Por um mundo com mais pedal

Pra curar a ressaca da decepção com nossos senadores, vamos comemorar as pequenas vitórias do cicloativismo porque, de algum jeito, a gente precisa criar um mundo melhor.

Em Moema, a CET-SP instalou recentemente uma ciclofaixa. Claro que os blogs especializados já falaram sobre o assunto, comemoraram e fizeram também algumas críticas construtivas.

Entretanto, como toda quebra de paradigmas, a iniciativa gerou revolta entre alguns moradores e comerciantes, que acham que bicicleta não é meio de transporte e que as magrelas deviam mais é ficar tomando poeira na garagem. Melhor tirar o carro e encarar o engarrafamento, né?

Se até noiva pode andar de bike, quem não pode?

Mas a galera do pedal, mais rápida e ágil (claro!) já se mobilizou. Tem abaixo-assinado, que já conta com mais de 2000 assinaturas. Tem a bicicletada de gente diferenciada em Moema, no dia 19 de novembro, porque não são só as clientes milionárias dos comerciantes do bairro que andam de salto.

Então apoie o movimento e divulgue. Mesmo que você não seja de Sampa, dê seu apoio à iniciativa e aproveitei pra mostrar pra Secretaria de Transportes da sua cidade que, se na Cidade da Garoa dá pra fazer, na sua também dá.

E, meninas, não esqueçam do salto.

Chiques e poderosas!

Para saber mais:

Artigo do Willian Cruz no Vá de Bike

Artigo do André “Bicicreteiro” Pasqualini

Créditos das fotos

http://www.flickr.com/photos/luddista/4039623069/in/set-72157622652883390

http://urbanvelo.org/cycle-chic-sundays/

 

Reciclar ou reaproveitar?


O desafio que se impõe hoje é gerar menos lixo. Isso requer a conscientização de cada um. As transformações no comportamento humano dependem da mudança de sentimentos e de valores.

Evitar a produção de resíduos ao invés de apenas reciclá-los após seu descarte, é, muitas vezes, mais eficiente, pois a reciclagem consome água e energia, polui o ambiente e gera seus próprios resíduos.

Em minha saga por uma decoração sustentável, tenho pensado em como encontrar um novo destino para as embalagens dos produtos que consumo.

Uma experiência que deu certo foi esta: a caixa de ovos em papelão ganhou outro destino que não o lixo, transformando-se em enchimento para meus pufes! Qualquer coisa serve para encher os saquinhos dos pufes e das almofadas. Em outro pufe, aproveitei uma rede velha, já arrebentada, e cujo destino seria o lixo. Não ficaram ótimos? Macios e perfeitamente sustentáveis. Nada de comprar isopor ou flocos de espuma.

Basta usar a imaginação e um novo destino para algo que iria para o lixo surge. Reaproveitar materiais usados contribui para diminuir o gasto com matéria prima e gera menos lixo. Isto é ter uma atitude ecoconsciente.

E vocês, que materiais utilizam como enchimento de almofadas e pufes?

O que mudou no Planeta nestes 40 anos?

Há 40 anos que celebramos o Dia da Terra. A data foi criado em 22 de abril de 1970, com a convocação, pelo Senador americano Gaylord Nelson, de um protesto nacional contra a poluição. Neste tempo, que mudanças significativas observamos?

Apenas comemorações e homenagens não bastam. O objetivo principal do Dia da Terra é alertar as pessoas em todo o mundo sobre as ameaças que a próprio homem criou à Terra. Reflexões, protestos, movimentos e outras ações são importantes, apenas se acompanhadas de mudança de comportamento.

É fácil constatar que, ano após anos, mantivemos o excesso de produção e de consumo de recursos naturais e de produção de resíduos, desrespeitando os limites do planeta. A falta de investimento no desenvolvimento de energias renováveis, aliadas à falta de Educação ambiental, pioram o quadro crítico de deteriorização do planeta.

Todos estão cientes de que mudanças climáticas estão ocorrendo e sabem o que precisa ser feito; mas poucos – governantes e cidadãos – querem abrir mão de seus interesses pessoais e econômicos. Considerando as previsões de que a população mundial em 2050 terá aproximadamente 9 mil milhões de habitantes, é extremamente necessário que os países reduzam sua pegada ecológica.

