Serra da Cantareira: aquela que São Paulo não vê

VEJA O VÍDEO AQUI.

“Quem casa, quer casa.” Estávamos, o marido e eu, à procura de um imóvel para morar. Selecionamos bairros pelos quais simpatizávamos mais próximos ao comércio, com facilidade de transporte público e, acima de tudo, que evitasse grande deslocamento ao trabalho – este é um sonho para quem vive em uma cidade com 11 milhões de habitantes como São Paulo. Depois de literalmente rodarmos a cidade, optamos pela Zona Oeste.

Apesar de toda essa preocupação em facilitar o cotidiano, após fechado o apê, o que me fez apaixonar por ele foi a vista: “Dá para ver a Serra da Cantareira”! Eu não acreditava que essas montanhas destacadas apenas em mapas geográficos do colégio – ou de aviação – pudessem estar tão pertinho de mim. Ironicamente, quem me apresentou para valer a “Serra” foi o meu marido enquanto namorávamos – e nem imaginávamos que iríamos nos casar e, muito menos, morarmos em frente a ela. Ele me mostrou que há um parque visitável incrível chamado (adivinhe): Parque Estadual da Cantareira. Do alto da sua Pedra Grande, dá para ver São Paulo quase inteira. Uma floresta de concreto.

Todo dia, assim que acordo e quando chego em casa, a primeira coisa que faço é abrir as cortinas da minha casa para o mundo. Respiro fundo com a Serra no horizonte. Se está sol e tempo limpo, dá para observar cada frondosa árvore. Nos dias nublados, parece que a Serra é feita de algodão pintado com diferentes tons de verdes e até azulados. Percebi que pode chover na Zona Norte, enquanto na Zona Sul o céu está limpo, porque as nuvens se acumulam sobre o acidente geográfico. E que chuva boa. Ela ajuda a abastecer a Cantareira, que justamente recebeu esse nome em alusão aos cântaros levados com água do local pelos tropeiros em viagem lá pelo século XVI.

Ignorada pela floresta de concreto, a Serra da Cantareira continua até hoje fornecendo água aos sedentos pelo “desenvolvimento”. Abro a torneira e sei que esse líquido cristalino é um presente da serra que abraça a cidade. Daquela que está atrás de mim enquanto lavo a louça, zelando por nossa saúde. O vídeo é minha homenagem a uma protagonista da nossa vida, mas invisível aos olhos dos habitantes da Região Metropolitana que só vivem no futuro. Sem a Serra da Cantareira, haveria amanhã?

Por uma infância mais sustentável

Cidadãos unidos por uma infância sustentável

O que publicidade infantil tem a ver com sustentabilidade? Provavelmente um leitor deste blog já tem a resposta na ponta da língua: tudo!

“A publicidade infantil é danosa às crianças quando as pressiona a desejar cada vez mais bens de consumo, associando-os a um discurso enganoso de alegria, felicidade e status social. Além de trazer sofrimento às crianças que não podem obter esses bens devido à falta de recursos financeiros, essa pressão não pode ser devidamente elaborada pelos pequenos, cujo senso crítico ainda está em desenvolvimento.”

Os atuais níveis de consumo de grande parte dos habitantes desse nosso mundão estão muito além daquilo que o planeta pode suportar. Por isso, sempre defendemos aqui no Faça a sua parte uma reflexão sobre o que, por que e como consumimos. O famoso primeiro “erre”: repensar. Do jeito que as coisas estão, sabemos que não podem ficar.

“[…]estamos diante de um novo fato: pela primeira vez na história humana, se questiona a forma como estamos consumindo o planeta Terra. As crianças de hoje serão responsáveis pelo planeta de amanhã. Mas, ao invés de serem educados para se tornarem cidadãos conscientes, eles estão sendo formados consumidores desde a mais tenra idade.”

Sim, é aí que começa a construção desses hábitos de consumo que, muitas vezes, levamos conosco pela vida inteira: na infância. E é aí que entram os efeitos negativos da publicidade infantil da maneira como é feita hoje no Brasil (em em muitas partes do mundo também). As empresas e publicitários precisam repensar a maneira como se comunicam com nossas crianças. E o Estado precisa nos ajudar nessa tarefa, fornecendo, no mínimo dos mínimos, diretrizes norteadoras para proteger a infância do atual bombardeio publicitário.

