FALÁCIA

carro-onibus-bicicleta

Há uma grande falácia na imagem acima, propagada como solução para todos os males.

A uma, se colocássemos todas as pessoas que andam de automóvel para andar de ônibus, estaríamos simplesmente trocando o engarrafamento de automóveis pelo engarrafamento de ônibus. A imagem, maliciosamente, mostra apenas UM ônibus, mas não mostra quantos, no total, seriam necessários para a substituição proposta.

A duas, Não sei qual fábrica de bicicletas seria capaz de produzir 190 milhões de bicicletas em tão curto espaço de tempo, como a imagem parece fazer crer.

A três, não levam em consideração a realidade geográfica das cidades. Tomando Porto Alegre como exemplo, uma cidade que vive 8 meses do ano abaixo de mau tempo e com uma topografia 80% constituída de morros, não sei como alguém poderá voltar do trabalho de bicicleta “ladeira acima”. Descer é fácil, afinal, “pra baixo todo santo ajuda”. Quero ver é ter que subir a Protásio todos os dias depois de oito horas de trabalho, carregando a cria na garupa!

E seriam milhares as razões a apontar que quem pensa e divulga esse tipo “raso” de solução é gente que definitivamente não pensa a cidade.

Sem falar nos caminhões que fazem a entrega da Smart TV que todo mundo agora pode comprar… Ok! Da simples logística que mantém nosso reles afã consumista…

Há que ter clareza quanto ao que seja uma cidade. Não somos mais cidades de encontro de mercadores dos séculos XVII ou XVIII; sequer industriais empregadores de mão de obra barata dos séculos XIX e XX.

E, no entanto, continuamos a ser medievais ao resolver os problemas das nossas cidades…

Relógios a 300 km por hora!

Motorcycle Clock, por Michole Madden

Michole Madden é uma artista amante de coisas feitas a partir de metal frio. Ela tem a casa decorada com chaves enferrujadas e calotas vintage. Quando seu parceiro lhe trouxe um rotor de moto velha da loja de seu amigo, pensou logo que ele daria um relógio diferente. Foi assim que a Relógios reciclar surgiu.

Ela passou, a partir de então, a coletar peças de motocicletas antigas, bicicletas e outros objetos, e criar novas e belíssimas peças de cores e formas diferentes. Michole as transforma em relógios de reciclagem  originais , espetaculares, maravilhosos!

Michole diz que cada um desses relógios é uma obra de amor. Ela costuma passar dias procurando, em lojas de motos, oficinas mecânicas e locais onde há sucata, para encontrar peças interessantes.

Desta maneira, já percorreu um circuito enorme de brechós à procura de material para suas  criações. Depois de coletar uma caixa de coisas,coloca-as por dois dias em imersão,  faz a limpeza e o polimento de todas as peças antes de irem à bancada de trabalho de transformação.

Bicycle Clocks, por Michole Madden

Os relógios criados por ela são tão lindos e ficam muito bem em qualquer ambiente de casa ou de trabalho. Ela adora fazer encomendas personalizadas! Cada relógio é 100% original: Michole executa cada projeto exatamente como o comprador deseja para sua peça.

“Você pode deixar-me surpreendê-lo ou, se você  já tiver  um projeto,  eu posso criar algo singular.  Contacte-me hoje para  fazer o seu próprio relógio.”

Tentador, não? Nossa, eu gostaria demais de ter um destes! E você?

O que herdei dos meus pais e devo deixar para meus filhos?

Pois é,

Pesquisando na internet encontrei um dado de 2004: somente o Brasil produz algo em tormo de 45 milhões de metros de jeans e 204.207.000 de calças jeans. (fonte). A quantidade de água gasta para fabricar uma única calça jeans é de 151,4 litros. (“Segundo o designer da marca, Carl Chiara, o processo de lavagem normal para a fabricação de um jeans poderia gastar até 151,4 litros de água“).Ok! existem vários números por aí. Mas vamos tomar esses como exemplo, mesmo porque são fontes confiáveis, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e da Levi’s. Ainda segundo a Levi’s, para lavar uma calça jeans gastamos algo como 42 litros de água.

Pois bem, uma ducha normal, de boa qualidade, gasta entre 12 a 18 litros de água por minuto (fonte). Vamos abusar um pouco e usar 18 litros. Para concluir a etapa de dados, um bom e relaxante banho, com ducha a gás, leva em torno de 20 minutos. Agora as contas ficam fáceis.