O que cada um pode fazer para diminuir o impacto sobre nosso planeta? Esperar que os grandes poluidores façam a parte deles e cruzar os braços não é uma atitude ideal. A capacidade da Terra de produzir recursos suficientes para toda a população mundial, e de absorver a poluição que produzimos irresponsavelmente, é muito pequena diante da quantidade de recursos que consumimos desordenadamente.

Se não queremos abrir mão de nossa vida confortável, temos a obrigação de zelar pelos recursos que consumimos. Reduzir o consumo, reaproveitar materiais e, em último caso, reciclá-los, são atitutes que precisam fazer parte do cotidiano de todo habitante do planeta.

As mudanças de que precisamos para ter um Planeta saudável, tem de partir de nós. A Terra não precisa de nós. Pelo contrário, nós é que dependemos dela. Há possíveis soluções para deixarmos um planeta sustentável para nós mesmos e para as futuras gerações. Basta cada um fazer a sua parte.

Imagens:

Água , Amazônia , Antártica , Desmatamento

Produtos verdes vendem menos: por quê?


Suas compras são sustentáveis?

Muitas empresas disponibilizam produtos ambientalmente responsáveis nas prateleiras dos supermercados. São produtos verdes e baratos; no entanto, encalhados. Por que os produtos sustentáveis não fazem tanto sucesso nas prateleiras?

Falta informação ao consumidor

O hábito de ler os rótulos das embalagens dos produtos que consumimos frequentemente, precisa ser estimulado. Muitas donas de casa e empregadas domésticas acreditam que um detergente ou sabão em pó só é eficiente e econômico se fizer muita espuma. E para isto, utilizam uma quantidade maior do produto para ter o resultado desejado. Tal atitude nem sempre é a mais adequada se o produto utilizado for ecológico e sustentável.

Um sabão em pó ecológico faz menos espuma e reduz o número de enxágues necessários na máquina de lavar. O resultado é uma economia de 30% de água, além de energia. Se a empregada não for orientada, usará mais quantidade do produto para ver a espuma. O resultado será desperdício tanto econômico quanto ambiental, pois poluirá as águas do mesmo jeito.

Um amaciante de roupas ecológico é mais concentrado. Por isto, tem um quarto do tamanho do convencional e custa 20% menos. Por ser menor, economiza 79% de água, 58% de plástico na embalagem e 67% dos caminhões no transporte. Uma dona de casa ou empregada sem esta informação, usará a mesma quantidade do produto convencional. Mais desperdício.

O papel higiênico ecológico é feito com fibras de papel reciclado obtidas a partir de aparas selecionadas e tem os rolos compactados para caber em uma embalagem menor. Aparentemente, há menos papel no rolo, por isto é importante observar a embalagem para perceber a quantidade de produto que ela contém.

O que mudou nos produtos verdes

Embora este não seja um publieditorial, acho importante ressaltar a iniciativa da rede Walmart, que, com o apoio do Centro de Tecnologia de Embalagem e Instituto de Tecnologia de Alimentos desafiou seus fornecedores a tornar seus produtos mais sustentáveis. O resultado foi surpreendente: menos embalagens e matéria prima, menor consumo de água e energia e mais reaproveitamento de recursos materiais e naturais:

O Óleo Liza mudou os processos produtivos e embalagem resultando em uma economia de 26% no consumo de água, 18% no consumo de energia elétrica e 10% na quantidade de matéria-prima plástica na produção das garrafas.

O Matte Leão Orgânico mudou a matéria-prima e embalagem e agora usa 100% de erva-mate orgânica certificada, material 100% reciclado na embalagem, redução de 90% na tinta de impressão na embalagem.

O Pinho Sol mudou os processos produtivos e embalagem gerando uma redução de 15% da gramatura da tampa, utilização de PET reciclado na embalagem e 45% de papelão reciclado nas caixas de transporte.

O curativo Band-Aid reduziu 18% de matérias-primas da embalagem, usa 30% de matéria reciclada, reúsa 50 toneladas por ano de resíduos de papel siliconado e economiza 72 contêineres por ano para o transporte.