“[…]defendemos que, para cumprir nossa responsabilidade de educar nossos filhos para a cidadania e a sustentabilidade, precisamos do apoio efetivo do Estado e da responsabilização efetiva das empresas privadas, dos veículos de comunicação e das agências de publicidade.”

Para um futuro sustentável, precisamos assegurar que os valores da infância que realmente importam sejam defendidos. E, hoje, a publicidade infantil não está fazendo seu papel adequadamente.

“O excesso de propagandas e o conteúdo manipulatório delas dificulta uma educação cidadã e sustentável, a qual todos desejamos.”

Por esse motivo, convido vocês a conhecerem o movimento Infância Livre de Consumismo (no blog, no Twitter e no Facebook), que hoje está promovendo a blogagem coletiva #desocupaCONAR para mostrar que não estamos satisfeitos com a atual autorregulamentação a que o setor é submetido, já que esta tem se mostrado ineficiente em punir e evitar abusos na publicidade infantil.

Essa blogagem está ocorrendo hoje porque amanhã, dia 3 de julho de 2012, será um dia marcante para o movimento, que estará em Brasília participando de uma audiência pública referente ao Projeto de Lei 5921/01, que pretende determinar um novo regramento para a publicidade infantil no Brasil. Pela primeira vez, os pais e mães serão representados num evento dessa grandeza!

Então vamos juntos, pois um mundo melhor é para todos.

(Nota: os trechos entre aspas e em itálico foram retirados da descrição do movimento Infância Livre de Consumismo.)

Mulheres, desenvolvimento sustentável e a inversão da discriminação de gênero

Recente documento, apresentado pelo governo brasileiro como contribuição ao “processo preparatório da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável”, mais conhecida como RIO+20, (íntegra aqui), merece diversas considerações. A uma, por se constituir nas “visões e propostas iniciais” do Brasil frente aos demais países que comparecerão à conferência; a duas, por conter todo um “embasamento” ideológico norteador.

O documento é, como proposta ideal, muito bom. Assume, pelos temas que enumera no capítulo I, que desenvolvimento sustentável é algo que passa além do mero conservacionismo da natureza. Na realidade, em uma leitura atenta percebe-se a assunção de responsabilidade por parte do governo. Temas como erradicação da pobreza extrema, segurança alimentar enutricional, equidade, acesso à saúde, trabalho decente, emprego e responsabilidade social das empresas, educação, cultura, promoção da igualdade racial, e tantos outros, nada mais são que ações a serem realizadas pelo governo (em todos os seus níveis).

Dessarte, sobreleva um tema, o de número 8, “Gênero e empoderamento das mulheres”. Reproduzo:

Relatório da ONU demonstra que a persistência das desigualdades entre gêneros é o maior entrave ao desenvolvimento humano nos países. Essa desigualdade, segundo a ONU, chega a provocar perdas de até 85% no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e apresenta diferenças entre o meio rural e urbano.

As mulheres desempenham, entretanto, papel central para o êxito das políticas de desenvolvimento sustentável, especialmente na promoção de padrões de produção e consumo sustentáveis. Responsáveis pela maior parte das decisões de compra e investimento das famílias, as mulheres devem ser o foco prioritário de políticas de educação e conscientização para o desenvolvimento sustentável. (grifo meu)

A perspectiva de gênero e as medidas para a promoção da participação da mulher em posições de poder devem ser consideradas de forma transversal no desenvolvimento sustentável, perpassando o conjunto das políticas públicas nacionais e iniciativas internacionais.  A importância do recorte do gênero para o desenvolvimento sustentável deve ser reconhecida tanto nos espaços urbanos quanto nos rurais, bem como na administração pública e nas atividades produtivas.

