Alimentos processados são feitos para cérebros processados.

salsicha

Atire a primeira pedra quem não gosta de salsicha. Sejamos francos: de qualquer embutido.

Dez por cento de eufemismo e noventa daquela aula de química que todo mundo matou. O eufemismo fica por conta do “carnes mecanicamente separadas”. As aulas, pela quantidade de “aditivos’ químicos adicionados para dar cor, sabor, cheiro, textura e que ninguém sabe o que significa… Ou seja, para dar aos sentidos humanos tudo o que ele precisa para apreciar embutidos. E comprar… E dar para as crianças que detestam espinafre, rúcula, abóbora, couve, chuchu, bife de fígado, cenoura, beterraba, alface, agrião… Não cabe, aqui, a quantidade de coisas que não trocaria a minha salsicha por elas…

Podem perguntar: o que tudo isso tem a ver com o meio ambiente? Como diria a grande defensora dos embutidos, “tudo a ver”!

Embutidos industrializados são a antítese da “filosofia” natural de viver.

Embutidos industrializados são a forma rápida de se alimentar. A natureza não privilegia o tempo como forma de se alimentar.

Embutidos industrializados são a forma, por excelência, do consumismo. A natureza privilegia a existência da vida. A natureza supre a necessidade, humanos a vontade criada pela propaganda.

Gostar e consumir embutidos industrializados, na realidade, é ser um ser que foi formado para aceitar com naturalidade que a destruição da natureza é algo natural.

Considerando a dita melhor técnica de escrever, a frase anterior é péssima, mas diz tudo.

Ela quer dizer, no fundo, que nossos cérebros também são processados. E processados para processar os cérebros dos nossos filhos.

E assim processamos nossos filhos para que se alimentem de embutidos industrializados. E para terem uma vida pensando que destruir a natureza é a mesma coisa que comer uma salsicha…

Como destruir vários ambientes com espécies invasoras

IMG_1848-1024x576Duas ideias de jerico. Na realidade, três se formos falar sobre as ovelhas, mas esta fica para outro post. Quem visita o Parque Nacional da Terra do Fogo, em Ushuaia, Argentina, pode observar o trabalho de castores canadenses fazendo suas represas. Sim, esses bichos são geniais, derrubam árvores para conter água. Acontece que, como deve ter reparado, eles são canadenses! E o que fazem do lado oposto do continente? E por que as lebres-europeias, provenientes do outro lado do Atlântico, também podem ser vistas ao lado deles no Fim do Mundo?

Bem, resumindo a história que você pode saber mais aqui, os castores foram introduzidos na região em 1946 pela indústria da pele. Sem predadores naturais, os 25 pares se transformaram em 100 mil indivíduos! Um problema para a bicharada local, que tem que competir por espaço e comida com eles, e para as árvores. Estas são derrubadas sem tempo de recomporem bosques, agora, no chão. Quer dizer, na água.

Por sua vez, as lebres-europeias foram colocadas na Patagônia para serem caçadas pelos homens. Isso mesmo, como um instrumento esportivo. Mas elas foram longe… Atualmente, podem ser encontradas aqui no estado de São Paulo comendo plantações! O caso da lebre-europeia é tão sério, que ela está causando a extinção da lebre-da-patagôniaEsta é rara de ser observada. Agora, a outra, eu mesma vi do ônibus dentro do Parque Nacional Los Glaciares, onde está o famoso glaciar Perito Moreno (Argentina). Aliás, há alguns anos, creio que foi ela que observei no Paraná. Para você ver como a ação humana sobre os animais pode causar um estrago continental.

Obs.: Estou fazendo uma série de posts sobre o meio ambiente e a ciência relacionados à Patagônia. Se pretende viajar para lá ou quer saber um pouco mais sobre o nosso continente, eis a chance!

FALÁCIA

carro-onibus-bicicleta

Há uma grande falácia na imagem acima, propagada como solução para todos os males.

A uma, se colocássemos todas as pessoas que andam de automóvel para andar de ônibus, estaríamos simplesmente trocando o engarrafamento de automóveis pelo engarrafamento de ônibus. A imagem, maliciosamente, mostra apenas UM ônibus, mas não mostra quantos, no total, seriam necessários para a substituição proposta.

A duas, Não sei qual fábrica de bicicletas seria capaz de produzir 190 milhões de bicicletas em tão curto espaço de tempo, como a imagem parece fazer crer.

