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais

O 1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais será realizado nos dias 11 e 12 de março, no Rio de Janeiro, com o objetivo de mostrar o estado da arte das pesquisas científicas sobre mudanças globais a representantes do setor acadêmico, governamental e empresarial.

Aberto ao público

O evento é promovido pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), pelo Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (IGBP) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo os organizadores, outro objetivo é estabelecer um fórum de discussão para a criação, junto à Academia Brasileira de Ciências, de um Comitê Nacional Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais. “Ciclos biogeoquímicos e clima” e “Mudanças climáticas e dimensões humanas das mudanças ambientais globais” serão temas em análise.

Mais informações: (21) 3907-8100.

Ecologia humana

Saiu o relatório preparado por dois mil e quinhentos (uau!) cientistas de 130 países. Desde ontem à noite, as entrevistas estão pipocando na grande imprensa. Neste link, você encontra o especial inteirinho do Estadão sobre o assunto.
O futuro surge, nada belo, à frente da raça humana. E o melhor comentário, pra variar, foi o do Arnaldo Jabor, ontem à noite no Jornal da Globo.
Nós, humanos, continuamos esquecendo nossas responsabilidades como seres da natureza. Esquecemos que fazemos parte deste mundo. Que nossas ações causam reações em todos os níveis – social, político, emocional e ecológico. Cuidar de nossa ecologia é também nos mantermos saudáveis, pulsantes.
E, a ciência prova, nosso modelo econômico está na contramão de tudo isso. E agora, José? Será o fim da picada? Este é o nó que teremos de enfrentar, sem analgésicos ou distrações, nas próximas décadas. Sob pena de extinção em caso de falha.

A Torre Eiffel apagou suas luzes por cinco minutos, em ato contra o aquecimento global

Fonte: Estadão/ciencia

O Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática traz uma visão sombria do estado atual do mundo e faz previsões dramáticas para o meio ambiente
Seth Borenstein, AP
AP

PARIS – O alerta sobre aquecimento global, emitido pelo principal comitê científico internacional encarregado de analisar o problema, é direto e brutal: “o aquecimento do sistema climático é inequívoco”, a causa é “muito provavelmente” humana e o efeito “continuará pelos próximos séculos”.
Na divulgação oficial de um relatório de 21 páginas sobre o que é o aquecimento global, e como ele ocorre – mas sem dizer ao mundo o que fazer a respeito – o Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) oferece uma visão sombria do estado atual do meio ambiente e faz previsões ainda mais preocupantes a respeito do futuro.

“O aquecimento do sistema climático é inequívoco, como agora é evidente, graças a obervações de elevações na temperatura global média do ar e dos oceanos, vasto derretimento do gelo e das neves, e elevação do nível médio do mar em escala global”, diz o texto.
O presidente do painel, o cientista indiano Rajendra Pachauri, referiu-se ao relatório como “um documento muito impressionante, que avança vários passos em relação à pesquisa prévia”. Uma importante cientista do governo dos Estados Unidos, Susan Solomon, declarou, durante o lançamento, que “não pode mais haver questão de que o aumento nos gases do efeito estufa é dominado pelas atividades humanas”.
O relatório afirma que já se pode atribuir às emissões provocadas pelo homem os seguintes problemas: menor número de dias frios; noites mais quentes; ondas de calor letais; enchentes e chuvas pesadas, secas devastadoras e um aumento na força de tempestades e furacões, principalmente no Oceano Atlântico.
E se você acha que a situação já é ruim, os efeitos durante o século 21 “serão, muito provavelmente, maiores que os observados durante o século 20”.
Previsões


O comitê prevê uma elevação de temperatura de 1,1º C a 6,4º C até 2100. Esta é uma faixa de variação maior que a que constava do relatório anterior, de 2001, mas o comitê também diz que a melhor estimativa fixa a mudança entre 1,8º C e 4º C.
No que diz respeito ao nível do mar, o relatório projeta elevações de 18 a 58 centímetros. Mas essa faixa pode ser ampliada em outros 10 a 20 centímetros se do derretimento das capas de gelo sobre as regiões polares continuar.