Só no Brasil são gastos, por ano, para fabricar e lavar as calças jeans (considerando uma lavagem por semana): 30.916.939.800 l (para a fabricação) + 445.988.088.000 l (par lavar pelo uso). Somando, temos 476.905.027.800 litros de água. Isso mesmo, 477 bilhões de litros de água apenas no Brasil.

Euzinho, este que vos fala, gasta nos seus banhos (um por dia, pois vivo em terra fria) algo em torno de 6.570 litros/ano. Ufa! Fiquei tranquilo, pois isso representa apenas 72.588.284,29 dias, ou 198.872,01 anos da minha vida. Como o sol vai explodir somente a daqui 5 bilhões de anos, tenho tempo até lá. Dito de outra forma, o que se gasta para alimentar egos, com a produção brasileira de jeans, daria para 72,6 milhões de pessoas tomarem banho.

E como “Dois terços da população mundial em 2025 não terão acesso à água potável” (fonte), fico pensando: ok, vou fazer a minha parte e economizar água do banho para dar de beber a quem tem sede. Mais, vou fechar a torneira enquanto escovo os dentes ou faço a barba. E vou mijar no banho. Afinal, uma descarga gasta 20 litros. E vou apagar as luzes. Enfim, vou seguir, tim tim por tim tim, o roteiro da formiguinha. Vou preservar o meio ambiente. E, sacrifício dos sacrifícios, vou deixar de comer carne. Quem sabe assim o pum das vacas pare de poluir o ambiente.

Usei apenas um exemplo, o do jeans. Multiplique isso pelos milhões de exemplos onde a água é utilizada e terei que me manter vivo até quase o sol explodir. Pensando bem, até que será um fenômeno interessante, o suficiente para me fazer pensar em realmente mudar meus hábitos.

Mas Afonso, não se trata de economizar, o que queremos é uma mudança na “visão do mundo”; queremos que as pessoas tenham consciência de que estarão deixando um mundo ruim para seus filhos e netos e de que podem fazer alguma coisa para mudar. Sim, claro, lembro bem de 1972. Por sinal, lembro de coisas bem anteriores… Lembro do mundo que meus pais me deixaram.

Meus pais me deixaram à porta de um circo. Minha geração resolveu entrar nesse circo e atuar como os palhaços da vez. É, é como um palhaço que me sinto diante da tentativa de “fazer a minha parte”.  Como me sinto como um palhaço, com todos me olhando, cada vez que desfilo garbosamente pelo supermercado com minhas sacolas de pano, enquanto milhares não estão nem aí! Como me sinto como um palhaço, com todos me olhando, cada vez que coloco meu lixo, cuidadosamente separdo, para que o caminhão do lixo esmague tudo junto. Claro, minha consciência ficou tranquila por imaginar que pessoas poderão sobreviver pelo meu ato.

Cheguei a acreditar nessa baboseira toda. Mentira. As pessoas devem sobreviver pelas ações do poder público, que é pago pelo nosso trabalho. E não fazem. Lixo me sinto  a cada vez que digo “Filha, estás demorando muito no banho! Olha a natureza, deves economizar água!’ Palhaços do lixo e o que somos, todos os que defendemos o fazer a sua parte para que os demais usem e abusem do mundo tal qual querem e podem. E não adianta o argumento de que é mudando uma cabeça de cada vez que chegaremos lá. Antes disso o sol explodirá. Antes disso as empresas e a mídia já terão – como já estão fazendo – tomado conta da “causa ambiental” e vendido tudo quanto é porcaria sob o selo “nós defendemos a natureza”. E as pessoas simplesmente continuarão a acreditar nisso. E por quê? Por que é mais fácil enxergar um elefante que uma formiguinha.

Fazer a minha parte tornou-se gastar pólvora em chimango, como dizermos aqui no Rio Grande do Sul. Certo que continuarei a fazer minhas pequenas ações, mas não por acreditar num projeto, numa ideia, na natureza, mas porque algumas são qualidade de vida para mim e os meus. Ainda não cheguei ao ponto de ser ativo na destruição, mas não me peçam mais para ajudar a conservar.

Não privarei mais minha filha de seus banhos de meia hora enquanto corruptos de todas as espécies roubam meu dinheiro e … tomam seus banhos de meia hora (se fosse só isso…)

Foi esse o circo que meus pais me deixaram e esse será o mundo que deixarei para minhas filhas. Cabe a elas escolher, assim como coube a mim.