À primeira vista, o tema parece conflitar com o tema da equidade ( 3), onde se lê: “a ideia da equidade é transversal a vários dos desafios novos e emergente, como gênero, raça e etnia, consumo…”. À segunda vista, o tema chega a conclusões baseadas tão somente nas premissas escolhidas e que poderiam, sem dúvida, conduzir ao resultado desejado. Não me parece muito científico isso. Asim como fez questão de citar a fonte, quando referenciou a ONU, o texto não faz referência de onde tirou a informação de que as mulheres são as responsáveis “pela maior parte das decisões de compra e investimento das famílias”.

Parte-se da ideia de discriminação do gênero mulher, para estabelecer uma nova discriminação (a inversão da discriminação do gênero): a do gênero homem. Os homens não devem ser “o foco prioritário de políticas de educação e conscientização para o desenvolvimento sustentável”.

Melhor teria sido, a meu ver, se o foco prioritário fosse “as crianças”. A RIO+20 (e tantas e tantas conferências mundiais sobre essa tema e congêneres) é uma conferência sobre o futuro e não sobre o passado. É uma conferência para garantir um futuro digno muito mais para quem será adulto daqui a 40, 50, 100 anos, do que para nós, boas parte, senão já, próxima do terço final de vida. E como conferência para o futuro, deveria priorizar que será do futuro. Como se diz, é de pequeno que se torce o pepino…

Embora louvável do ponte de vista ideal, o documento está eivado de uma ideologia, como disse no início. Além da questão do gênero e de outras, razão de outros posts, a começar pela escolha do tema primeiro: “Erradicação da pobreza extrema”. Nada mais, nada menos, que o slogan do atual governo.

Infraestrutura para a sustentabilidade

Hoje de manhã, lendo as notícias, vi uma chamada para esta matéria do blog De Bike:

http://oglobo.globo.com/blogs/debike/posts/2011/09/13/onde-eu-posso-parar-minha-bicicleta-405353.asp

Fiquei pensando nas dificuldades que enfrentamos quando optamos por nos deslocar de bike. Depois de encarar o trânsito, em geral pouco amigável, o ciclista tem que se preocupar em pensar onde vai parar seu meio de transporte. E, se arruma um lugar em que a magrela não atrapalhe a passagem de pedestres, corre o risco de ver um batalhão deixá-lo a pé. E fiquei pensando na solução oferecida ao ciclista, que perguntou ao guarda onde, então, poderia parar sua bicicleta, já que acorrentada ao poste não podia: que estacionasse perto das motos. No vídeo não aparecia o local de estacionamento das motos, mas em geral é um espaço onde não há nenhum meio de acorrentar uma bicicleta. Então o cara chega no trabalho, desce da bike e a deixa solta no meio da rua? Rélô-ou! Se presa a bike já corre o risco de ser levada, imagina solta.

E por que não mobilizam esses guardas todos para patrulhar áreas propensas a roubos de bicicletas?

Ou para apreender a Mercedes deste cidadão?

É importante que as perguntas feitas pelo Eduardo e a Renata sejam respondidas: “Agora pergunto, pra onde essas bicicletas vão? De que forma é possível resgatá-las? Quais são as regras para parar bicicletas nas ruas, caso não tenha bicicletários/paraciclos por perto?” Eu também quero saber para onde vão as bicicletas e como seus proprietários podem recuperá-las. Transparência, é só isso que a gente quer.

Eu acredito que quem escolhe a bicicleta como meio de transporte merece um profundo respeito do resto do povo e, acima de tudo, do governo. Essas pessoas estão ajudando a criar um mundo menos poluído, com menos trânsito, mais humano, mais silencioso, mais harmônico. Essas pessoas precisam ser estimuladas, não desencorajadas. Que mensagem a prefeitura está passando para quem gostaria de usar a bicicleta como meio de transporte, mas ainda não tomou coragem de tirar a poeira da magrela e se locomover de uma forma mais sustentável?

Pedalar fica parecendo perigoso, ilegal e complicado. Lamentável. E isso aconteceu no Rio, mas poderia ser em outro lugar. Aliás, respeito pelos ciclistas é algo que o Brasil ainda está longe de ter.

O que herdei dos meus pais e devo deixar para meus filhos?