A três, não levam em consideração a realidade geográfica das cidades. Tomando Porto Alegre como exemplo, uma cidade que vive 8 meses do ano abaixo de mau tempo e com uma topografia 80% constituída de morros, não sei como alguém poderá voltar do trabalho de bicicleta “ladeira acima”. Descer é fácil, afinal, “pra baixo todo santo ajuda”. Quero ver é ter que subir a Protásio todos os dias depois de oito horas de trabalho, carregando a cria na garupa!

E seriam milhares as razões a apontar que quem pensa e divulga esse tipo “raso” de solução é gente que definitivamente não pensa a cidade.

Sem falar nos caminhões que fazem a entrega da Smart TV que todo mundo agora pode comprar… Ok! Da simples logística que mantém nosso reles afã consumista…

Há que ter clareza quanto ao que seja uma cidade. Não somos mais cidades de encontro de mercadores dos séculos XVII ou XVIII; sequer industriais empregadores de mão de obra barata dos séculos XIX e XX.

E, no entanto, continuamos a ser medievais ao resolver os problemas das nossas cidades…

Decreto Ecológico

O texto a seguir foi escrito pelo meu querido amigo Nelson Valente (@Escritor4). Nelson é professor univesitário, jornalista e escritor e, além disso, um partícipe de grande e importante parte da história recente do Brasil. Com o título acima, ele publicou, em outubro de 2010, no Jornal O REBATE, uma verdadeira aula de legislação ambiental comparada, que vale o resgate, para que não se perca nas brumas da poluição… Ei-lo:

Em 1961, o Presidente da República tinha uma certa competência legislativa exercida através de Decretos, graças à Constituição de 1946. Saulo Ramos incentivou muito Jânio a usar de tal competência, inclusive cometendo algumas inconstitucionalidades, até hoje não contestadas. Não era difícil provocar o entusiasmo de Jânio que, excessivamente inteligente, captava rapidamente idéias novas, sobretudo se fosse de interesse público. Assim, Jânio e Saulo, numa conversa a sós, sem palpiteiros, discutiram longamente um decreto em defesa da ecologia e do meio ambiente, assunto desconhecido e misterioso, inclusive no exterior. Os dois, porém e atrevidamente, soltaram a imaginação e o pensamento criativo, concluindo que era preciso regulamentar a defesa do meio ambiente. – Redija hoje, que eu assino amanhã! Hoje, sem falta, mas inclua tudo o que discutimos – Mas hoje é sábado e amanhã é domingo. É preciso colher a assinatura do Ministro da Agricultura para referendar o decreto. E talvez de outros Ministros. – Não interessa. Quero o decreto amanhã. Talvez seja o domingo o dia em que os brasileiros menos estragam a natureza. Um bom dia para assiná-lo. Claro que somente recebeu a minuta na segunda-feira e ele próprio, com estremo entusiasmo, redigiu muitos dispositivos. Editou-se o Decreto n° 50.877, em 29 de julho de 1961, um dos primeiros atos normativos, em favor do meio ambiente, editados no mundo! Para se ter a idéia do pioneirismo, a lei de proteção às águas, na Itália, foi editada muito depois, é de 1976. No Canadá, a norma equivalente é de 1970 e na Suécia, é de 1969. Na Bélgica e Holanda, o direito positivo passa a editar normas ambientais, sobretudo relativas à defesa das águas, na década de 1980, embora a Holanda tenha tratado, em lei, da poluição das águas em 1969 e a Bélgica em 1971. A França, que costuma se antecipar às legislações européias,surgiu com o regramento ambiental somente em 1971 – Lei 76-633, de 19 de julho. Na Alemanha, a lei federal, que apenas sugere precauções para evitar efeitos prejudiciais ao ambiente, é datada de 15 de março de 1974, aperfeiçoada pela lei de proteção às águas em 1976. No Japão, a disciplina legal para a punição dos crimes “relativos à poluição ambiental com efeitos adversos sobre a saúde das pessoas” é de 1970. Nos Estados Unidos, as normas de proteção às águas datam de 1972 e, na Suiça, de 1971. Na Argélia, a legislação ambiental é de 1983, quando a lei 83-03, cuida da poluição das águas, proibindo o “lançamento de substâncias sólidas, líquidas ou gasosas, agentes patogênicos, em quantidade e em concentração de toxidade suscetível de causar agressão à saúde pública, à fauna e à flora ou prejudicar o desenvolvimento econômico” (art. 99). Como se vê, o texto reproduz, vinte e dois anos depois, a norma brasileira, editada por Jânio Quadros em 1961. Na Inglaterra, centro de tantos movimentos ecologistas, a lei de Controle da Poluição surgiu somente em 1974 e cuida, sobretudo, de descarga e efluentes industriais nos esgotos públicos (art. 43), embora passe pela poluição atmosférica (art. 75) e pela poluição acústica (art. 57 a 74). Impõe-se registrar, pela importância e pela larga previsão, o Decreto n° 50.877, de 29 de julho de 1961, do Presidente Jânio Quadros, dispondo sobre o lançamento de resíduos tóxicos ou oleosos nas águas interiores ou litorâneas. O ato normativo de Jânio Quadros proibiu terminantemente a limpeza de motores de navios no mar territorial brasileiro e foi mais longe: regulou o lançamento “às águas de resíduos líquidos, sólidos ou gasosos, domiciliares ou industriais, in natura ou depois de tratados”, permitindo-os somente quando “essa operação não implique na POLUIÇÃO das águas receptoras”. Neste decreto, a palavra “poluição” ingressou no direito positivo brasileiro com o sentido que tem hoje, diverso ou mais ampliado daquele adotado pelo verbo “poluir” do nosso Código Penal. Está definida pela própria norma em seu artigo 3°, verbis: “Para os efeitos deste Decreto, considera-se poluição qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas das águas, que possa importar em prejuízo à saúde, à segurança e ao bem-estar das populações e ainda comprometer a sua utilização para fins agrícolas, industriais, comerciais, recreativos e, principalmente, a existência normal da fauna aquática.” Ironia do destino: quase trinta anos depois, Jânio Quadros era prefeito de São Paulo e Saulo Ramos Ministro da Justiça. Um dia Saulo visitou o ex-presidente. Entre muitos assuntos, lembraram do decreto ecológico. E lamentaram: se aquele decreto houvesse sido respeitado e aplicado, São Paulo não teria perdido os rios Pinheiros e Tietê.