 

O caso Belo Monte

Importante notícia no blog da Telma Monteiro:

Animação em 3-D com narração de Dira Paes será lançado nesta quarta-feira em Belém, Pará

Nesta quarta, dia 15, será lançado em Belém (PA) um vídeo em duas partes de quatro minutos e com animação 3-D, que apresenta de forma clara e didática os impactos sociais, ambientais e econômicos da hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu. O vídeo foi produzido pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVS).
Intitulado Defendendo os Rios da Amazônia, o projeto faz parte de uma campanha nacional e internacional coordenada pelo MXVS, coalizão de organizações sociais e ONGs em defesa do Rio Xingu e contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Segundo os coordenadores do movimento, o vídeo alerta a sociedade brasileira para o processo atropelado, leviano, desrespeitoso e ilegal de planejamento e licenciamento do empreendimento pelo governo federal.
(…)”

Visite o blog e leia o restante… tem mais…

A base

finished_building11_or.jpg
Hoje entra em funcionamento a primeira base cientifica na Antártica com emissão zero de CO2. Isso porque usa fontes totalmente renováveis de energia, como eólica e solar. Mas o cuidado não se limita à emissão zero. Toda a base foi construída com material ecologicamente correto e a gestão dos dejetos garantirá a reciclagem e a decomposição com os meios mais modernos disponíveis. A base, belga, é a “Princess Elisabeth Station” que se situa na zona chamada
Utsteinen nunatak na Dronning Maud Land. Segundo Alain Hubert, da fundação Internacional Polar, realizadora da obra, a intenção é demostrar que se pode respeitar o ambiente até mesmo em condições extremas. A base abrigará cientistas que estudam o aquecimento global.

A última chance da indústria automobilística


Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo – basicamente carruagens sem os cavalos – eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830. Em 1920, 90% dos taxis de Nova Iorque eram movidos a bateria, época em que todos os bondes das cidades eram elétricos também – leia mais aqui.
Pensei: “Ora, como não desenvolveram a idéia desde então?” Bem, até desenvolveram, mas meio que em segundo plano, já que os motores a diesel e gasolina eram muito mais lucrativos. O petróleo era baratinho, fácil e abundante, e coisas como poluição do ar e doenças respiratórias, denunciadas por proto-ambientalistas ao longo do século 20, eram externalidades aceitáveis pelo bem do progresso.
Pois bem, quase um século depois, voltamos ao ponto de partida. O modelo de negócio baseado em carrões movidos a petróleo sofreu um grande baque com a crise financeira americana e o carro elétrico volta a ser uma opção – desta vez, até onde eu tenho lido, pra valer. As grandes fabricantes de carros dos EUA – Chrysler, GM e Ford – abriram o bico, estão na lona, implorando mais de US$ 30 bilhões para continuarem existindo. A população americana se diz contra o empréstimo, e muitos congressistas também. Eles sabem que, sem uma contrapardida equivalente, é jogar dinheiro no lixo. Muito dinheiro. Agora, qual seria uma contrapartida justa e viável? Certamente não estamos falando da baboseira de ver os altos executivos dessa indústria recebendo salários anuais de US$ 1
Ou essas empresas mudam pra valer, ou têm mais que ir pro buraco. Sim, porque se continuarem a tocar o negócio da forma como o fazem hoje, vão quebrar mais dia menos dia. Por que não, então, investir no futuro? Em projetos como Better Place, de um empresário israelense, que já despertou o interesse de países como Dinamarca, Austrália e Israel, além de alguns estados americanos, como a Califórnia e Havaí.
A idéia é criar uma extensa rede elétrica para alimentar os veículos por todo o país, com ênfase no transporte público. Mas quem quiser ter seu carrinho elétrico, sem problemas. Vai ser até mais fácil: você pagará pela quantidade de eletricidade que usar. E só. O carro pode ser até dado de graça. Um sistema semelhante ao que vem sendo adotado com sucesso na telefonia celular hoje. Só compra celular quem quiser algo exclusivo. A maioria, no entanto, vai adotar os modelos mais populares. Eu não compro um celular há quatro anos e ainda assim consegui ter bons aparelhos – hoje tenho um modelo smartphone razoavelmente bom. Genial, não? E o melhor: temos toda a tecnologia necessária para por esse projeto em prática.
Aí, GM, Chrysler e Ford! Querem mesmo sair do buraco? Então pensem com a sustentável cabeça de amanhã, não com a gananciosa e poluidora de ontem. Vai ser bom pra vocês e pra gente também!