Pois é,

Pesquisando na internet encontrei um dado de 2004: somente o Brasil produz algo em tormo de 45 milhões de metros de jeans e 204.207.000 de calças jeans. (fonte). A quantidade de água gasta para fabricar uma única calça jeans é de 151,4 litros. (“Segundo o designer da marca, Carl Chiara, o processo de lavagem normal para a fabricação de um jeans poderia gastar até 151,4 litros de água“).Ok! existem vários números por aí. Mas vamos tomar esses como exemplo, mesmo porque são fontes confiáveis, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e da Levi’s. Ainda segundo a Levi’s, para lavar uma calça jeans gastamos algo como 42 litros de água.

Pois bem, uma ducha normal, de boa qualidade, gasta entre 12 a 18 litros de água por minuto (fonte). Vamos abusar um pouco e usar 18 litros. Para concluir a etapa de dados, um bom e relaxante banho, com ducha a gás, leva em torno de 20 minutos. Agora as contas ficam fáceis.

Só no Brasil são gastos, por ano, para fabricar e lavar as calças jeans (considerando uma lavagem por semana): 30.916.939.800 l (para a fabricação) + 445.988.088.000 l (par lavar pelo uso). Somando, temos 476.905.027.800 litros de água. Isso mesmo, 477 bilhões de litros de água apenas no Brasil.

Euzinho, este que vos fala, gasta nos seus banhos (um por dia, pois vivo em terra fria) algo em torno de 6.570 litros/ano. Ufa! Fiquei tranquilo, pois isso representa apenas 72.588.284,29 dias, ou 198.872,01 anos da minha vida. Como o sol vai explodir somente a daqui 5 bilhões de anos, tenho tempo até lá. Dito de outra forma, o que se gasta para alimentar egos, com a produção brasileira de jeans, daria para 72,6 milhões de pessoas tomarem banho.

E como “Dois terços da população mundial em 2025 não terão acesso à água potável” (fonte), fico pensando: ok, vou fazer a minha parte e economizar água do banho para dar de beber a quem tem sede. Mais, vou fechar a torneira enquanto escovo os dentes ou faço a barba. E vou mijar no banho. Afinal, uma descarga gasta 20 litros. E vou apagar as luzes. Enfim, vou seguir, tim tim por tim tim, o roteiro da formiguinha. Vou preservar o meio ambiente. E, sacrifício dos sacrifícios, vou deixar de comer carne. Quem sabe assim o pum das vacas pare de poluir o ambiente.

Usei apenas um exemplo, o do jeans. Multiplique isso pelos milhões de exemplos onde a água é utilizada e terei que me manter vivo até quase o sol explodir. Pensando bem, até que será um fenômeno interessante, o suficiente para me fazer pensar em realmente mudar meus hábitos.

Mas Afonso, não se trata de economizar, o que queremos é uma mudança na “visão do mundo”; queremos que as pessoas tenham consciência de que estarão deixando um mundo ruim para seus filhos e netos e de que podem fazer alguma coisa para mudar. Sim, claro, lembro bem de 1972. Por sinal, lembro de coisas bem anteriores… Lembro do mundo que meus pais me deixaram.

Meus pais me deixaram à porta de um circo. Minha geração resolveu entrar nesse circo e atuar como os palhaços da vez. É, é como um palhaço que me sinto diante da tentativa de “fazer a minha parte”.  Como me sinto como um palhaço, com todos me olhando, cada vez que desfilo garbosamente pelo supermercado com minhas sacolas de pano, enquanto milhares não estão nem aí! Como me sinto como um palhaço, com todos me olhando, cada vez que coloco meu lixo, cuidadosamente separdo, para que o caminhão do lixo esmague tudo junto. Claro, minha consciência ficou tranquila por imaginar que pessoas poderão sobreviver pelo meu ato.