Ler os rótulos é essencial para manuseio sustentável

O hábito de ler os rótulos das embalagens precisa ser cultivado pelas donas de casa que, ao orientar suas empregadas sobre o manuseio adequado dos produtos, contribuirão para maior economia, não só no bolso, mas, principalmente nos recursos naturais, como água e energia.

Precisamos ainda, cobrar das empresas que disponibilizem informações claras e objetivas em suas embalagens. Mesmo os produtos não-sustentáveis podem contribuir com informações de melhor manuseio e uso da forma correta, para que tenham maior durabilidade e eficiência e, consequentemente, menor impacto ambiental.

Na hora de fazer as compras, ñão basta acondicioná-las em sacolas ecológicas, como a minha linda ecobag da foto. É necessário que os produtos que compramos também sejam sustentáveis. Verdes ou não, manuseá-los adequadamente pode diminuir muito o impacto no orçamento doméstico. E a natureza agradece.

Quiabo (sem queijo coalho) no espeto

espeto de quiabo

Pois é,

Na conversa sobre o cardápio “verde” para o churrasco de aniversário, que o Afonso está preparando para o aniversário da Condessa Clarissa, uma sugestão deliciosa e ecologicamente correta surgiu. E eu estou ansiosa para prová-la e aprová-la no próximo churrasco que me aparecer. Enquanto isto, vamos ficar com água na boca só um pouquinho?

– Afonso, você já fez quiabo assado? – pergunta a Silvia SchirosFica uma delícia. Até quem não gosta de quiabo cai de boca.

Sílvia conta que já aconteceu de os amigos carnívoros ficarem “tirando sarro” de seu marido por causa do quiabo no churrasco, e depois não sobrar unzinho pra contar a história.

A dica, segundo Sílvia, é escolher os pequenos, pois os grandes são muito fibrosos. Aí, é só lavar e temperar com sal e azeite, ou shoyu e azeite, e assar. Fica pronto rápido. Quando começa a ficar queimadinho tá no ponto.

– E, se o quiabo estiver junto com o queijo de coalho no espeto, você corre o risco de ficar sem nenhum, me garante Sílvia.

Quiabo com o queijo de coalho? Humm, deve ser ótimo, pensei. Porém ao me lembrar daquela conversa sobre a enzima extraída do estômago do bezerrinho desmamado para fazer o coalho, o meu estômago e o meu coração se revoltaram com tamanha crueldade. Há tantas e deliciosas opções mais sustentáveis, mais humanas e ecologicamente corretas.

Alguns tipos de queijos são produzidos sem o uso do coalho, como o Catupiry, a ricota, o cotagge, o cream cheese, e a maioria dos requeijões de copo, os queijos caseiro produzidos a partir do iogurte, o queijo mascarpone e alguns tipos de queijos fundidos. Eu soube que os queijos das marcas Camanducaia e Yema não contêm coalho animal. Vou começar minha pesquisa pelos supermercados das redondezas.

legumes na brasa

Se depender de mim, os bezerrinhos continuarão sendo amamentados e livres do corredor da morte prematura. E, fala sério, este espeto de legumes da foto (clique nela e babe…), com beringela, pimentão e brocolis na brasa não é uma tentação? Achei a receita com o molhoneste blog . Garantem que é uma delícia! Eu acrescentaria cebolas pequeninhas. E, é claro, quiabo no espeto (sem queijo coalho, para prevenir).

A natureza, o meio ambiente e os bezerrinhos agradecem.

Fonte: queijos sem coalho

Imagem: legumes na brasa e quiabo no espeto

Queijo ou carne? Eis a questão!

queijo coalho

Um simples bate-papo entre amigos do Faça a sua parte – muito divertido por sinal – em nosso grupo de discussões, tornou-se motivo para uma longa e interessante reflexão sobre o queijo ser ou não ser de origem animal.

Explico: o Afonso, o chato perguntou-nos que pratos poderíamos sugerir, além dos tradicionais pastos (argh!!!!! alface, rúcula, tomate, cebola, batata, etc…) – o “argh!!!!!” é do Afonso – para oferecer no churrasco de aniversário de sua linda filha, a Condessa Clarissa, na semana que vem, a convidados que não comem carne.