Agenda nova e consciência responsável renovada

Fim do ano chegando. Hora de avaliar o trabalho realizado e planejar o novo período. E, neste momento, um objeto é fundamental para rever o que já fizemos e o que tencionamos fazer. As agendas. Eu, particularmente, sou obcecada por agendas. Tenho três, uma pessoal, outras duas para o trabalho. E, virtualmente, mais uma, para me lembrar dos compromissos com meus projetos on line.
E, falando nisto, dois de meus projetos relacionam-se à responsabilidade com a preservação do ambiente: a Rede Ecoblogs e o Faça a sua parte. E, obviamente, minhas agendas unirão o útil ao sustentável. Agendas de papel reciclado e que visem a patrocinar projetos que protegem o meio ambiente. Um destes projetos que pretendo apoiar é o TAMAR, cuja missão é proteger as tartarugas marinhas  no Brasil, e também dão apoio ao desenvolvimento das comunidades costeiras, de forma a oferecer alternativas econômicas que amenizassem a questão social, reduzindo assim a pressão humana sobre as tartarugas marinhas.
Como podem ver nas fotos, as agendas do projeto Tamar são lindas e ecologicamente corretas. Visite o site e conheça o projeto Tamar. Os produtos vendidos auxiliam no sustento de cerca de 1300 famílias e são uma importante fonte de recursos para o projeto. Então, pessoal, vamos lá colaborar com este trabalho tão importante e, ao mesmo tempo, proteger o ambiente evitando que milhares de árvores sejam derrubadas para fazer o papel convencional. Entrar o ano com a consciência ambiental em prática, com agendas novas e recicladas já é um dos primeiros itens a cumprir no ano que se inicia.
Imagem: agendas Tamar

Ressuscitando o Mar Morto

Os que acompanham o noticiário ambiental já estão carecas de saber que o mar não está pra peixe há tempos, no mundo inteiro, como esse excelente mapa do Guardian mostrou recentemente. Ou seja, morto, principalmente nas áreas costeiras.

Mas eis que leio no World Changing que alguns empreendedores de Israel, Autoridade Palestina e Jordânia se juntaram para se lançarem a um projeto complexo: ressuscitar o salgadíssimo Mar Morto. Ou seja, querem fazer o caminho reverso e trazer (quem sabe… eu sou uma otimista) um pouco de esperança aos mares do mundo à beira da morte.

O Mar Morto vem “secando” a uma taxa de quase 1 metro por ano, devido ao maior consumo da água do rio Jordão, o único rio que deságua nele. A idéia do projeto de ressuscitação é, entretanto, “simples”: canalizar parte da água do Mar Vermelho para o Mar Morto. Com isso, o Mar Morto também seria um pouco diluído e a água poderia se tornar menos salgada, viabilizando até talvez mais formas de vida. Normalmente, só algumas bactérias e fungos vivem no Mar Morto. Mas se o megaloprojeto funcionar, poderíamos sonhar com um Mar Morto utilizável, pescável e navegável. Se lembrarmos que a região é bem desértica e que água já é um recurso escasso por aquelas bandas, essa tentativa soa menos surreal.

Ambientalistas, claro, acham que há soluções menos custosas e mais eficientes com menor impacto ao ecossistema ao redor, como por exemplo, melhorar as condições do rio Jordão (menos poluição, reabilitação da água do rio para a vida animal, uso da água de forma mais equilibrada pelas plantações, etc.).

Enquanto nada se decide, o Mar que já é Morto até no nome vai secando dia após dia. Sem caráter supranatural, mas com bom planejamento e criatividade, podemos enxergar a possibilidade de renascimento aqui. Inspiração para ressuscitar outras áreas mortas de mares maiores no mundo…? 

Só o futuro nos dirá.

Florestas. Até quando haverá uma?

Este post faz parte do ciclo Debates Ambientais do Faça a Sua Parte.

O primeiro passo foi descer das árvores e habitar em cavernas. Depois de um longo tempo, aprendemos a construir casas. À medida que a população aumentava, aumentava o número de casas e se formaram as vilas e cidades. Para dar espaço às cidades que cresciam, as florestas foram asfaltadas, ligando cidades, vilas e zonas industriais. O retorno tornou-se impossível: não há cavernas suficientes e as árvores não oferecem o conforto a que estamos habituados. A convivência entre seres humanos e o verde das florestas parece ter se tornado um dilema: um dos dois deve diminuir para que o outro possa expandir-se. A natureza tem se ocupado em mandar-nos algumas calamidades que dizimam parte da espécie humana; os seres humanos também colaboram para a auto-destruição com a má alimentação que provoca doenças e embalagens que duram anos, trânsito assassino, criminalidade e guerras. Apesar dos esforços das duas partes, a população continua crescendo. Já há quem espera por uma hecatombe ou pela terceira guerra mundial para resolver – temporariamente – o problema. Há soluções? O dilema realmente existe? A convivência é realmente impossível?