Cheguei a acreditar nessa baboseira toda. Mentira. As pessoas devem sobreviver pelas ações do poder público, que é pago pelo nosso trabalho. E não fazem. Lixo me sinto  a cada vez que digo “Filha, estás demorando muito no banho! Olha a natureza, deves economizar água!’ Palhaços do lixo e o que somos, todos os que defendemos o fazer a sua parte para que os demais usem e abusem do mundo tal qual querem e podem. E não adianta o argumento de que é mudando uma cabeça de cada vez que chegaremos lá. Antes disso o sol explodirá. Antes disso as empresas e a mídia já terão – como já estão fazendo – tomado conta da “causa ambiental” e vendido tudo quanto é porcaria sob o selo “nós defendemos a natureza”. E as pessoas simplesmente continuarão a acreditar nisso. E por quê? Por que é mais fácil enxergar um elefante que uma formiguinha.

Fazer a minha parte tornou-se gastar pólvora em chimango, como dizermos aqui no Rio Grande do Sul. Certo que continuarei a fazer minhas pequenas ações, mas não por acreditar num projeto, numa ideia, na natureza, mas porque algumas são qualidade de vida para mim e os meus. Ainda não cheguei ao ponto de ser ativo na destruição, mas não me peçam mais para ajudar a conservar.

Não privarei mais minha filha de seus banhos de meia hora enquanto corruptos de todas as espécies roubam meu dinheiro e … tomam seus banhos de meia hora (se fosse só isso…)

Foi esse o circo que meus pais me deixaram e esse será o mundo que deixarei para minhas filhas. Cabe a elas escolher, assim como coube a mim.

 

O que é sustentabilidade corporativa, afinal?

Hoje em dia, ser sustentável está na moda. O que tem de propaganda por aí de marcas que se dizem sustentáveis não cabe no gibi, como diriam nossos avós. Mas como nós, consumidores, fazemos para avaliar se estão dizendo a verdade ou não? Afinal, a galera do marketing é craque em vender gato por lebre. E, como sempre, o consumidor tem que ficar ligado.

Tem banco e tem supermercado que faz alarde porque montou uma agência ou uma loja com base em princípios de sustentabilidade. São iniciativas importantes? São. Mostram que é possível economizar água, energia, recursos em geral. Mas grandes empresas, com agências e lojas espalhadas por todo o Brasil, precisam fazer mais, muito mais. A sustentabilidade precisa permear todas as ações, em todos os departamentos. O banco faz uma agência linda, toda eco, mas quando você abre uma conta, recebe em casa uma papelada desnecessária, que vem dentro de envelope, caixa, com faixa de papel bonitinha – um monte de coisa cujo destino é o lixo (pode até ser o reciclável, mas é lixo). O mercado lança a loja construída com base na arquitetura sustentável, mas tem corredor cheio de biscoitos recheados, salgadinhos de glutamato monossódico e congelados sem nenhum valor nutritivo (e um monte de embalagens). Além das embalagens, tem a questão da saúde. Promover a saúde também é promover a sustentabilidade? Basta incentivar os clientes a levaram ecobags ou acondicionarem suas compras em caixas de papelão? E as parcerias com fornecedores? O que se cobra deles neste sentido? E ficar de olho nos mercados de bairro e fazer parcerias com outras grandes redes? Isso é ser sustentável? Qual o objetivo principal? Ganhar mais dinheiro (eles precisam mesmo?) ou mostrar respeito pelos consumidores e pelo planeta?

Como vocês podem ver, tenho mais perguntas do que respostas. No Faça, a gente se pergunta com frequência se adianta mesmo a gente fazer a nossa parte de formiguinha. A gente se pergunta o que mais precisa ser feito para que o impacto seja multiplicado o tanto que precisa.

Um blog que faz análise legal das iniciativas de sustentabilidade corporativa é o Testando os limites da sustentabilidade. Eles analisam os relatórios de sustentabilidade das empresas a fundo, depois entram em contato com elas para esclarecer dúvidas, para descobrir se o papo de sustentabilidade é real ou furado.

Como consumidores, temos que acompanhar esse papo. E temos que aprender a fazer as perguntas certas. E cobrar. E comprar menos. E não comprar de quem fica só no papo. E dar menos importância a grandes marcas, valorizando o artesanal – pequenos produtores de alimentos, pequenos artesãos, o comércio de bairro. Algumas coisas a gente acaba encontrando só nos grandes mercados, mas dá pra planejar as compras para comprar lá só o que não tem jeito de arrumar em outro lugar. Ir mais à feira, ao açougue e à padaria da esquina. Comprar a granel (levando potes e saquinhos de casa, para reutilizar).