Como vocês sabem, estou definitivamente sem comer carne. Sugeri ao Afonso que servisse hambúrgueres, quibes e salsichas vegetais, comprados pronto, e que ficam ótimos grelhados. Outra delícia é o pão de alho (compra-se pronto ou faz com pão tipo baguete cortado ao comprido e inteiro, temperado com alho, orégano e azeite). É só colocar na grelha pra torrar.

A maior das delícias, no entanto, foi a que, no último churrasco do dia dos pais, minha filha preparou para mim: o queijo coalho no espeto. Reparei uma reação estranha: todo mundo caiu em cima do queijo e se esqueceu de que era carnívoro, hehe.

Quando falei deste último, o Afonso citou o fato de o queijo coalho ser derivado de carne. Comentei que eu já havia deixado de comer gelatina por ser derivada do porquinho, mas ainda não chegara a este patamar de não comer o coalho, embora saiba que ele vem de parte do estômago do boizinho. Devagar e sem neuras. Cortar a carne já é um grande passo para mim. Eu como ovos e derivados de leite. Só parei com a carne.

– Não sabia que queijo coalho tem a ver com estômago de boi (argh!!! nunca mais como). Achava que era de leite de cabra azedado – diz Afonso.
– Argh duplo, Afonso. Acho que vou repensar meu hábito de comer queijo coalho… retruquei.
Uai, mas não é derivado do leite? pergunta a Silvia Schiros.
Expliquei-lhes que o coalho é que é de origem animal. É uma enzima (quimosina) utilizada na coagulação das proteínas do leite e é obtida do estômago de bezerros recém-nascidos. O mais trágico, que talvez seja a razão para eu deixar de comer queijo coalho, é a crueldade com os bezerrinhos, que são alimentados durante uma semana com o leite, e, depois, são afastados de suas mães e abatidos para a obtenção da enzima.
Existe o coalho de origem vegetal, que é obtido através de plantas; e o coalho de origem microbiana, desenvolvido através de pesquisas de manipulação genética, introduzindo-se DNA para a produção de quimosina em alguns microorganismos. Mas é mais raro de encontrar. Tem de olhar o rótulo quando comprar.

– Explica melhor – pede Sívia, Nossa, eu não sabia disso! Achei que era só o leite processado, mas sem abate de bezerrinho. Menina, sério, ser carnívora é cruel mesmo. Mas eu não faço carne no dia-a-dia, é só quando o marido resolve fazer churrasco. Quando eu planejo os almoços, é com carne branca (peixe e frango, que procuro comprar de uma marca – caríssima, por sinal – que não usa antibióticos) ou ovos. O queijo de coalho aqui em casa vem por minha causa, que como pouca carne. Vou ter que aprender a passar sem ele. O que tem que procurar no rótulo pra saber se o coalho é feito com ingredientes de origem vegetal?- pergunta a Sílvia.

– Sílvia, alguns queijos não levam coalho (catupiry, ricota, cream cheese). Nos rótulos sempre é indicado quando contém coalho (no caso de empresas responsáveis, né…) – expliquei.
– Nossa, então praticamente todos os queijos passam por esse processo? Queijo minas? Parmesão? Mussarela? – pergunta ela.
– A maioria dos queijos levam coalho. Exceto os processados, como o requeijão.
Nesse ponto da conversa, o Allan, do blog Carta da Itália, nos traz um detalhe técnico:
– Na Europa, se não levar coalho não pode ser chamado de queijo. Ricotta, coalhada (yogurt greco), yogurt e parentes são laticínios, mas não são classificados como queijo.
E mais uma curiosidade extra:
– Na Itália, continua Allan, pecorino é qualquer tipo de queijo produzido com leite de ovelhas ou misto (com adição de leite de vaca, cabra, búfala…); queijo vaccino, aquele produzido exclusivamente com leite de vaca; queijo misto, aquele com leite de vaca e cabra ou búfala, mas não com leite de ovelha (que, por uma questão de predominância de sabor e odor, será sempre um pecorino); já o queijo caprino é um tipo de queijo mole, vendido em rolinhos e por falta de legislação específica pode ser feito com leite de cabra ou de vaca. Os queijos produzidos com leite de cabra na Itália precisam ter bem clara essa informação no rótulo.
Eu AMO queijo, muito mais do que carne. O marido fica pê da vida. kkkkk. Por isso me espantei com a crueldade desse ingrediente para coalho e em saber que a maioria dos queijos usam. Eu viveria bem sem carne vermelha, mas não sei se conseguiria viver sem queijo, confessa Sílvia.
A esta altura, Afonso, o pivô da discussão, se diverte:
– Viu por que é mais fácil comer carne? Se eu soubesse que uma simples sugestão de prato daria nesse monte de informação, hehehehehehe.
Lucia Malla, do blog Uma malla pelo mundo, entra na conversa animadíssima:
– Silvia, eu também AMO queijo. Nem penso em ficar sem, sinceramente. Pecorino… aaaaaaa! Que delícia. Isso me lembra que preciso postar no blog, em algum momento do futuro, a visita à feira de queijos a que fomos eu, Andre e Flavio Prada lá em Trento. O que era aquilo!!!! Cada queijo mais delicioso que o outro. Uma perdição.
Confesso que fiquei com água na boca. Gosto muito de queijos. Imaginei-me na feira de Trento fazendo a festa com a Lucia Malla (pobres bezerrinhos…).
– E por falar em queijos, Afonso interrompe meus pensamentos, trabalhei três anos em uma fábrica de leite e derivados (laticínios e queijos). Honestamente? Não sei como ainda como certos queijos… acrescenta ele.