 

 

A velha e combalida “sustentabilidade ambiental”

Marina da Silva, ex-ministra do Meio Ambiente no Governo Lula, e detentora de 20 milhões de votos nas eleições de 2010, lançou hoje (16/02/2013), um novo partido. Ok, injustiça dizer que “ela” lançou, dado que havia muita gente em Brasília.

Não se discute o direito de quem quer que seja de criar o que quer que queira. Não vou entrar nesse mérito, a legislação de criação de partidos políticos rege-se pela Constituição. Ponto.

A plataforma básica da REDE (apelido que ela mesma criou e que permanecerá) é a sustentabilidade. Nas suas mais variadas acepções: tem espaço para qualquer um, não é do contra nem a favor, mas prevalece, pelas manifestações (e histórico) a questão da sustentabilidade ambiental.

O Faça tem por tradição não fazer política partidária e não serei eu a romper as regras. Mas… Quando a sustentabilidade se torna bandeira partidária, quero crer que caibam algumas observações.

A primeira delas, e quem tem a vontade de me ler por aqui sabe, é a de que o modelo de sustentabilidade desenvolvido e defendido nas últimas décadas do séc. XX acabou. Não se sustenta mais. Foi absorvido pelo “sistema”.

A proposta de um mundo novo ser possível naufragou na impossibilidade – muito simples – de alimentar esse “novo mundo”. Hortinhas de cebolinhas, manjerona, salsinha, etc. em casa, não irá trazer para a mesa dos famintos o feijão, o arroz, o pão, a margarina, o leite, o café,… E eis aqui a questão: as alternativas criadas pelos utópicos de 72 não passam disso: meras utopias sem olhar o horizonte…

Marina e seu partido escrevem – e assinam embaixo – que não querem doações de empresas que fabricam agrotóxicos, dentre outras. Afora a questão ideológica de ser intestinalmente contra o capitalismo que essas empresas representam, o modelo segue o padrão de sustentar uma humanidade de 50 mil habitantes e não de 10 BILHÕES como seremos em pouco tempo.