Falar em controle da natalidade é comprar uma briga muito grande, mas algo precisa ser feito, ou o cimento também acabará. Enquanto soluções não despontam, podemos ao menos aumentar o número de árvores e preservar as que já existem. E não me refiro somente à Amazônia ou ao pouco que sobrou da Mata Atlântica. A China, por exemplo, tornou-se o maior exportador mundial de madeira; boa parte colhida ilegalmente das florestas russas. Também a Finlândia tem sido acusada de utilizar madeira das florestas primárias escandinavas e o reflorestamento de que tanto se ouve falar é basicamente de pinus, madeira utilizada ostensivamente no comércio que tem a vantagem de haver um crescimento rápido. Com a destruição da flora original perde-se, também, a fauna e a população nativa. De fato, nos 5% de florestas primárias escandinavas que restam, expreme-se a última grande população indígena europeia, os Sami. O resto do norte europeu não se encontra em situação diferente, assim como o Canadá com enormes problemas de desmatamento. Tentei informar-me sobre uma lei que transitava no congresso russo alguns anos atrás, a qual permitia o uso das florestas para projetos comerciais e de lazer (?), mas a busca obteve um resultado desestimulante. Somente 10% do desmatamento na Rússia é causado pelo comércio de madeira. O restante acontece em função dos projetos comerciais e para extração de petróleo e minérios. O problema é sempre de ordem econômica e política. Por que a imprensa internacional aponta o dedo para a Amazônia, toda vez que fala em preservação das florestas?

Recentemente, lendo uma matéria do Pedro Dória, não pude deixar de concordar quando ele fala sobre a falta de um projeto para a Amazônia. Mas por que ninguém fala, também, do Canadá, da Rússia, dos países europeus e da China, com seus desertos que crescem em ritmo jamais vistos? Não que os problemas alheios minimizem os nossos, mas não podemos nos sentir como os únicos vilões nessa história. O que você, leitor indignado com o problema da Amazônia, sabe sobre o que vem ocorrendo nos outros países?

A proposta, pois, seria de mudar o foco do discurso. Invés de falarmos de desmatamento e do fim das florestas, passássemos a falar, debater e promover o reflorestamento. O problema já existe e somos conscientes dele. Tratemos agora das soluções.

E por que não reunir todas as informações disponíveis sobre reflorestamento? A partir desse banco de dados que seria constantemente atualizado, procurar envolver o maior número de entidades para um projeto maior, que seria por em prática uma política de reflorestamento.

Se quisermos sair da esfera da utopia devemos fazer algo para mudar a situação. Algo como iniciar um projeto popular e buscar envolver todos os órgãos e entidades possíveis, para lançar uma campanha de reflorestamento. Associações de bairro, ONGs, prefeituras, escolas, universidades, pessoas famosas, os governos estaduais e o Governo Federal, a ONU, enfim, todos que pudermos atingir e estipular, digamos, o ano de 2012, como o Ano do Reflorestamento. Até lá, estudos, pesquisas, projetos e compromissos seriam elaborados.

Também parecia um sonho quando, em 1861, D. Pedro II decidiu mudar o panorama do Rio de Janeiro, que enfrentava o problema da falta d’água causado pela devastação das florestas que circundavam a cidade, para uso da madeira e para o plantio. Hoje a Floresta da Tijuca é a maior floresta artificial do mundo e a maior em área urbana. Também parecia um sonho a diminuição da poluição de Cubatão, conhecida nas décadas de 70 e 80 como a região mais poluída do mundo. Hoje Cubatão é sinônimo de recuperação de áreas poluidas. E o que dizer do projeto da Universidade Federal de Santa Catarina, que desenvolve tecnologia para recuperação de florestas degradadas? Quantos outros projetos e exemplos existem sem que se fale deles? O problema é que, isoladas, essas ações não causam o impacto que merecem.

A esse ponto deve haver alguém balançando a cabeça enquanto avalia a minha ingenuidade. Pois bem, todas as ações humanas contra ou a favor da natureza tiveram um início. Pode-se escolher entre ficar observando de camarote os acontecimentos ou fazer parte deles. Não é necessário ter que escolher entre desenvolvimento e preservação, como bem esclarece esta entrevista com o economista Lester Brown, fundador da ONG Worldwatch Institute e do instituto de pesquisas Earth Policy.

A convivência entre seres humanos e o verde das florestas não precisa continuar um dilema, mas cabe a nós mudar a situação. Sugestões, participação, idéias e propostas serão bem aceitas. As críticas, também.

Continue reading “Florestas. Até quando haverá uma?”