E pensar que jogamos este “lixo” fora há anos…

O uso do material reciclado já é uma realidade na vida de muitos bancos e grandes empresas, tanto em suas operações internas, quanto externas. Mas, além do papel reciclado, há tantos outros materiais que são jogados fora e que podem ser transformados em coisas maravilhosas como estas que selecionei abaixo:

Piso de borracha reaproveitada

piso chupeta

Foto: divulgação

A indústria farmacêutica tem endereço certo para mandar o refugo de borracha da produção de chupetas. Não são os aterros, mas sim a empresa Brasibor, que, com as sobras, desenvolve pisos atóxicos, autotravantes e antiderrapantes, ideais para playgrounds. São placas de 33 x 25 cm e 20 cm de espessura.

Carpete de milho

carpete milho

Foto: Leonardo Costa/MCA Estúdio

No lugar do náilon (derivado do petróleo), amido de milho. Assim é o carpete das novas coleções da americana Interface. Disponível em placas de 50 x 50 cm, é instalado com adesivo à base de água. O fabricante adota energia solar e biogás na produção, e ainda consome pouca água e matéria-prima. Isso porque o produto leva até 58% de material reciclado – carpetes velhos que a própria empresa coleta de seus consumidores.

E olha o coco…

coco

Foto: divulgação

Ideal para revestir paredes e pisos internos, bancadas e até móveis, os pastilhados Ekobe, feitos da casca do coco, ganharam nova opção de cor. A pastilha clareada corresponde à parte interna da casca e é resultado de um processo químico que, segundo o fabricante, não gera resíduos no meio ambiente. Em Maceió, a Ecom compra a matéria-prima de indústrias alimentícias da região. Processada, a casca da fruta vira pastilhas, que são montadas em placas flexíveis de 42 x 42 cm e 42 x 84 cm. A aplicação é simples, com cola branca e ferramentas de marcenaria, e a limpeza pede apenas pano úmido.

Fibras de banana na parede

banana

Foto: Leonardo Costa/MCA Estúdio

Refugo da agroindústria da banana, água e cinzas vegetais prensados com resina de mamona resultam no revestimento BananaPlac. As placas de 75 x 50 x 0,8 cm aceitam tingimento. Já o compensado de pupunha (placas escuras), premiado no Fórum Industrial de Hannover, na Alemanha, é obtido do tronco da respectiva árvore. Ambos os materiais resultam de pesquisas da Escola Superior de Desenho Industrial, do Rio de Janeiro, e são produzidos pela Fibra Design Sustentável.

Não são lindos?

Então, vale ou não vale a pena reaproveitar os materias descartáveis? Se continuarmos acreditando e fazendo nossa parte, um dia estaremos separando vidro verde, vidro preto, vidro azul, sapatos, roupas, lâmpadas, chupetas, e o que mais se possa imaginar, cada um em seu local específico, com destino certo, não para um lixão ou aterro, mas para indústrias ou projetos sociais que irão reutilizar, reciclar, reformar, reviver! Vamos separar nossos “lixos”!

Fonte: aqui

Projeto Forro Vida Longa…

… é o nome de um projeto para reutilização do alumínio presente em embalagens de leite e outros “longa vida” que está sendo elaborado na Unicamp. O uso do alumínio é como refletor térmico. Dicas passo a passo, bem no estilo “faça você mesmo”, com orçamento descrito e idéias de uso. Lúdico e ecológico. Vale a pena conferir o site.

(Dica gentilmente cedida pela Alline.)

Na vanguarda da moda ecológica

A Lucia Freitas já havia comentado no post abaixo sobre a preocupação ecológica da São Paulo Fashion Week, mas garimpando pela internet, achei um artigo elogiando o evento e suas intenções ecológicas, com várias fotos dos tecidos “ecológicos” lá apresentados. O artigo é do World Changing, um site de sustentabilidade nota 10, cuja missão é:

“Worldchanging was founded on the idea that real solutions already exist for building the future we want. It’s just a matter of grabbing hold and getting moving.”