Não há, hoje, modelo de economia capaz de resolver essa questão. Mesmo os que produzem na “forma alternativa” sabem que, todos juntos, levariam algo como 500 anos – e contando com a diminuição da população – para conseguirem alimentar adequadamente a humanidade. O argumento de que o modelo atual também não consegue não procede, pois o problema não é de produção, mas de modelo de economia que privilegia a distribuição/venda. A economia é dita uma ciência, mas uma ciência que peca na principal raiz que a sustenta: a escassez.

Economistas (quase todos formados e letrados na economia defensora do lucro) defendem com unhas e dentes a máxima de que “os recursos são escassos”. A mesma economia, no entanto, criou um sistema de distribuição petróleo-baseado. Estradas para caminhões e automóveis. E uma vida plástico-baseada.

O plástico é infinito, parece! Esse “argumento” deve ter convencido Marina a aceitar como vice, em 2010, o dono da Natura que, não seria preciso dizer, EMBALA SEUS  PRODUTOS EM PLÁSTICO” e PAPELÃO (até onde sei, as embalagens não são feitas de papel reciclado).

O que a Marina quis dizer foi: acabemos com a economia capitalista que explora e destrói a natureza. Voltemos, nós os 10 bilhões de seres humanos, para as cavernas, de onde jamais deveríamos ter saído.

A Terra não é um útero, como queriam (e talvez ainda queiram) os defensores de Gaia. A Terra não é escassa e esgotável como defendem os que disso se valem para “fazer preço”.

Sobram recursos na Terra: sobra água, sobra terra, sobra comida, sobra verde, sobra tudo! Inclusive gente nas cidades!

O que falta é acabar com a hipocrisia de achar que um modelo “velho e combalido” de sustentabilidade ambiental é a solução para o Brasil.

“Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta”

Lendo esse post “Madeira de Demolição – moda ou atitude” (recomendo a leitura), no blog “Arquitetando Ideias“, da arquiteta porto-alegrense Elenara Stein Leitão, deparo-me, ao final do post, com a afirmação que usei como título: “Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta”.

A afirmação, assim meio solta, causa, no mínimo, um certo “Opa! Peraí! Que história é essa?” Primeiro fiquei tentando juntar o tico e o teco para ver se conseguiam, pelas suas próprias pernas, formular uma ideia razoável sobre o significado da frase, as implicações e consequências que a difusão de uma ideia dessas teria em termos da luta pela conservação ambiental.

Como o tico já anda velho e cansado, o teco resolveu tomar a dianteira e foi atrás do link. O link dá nesse post, também com o título de “”Sustentabilidade é agredir o ambiente de forma mais lenta”. Na verdade, é uma entrevista com o arquiteto inglês Michael Pawlyn. Na entrevista, que também deve ser lida, surge o que para mim era, até então, um conceito desconhecido: biomimética, ou biomimetismo.

Segundo Pawlyn, biomimética (bio = vida; mimetismo = imitação, adaptação) é uma prática que “prevê que o homem imitará a natureza para encontrar soluções que vão não só resolver os problemas do mundo, mas também recuperar os ecossistemas do planeta.”

Lá pelo meio da entrevista surge a confusão com o título (difícil de entender mesmo). Ao responder a pergunta “Poderia dar um exemplo de design sustentável e outro que seja de restauração?” Pawlyn diz:

“Digamos que um prédio de escritórios usa 30% menos energia elétrica, tem 20% menos concreto e janelas que conseguem filtrar a luz solar. Essas janelas, por exemplo, misturam diferentes materiais e todo o vidro que vai parar no ambiente não é reciclável. O concreto, mesmo em menor quantidade, continua sendo concreto, que é um material cuja produção emite muito gás carbônico. A conclusão é que apesar de ser menos agressivo, o prédio não contribui para a recuperação do ambiente. Ele apenas torna a agressão mais lenta.”

Parece ter sido uma transformação de interpretação. Pawlyn diz – ao que entendi, ao menos – que os atuais métodos aplicados como sendo de “sustentabilidade” apenas tornam a agressão à natureza mais lenta. Mas não disse, salvo melhor juízo, que sustentabilidade seja  (“É”) “agredir o ambiente de forma mais lenta”.

E Pawlyn conclui dizendo:

“A conclusão é que devemos ir além do conceito comum de sustentabilidade e recuperar o sistema agredido. Temos que sair de um nível estático, em que consumimos os recursos naturais de forma inconsequente, e sermos produtores dinâmicos de recursos.”