Além disso, diz o texto, não importa quanto a civilização corte suas emissões de gases-estufa, o aquecimento global e a elevação dos mares prosseguirão pelos próximos séculos.
“Não é uma coisa que dê para parar. Simplesmente teremos de viver com isso”, disse um dos co-autores do trabalho, Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas de Boulder (EUA). “Estamos criando um planeta diferente. Se você voltar daqui a 100 anos, teremos um clima diferente”.
Cientistas temem que os políticos interpretem mal a mensagem e simplesmente desistam de fazer algo a respeito. Isso seria errado, declarou Trenberth. O que é necessário é reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, adaptar as populações a um mundo mais quente, e com um clima mais maluco.
A questão aqui é destacar o que acontecerá se não fizer mos nada e o que acontecerá se fizermos algo“, disse outro co-autor, Jonathan Overpeck. “Posso dizer que, se decidirmos não fazer nada, os impactos serão muito maiores do que se fizermos alguma coisa”.

Na vanguarda da moda ecológica

A Lucia Freitas já havia comentado no post abaixo sobre a preocupação ecológica da São Paulo Fashion Week, mas garimpando pela internet, achei um artigo elogiando o evento e suas intenções ecológicas, com várias fotos dos tecidos “ecológicos” lá apresentados. O artigo é do World Changing, um site de sustentabilidade nota 10, cuja missão é:

“Worldchanging was founded on the idea that real solutions already exist for building the future we want. It’s just a matter of grabbing hold and getting moving.”

Afinal, um mundo diferente é possível.

Na Folha

Mares poderão subir por mais mil anos

Conclusão é de relatório de painel de cientistas ligado à ONU, que diz
que Terra esquentará em média 3C a mais até 2100.

Relatório do IPCC, que dará a última palavra sobre o estado do clima,
dirá que não há mais dúvida de que homem causa aquecimento.

“O nível médio do mar vai subir pelos próximos mil anos se os governos
não criarem um projeto para baixar as temperaturas médias globais
neste próximo século. A conclusão é de um aguardado relatório sobre
clima da ONU.

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), comitê de
2.500 cientistas responsável pelo relatório, vai publicar parte de
suas conclusões oficialmente no dia 2 de fevereiro, em Paris.
O relatório prevê mais secas, chuvas, perdas de gelo no Ártico e nas
geleiras, além da elevação do nível do mar até 2100. E adverte ainda
que o efeito do aumento das concentrações dos gases-estufa na
atmosfera vai durar por bastante tempo.

“As emissões de dióxido de carbono por atividades humanas no século 21
contribuirão para o aumento do nível médio do mar, e para o
aquecimento global, pelos próximos mil anos, tempo necessário para que
esse gás também seja removido” disseram fontes que revelaram trechos
do relatório.

Entretanto, o documento tem boas notícias sobre o intervalo de
alteração do mar. Novas projeções, baseadas em seis modelos, apontam
que a elevação ficará entre 28 cm e 43 cm. No relatório anterior do
IPCC, de 2001, as alterações apontadas eram de 9 cm a 88 cm.
Durante o século 20, o aumento do nível médio do mar ficou em 17 cm.
Essa alteração, agora, ameaça ilhas, zonas costeiras e cidades em
estuários.

O relatório afirma que é “muito provável” (até 90% de chance) que as
atividades humanas, lideradas pela queima de combustível fóssil,
estejam fazendo a atmosfera esquentar desde meados do século 20. O
relatório de 2001 dizia que essa ligação era “provável” (66% de
chances ou mais).

Em Nova Déli, o chefe do IPCC, Rajendra Pachauri, disse esperar que o
relatório possa “chocar” governantes e fazer com ajam. “Não se pode
deixar de considerar o crédito desse trabalho científico”, disse.
O rascunho do documento – o texto será finalizado um dia antes da
publicação, na França – projeta um aumento de temperatura entre 2C a
4,5C a mais do que os níveis registrados antes da Era Pré-Industrial.
A estimativa mais certeira fala em um aumento médio de 3C, assumindo
que níveis de dióxido de carbono se estabilizem 45% acima da taxa atual.
Essa estimativa é mais precisa do que a anterior, divulgada em 2001. O
último intervalo oficial começava em 1,4C e terminava em 5,8C. Não
havia uma medida intermediária, como haverá agora. A União Européia
diz que qualquer aumento superior aos dos 2C vai causar alterações
perigosas.

Estabilizar os níveis de dióxido de carbono poderá aumentar as
temperaturas futuras em 0,5C, principalmente entre 2100 e 2200. Em
2300, isso elevaria o nível do mar de 30 cm a 80 cm em relação a hoje.
Depois disso, então, ambas as taxas começarão a cair.

O nível do mar já esteve de 4 m a 6 m mais alto quando as temperaturas
estavam 3C mais quentes, há 125 mil anos.