Porque, como consumidores, nós temos poder. Afinal, o dinheiro que eles ganham sai do nosso bolso. Mas temos que levar esses questionamentos para outros. Temos que mostrar que existem opções. E temos que cobrar posturas transparentes das empresas. E cobrar das autoridades leis que obriguem as empresas a fazerem a sua parte.

O caso Belo Monte

Importante notícia no blog da Telma Monteiro:

Animação em 3-D com narração de Dira Paes será lançado nesta quarta-feira em Belém, Pará

Nesta quarta, dia 15, será lançado em Belém (PA) um vídeo em duas partes de quatro minutos e com animação 3-D, que apresenta de forma clara e didática os impactos sociais, ambientais e econômicos da hidrelétrica de Belo Monte no Rio Xingu. O vídeo foi produzido pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVS).
Intitulado Defendendo os Rios da Amazônia, o projeto faz parte de uma campanha nacional e internacional coordenada pelo MXVS, coalizão de organizações sociais e ONGs em defesa do Rio Xingu e contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Segundo os coordenadores do movimento, o vídeo alerta a sociedade brasileira para o processo atropelado, leviano, desrespeitoso e ilegal de planejamento e licenciamento do empreendimento pelo governo federal.
(…)”

Visite o blog e leia o restante… tem mais…

A fome no mundo é um bom negócio

As multinacionais começam a travar uma guerra surda, quase sem barulho e que poucos têm notícias: a guerra do potássio. Trata-se de um metal muito leve, segundo em ordem de leveza depois do lítio. É menos denso que a água e tão macio que se pode cortar facilmente com uma faca e cujos principais produtores são o Canadá, a Bielo-Rússia e a Rússia, com 95% da produção utilizada em fertilizantes.
Como a população mundial não pára de crescer, cresce também a necessidade de produzir alimentos e a demanda por fertilizantes só aumenta. Na Rússia, Anatoly Skurov, Suleiman Kerimov e Zelymkhan Mutsoyev conseguiram o controle de 69% da Silvinit, o maior produtor russo deste que está virando um metal tão preciosos quanto o ouro. A representação da Silvinit na produção de potássio na Rússia é tão grande que a situação se caracteriza como monopólio. Para não ficar atrás, a anglo-australiana Bhp Billiton fez uma oferta irrecusável pelo controle da canadense Potash Corp, a maior produtora mundial de potássio. A proposta não deve ter sido tão irrecusável assim, pois foi rejeitada. Mas a guerra continua, incluindo o fósforo, outro componente dos fertilizantes.
Permitir a concentração da produção mundial de potássio e fósforo nas mãos de uns poucos é um risco que não podemos permitir, pois isso levaria à formação de cartel que determinaria preços e controlaria fornecimentos. O simples boato de um possível exaurimento das reservas naturais elevaria os preços dessas matérias-primas às estrelas, colocando toda a cadeia agrícola sob controle dos fornecedores de potássio e fósforo. Mas somos impotentes diante dessa guerra.
A saída é investir na produção de fertilizantes alternativos, como vem fazendo a Embrapa há anos, com diversos programas desenvolvidos, em desenvolvimento e divulgando, para que essa tecnologia seja disponível e acessível ao agricultor brasileiro. Celeiros do mundo?
Via La Stampa.

Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais

Recebemos, com frequência, releases para publicação aqui no Faça. Alguns sucitam debate interno. Publicamos? Não publicamos? Esse, que publicamos, merece uma pequena reflexão:
é possível conciliar a fabricação de produtos nocivos ao meio ambiente com um programa ambiental para jovens? Pesquise, informe-se, debata!
Estudantes engajados em projetos socioambientais podem se inscrever até 27 de agosto e concorrer a um intercâmbio na Alemanha
As inscrições para a 7ª edição do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais terminam na sexta-feira, dia 27. Em uma parceria mundial entre a empresa alemã e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os vencedores dos quatro melhores projetos socioambientais irão representar o Brasil no Encontro Internacional de Jovens Embaixadores Ambientais na Alemanha, em novembro deste ano. O programa possibilitará o intercâmbio com os vencedores de outros 17 países da América Latina, Ásia e África, além de palestras e visitas a instituições com as melhores práticas ambientais germânicas. Todas as despesas da viagem serão pagas pela Bayer.
Para se inscrever, o jovem deve acessar o site bayer.com.br/bayerjovens e descrever o projeto ambiental ou de responsabilidade social do qual participa, incluindo quais atividades realiza, os benefícios da iniciativa e quais resultados já alcançados. O projeto pode ser uma iniciativa própria ou conduzida por intermédio da iniciativa privada, de associações, entidades e/ou Organizações Não Governamentais (ONGs). Também é necessário que o jovem esteja regularmente matriculado no ensino médio, cursos universitários ou de pós-graduação reconhecidos pelo MEC, além de ter entre 18 e 24 anos de idade e falar inglês.
Acesse nossas Redes Sociais e conheça mais sobre o Bayer Jovens:
Site: www.bayer.com.br/bayerjovens
Blog: http://portaldovoluntario.org.br/blogs/83968
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=104503165
Twitter: http://twitter.com/bayerjovens
Facebook: http://www.facebook.com/bayerjovens

Quem interfere em suas decisões de compra?

Muito esclarecedor o comentário do companheiro Allan, aqui no nosso projeto Faça a sua parte, ao meu post sobre os produtos verdes encalhados nas prateleiras, que, embora oferecidos a preços acessíveis, não têm saída nos supermercados.

Allan analisa uma possível causa de os consumidores levarem produtos nem sempre sustentáveis e econômicos: a organização dos produtos nos supermercados “conspira” para que consumidores sejam atraídos pelos que estão em destaque nas prateleiras.

A concorrência entre os fornecedores

Segundo a observação feita pelo Allan, produto e fornecedor são monitorados diariamente a fim de garantir ao supermercado uma rentabilidade pré-determinada, sob o risco de perder seu lugar de destaque na prateleira para outro produto de maior rentabilidade, possivelmente um provável concorrente.

Diante de tal probabilidade, os fornecedores disputam pontos estratégicos – as ilhas ou pilhas de produto, pontas de gôndola, etc – , e investem em propaganda cuidadosamente estudada para atrair os consumidores, com displays ou com cartazes chamativos, com preços rebaixados, e outras táticas mais “emocionais”, como oferecer amostras grátis, para despertar a febre consumista, e, consequentemente, a compra por impulso.

Como a mídia interfere na opinião e nas decisões do cidadão

Sabe aquela compra não planejada? O consumidor vai buscar leite e traz biscoitos, iogurtes, sorvetes e outras guloseimas estrategicamente colocadas em destaque para laçar os incautos. Boa parte das vendas de um supermercado vem deste expediente, reforçado pela publicidade na mídia, aliada forte dos supermercados para reforçar a decisão de compra.

O consumidor deve se reeducar e se policiar para não cair em tentação consumista e nada sustentável. Levar uma lista de compras ao supermercado e segui-la à risca é uma forma de conter a compra por impulso. Adquirir e exercitar o hábito de ler os rótulos para levar os produtos mais sustentáveis, econômicos, saudáveis e necessários é outra mudança que precisa ser estimulada.

Quem decide o que você vai levar para casa?

Conscientizar o consumidor é um trabalho difícil, e que muitas vezes não produz resultados relevantes. Cabe a cada um fazer sua parte para diminuir o impacto ambiental provocado pela ganância e a sede por lucros em detrimento da saúde do corpo, do bolso e do ambiente.

Pense nisto nas próximas idas ao supermercado. Quem decide o que você vai levar para casa? Você permite que a concorrência entre as empresas, o poder das marcas e a influência da propaganda interfira em usa decisão de compra? Afinal, o que você coloca na sacola: sustentabilidade ou irresponsabilidade ambiental?

Imagem: daqui