UFA! O teco parecia não estar muito errado na sensação que teve de que algo estava mal na afirmação do título… Agredir, mesmo que de forma “mais lenta” é bem diferente de fazer ações no sentido de “recuperar o sistema agredido”.  O título nos dá a ideia de que podemos continuar a destruir o ambiente, desde que reduzamos a velocidade.

OK, reduzir a velocidade do desmatamento, da mortandade de animais, da poluição, etc., ajuda, mas não é o conceito mais importante como, a primeira leitura, poderíamos pensar.

E aí surge a biomimética como tema de casa para estudo…

A banalização do meio ambiente

Fenômeno, de certa forma, esperado. Todo movimento de “contra cultura” um dia acaba banalizado, absorvido pelo sistema. O sistema tem disso, ele sabe perceber que a melhor maneira de derrotar seus inimigos é absorvendo as suas teses e transformando-as para proveito próprio.

Foi assim com os hippies e com o judaísmo-cristianismo (ou sistema judaico-cristão). Absorvidos. Com a luta por um meio ambiente sadio e sustentável não seria diferente. Mas qual a diferença entre a cultura hippie, a  judaico-cristã e a cultura de defesa pela conservação do meio ambiente?

As três tiveram os seus profetas e os seus messias. Hippies e defensores do meio ambiente, no entanto, diferem dos judeus-cristãos no ponto mais fundamental: a crença. Ou no seu corolário, o medo.

A cultura judaico-cristã atingiu as pessoas naquilo que lhes é mais caro: a finitude. Ao perceber o medo da finitude, a cultura judaico-cristã desenvolveu a crença na vida eterna. E acabou com tudo o mais.

Verdade seja dita: a maioria está se lixando para o meio ambiente pela simples razão de que, se ele acabar – e as pessoas acabarem também – as pessoas têm uma saída que o meio ambiente não tem: a vida eterna, “ao lado direito de Deus Pai”, como dizem os cristãos!

Não existe a crença no meio ambiente porque existe a crença na vida eterna. E, agora cumpre observar, não se trata apenas da cultura “ocidental”, a ver o que os mais de 3,5 bilhões de orientais – capitaneados pela China – andam fazendo com suas economias.

E tem mais, a cultura judaico-cristã desenvolveu o capitalismo, um sistema que tem por fundamento a exploração, seja do trabalhador, seja dos recursos do meio ambiente. O capitalismo também acredita na vida eterna. A vida da Terra não tem importância alguma diante das proezas que a tecnologia capitalista é capaz de fazer. Pouco importa se as futuras gerações verão árvores somente em filmes e fotografias (?): importa que para o capitalismo as pessoas estarão vivas para aproveitarem tudo quanto é produzido. A vida eterna, nos diz a cultura judaico-cristã por meio do capitalismo.

E essa crença no capitalismo é tão forte que mesmo as culturas orientais a ela se adaptam. O capitalismo os levará ao Nirvana! Mesmo que o Nirvana seja, também, uma fotografia colada na parede de algum quarto de um espaçonave qualquer perdida na galaxia!

A cultura judaico- cristã teve – e tem – o dom de desmaterializar tudo! Menos o que mais lhe interessa: a crença! E é justamente essa crença que permitiu absorver os hippies e, agora, permite absorver a defesa do meio ambiente.

Não há ser humano ou organização humana que não tenha por princípio ser “defensora do meio ambiente”. É, “capitalisticamente” falando, bacana para “imagem” defender o meio ambiente. Vende mais, alimenta mais ainda nossa sede de eternidade.

Na verdade, o que banaliza o meio ambiente é a nossa – dos profetas e messias modernos – incapacidade de mostrar que o meio ambiente é a vida eterna. Não a vida eterna de cada um, pois dessa a cultura judaico-cristã já cuida, mas a vida eterna da humanidade. Mesmo que esse eterno não passe de cinco bilhões de anos.

Sua comida pode estar em extinção

Devido à pesca predatória, inúmeras espécies de peixes usadas como alimentos por nós, humanos, estão em extinção na África do Sul – o mesmo ocorre aqui no Brasil. Para alertar os moradores e os turistas sobre esse problema, organizações públicas, não governamentais e privadas se uniram na divulgação colando cartazes de alerta em diversos pontos públicos como no Two Oceans Aquarium, em Cape Town (Cidade do Cabo).