– Ih, Afonso, é melhor nem contar, hehe.

Em um próximo post, contarei para vocês como o Afonso montou o cardápio carnívoro-vegetariano (credo!!!) e outras deliciosas sugestões de comidinhas que a Lucia Freitas, a Lucia Malla e a Silvia Schiros trouxeram nesta longa, interessante e divertida conversa.

Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira
Imagem: queijo coalho

MP 458: o resultado

A MP 458 foi sancionada ontem, e as nossas reivindicações ficaram assim:
– Vetar a ocupação e exploração indireta, para que apenas as pessoas que moram nas terras tenham suas propriedades regulamentadas.
Veto efetuado.
– Vetar regularização para empresas privadas, somente pessoas físicas devem ter direito à regularização.
Veto efetuado.
– Proibir a comercialização das terras regularizadas por 10 anos, ao invés dos propostos 3 anos, evitando assim a especulação comercial das terras.
Veto não efetuado.
Leia mais aqui.

Agua e sociedade liquida

Já há algum tempo se fala em sociedade liquida. Definição cunhada pelo sociólogo Zigmunt Bauman para caracterizar a sociedade atual, onde as transformações são tão velozes que não permitem mais o estabelecimento de modelos ou tradições. O conceito de liquido vem ilustrar esse nosso modo fluido de comportar-se socialmente, ou seja, vivemos em constante expectativa e transformação. Nos “moldamos” continuamente àquele que é nosso habitat em comunidade. Claro que isso tem uma origem e também suas consequências.
No inicio do século passado Freud (alguém se lembra dele? aquele austríaco barbudinho) fazia uma analise do homem de seu tempo, aquele do inicio do século XX. Dizia que em nome da segurança, as pessoas eram até dispostas a abrir mão de um pouco da liberdade. Ordem e modelos preestabelecidos, orientavam o agir e o estar. A distancia de cem anos, a situação se inverte.Bauman sublinha a importância que a liberdade, traduzida e transformada em individualismo, assume nos dias de hoje. A segurança, as certezas, osrefererenciais, as verdades perenes desaparecem.
Isso cria um paradoxo. Somos tão viciados em garantir a liberdade pessoal e nossa individualidade que nos transformamos em todos iguais uns aos outros, o exato contrario do que se pretende. E dentre os aspectos não muito positivos desse modo de ser,encontra-se o fato que somos igualmente individualistas mas por isso mesmo, muito desunidos como sociedade.
Nos fizeram crer que pensamos com nossa própria cabeça, mas sempre mais e mais reproduzimos modelos. Como antes os modelos eram claros e desejados, paradoxalmentetinha-se maior liberdade em segui-los ou não. Hoje os modelos são ocultos, quase nunca tem nome ou um rosto. Mas praticamente todos se aninham em um enorme coiso liquido que chamamos de mercado de consumo.
O consumo serve como referencial hoje. Outro dia levei meu computador de dois anos de idade pra um conserto e o técnico me disse: sabe, tem que esperar um pouco até chegar as peças, pois é um computador velho…Càspita, dois anos é velho.
Vivemos plenamente nossa liberdade de escolha, mas desde que seja dentre o que o mercado nos oferece. Se você me lê aqui é porque tem diante de si um desse computadores de que falei. Tivemos que nos adequar a eles. Vivemos dentro do esforço de acompanhar tudo o que vem por ai. O celular com duzentas funções já não é legal, temos agora o de trezentas. A geladeira que não fala é ultrapassada, o tostador de pão semdisplay me deixa angustiado.