A corrente do Golfo, que leva águas quentes ao Atlântico Norte, estava
bem mais fraca, mas não o suficiente para estagnar por completo sua
contribuição de aquecimento. Existe, agora, um pequeno risco de que
ocorra uma abrupta interrupção desse sistema de corrente até 2100.”

(Da Folha de São Paulo de hoje. Matéria gentilmente enviada pela Andréa N.)

Verde é fashion

A Bienal está invadida pela nuvem de fashionistas. É o SPFW que chega com a sua máquina de fazer notícias. De buzz marketing a pensamento verde, tem de tudo (até blog, como vocês já estão verdes de saber).
Acompanhei in loco umas três edições e não apareço por lá há três. A organização sempre teve uma atração por boas causas. O projeto Gota já circulou por lá e também o Cuide. São iniciativas para conscientizar este povo, teoricamente desconectado de assuntos “sérios” – e também dar visibilidade a algumas causas.
Garanto que o Paulo Borges, no meio da sua agenda pra lá de cheia encontrou tempo para assistir pelo menos à entrevista do Al Gore no Millenium, da GloboNews, sobre o documentário Uma Verdade Inconveniente. Isso se não foi ao cinema, comprou o livro e abraçou a causa.
Ou bem ele sinceramente abraçou a idéia ou está fazendo uma bela pose de bom moço. De toda forma não importa: o evento aderiu ao movimento e se “neutralizou” pelo ano inteiro.
O texto (e o selo) estão logo na entrada do site oficial do SPFW: “Quer saber como funciona? Ser carbon free é ser neutro na emissão dos gases na atmosfera. E para que isso aconteça o processo é simples: basta separar um tempo todos e contabilizar uma estimativa de quanto gás carbônico você joga na atmosfera todos os dias. O cálculo final vai estabelecer um número de árvores que deve ser plantado.”
Na prática, significa que a Luminosidade, empresa de Borges que organiza o SPFW, vai plantar quase cinco mil árvores de 80 espécies em trechos degradados da Mata Atlântica. E mais: há três “estações de sustentabilidade” na Bienal e mais um no Shopping Iguatemi – porque, afinal, moda é luxo só – que calculam o gasto dos visitantes e garantem a neutralização.
Quem está aqui pode ir até a Iniciativa Verde, calcular seus gastos e tornar-se totalmente verde. No meu caso, nenhuma viagem de avião e o uso de ônibus/metrô para transporte garante baixo custo também na neutralização: Sua emissão anual é de 0.63 ton/CO2. A The Green Initiative recomenda que 4 árvore(s) sejam plantadas.
Detalhes que ninguém vai te contar no site oficial dos fashionistas e descobri navegando:
1. A UMA ganhou o selo verde pela neutralização da emissão da loja no MorumbiShopping.
2. o selo da Garimpo+Fuxique é referente (ainda segundo o site) às emissões de 2006… Será que vão renovar o contrato?
Anyway, o mundo já ficou beeem melhor. Vou plantar minhas árvores.
[humor] Agora, só falta avisar que seres humanos jamais serão carbon free. É pura química! [/humor]

Iniciativa “3C”: 4 bilhões para combater mudança climática

Roma (EFE)- A ENEL investirá CE 4 bilhões para combater a mudança climática, anunciou hoje a companhia energética italiana.

A ENEL fez este anúncio no mesmo dia em que a imprensa italiana destacou que a Itália é um dos países mais atrasados na introdução de fontes de energias sustentáveis.

O comunicado indica que o conselheiro delegado da ENEL, Fulvio Conti, apresentou hoje ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, a iniciativa “3C”, na qual traça uma estratégia global para combater a mudança climática.

A iniciativa estaria referendada por outras quatorze companhias de energia líderes mundiais no setor.

Segundo a nota da ENEL, a companhia tem a intenção de investir CE 4 bilhões para fazer da sociedade energética italiana “a mais avançada do mundo na busca de soluções inovadoras para reduzir o impacto ambiental da produção e da distribuição de energia”.

“Daremos nosso apoio à iniciativa “3C” com numerosos projetos concretos. O programa de meio ambiente lançado pela ENEL se articula sobre três áreas principais: fontes renováveis, eficácia energética e pesquisa sobre as emissões”, afirmou Conti.

O conselheiro delegado se disse convencido de que “todas as opções, da tecnologia do carvão limpo até o hidrogênio e a energia nuclear, devem ser desenvolvidas para combater a mudança climática e garantir a segurança do fornecimento”.

Contribuição enviada por Paula Jalassi