Os cartazes são simples. Neles, espécies peixes com nomes e ilustrações foram separadas em três categorias dentro das respectivas cores: green (verde), orange (laranja) e red (vermelho). Os peixes da categoria verde, como é o caso da anchova e do dourado, podem ser consumidos. O cartaz alerta para o consumo moderado das espécies colocadas na categoria laranja, como o bagre. Essas espécies correm risco de extinção, mas menos do que as inseridas na categoria vermelha como, por exemplo, o incomum peixe-serra. Veja aqui, no site da WWF, a lista completa.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 85% dos estoques de peixes do mundo são superexplorados ou já foram explorados ao máximo. Para piorar a situação, estima-se que um quarto dos animais marinhos pescados são muitas vezes mortos ou desperdiçados por terem sido capturados acidentalmente.

Parece que os restaurantes de modo geral da África do Sul, graças a esse extenso alerta, têm evitado comercializar as espécies em risco de extinção – me corrija se eu estiver enganada. Mesmo assim, os peixes e alguns frutos do mar estão entre os principais alimentos consumidos por lá. Eu, por exemplo, vivi a base de lula e peixe – mais saborosos do que os daqui!

A África do Sul tem uma extensa área costeira (3.798 quilômetros). Lá, peixe e frutos do mar custa cerca de três vezes menos do que os consumidos no Sudeste do Brasil, sendo que a costa brasileira é de cerca de 8 mil quilômetros – mais que o dobro maior do que a sul-africana. Alguns estudos apontam maior quantidade de animais marinhos em águas frias como as da África do Sul. Essa explicação seria suficiente para justificar os preços mais altos dos frutos do mar por aqui, já que o litoral do Brasil é relativamente quente? Ou os peixes do Brasil correm mais risco por diversos motivos?

Enfim, os recursos marinhos são finitos. O que está sendo feito no Brasil para cuidar dessas espécies e desse ambiente tão especial?

 

Sobre turismo responsável

Turismo responsavel

Começa amanhã, segunda-feira, dia 18 de junho de 2012, o VI Congresso Internacional sobre Turismo Responsável. O evento já foi sediado em anos anteriores em Omã, em Belize, na Índia, no Canadá e na Cidade do Cabo, e este ano, nossa querida São Paulo é a sede – mais precisamente a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Serão 3 dias de discussões sobre os rumos do turismo em termos de cidadania e responsabilidade social, econômica, política e ambiental. Soa bacana.

Mas eu encasqueto com o termo, “turismo responsável”. Porque afinal todo turismo deveria ser encarado primordialmente com responsabilidade, por governos, turistas, oferecedores de serviço, etc. – e incluo blogueiros nesse balaio, quando indicam um passeio ou afim. Então acho meio estranho ter que adjetivar o turismo assim, “responsável”. Mas é claro, entendo o cerne do problema: o que a gente vê por aí de exemplos de turismo “irresponsável” com a população e o ambiente local não está no gibi. Infelizmente, o adjetivo se faz necessário.

A idéia do “turismo responsável” é focar na busca por uma melhor experiência e qualidade de vida tanto pro turista quando para o morador local, primordialmente encarando o turismo como uma indústria mais eficiente nesta busca e na diminuição da desigualdade sócio-econômica dos diferentes destinos. Em resumo, é a busca do turismo “sustentável” (outra palavra complicada…). E na prática, é o turismo em que todos ganham: destino, turistas, comunidade local, ambiente.

Mas turismo responsável (e sustentável) envolve na prática outros aspectos menos cheios de palavreado. Nós, humanos, impactamos o ambiente, esse é um fato praticamente indisputável. E não há situação de turismo em que não se impacte de alguma forma – não vivemos no vácuo, nossas ações sempre gerarão reações e consequências. Então, a meu ver, a questão que se coloca aqui é: como envolvidos no turismo, o que fazemos para diminuir esse impacto? Três tipos de ações surgem:

1) Ações individuais: praticadas pelo indivíduo, turista, prestador de serviço ou membros da comunidade local. Exemplo: “serviços” que hotelaria, restaurantes e afins oferecem a seus clientes com o selo “ecológico” (ou qualquer coisa nesse sentido). Tipo, só trocar as toalhas do apartamento uma vez durante a estadia da pessoa, ou gastar menos tempo tomando banho, para economizar água.