Afinal, um mundo diferente é possível.

Mudança de Hábito

No Brasil, na Bahia e em outros estados, já existem escolas, empresas e instituições que aderiram à idéia da coleta seletiva do lixo. Nos corredores de espaços coletivos observamos que há vasilhames de plásticos, com as suas devidas especificações de produtos como plásticos, papel, metal, vidro, orgânico, etc.

A intenção dos idealizadores da coleta seletiva é fortalecer o novo paradigma da sustentabilidade. Mas, estamos concluindo que não adianta apenas colocar os vasilhames específicos, é necessário, paralelamente, difundir, também, o porquê da coleta seletiva. A cultura do mau hábito, ou seja, de jogar o lixo em qualquer lugar, ainda prevalece. O aluno da escola, o funcionário da empresa, não tem o cuidado de ler ou fazer a relação da cor com o produto especifico para a coleta, nos vasilhames. Nessa pressa o vidro vai para o vasilhame do plástico, o orgânico vai para o de metal, o papelão vai para o orgânico, numa mistura danada de ruim e, continuamos sem concretizar a proposta de educação ambiental, que tem na falta de cuidado com os resíduos, sólidos ou líquidos, um dos seus grandes problemas ambientais.

Numa das palestras das “Quintas Ambientais” promovida pelo CRA da Bahia, o jornalista André Trigueiro revelou dados como o de que para o Brasil promover o seu saneamento básico, hoje, seriam necessários cerca de 40 bilhões de reais. Sabendo que para o saneamento é necessário, primordialmente, o controle da destinação do “lixo” a partir de cada casa, da escola, do hospital, da empresa, a sociedade está sendo convidada a promover o “Pacto Doméstico para a Coleta Seletiva do Lixo” promovido pelo Movimento AMA ­Amigos do Meio Ambiente.

Nesse pacto cada residência ou estabelecimento de ensino ou comércio, não só educaria a sua comunidade para fazer a coleta seletiva do seu lixo, como justificaria os ganhos sociais e econômicos que cada um teria na simples mudança de comportamento, ou seja, deixando de jogar qualquer coisa em qualquer lugar, para apenas colocar no vasilhame certo, aquilo que esta indicado.

No bairro do Saboeiro, em Salvador, num condomínio Fernando Presídio, por exemplo, alguns moradores como Andrea Almeida, informa que aprendeu a diferença entre separar e misturar e está realizando este procedimento, que tem o apoio da AMA – Amigos do Meio Ambiente e dos moradores. Os ganhos econômicos obtidos com a separação de latinhas, vidro, papelão e outros produtos estão agregando valor ao ambiente e para os cadadores, que fazem da atividade uma fonte de renda. Outros condominios contactados pela AMA vendem os produtos e os recursos são revertidos para benefícios e reivindicações feitas pelos próprios moradores, como jardinagem, manutenção de espaço esportivo, segurança, etc.

Em lugares como Los Angeles, nos Estados Unidos, 65% do lixo doméstico ou das empresas, já não estão mais indo para as portas e sim para a reciclagem direta nos lugares que promovem essa política.

No Brasil, onde o desemprego sempre foi um grande problema social, os catadores deveriam já estar com a sua atividade regulamentada e reconhecida como um grande aliado para a sustentabilidade, agregando valor econômico e de saneamento para o bem da saúde publica.

A AMA esta fazendo parcerias com empresas de serviços fotográficos, como a Objetiva filmes, para a doação de potinhos de filme, que estão sendo utilizados como porta-bituca de cigarros. Porque, uma bituca, mais uma bituca, no chão, são duas bitucas, e, uma bituca, menos uma bituca, é zero bituca. E essa é a meta. “LIXO ZERO”

Texto enviado por Liliana Peixinho, jornalista, ambientalista, coordenadora da AMA-Amigos do Meio Ambiente e moderadora da lista de discussão REBIA-Nordeste.