O resultado de nossa sociedade individualista, livre e consumista é esse: muita angustia e medo. Na verdade esses são os verdadeiros motores de nossas ações. A angustia nos move na busca de inserimento, visto que no fundo nos sentimos solitários e isso se dá a partir dos objetos e do consumo. Comprar nos alivia essa dor.
Claro que em um contexto assim nosso foco é sempre sobre aquilo que as coisas nos dão, sem demasiada preocupação para as consequências que isso acarreta. No mundo onde tudo é mercadoria destinada ao nosso “bem estar”, o meio ambiente é algo marginal. Meio ambiente não é mercadoria. Ou ainda não é.
Olha mais um paradoxo. Não sendo mercadoria, está fora daquelas que são nossas preocupações fundamentais. Um passeio pelo bosque é um momento necessário para alivio do stress pelo trabalho que tenho que fazer pra poder comprar todos osgadgets que me oferecem, nunca algo fundamental e preponderante. Entre plantar uma árvore e comprar um tênis novo no shopping, a enorme maioria de nós escolhe o segundo. O paradoxo é esse: quando o meio ambiente se transforma em mercadoria, entra no rol de produtos. Entra no clube dos objetos destinados à “liquidação”, essa entendida literalmente.
Compramos coisas para serem liquidadas. Nossa ânsia tem necessidade de coisas sempre novas e modas e últimos lançamentos. Jogamos fora aquilo que não nos serve mais. Pra onde vão essas coisa já não nos compete mais. Elas já satisfizeram meus desejos e agora que não me serve mais não me interessam minimamente.
A agua está se transformando em mercadoria também. Produto vital e insubstituível, até algum tempo era bem comum e patrimônio de todos. Está mudando, mais ou menos lentamente, mas está mudando. A cada dia que passa se privatiza cada vez mais, até o fornecimento da agua que chega às torneiras, com pioramento da qualidade e irônico aumento de preços.
Além disso, como visto acima, tudo que é mercadoria me serve nos meus caprichos e desejos. Isso automaticamente me leva a pensar que quem pode comprar mais pode ter mais caprichos e de consequência, pode “liquidar” mais que aqueles que não tem esse poder.
O problema da agua, passa a ser um problema econômico e social, além de ecológico e de recursos. Temos já uma divisão entre aqueles que bebem agua mineral, tomam seus banhos diários, sauna, piscina, carro lavado e aqueles que viajam quilômetros para ter o que beber. Além disso temos o consumo de agua para a produção de produtos. Do papel à carne, do tecido de algodão à cachaça, a quantidade de agua empregada na industria é inacreditavelmente grande. Tudo em função do consumo.
Uma vez usada, a agua mercadoria não serve mais. Conflui naquilo que uma vez era fonte de vida e subsistência e que hoje se transforma em sinonimo de cloaca: os rios. E dali ao mar. O grande lixo da humanidade. Muitos de nos nasceram no planeta agua e vão morrer no planeta lixo.
Soluções? Mudança radical ao consumo consciente com particular atenção ao greenwash que aumenta explosivamente, transformando até o tema ecologia em mercadoria.
Redistribuição de renda também ajuda, mas na sociedade liquida da liberdade e do liberalismo é bem difícil até de se sugerir sem parecer comedor de bebês.
Vivemos tempos difíceis, mas com grandes esperanças. Vamos acompanhar com a atenção o fórum de Istambul pra ver o que sai disso tudo.

Ajuda do alto

Deus resolveu nos ajudar a controlar as contas e o consumo de energia consumida em nossas casas. Atualmente o projeto é um protótipo em fase de testes mas se Deus quiser, logo estaremos mais aptos ao consumo consciente. Gloria!