2) Ações coletivas: envolvem a comunidade local, o conjunto dos prestadores de serviço e/ou turistas. Exemplo: decidir empregar (ou se esforçar para empregar) em posições de destaque no gerenciamento de atividades turísticas pessoas locais e/ou que entendam o benefício prático real daquela atividade econômica para a comunidade local. (E empregar sem condescendência, que é uma das grandes pragas das políticas de “inclusão comunitária” no setor de turismo.)

3) Ações políticas: envolvem todo o grupo dos envolvidos em turismo, exercendo sua cidadania e voz sobre as autoridades oficiais competentes, na busca de um resultado positivo para o destino em questão. Exemplo: comunidade e prestadores de serviço se organizam para pedir a declaração de uma área como parque municipal/estadual/nacional.

Entretanto, não dá pra pensar em turismo responsável com ações de apenas um formato. Há de se buscar uma harmonia entre os 3 tipos de ações. Afinal, de pouco adianta um hotel oferecer opções “ecosustentáveis” aos seus clientes, se foi construído sem consideração ao manguezal ao redor. Não podemos tampouco encarar a questão só no âmbito político – embora o comprometimento político com o sócio-econômico num nível macro seja fundamental e muito mais próximo da comunidade local, é necessário que as pessoas, principalmente os turistas, entendam que escolhas individuais no curto período em que visitam um destino também impactam o turismo como um todo e contribuem para seu sucesso, fazendo parte da equação geral por um turismo mais responsável.

O julgamento individual é determinante. Algo que considero um ato grave contra o ambiente pode ser muito menos impactante pro outro. É por isso que há leis regulamentando pelo menos o geralzão da coisa. Mas é claro que no final das contas, a escolha em muitas situações será do consumidor/prestador de serviço/comunidade local. Como a inexistência de impacto é uma utopia, busquemos o equilíbrio, tendo como objetivo o menor impacto social e ambiental possível.

Portanto, da próxima vez que for viajar, faça seu dever de casa antes: busque opções turísticas que levem em consideração a diminuição do impacto danoso nos mais diversos níveis. Pergunte, entenda como o turismo local funciona. E, uma vez no destino, preste atenção às nuances: os restaurantes usam produtos hortifruti locais? A comunidade local participa da atividade econômica turística ou não? O patrimônio histórico é preservado, assim como a cultura local, há leis para tal? Como é o trato ao meio ambiente? Seja, acima de tudo, um turista responsável.

Mudança de hábito

@deniserangel e @Anaclaudiabessa-foto de @MelSalvi

Estamos, eu a amiga @anaclaudiabessa, lançando uma pergunta-desafio,  no Twitter, neste fim de ano. O desafio foi levantado no último LuluzinhaCampRJ, neste sábado, com o objetivo de trazer a reflexão sobre que mudanças efetivamente ocorreram em nosso dia a dia, em relação ao consumo consciente.

Trouxemos a discussão para cá e convidamos os leitores do Faça a sua parte a responderem de forma bem simples sobre o que mudou, de fato, em sua rotina, que hábitos se tornaram efetivos no que se refere ao consumo consciente .

Se você também acredita firmemente que uma mudança de comportamento se efetua a partir de uma reflexão, pare agora e pense em quais atitudes passaram a fazer parte de seu cotidiano que produzam um impacto positivo sobre o ambiente.

Algumas reflexões:

  • Usa mais transporte público, carona ou caminhadas?
  • Imprime apenas o absolutamente necessário, e em dupla face?
  • Consome mais produtos orgânicos e naturais e menos industrializados?
  • Leva ecobags ao mercado e não traz tantas sacolinhas plásticas?
  • Utiliza lâmpadas econômicas  em todo os ambientes da casa?
  • Seu consumo de água,  energia e alimentos é sustentável?
  • Separa o lixo corretamente para facilitar a reciclagem?
  • Compra produtos com nenhuma ou pouca embalagem?
  • Mantém sua caneca ou copo no trabalho e não utiliza copos descartáveis?
  • Usa pilhas recarregáveis sempre que possível e providencia o descarte correto das tradicionais?
  • Produz menos lixo e reaproveita mais os materiais?

Estas são apenas algumas mudanças  que  a maioria de nós já incorporou em seu modo de viver. Conte aqui para nós, quais dessas ou outras ações tornaram-se um hábito para você: 

O que mudou efetivamente em sua rotina em relação ao consumo consciente?